segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

“Erguem-se fantasmas”

O Segredo da Casa de Riverton, de Kate Morton O Segredo da Casa de Riverton, de Kate Morton foi um dos livros que recebi este Natal. Ainda não tinha ouvido falar da sua história (melhor assim) e como a sinopse agradou-me optei por lê-lo nestes dias de descanso.

O ano presente é o de 1999. Grace Bradley, uma antiga criada da casa de Riverton, recebe uma carta de Ursula, uma cineasta que pretende fazer um filme sobre o poeta R. S. Hunter que se suicidou, no Verão de 1924, junto ao lago da casa de Riverton. Com a chegada da carta, Grace transporta-se para o passado. Nos caminhos da sua memória, Grace revive uma série de acontecimentos que tinham ficado há muito guardados e adormecidos e agora era tempo de acordá-los.

O Segredo da Casa de Riverton, passado em Inglaterra, começa no ano de 1914 com a chegada de Grace à casa de uma família britânica e termina em 1924, com a morte do poeta nessa mesma casa. Atravessa a I Guerra Mundial e apanha os loucos anos 20.

“Tenho pensado no dia em que entrei em Riverton. Lembro-me muito bem. Os anos que medeiam encolhem-se como o fole de uma concertina e estamos em Junho de 1914. Tenho outra vez catorze anos: ingénua, tosca, aterrorizada, seguindo a Nancy lance após lance de escadas em madeira de olmo, esfregadas à mão.”

É através das palavras de Grace que ficamos a conhecer o segredo que envolve a casa de campo da família Ashbury. Ficamos a conhecer os principais intervenientes da tragédia: Hannah e Emmeline, as irmãs Hartford e Robbie Hunter, o jovem poeta. E muitos outros personagens, pois Grace conta-nos também, paralelamente, a sua história presente e passada. Não a conta à cineasta Ursula, opta antes por gravá-la numa cassete, pois é para o seu neto Marcus que Grace fala.

Obviamente que não vos conto o segredo, mas refiro que O Segredo da Casa de Riverton é um romance inquietante e viciante. Em certos momentos senti-me mesmo uma das personagens a deambular pelas salas, quartos e jardins da casa ou a caminhar pelas ruas de Londres.

A autora com a sua escrita fluída e envolvente cativou-me da primeira até à última linha. Como estreia da autora está um romance de época muito bem conseguido. Os seus personagens estão agradavelmente bem caracterizados e dão vida a uma história extraordinária com um final surpreendente.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O tons de azul...

... assinala hoje 3 anos de existência. Os dias por aqui têm sido preenchidos com escassas pinturas... Provavelmente poderá estar na iminência de um leeento caminhar para a inexistência, mas até lá continuarei a pincelar em tons de azul.
Paris:Torre EiffelBeijinhos e abraços!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Trilho da Rocha da Pena

Percurso pedestre da Rocha da PenaPercurso: Pedestre
Localização: Freguesias de Salir e Benafim, concelho de Loulé

Distância aproximada: 5 km
Duração: 3h - 3,5h (aprox.)
Grau de dificuldade: Médio


O Sítio Classificado da Rocha da Pena, situado nas freguesias de Salir e Benafim, protege e conserva os valores físicos e paisagísticos do Barrocal algarvio.
A Rocha da Pena é uma cornija escarpada de calcários, cujo planalto tem aproximadamente 2 km de comprimento e uma escarpa com cerca de 50 m de altura. A altitude máxima deste local é de 479 m.



O percurso pedestre pode ser iniciado na aldeia da Penina ou na Rocha da Pena e pode ser efectuado nos dois sentidos. Ao longo do percurso é possível observar várias estruturas características de formação cársica tais como sumidouros e algares. O Algar dos Mouros é um dos mais conhecidos e abriga duas espécies de morcegos ameaçadas de extinção, o Morcego-de-Peluche e o Morcego-Rato-Pequeno. No topo da Rocha encontram-se dois amuralhamentos em pedra.


Devido à sua localização, numa zona de transição entre o Barrocal e a Serra, este local tem uma grande variedade de flora. Possui mais de 500 espécies de plantas, das quais algumas são endémicas e muitas outras medicinais e aromáticas.

A fauna também é bastante rica. O seu isolamento geográfico permite um óptimo abrigo e local de nidificação para muitas espécies, tendo sido avistadas cerca de 122 espécies que, na sua maioria, são residentes, embora também se encontrem aves migratórias e estivais.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

"O Ingénuo"

O Ingénuo, de VoltaireO primeiro livro que li de Voltaire foi Cândido e gostei imenso! Contudo, hoje falo-vos não de Cândido, mas sim d’O Ingénuo. Neste livro de 93 páginas, Voltaire, o escritor do Iluminismo, volta a surpreender com humor e ironia.
O Ingénuo conta a história de um índio hurão, de nome Hércules Ingénuo, que, ao desembarcar na Bretanha, é reconhecido pelos seus parentes que o convertem ao catolicismo e o baptizam. Só que entretanto Ingénuo apaixona-se pela sua madrinha de baptismo e vê-se confrontado com impedimentos que não entende.

“ – Irra, meu tio, estais a fazer pouco de mim! Porque há-de ser impossível casar com uma madrinha quando a madrinha é nova e bonita? Não vi no livro que me emprestastes [A Bíblia] que seja pecado casar com as raparigas que nos ajudam a baptizar. Vejo que se fazem todos os dias para aí muitas coisas que não figuram no vosso livro e que não se faz nada daquilo que o livro diz; confesso-vos que isso me surpreende e aborrece.”

Após lutar contra os ingleses, Ingénuo parte em direcção a Versalhes com o intuito de receber um prémio pelos serviços prestados e com esperança de conseguir casar com a sua madrinha, a linda Saint-Yves.
Ao chegar lá acaba por ser encarcerado na Bastilha. Como fica sem saber notícias do seu amado, Saint-Yves parte também para Versalhes. Contudo quando pede ajuda a um padre para libertar Ingénuo, depara-se com propostas delicadas. Saint-Yves vê-se então confrontada com um dilema... E mais não conto.
Esta obra é uma excelente sátira ao catolicismo e à sociedade.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Notre Dame de Paris

Notre Dame de Paris “And the cathedral was not only company for him, it was the universe; nay, more, it was Nature itself. He never dreamed that there were other hedgerows than the stained-glass windows in perpetual bloom; other shade than that of the stone foliage always budding, loaded with birds in the thickets of Saxon capitals; other mountains than the colossal towers of the church; or other oceans than Paris roaring at their feet.”
Notre Dame de Paris, de Victor Hugo, 1831

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Recital de Piano com Alena Khmelinskaia

Amanhã às 21h30 realiza-se, no Grande Auditório da Universidade do Algarve (Campus de Gambelas, Faro), um recital de Piano por Alena Khmelinskaia, aluna galardoada do Conservatório Regional do Algarve Maria Campina e vencedora, na sua categoria, do XIV Concurso Internacional de Piano Maria Campina.
Para os interessados informo que o concerto tem entrada gratuita.

Programa

I.S. Bach, Toccata BWV 913

I. Haydn, Andante com variações. Hob. XVII:16

Intervalo

A. Scriabin, Preludio e Nocturno (para mão esquerda), op.9

C. Debussy, Estudo “pour les cinq doigts”

P.I. Tchaikovsky, Romance, op.5

D. Kabalevsky, Rondo, op.59

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Sputnik = Companheiro de viagem

Sputnik, Meu Amor de Haruki Murakami"Aquela mulher amava Sumire, mas não sentia por ela desejo desejo sexual. Sumire amava aquela mulher e, mais, desejava-a. Eu amava Sumire e desejava-a. Sumire gostava de mim, mas não me amava nem tão pouco sentia desejo sexual por mim."

Sputnik, Meu Amor, de Haruki Murakami podia resumir-se às linhas acima citadas. No entanto, a sua história conta-nos muito mais que isso. Fala-nos de livros, de música clássica, de solidão, de viagens, de sonhos e de realidades.
O engraçado é que o livro que li antes deste foi O Processo, de Kafka. Quem já o leu sabe que o personagem principal chama-se K. Pois neste, também existe um K, que é o narrador da história. Não sei se já vos aconteceu depararem-se com coincidências destas, mas a mim acontece-me frequentemente.
Dividi esta história de agradável leitura em duas partes. Na primeira, K dá-nos a conhecer Sumire e o quanto ela desejava ser escritora.
Na segunda parte, Sumire parte numa viagem com Miu e desaparece. K é finalmente dado a conhecer através dos escritos de Sumire, que ele nos narra. Estes dois documentos convidam o leitor à introspecção e ao questionamento.
A escrita de Haruki Murakami surpreendeu-me, por isso espero voltar a lê-lo. "Viram alguma vez alguém levar um tiro e não deitar sangue?"

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O Poeta e o Sonho

Ponte de Lima: Jardim Romano
"Durmo. Se sonho, ao despertar não sei
Que coisas eu sonhei.
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
Melhor é nem sonhar nem não sonhar
E nunca despertar."
Fernando Pessoa, Poesias, 1933

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Roma

Fontana de Trevi
Roma. Uma cidade monumental. É assim que a defino. Tudo em Roma é colossal. As ruas revelam anos e anos de história. Caminhar por elas é caminhar de rosto esticado para cima até doer o pescoço. É surpreender-se em cada esquina e em cada praça. É carregar no botão da máquina fotográfica sem cessar para mais tarde recordar. É reconhecer quase toda a cidade, sem nunca lá ter estado antes.
Roma. Uma cidade também desmesuradamente turística e suja. Com arredores feios e ainda mais sujos. Em que se conta pelos dedos os que primam pela simpatia e pela boa disposição.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Ensaio 3| A Utopia do direito à Preguiça

Sleeping, de Paula Rego Sleeping, de Paula Rego

Será possível antever um mundo em que o indivíduo estará liberto de uma série de ocupações e onde estas serão entregues à máquina?

Paradoxalmente à questão temos sociedades em constante aceleração, que correm atrás do tempo, sempre atrasadas e ansiosas. Porquê? Porque não se previu a globalização, nem a obsessão pela competitividade, bem como os horários de trabalho surrealistas. Os poderes continuam a exigir um crescente leque de actividades que pouco ou nada têm a ver com o lazer. Eles controlam e robotizam as sociedades através do crescente produtivismo e mais uma vez, a hora do ócio, do justo momento do cogitar, da especulação desinteressada, do cultivo da nova ideia e da contemplação parece querer escapar por entre as mãos.
O desejo de que a máquina libertaria o indivíduo do seu cansativo trabalho, proporcionando-lhe tempo para os prazeres do espírito e do corpo não foi alcançado ainda. O que se verifica é cada vez mais a submissão das sociedades às novas tecnologias. As sociedades continuam a deixar-se atrair para miragens e com isso os poderes globais neutralizam-nas, inibem-nas e continuam a proceder à massificação e ao auto-aprisionamento das mesmas.
Os poderes dos media incutem, através de meios publicitários, novas e estrondosas máquinas que uma vez adquiridas aumentam o tempo livre. Paradoxalmente é necessário trabalhar muito e muito mais para atingir esse fim. Considerámos assim relevante citar as palavras em forma de slogan de Kasimir Malevitch: «A verdade do teu esforço é o caminho para a Preguiça.»
O poder político e económico aborda a pragmática do trabalho como principal razão de viver. O indivíduo corre loucamente, nunca tem tempo para nada. Assim, o que resta de tempo para a Preguiça é agora substituído por um hedonismo fanático pelo consumo.
Os poderes sempre os poderes! O indivíduo extenuado pelo trabalho acaba por encontrar a frustração e esta dá origem à apatia e à preguiça. Passa a viver em total descrença de si próprio. Transforma-se e adoece. Tarde chega a sabedoria. A utopia não se alcança é para se caminhar até ela.
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Bibliografia:
DACOSTA, Fernando, «Preguiça: Reformular a Utopia», in Sete Pecados Capitais.
MORE, Thomas, Utopia.
SANTOS, Maria Lourdes Lima, «”Cultura dos Ócios” e Utopia», in Cultura e Economia.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

"A Metamorfose"

“Um dia de manhã, ao acordar dos seus sonhos inquietos, Gregor Samsa deu por si em cima da cama transformado num insecto monstruoso. Estava deitado de costas, sentia a carapaça dura e, ao elevar um pouco a cabeça, via a barriga arredondada, de cor castanha, dividida em faixas rígidas arqueadas, e no alto dela a coberta da cama em equilíbrio instável, quase a resvalar. As muitas pernas, penosamente finas em comparação com a sua actual corpulência, tremiam diante dos seus olhos perplexos.”

A Metamorfose, de Franz KafkaAssim começa esta obra fascinante e perturbadora de Franz Kafka. A Metamorfose narra a história de Gregor Samsa, um caixeiro-viajante que um dia acordar assusta-se com a sua transformação em insecto.
Inicialmente Gregor conta com o apoio da família, principalmente da irmã, mas com o passar dos dias começa a ser um fardo muito pesado. A sua presença em casa torna-se insustentável e passa a ser marginalizado e ignorado pela sua própria família. Os seus dias de sobrevivência reflectem-se então em angústia, desespero e solidão. Para a família, Gregor não passa de um insecto repugnante que têm de suportar, pois é filho e irmão. É o peso da obrigação!
No final, os pais e a irmã finalmente conseguem alcançar a libertação e juntos partem com esperanças num novo futuro.
Kafka é admirável! Com esta história inquietante, o autor coloca-nos perante questões tão actuais, tais como a solidão, a exclusão, a descrença, a diferença e a individualidade humana, entre outros.
Uma boa sugestão de leitura para o Outono que ainda agora chegou!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Ensaio 2| A Utopia do direito à Preguiça

Será então que num mundo obcecado pelo consumismo e pelo trabalho, já não temos direito à Preguiça?

Num lado da balança temos os que tentam demonstrar como a Preguiça está nos alicerces do indivíduo. Onde a máquina um dia chegará para o libertar das tarefas e assim, finalmente o indivíduo poderá gozar o tão desejado tempo para a liberdade e para o espírito.
No outro lado temos os que defendem que o mundo está para o progresso, como o progresso está para o mundo e que para lá chegar é necessário muito sacrifício e trabalho árduo.
O Pensador, de RodinO Pensador, a famosa escultura de Rodin, conduz-nos para os grandes momentos da criação artística e do pensamento filosófico. Na Grécia Clássica foi exactamente o uso do tempo livre dedicado ao ócio que definiu os fundamentos da cultura, da ética e da moral ocidental. Nessa época, porém, o pleno gozo do lazer era um direito de poucos. No tempo de Péricles a sociedade ateniense era composta por homens livres. No entanto, o tempo liberto para o ócio e a criação só era possível graças ao trabalho dos escravos.
Também a antiga expressão: «dolce far niente» é tão conhecida quanto mal interpretada, pois a mesma nunca significou um convite à preguiça ou à apatia. Esta é antes uma invocação para o aproveitamento da vida, para o recompor do espírito especulativo e, implicitamente, o aliviar da tensão do trabalho, sobretudo o intelectual.
Claro que nesta luta pela Utopia do direito à Preguiça teremos sempre utópicos ou não.
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Continua...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

"Um balde...

Bucket ... é também um ponto de partida para as histórias que se querem contar..."

O Teatro da Palmilha Dentada apresenta esta quinta-feira, pelas 21h30, no Teatro Lethes em Faro, a peça Bucket, com texto e encenação de Ricardo Alves.

"Um balde divide o mundo.
Havendo um balde, há o que está dentro e o que está fora.
De pernas para o ar é um banco.
Com um pé dentro é um gag antigo.
Empilhados, uma torre.
Numa loja de cristais é um erro, na construção civil uma constante, se tiver um furo é inútil, se tiver muitos, dependurado num ramo de árvore, é um chuveiro. Há baldes que são dois, meio balde de detergente, meio balde de água limpa. Alguns têm tampa, alguns têm rodas, quase todos têm asa. Transportam água, guardam o leite. É um balde, foi à lua e voltou cheio de pedras lunares.
E se um dia nos faltarem?"

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Ensaio 1| A Utopia do direito à Preguiça

Mapa da ilha imaginária de Thomas MoreMapa da ilha imaginária de Thomas More

Sempre que penso neste tema viajo até à ilha imaginária de Thomas More onde cada indivíduo trabalhava e executava as tarefas úteis e essenciais na ilha e entre as mesmas ocuparia o seu tempo livre como bem o desejasse. O tempo do ócio seria finalmente atingido para pensar livremente.
Presentemente o trabalho ocupa a maioria dos indivíduos, inclusive até aqueles que tentam dedicar-se a actividades ligadas à meditação. Assim, a Preguiça, ou até mesmo o ócio, enquanto actividade criativa é hoje considerada uma afronta aos poderes. Vivemos no apogeu do capitalismo e da globalização. Nunca o indivíduo ficou sem tempo para si como actualmente.
Será então que num mundo obcecado pelo consumismo e pelo trabalho, já não temos direito à Preguiça?
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continua...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

. ..

Florença
"A caminho daqui vi coisas maravilhosas para pintar, mas nunca soube pintar. Sei de coisas maravilhosas para escrever e nem sequer consigo escrever uma carta que não seja estúpida. Nunca quis ser pintora nem escritora até chegar a este país. Agora, é como estar-se sempre esfomeado e não haver maneira de o remediar."
O Jardim do Éden, de Ernest Hemingway

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Regresso aos livros

Não tenho falado de livros... A verdade é que não tenho escrito sobre nada… Nem de livros, nem de coisa nenhuma! Os dias têm estado azulados para estes lados do sul e os mergulhos no mar (confesso que gosto ficar de molho como o bacalhau) têm sido mais frequentes do que a vontade de escrever. Têm sido quase como um prolongamento das férias.
Até tenho-me dedicado imenso aos livros, mas mais na vertente da leitura. Aliás acho que nunca tinha lido tanto num curto espaço de tempo! Treze livros em três semanas. Rabisquei em quase todos eles. Sim, porque eu tenho o hábito de rabiscar nos livros. Ainda não vos tinha dito? Talvez seja tique ou apenas uma forma de deixar a minha presença neles…
Não sei se falarei de todos eles por aqui, mas sei que hoje vou escrever sobre um: Paula.

“Sou o vazio, sou tudo o que existe, estou em cada folha do bosque, em cada gota do orvalho, em cada partícula de cinza que a água arrasta, sou a Paula e também sou eu própria, sou nada e tudo o resto nesta vida e noutras vidas, imortal.”

PaulaIsabel Allende é a autora do livro. Considero-o como um diário, uma vez que a autora escreveu sobre a sua filha Paula, uma jovem de 28 anos que adoece e entra em coma. Durante o coma, Isabel Allende decide escrever à sua filha, pois acredita que ela irá acordar e como ela diz, “quando despertares não te sentirás tão perdida”. Contudo, a morte de Paula é um facto e o leitor quando parte para a leitura da história, da família Allende, já o sabe. Por isso, Paula é um livro carregado de dor, mas também de libertação. A libertação de uma mãe que encontra nas palavras que escreve uma terapia ou talvez um exorcismo salvador, que de outro modo seria insuportável.
Ao ler as suas palavras foi como se o sofrimento da família Allende estivesse a entranhar-se em todos os meus poros. Houve momentos em que tive mesmo de parar durante largas horas para recuperar forças, pois é mesmo um relato cru que envolve e comove. Boas leituras!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

"Brinquedo"

Ilustração de Chantal Muller Van der BergheIlustração de Chantal Muller Van der Berghe

Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.

O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.

Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.


Miguel Torga, Diário I, 1941

sexta-feira, 25 de julho de 2008

A Poesia está em toda a parte

Por trilhos em Cachopo
A Porta

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta.
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho.
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado.
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira.
Eu abro de sopetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa)
Que se uma pessoa é burra,
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!

Eu fecho a frente da casa,
Fecho a frente do quartel,
Fecho tudo nesse mundo,
Só vivo aberta no céu!

Vinícius de Moraes, Poemas Infantis

terça-feira, 22 de julho de 2008

"Um azul"

O teu azul acordou diferente
Sem a leveza da água
Sem o som da manhã

O teu azul está mais escuro
Mais perto de uma dor contida
De olhar inquieto e trémulas mãos

Azul de luz sombria
De lágrima redonda e carnuda
Sulcando as faces da vida

Deixa-me tocar
As fundações desse teu azul
Deixa-me abraçar
A noite que te corrói

Deixa este meu sol
Penetrar-te a melancolia
Reverter em lençóis de ouro
O mar gelado que te aprisiona

Esta manhã
O teu azul acordou diferente
Adormecido pelo silêncio
Seco pelo deserto...

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Autor: Ruinzolas
Blogue: http://palavraformacirculo.blogspot.com/

sábado, 19 de julho de 2008

"ANJO AZUL"

Eu não sei quem ele é.Porém,todos os dias nos encontramos.
E ele me chega sorrateiro,sempre com um sorriso leve nos lábios.
Traz um olhar enigmático e firme que transmite ao meu a segurança de poucos.
Andamos lado a lado por uma esplanada.Ora em silêncio,ora sorrindo um para o outro,ora apenas desfrutando o momento.Para quê palavras?Se estamos juntos?

Quebrando então o vácuo fonético,ele convida-me para sentar e faz-me ouvir encantada as suas viagens,conta-me suas histórias que fornecem ao meu coração,a imunidade necessária para que eu possa avançar pelo mundo,sem pensar em suas mazelas.

Ah! e aqueles olhos negros?sempre fixos em mim,cheios de uma ternura incomum,observa cada expressão do meu rosto,como que querendo ler algo que talvez eu não estivesse claramente a expressar.

Espalmamos nossas mãos,num convite silencioso para continuarmos a andança com elas unidas.E partilhamos neste caminhar,um olhar específico para a lua,que hoje brilha cheia e intensa como nós.
Depois de bons momentos juntos,desfrutando desses pequenos grandes prazeres,ele se vai...da mesma forma que chegou.Ainda não sei quem ele é realmente e talvez nunca vá saber.

A única coisa que sei, é que ele é o mesmo que me veio,com suas asas quebradas.Molhado em pingos de uma chuva azul com pétalas de rosas vermelhas e envolto numa nuvem branca como algodão.

E eu sei que ainda o amo muito ou bastante em mim.

Mas,não sei quem é,pois eu nunca o vi concretamente,apenas imagino e... sinto.
Sinto todos os dias,sinto sempre.E ele é... o meu...anjo.
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Autora: Kátia (a ouvir "Anjo Azul" de Pedro Abrunhosa)

Blogue: http://www.prateteraqui.blogspot.com/

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Perfil

Perfil ______________________
a 28 de Junho foi recortado o meu melhor lado em menos de três minutos à saída do Foro Romano, em Roma. Lamento não poder partilhar o nome do artista, mas com o entusiasmo da conversa esqueci-me de lhe perguntar o nome.

sábado, 12 de julho de 2008

azul cor de Céu


Naquela madrugada o dia acordou ensonado. Bocejou e deixou-se estar. Ao despontar da manhã espertou do seu sono e espreguiçou-se por breves momentos para espantar a preguiça que insistia em querer ficar. Quando finalmente terminou o seu exercício matinal já o sol raiava.
Depressa escondeu as dispersas almofadas brancas, que por ali ainda andavam perdidas e num ápice vestiu o Céu com um infinito manto azul. Era de um azul tão azul como o azul cor de Céu!
Como o Céu já estava devidamente apresentável, o dia deixou-se ficar quieto e sossegado. O tempo que continuasse a fazer o resto!
O tempo deixou a manhã passar e a tarde chegou. Contudo, a tarde não gostou do tom de azul que a manhã lhe deixara e pintou outra demão de azul no manto que a cobria. O dia não interviu e deixou que a tarde pincelasse a sua tarde com um azul cor de Verão e de mar.
Ora, era bem verdade que o mar estava longe, mas deixava-se sempre tocar pelo Céu no horizonte! E aí o dia também não se metia!
Com o passar do tempo, o tempo deixou passar a tarde e a noite chegou. Já o dia adormeceu e a noite, a noite enegreceu o manto azul.
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Nota1: Estas palavras marcam o final do desafio.
Por uma razão especial, desta vez os concorrentes não irão a votos. Como não há vencedores, nem vencidos fico aguardar a morada de todos os participantes na minha caixa de e-mail, para que eu possa enviar a prenda de cada um. Esta é a minha surpresa para os cinco que aceitaram o desafio. Obrigada a todos.

Nota2: A pedido de muitas famílias informo todos aqueles que ficaram de fora, mas com imensa vontade de participar, que podem enviar, durante a próxima semana, o texto ou poema. Será um extra-desafio, que terei muito gosto em receber na minha caixa de e-mail e publicar no tonsdeazul.
Beijos e abraços!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Azul 5 | "Esferas e Camadas"

Pouco me falta para adormecer e gosto de pensar nos sonhos como esferas e nas cores como camadas.
Todo o corpo parece entorpecido à excepção dos olhos, que tentam mover-se no contorno dos objectos por aqui espalhados. Mesmo este gesto é lânguido e tão rápido enfraquece quanto é mais certa a ignorância, à medida que foco o meu pensamento na mais pequena forma.
É aqui que tudo se vai arredondando, como gotas que caem e permanecem na suspensão do tempo. E, sem saber como, estas começam a juntar-se e a formar uma espécie de globo.
O horizonte solta-se, alongando-se, na mais primária de todas as formas: um campo aberto ao infinito relativo de uma camada só. Das cores primitivas, só o azul me passa diante dos olhos, já fechados. Neste meu campo não se formam nuvens ou ondas. Não passa por ele qualquer corpo para além da tal esfera, de gotas, de uma chuva remota.
Não sei que esfera é esta. Tratá-la como um sonho é subtrair realidade à teimosia dos que nela pensam. Ignorá-la é não aceitar o prato que nos pesa a leveza do coração. Não, não conheço a minha própria esfera…
…e não a conhecendo e sendo minha, aqui termino, no contentamento que se funde com o disfarce do dia seguinte.
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Autor: Carteiro
Blogue:
http://selosdifusos.blogspot.com/

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Azul 4 | "UMA TARDE NO JARDIM"

O bebé estava deitado no berço, observando atentamente como os seus minúsculos dedos conseguiam movimentar aquela pequena bola azul. Apertava-a, abocanhava-a, rodopiava-a, fascinado com aquela recente descoberta.
Uma pequena sombra acercou-se do berço, e empoleirando-se num banco, espreitou lá para dentro. O rapazito via com curiosidade a brincadeira do bebé, que sorria, encantado. Que mistério teria aquela pequena esfera, para o irmão estar tanto tempo entretido com ela? Retirou-lhe o brinquedo!
Os primeiros protestos, em forma de vagidos, depressa foram abafados pela milagrosa chucha, que lhe foi colocada nos lábios rosados, em jeito de sucedâneo. Adormeceu.
O catraio agora virava a bola e remirava-a tentando perceber a sua serventia. Atirara-a ao chão, não saltara. Atirara-a ao ar, não a agarrara. A solução da incógnita da bola azul parecia cada vez mais longe de alcançar...
Surgiu então perto de si um rapaz mais crescido, que lhe arrancou a esfera das mãos e a pontapeou inúmeras vezes, até ele supôr que era capaz de ser divertido. Se o deixasse jogar, está claro, o que não foi o caso! Estendeu-se na relva macia e, sem bola ou companhia para brincar, as pálpebras venceram a batalha contra o sono e dormiu.
Algum tempo depois, quando preparavam o regresso a casa, a bola foi encontrada num canteiro: suja, molhada, disforme, multicolorida.
Quiseram pô-la no lixo!
Mas um rapazito de 3 anos insistiu que ninguém podia deitar fora a bola do mano...
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Autora: Teté
Blogue:
http://pequenoquiproquo.blogspot.com/

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Azul 3 | "Tu não me perdeste"

Nunca te disse que foi a rosa dos ventos,
Ainda eu era um doente das palavras,
Que me disse onde estavas tu.

E eu fui atrás de ti,
Pelo sul,
Pelo norte,
Pelo nascente e poente,
Sempre de rosa na mão.

Quando te encontrei,
Já a rosa era azul. E como vento nem vê-lo,
Mandaste-me embora.

Só me posso ter perdido algures no noroeste.
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Autor: Fernando Pessoa
Blogue:
http://oblogdos5pes.blogspot.com/

terça-feira, 8 de julho de 2008

Azul 2 | "Deitado num muro"

Não penso muito, deixei-me disso.

Passo despercebido no desconforto de admitirem que existo.
Sou interpretado por quem ainda repara em mim, talvez pela inconveniência do meu cheiro, ou pelo espanto de tal existência. A minha.
Vou existindo no meu mundo, onde os conceitos têm muitas vezes o significado oposto do daquele onde deposito o meu peso. Lixo é bom. É onde como, me visto e me abrigo. E isto é só um exemplo.
Durmo num qualquer banco de jardim; um ritual imposto pela ordem dos dias, do tempo. Acordo com os jactos de água dos lavadores de rua. Vivo (vivo?) em estagnado sobressalto, lânguido e despojado. Afinal o que sinto? Não me lembro. Poucos são os momentos em que me martirizo com a lucidez. Habituei-me, simplesmente. Penso que nem mereço mais. Há mais?

Este sou eu na mente de quem escreve sobre mim e me vê.

Habituei-me ao silêncio das minhas ideias. As palavras pouco significado têm... Um sibilo lembra-me que tenho fome. É o silêncio do costume...

Mas há um silêncio diferente... Agora. Sim, é nesta altura. Um silêncio que eu sinto, um que vem de fora. Que não peço, mas que me é dado. É nesta época... Agora.

Este silêncio que faz sentido, que me faz pertencer a algum lado. Afinal o Sol também se põe para mim. O céu azul despede-se em rosa e lilás ao som dos pássaros e da brisa que me afaga. (Há quanto tempo não me tocam?) Isto é para mim também. É um abraço. É morno e suave. Como o colo da minha Mãe.
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Autora: Humming
Blogue:
http://omeusussurro.blogspot.com/

Azul 1 | "Escrever sem querer"

Nunca sei o que escrever quando tenho que escrever,
Gosto mais de sentir do que dizer,
E sentir, mesmo sem querer…É escrever.
Hoje sinto, digo e escrevo.
Mesmo que as nuvens ocultem o meu céu dos sonhos e da inspiração,
Mesmo que seja noite e o escuro não seja em tons de azul
Eu vou sentir, dizer e escrever,
Porque hoje, mesmo sem te ver,
Eu sei sempre o que escrever…
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Autor: O autor
Blogue:
http://surrapa.blogspot.com/

segunda-feira, 7 de julho de 2008

De regresso

Olá a todos!
Já estou de volta. Foi apenas uma semaninha de ausência para recuperar energias.
Quero agradecer a todos os que já enviaram a sua participação para o desafio azul e relembrar os mais desatentos que ainda podem participar até à meia-noite de hoje.
Continuo à vossa espera.
Beijos e abraços.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Desafio azul

tu que sabes voar és livre
Junho está quase a chegar ao fim, mas o Verão ainda agora começou. Como o calor já se faz sentir, não há nada melhor que lançar mais um desafio para refrescar as vossas ideias. Tenho a certeza que concordam! :)
Desafio-vos então a escrever umas linhas originais, poéticas ou não, sobre o que vos apetecer. Contudo, a palavra Azul terá que aparecer escrita nessas linhas, inserida no contexto, obviamente.
Aproveitem as energias dos dias grandes, do sol e do mar e inspirem-se no azul.
Aqui
vos espero até dia 7 de Julho.
Atenção não se esqueçam de enviar os seguintes dados com o texto: título do texto (se for prosa não poderá exceder as 230 palavras), nome (com o qual querem ser identificados) e nome do blogue (facultativo).
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Nota: Vou estar ausente. Caso desejem participar e tenham dúvidas, tirem-nas durante o dia de hoje. Beijos e abraços.

terça-feira, 24 de junho de 2008

"Tenho uma manta azul...

algures entre S.Pedro de Moel e a Nazaré
que nunca posso dobrar.
Tenho imensas moedas,
que não posso contar.
Tenho uma bola de oiro
e não a posso olhar."

sábado, 21 de junho de 2008

O mar

Costa Vicentina
"O mar, às vezes parece um céu diáfano, outras pó verde.
Às vezes é dum azul transparente, outras cobalto. Ou não tem consistência e é céu, ou é confusão e cólera. De manhã desvanece-se, de tarde sonha."

Raul Brandão

sexta-feira, 13 de junho de 2008

"homens-meninos"

Capitães da Areia, de Jorge AmadoJorge Amado. Foi com este escritor que tive o meu primeiro contacto com a literatura brasileira. E é sobre o livro Capitães da Areia que vou escrever.
Como a história foi adaptada para série televisiva, muitos de vós já a devem conhecer… Contudo, faz onze anos que a li e após este tempo senti uma certa nostalgia em recordá-la.
Não reli o romance mas, nas caves da minha memória sei que este livro marcou-me. Marcou-me pelas histórias dos personagens, que viviam "num velho trapiche abandonado". Os Capitães da Areia. Pedro Bala era o chefe. Dora era a noiva. João Grande, Sem-Pernas, Querido-de-Deus, Zé Moleque, Boa-Vida e outros tantos eram os companheiros. Nas ruas da Bahia eram "homens-meninos" que, à margem da sociedade, tentavam apenas sobreviver.

Em 266 páginas, o autor conseguiu "pinta[r] com rudeza e ternura" as vidas destes Capitães da Areia e tocar no sentir do leitor.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Dois em Um!

Teatro e Circo com Tomás Kubínek"Lunático certificado e mestre do impossível”

O Teatro das Figuras em Faro prepara-se para receber no próximo dia 12 de Junho, pelas 21h30, o espectáculo de Tomás Kubínek. O espectáculo é de autoria e interpretação de Tomás Kubínek, um artista que é considerado pela crítica internacional, como sendo um dos melhores no mundo do humor.

Internacionalmente aclamado pelos seus solos, Kubínek é um mágico, um acrobata, um clown, um cientista louco, um verdadeiro artista que oferece uma experiência com muitos sorrisos.

O New York Times elogiou o seu trabalho como "Absolutamente habilidoso".
Um espectáculo a não perder mesmo!
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segunda-feira, 2 de junho de 2008

"Energias no Jardim"


4º Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima

Fonte: www.cm-pontedelima.pt


Pois é... O 4º Festival Interncional de Jardins de Ponte de Lima já abriu as suas portas. Este ano o tema são as Energias no Jardim. Como estará patente até final de Outubro não haverá motivo para desculpas, pois terão tempo suficiente para dar um maravilhoso passeio até à vila de Ponte de Lima e visitar esta excelente iniciativa do município.

Este ano os países a concurso estão representados neste festival, com os seguintes jardins: Jardim das Avestruzes (França) - vencedor do ano passado; O Fogo e 300 Árvores (França); E no Entanto Move-se (França); Energia das Larajas (Itália); Moinho de Papel (Canadá); 3,9.1024 Joule (Áustria); Energias Reflectidas (Portugal); O Pomar do Combustível Laranja (Inglaterra); Banho no Fluxo de Energia (Japão); J2 + L2 = 10 (Portugal); O Ciclo da Vida (Espanha) e por último O Bruraco Negro, Fonte de Energia (Polónia).

Aproveitem para dar uma espreitadela em: http://www.festivaldejardins.cm-pontedelima.pt/ e fiquem já com um cheirinho do que poderão conhecer!

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Tema para 2009: "As Artes no Jardim". As propostas devem ser apresentadas até 30 de Outubro de 2008.

domingo, 1 de junho de 2008

Sou criança!

a descobrir Leiria
"Quando as crianças brincam
E eu as oiço brincar.
Qualquer coisa em minha alma
Começa a se alegrar.

E toda aquela infância
Que não tive me vem,
Numa onda de alegria
Que não foi de ninguém.

Se quem fui é enigma,
E quem serei visão,
Quem sou ao menos sinta
Isto no meu coração."

Fernando Pessoa, Poesias, 1933

quinta-feira, 29 de maio de 2008

"Porto Sentido"

Porto
Quem vem e atravessa o rio
junto à Serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende até ao mar

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata sanjoanina
erigida sobre um monte
no meio da neblina

Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós


Esse teu ar grave e sério
num rosto de cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria

Ver-te assim abandonado
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem moi um sentimento

E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa

Rui Veloso - Carlos Tê

quinta-feira, 15 de maio de 2008

"A Rapariga Que Roubava Livros"

Tantas vezes reparei em ti nas prateleiras de tantas livrarias, mas as minhas mãos e vontade não te quiseram levar para casa. Numa noite de Primavera, o meu irmão reparou em ti e levou-te para mim. E nessa mesma noite comecei a ler as primeiras páginas da tua história.

MORTE E CHOCOLATE

Primeiro as cores.
Depois os humanos.
É geralmente assim que eu vejo as coisas.
Ou, pelo menos, tento.


EIS UM PEQUENO FACTO
Vocês vão morrer.

[…]

REACÇÃO AO FACTO
ACIMA MENCIONADO
Isto preocupa-vos?
Peço-lhes – não tenham medo.
Sou seguramente justa.

A Morte é quem nos conta a história da rapariga que roubava livros. Liesel é uma miúda, que foi entregue pela mãe, durante a Segunda Guerra Mundial, a uns pais adoptivos e que passa a viver a sua infância, nos arredores de Munique, mais precisamente na Rua Himmel.
A Morte viu-a três vezes e três foram os livros que a rapariga que roubava livros roubou. Não vos irei contar onde e quando a Morte se cruzou com Liesel, mas conto-vos sobre os livros roubados.
O Manual do Coveiro, o seu primeiro livro roubado, rouba-o durante o enterro do seu irmão. O segundo, O Encolher de Ombros, rouba-o a uma fogueira, em plena praça de festejos ao aniversário do Füher (o homem que lhe levou a mãe). E por fim, O Assobiador, rouba-o da biblioteca da mulher do presidente da câmara (a mulher que lhe viu a roubar o segundo livro e que começou a deixar a janela aberta).
Outros livros ela recebeu de oferta (de Hans, o pai adoptivo que lhe ensinou a ler e de Max, o pugilista judeu que tinha cabelos de penas) e muitos outros ela voltou a tirar da biblioteca que tinha sempre uma janela aberta.
É com a ajuda de Rudy (o rapaz que ansiava por um beijo de Liesel) e também através dos livros roubados e oferecidos e das palavras (que mais tarde começa a escrever na cave), que Liesel sobrevive a uma Alemanha do Heil Hitler.
A Rapariga Que Roubava Livros, de Markus Zusak é um livro que nos enche de uma contradição de sentimentos e que fará, com toda a certeza, parte dos livros da minha vida.

terça-feira, 6 de maio de 2008

IV Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja

IV Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja
"Este ano, entre os dias 10 e 25 de Maio, o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja (FIBDB) volta a arrastar a cidade e o país num turbilhão de mil imagens.
Como já é habitual, o Festival estende-se por todo o centro histórico: 16 exposições, distribuídas pela Casa da Cultura de Beja (o núcleo principal do evento), pela Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, pelo Conservatório Regional do Baixo Alentejo, pelo Museu Jorge Vieira - Casa das Artes, pelo Museu Regional de Beja, e pela Pousada de S. Francisco.
Cerca de 500 pranchas de banda desenhada em exposição, mais de 80 autores de países como a Alemanha, o Brasil, a Espanha, os Estados Unidos, a França, a Inglaterra, a Itália e Portugal, no maior evento ligado à banda desenhada do Sul do país…"
(fonte: http://kuentro.weblog.com.pt/)

Podem consultar o programa completo em:

E as actividades do colectivo Terminal Studios/drmakete em:

domingo, 27 de abril de 2008

As manhãs não são sempre azuis!

Manhã em Porto de Mós
Six Word Memoir Meme Rules:
1) Write your own six word memoir.
2) Post it on your blog and include a visual illustration if you’d like.
3) Link to the person that tagged you in your post, and to the original post if possible so we can track it as it travels across the blogosphere.
4) Tag at least five more blogs with links.
5) Don’t forget to leave a comment on the tagged blogs with an invitation to play.
6) Have fun.

Este é mais um desafio, que me foi lançado pela Su, a menina do Teia de Ariana.
Optei por uma frase de seis palavras, que faz parte dos meus despertares de há uns anos para cá. Pois apesar de as manhãs não serem sempre azuis, faço para que os meus dias o sejam! A foto obviamente tinha de ter uma manhã de Céu azul!
E não era minha intenção torturar nenhum de vós, mas como as regras assim o exige... aqui deixo o registo dos eleitos:

sábado, 19 de abril de 2008

Sítio da Nazaré

Sítio da Nazaré
Conta a Lenda da Nazaré que numa manhã de Setembro de 1182, D. Fuas Roupinho andava à caça. Quando estava a perseguir um cervo (considerado a materialização do próprio demónio), este dirigiu-se a um precipício no sítio da Nazaré, encoberto por um denso nevoeiro.
O cavaleiro apercebeu-se do perigo de morte, demasiado tarde. Ao sentir-se perdido implorou, desesperadamente, à Virgem Maria: Senhora, valei-me!
Milagrosamente, aparecem-lhe a Senhora e o Menino, fincando-se as patas traseiras do cavalo na rocha, salvando o cavaleiro e sua montada da morte certa, enquanto que o cervo e os cães caíram no mar de Nazaré.
Em honra à Virgem, o nobre mandou construir no local uma capela em sua homenagem, por o ter resgatado da morte. Esta tornou-se conhecida como Capela da Memória.

Ainda hoje, os populares indicam aos visitantes as marcas das ferraduras onde as patas do cavalo se teriam cravado na rocha, no sítio da Nazaré.
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Fonte: Wikipédia

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Em tempos fui um soldado

Contemplo o que o meu olhar alcança
Em tempos fui um soldado. Um soldado com grandes feitos e de grande orgulho. Mas esse tempo passou e com ele chegou o esquecimento de um povo. Agora não passo de uma memória que ainda perdura nesta isolada terra, à qual não pertenço. Passo dias quentes e noites gélidas, noites amenas e dias frios aqui neste pequeno recanto a contemplar o rio que desce. Observo as embarcações que descem e sobem o rio e esses momentos definem o meu passar dos dias. As pessoas por mim passam e há até quem me ache uma certa graça. Encostam-se a mim de rosto alegre e deixam-se recordar junto da minha álgida figura. Nada sabem de mim! Nem nada querem saber! Desconhecem os sonhos que sufoquei... Os amores que me esqueceram... E até as lágrimas que nunca caíram! Em mim apenas vêem a estátua que agora sou! O homem que fui morreu, no dia em que fui um soldado.

domingo, 6 de abril de 2008

O artista ou o banqueiro?

O Homem SentimentalQuando morreres chorar-te-ei a valer. Aproximar-me-ei do teu rosto para beijar com desespero os teu lábios num último esforço, cheio de presunção e de fé, para te devolver ao mundo que te terá relegado. Sentir-me-ei ferido na minha própria vida, e considerarei a minha história partida em dois por esse teu momento definitivo. Fecharei os teus renitentes e surpreendidos olhos com mão amiga, e velarei o teu cadáver esbranquiçado e mutante toda a noite e a inútil aurora que não te terá conhecido.

Com estas três passagens dou-vos a conhecer pequenos instantes do livro O Homem Sentimental, de Javier Marías.
Um cantor de ópera, conhecido como o Leão de Nápoles é o narrador desta entusiasta história de amor. No início, o cantor questiona-se se deverá contar os seus sonhos. No entanto, acaba por descrever o seu sonho daquela manhã. Numa das suas visitas a Madrid para interpretar o Otelo de Verdi vê-se envolvido por uma mulher casada, Natalia. Manur, o marido, arranja-lhe um acompanhante, "o imperturbábel senhor Dato", para a entreter em todas as horas do dia. E são estes quatro personagens que dão corpo a este envolvente sonho ou talvez realidade! Onde o verdadeiro "homem sentimental" parece ser o artista, mas que no final talvez seja o banqueiro!
Para o autor, «O Homem Sentimental é uma história de amor na qual o amor não se vê nem se vive, mas que se anuncia e recorda». E pergunta-se: «Pode isto acontecer?»

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O segundo despertar

«Li uma vez num livro de um alemão que as pessoas que não tomam o pequeno-almoço desejam evitar o contacto do dia e não entrar nele, porque na realidade é só através do segundo despertar, o do estômago, que se consegue sair totalmente da penumbra e da esfera nocturna, e é só depois de ter chegado são e salvo à outra margem que uma pessoa pode dar-se ao luxo de relatar o sonhado sem que isso traga calamidades, já que, se o conta em jejum, ainda está sob o domínio do sonho e atraiçoa-o com as suas palavras, expondo-se assim à sua vingança.»
O Homem Sentimental, de Javier Marías

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Sonhos inacabados

Os meus sonhos
«Não sei se vos conte os meus sonhos. São sonhos velhos, fora de moda, mais próprios de um adolescente que de um cidadão. São simultaneamente prenhes de episódios e precisos, um pouco vagarosos ainda que de grande colorido, como os que poderia ter um alma fantasiosa mas no fundo simples, uma alma muito organizada. São sonhos que acabam por cansar um pouco, porque quem os tem acorda sempre antes do seu desenlace, como se o impulso onírico se esgotasse na representação dos pormenores e de desinteressasse do resultado, como se a actividade de sonhar fosse única ainda ideal e sem objectivo. Não conheço, por isso, o final dos meus sonhos, e pode revelar desconsideração relatá-los sem estar em condições de oferecer uma conclusão ou um ensinamento.»
O Homem Sentimental, de Javier Marías

terça-feira, 1 de abril de 2008

As seis melodias

A menina Su desafiou-me a revelar os meus gostos musicais.
É um daqueles desafios complicados, pois só posso seleccionar seis músicas e ao fim de quase trinta anos, tantos foram os sons que preencheram os meus dias, que nem sei bem por onde começar...

Abelha Maia
Fez parte da minha infância e terá sempre um sentido para mim.

Anzol, Rádio Macau
E nem tenho de explicar porquê.

The show must go on, Queen
Anima-me sempre que a oiço!

Where The Wild Roses Grow, Nick Cave & Kylie Minogue
Gosto especialmente de Nick Cave.

Nocturna, Afonsina Tuna de Engenharia da Universidade do Minho
É lindíssima! Não me canso de a ouvir e de a cantar apesar de desafinar imenso!

Nona Sinfonia, Beethoven
Passou a fazer parte dos meus dias!

Não, não se assustem, porque não vou passar este desafio a nenhum de vós! Desta vez fica para quem o quiser agarrar!

segunda-feira, 24 de março de 2008

"A Última Fome"

A Última FomeMarço já está na sua recta final, mas aproveito ainda para dedicar algumas linhas ao livro do mês. Hoje escrevo sobre este magnífico livro de ficção científica. Devia ter uns dezasseis anos quando li A Última Fome. Naquela altura era uma perdida por livros de ficção científica. Agora já não sou tãaaao perdida, mas ainda os leio.

A fome não era o único horror num mundo a caminhar para o apocalipse…
Roger olhou em frente: «O exército está a deslocar-se para posições nos arredores de Londres e de todos os outros grandes centros populacionais. A partir da madrugada de amanhã , as estradas estarão fechadas.»
John disse: «[…] Nenhum exército do mundo pode impedir uma cidade de romper todas as barreiras sob a pressão da fome. Que espera o Governo ganhar com isso?»
«Tempo. O suficiente desse bem precioso para completar os preparativos da sua segunda linha de acção.»
«E essa linha de acção é…»
«Bombas atómicas para as cidades pequenas, bombas de hidrogénio para locais como Liverpul, Birmingham, Leeds, duas ou três para Londres. Não interessa economizá-las, pois não serão necessárias num futuro próximo.»


Tudo começa com um vírus, Chung-li, que destrói todos os cereais que constituíam a base da alimentação humana. Milhares de pessoas começam a morrer à fome. Inevitavelmente, cidades inteiras começam a ser pilhadas. Os motins causam mais mortes. Tudo é destruição. No limite da fome, as pessoas esquecem rápido o mundo da civilização e transformam-se em autênticos canibais. Impera a lei da sobrevivência.
No meio deste inferno todo em que o Governo determina a extinção da raça humana, existem alguns grupos que lutam e procuram alternativas ao canibalismo. É nesta luta que surge a tão esperada solução. E são eles, como únicos sobreviventes ao inferno, que têm “uma cidade para construir”.
E foi com este pequeno cenário que o autor John Christopher conseguiu criar um mundo de horror. Ainda me lembro de ter passado a noite quase toda em claro, no dia em que acabei de ler o livro.

segunda-feira, 3 de março de 2008

as pé-ta-las do teu nome

as pétalas do teu nome«pergunto se posso dizer o teu nome a uma flor
flor o teu nome sussurrado pétala a pétala
letra a letra uma flor desfolhada na terra»

a criança em ruínas, de José Luís Peixoto

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Olhar: Resultados

A votação terminou e já temos vencedor!
A vossa participação foi de todo importante e por isso mesmo vos agradeço. Mais uma vez foi muito agradável poder contar com a vossa companhia (autores e votantes).
E já agora... tenho uma certa curiosidade... Algum de vocês reconheceu o estilo poético de algum dos autores a concurso?
Muitos parabéns ao olhar vencedor!
E por agora vou revelar a identidade dos autores. Não vos faço esperar mais!

1º lugar - 19 votos
Título: Olhar 1 "Um só olhar"
Autor: Ruinzolas
Blogue:
http://palavraformacirculo.blogspot.com/

2º lugar - 18 votos
Título: Olhar 3: "Olhar escuro"
Autor: O autor
Blogue:
http://www.surrapa.blogspot.com/

3º lugar - 8 votos
Título: Olhar 6: "Encontros"
Autora: Humming
Blogue:
http://omeusussurro.blogspot.com/

4º lugar - 6 votos
Título: Olhar 4: "OLHAR"
Autora: Su
Blogue:
http://teiadeariana.blogspot.com/

5º lugar - 5 votos
Título: Olhar 2: "Olhar"
Autora: Carmen Zita Ferreira
Blogue:
http://oquartoquesente.blogspot.com/

Título: Olhar 5: "O tempo de um olhar"
Autor: Carteiro
Blogue:
http://selosdifusos.blogspot.com/

6º lugar - 4 votos
Título: Olhar 7: "O TEU OLHAR"
Autor: Filipe
Blogue:
http://minhasombra.blogspot.com/
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Nota: Contactarei o vencedor para a entrega do prémio.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

As do-ze pa-la-vras ou talvez não...

Mar azul da praia da Amoreira
O menino carteiro gosta imenso de cartas. E as cartas levam e trazem palavras. Muitas e muitas palavras. E então vai daí ousou em desafiar-me, juntamente com menina linda Teté (dias depois), para escrever um texto onde eu revelasse doze palavrinhas de que gostasse! Só que eu não sou tola e não vou cair na esparrela de vos confidenciar as doze palavras que me causam cócegas no céu da boca!
Como posso permitir que fiquem a saber que eu gosto de sentir
saudades das palavras, porque a ausência delas permite-me “ler-te”?
Não vos posso contar que eu gosto desta (
olhar), desta (sorriso) e desta (silêncio), porque a sua sonoridade transmite tantas outras palavras que por vezes teimam em escapar de mim. E se vocês soubessem que eu também gosto desta (azul), porque me conduz para o burburinho desta (mar), então já ficariam a saber mesmo muito de mim.
Contar-vos que uma noite sem
luar me deixa triste; e que gostaria que a semana começasse à terça e terminasse à quinta, é confessar-vos quase tudo daquilo que eu sou! E isso, meus caros, não pode ser! É que está mesmo, mesmo fora de questão! Por isso nem pensem que eu vou ser palerma ao ponto de vos soletrar as tais palavras que tanto ecoam em mim! Vão mas é apanhar cata-ventos!

Vou mas é passar esta árdua tarefa para estes doze eleitos, onde tantas vezes me perco em leituras comentadas ou silenciosas:
Ana Fonseca:
http://www.praiadeserta.blogspot.com/
Vítor: http://www.upvalencia.blogspot.com/
(Podem sempre escolher as doze palavras e não escrever um texto.)

Pinturas populares (últimos 30 dias)