Mostrar mensagens com a etiqueta Blogues. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Blogues. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O desafio dos 50

Hoje escrevo a propósito de listas de livros. Como sabem, existem muitas e estão constantemente a ser divulgadas. Umas para enumerar os melhores livros de sempre; outras para lembrar-nos dos livros que devemos ler antes de morrer; algumas feitas só com autores premiados com Nobel, Booker Prize e sei lá mais o quê; outras ainda com os livros mais difíceis de ler; ou até com os piores livros de sempre; etc.

Seja pela curiosidade de ver quais os livros selecionados, seja pela vontade de descobrir, quem sabe, outros livros/autores, confesso que tenho por hábito ler estas listas. Não é que lhes vá dar grande importância, porque cada um de nós tem a sua preferência de leitura, mas é também agradável encontrar nessas listas muitos livros que já lemos e que no final até concordamos com a escolha do crítico. 

No outro dia ao ler o blogue Viajar Pela Leitura, em que a Paula refere que já está "um bocado farta de listas" e o Nuno Chaves comenta que devíamos de fazer uma lista com os "50 livros a serem lidos até morrer", fiquei a matutar na ideia por a considerar bastante interessante e assim decidi aceitar o desafio de criar a minha lista de livros, mesmo correndo o risco de me esquecer de algum. E claro, também tenho consciência que daqui a uns dez anos a lista já não será a mesma, por ainda ter muitos por ler e descobrir!

A lista que se segue não tem qualquer ordem de preferência e não é bem a lista referida. Não é uma lista de livros obrigatórios, nem sequer dos melhores de sempre. É sim, uma lista de livros que foram marcantes, únicos, extraordinários, apaixonantes, viciantes, singelos, perturbadores, cómicos e entre outras coisas que nos tocam cá dentro, enquanto leitores que somos, e que de alguma forma também definem aquilo que sou. 

1| Memorial do Convento, José Saramago 
2| O Alienista, Machado de Assis   
3| Húmus, Raul Brandão 
4| Uma Casa na Escuridão, José Luís Peixoto 
5| Os Maias, Eça de Queirós 
6| O Estrangeiro, Albert Camus 
7| Poesias de Álvaro de Campos 
8| Metamorfose, Franz Kafka 
9| O Engenhoso Fidalgo D. Quixote de la Mancha, Miguel de Cervantes
10| A Divina Comédia, Dante Alighieri 
11| O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde 
12| Mystic River, Dennis Lehane 
13| Pela Estrada Fora, Jack Kerouac 
14| O Deus das Moscas, William Golding 
15| A Quinta dos Animais, George Orwell 
16| O Principezinho, Antoine Saint-Exupéry 
17| A Lua de Joana, Maria Teresa Maia Gonzalez 
18| Beloved, Toni Morrison 
19| Capitães da Areia, Jorge Amado 
20| O Remorso de Baltazar Serapião, Valter Hugo Mãe 
21| Desgraça, J. M. Coetzee 
22| Crime e Castigo, Fiódor Dostoievski 
23| Anna Karénina, Lev Tolstoi 
24| Jane Eyre, Charlotte Brontë 
25| As Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley 
26| Os Passos em Volta, Herberto Helder 
27| Rebecca, Daphne du Maurier 
28| O Amor em Tempos de Cólera, Gabriel García Márquez 
29| O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald 
30| Por Favor Não Matem a Cotovia, Harper Lee 
31| O Homem que Via Passar os Comboios, Georges Simenon 
32| As Vinhas da Ira, John Steinbeck 
33| História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar, Luís Sepúlveda
34| O Dia dos Prodígios, Lídia Jorge 
35| A Mancha Humana, Philip Roth 
36| As Aventuras de João Sem Medo, José Gomes Ferreira 
37| O Barão Trepador, Italo Calvino 
38| Ele foi Mattia Pascal, Luigi Pirandello 
39| As Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain 
40| Contos de Natal, Charles Dickens 
41| Werther, J. W. Goethe 
42| A Arte de Amar, Ovídio 
43| Aparição, Vergílio Ferreira 
44| O Nariz, Nikolai Gógol 
45| Cândido, Voltaire 
46| Siddhartha, de Hermann Hesse 
47| Fazes-me Falta, Inês Pedrosa
48| Se Isto é um Homem, Primo Levi 
49| O Silêncio do Mar, Vercors 
50| A Última Fome, John Christopher 

Agora, e aproveitando a deixa do Nuno Chaves, desafio-vos a selecionar os vossos 50. :0)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

“Nunca um monarca amou mais o seu povo”

«- Asseguro-vos que jamais existiu joia ou esplendor que eu tenha colocado à frente daquela que foi sempre, para mim, a maior de todas as riquezas: o vosso amor. 
A voz tremia-lhe: 
- Este reino pode já ter sido servido por um monarca melhor. Mas nunca, jamais houve nem haverá em Inglaterra um monarca que mais ame o seu povo. A câmara levantou-se em peso a aplaudir. Os deputados comentavam que fora o seu melhor discurso de sempre. O discurso áureo de Isabel I, ouvia-se entre as bancadas. Comovida, a rainha olhava-os, sem o saber, pela última vez.» 

Isabel I de Inglaterra e o seu médico português de Isabel Machado foi uma daquelas leituras de que gostei bastante. A dinastia Tudor e o reinado de Isabel I, em particular, fascinam-me, por isso à partida a obra já me suscitava curiosidade. Depois também engloba um período sensível de Portugal, a morte de D. Sebastião em Alcácer Quibir. Então a vontade em o ler era ainda maior. Com um concurso lançado pelo blogue Viajar pela Leitura, consegui a oportunidade de que precisava. Aproveito assim, para agradecer mais uma vez à Paula e à editora a esfera dos livros

O livro narra toda a vida de Isabel I. Desde jovem princesa, enquanto filha de Henrique VIII e de Ana Bolena (a rainha controversa que nunca foi vista com bons olhos na corte), passando pelas contrariedades que teve de ultrapassar para ascender ao trono como rainha de Inglaterra e tudo o que teve de batalhar durante o reinado até ao final da sua vida. E é neste contexto que nos é dado a conhecer aquele que viria a ser o seu médico pessoal, Rodrigo Lopes. Um judeu português, convertido ao catolicismo fora de portas, que decide rumar a Inglaterra com a nova era que se iniciava, por esta prometer um país mais tolerante. 

Gostei da forma como a autora caracteriza Isabel I. Revelando o seu lado de monarca, mas não esquecendo o seu lado enquanto mulher. Isabel foi uma mulher de fibra, que deu tudo pelo seu povo, em prol da sua vida privada. Era uma mulher brilhante, culta, dominadora, manipuladora, exímia e imprevisível, que soube conduzir sempre o seu reinado com firmeza e mestria. Não é por acaso que o seu reinado é considerado a época áurea da história de Inglaterra. Contudo, também foi uma mulher vaidosa, apaixonada, ciumenta, sensível, vulnerável, leal e humana, daí as suas incertezas e indecisões face às suas sentenças que ditavam o destino de vidas humanas. 


Considero ainda que foi bastante interessante cruzar o destino de Isabel I com o de Rodrigo Lopes. Penso que o romance ganhou outro fulgor, até porque é um facto não muito conhecido. Eu desconhecia e por isso achei deveras curiosa esta ligação de confiança e confidências. Depois toda a intriga palaciana, a que aquelas épocas eram tão suscetíveis, está também muito bem conseguida neste romance. Pode-se dizer que o desespero de Rodrigo Lopes tão bem retratado pela autora, representa de alguma forma os inocentes que tantas e tantas vezes são apanhados nas teias da conspiração e da traição e já não conseguem fugir à tortura e ao cadafalso. 


Isabel Machado é brilhante no seu livro de estreia, pois consegue agarrar o leitor logo no início do romance e este, já não se desprende mais até chegar ao fim. Gosto de romances históricos, mas escritos por autores portugueses não tenho lido muitos e por isso este surpreendeu-me pela narrativa despretensiosa e pela qualidade e cuidado na interligação entre os factos reais e os fictícios. Nota-se que houve um trabalho de pesquisa e de investigação, pois a sua capacidade em arrumar os acontecimentos no tempo e no espaço histórico é notável. Foi realmente um prazer ler esta obra!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

marca páginas


Estes são alguns dos meus marcadores de livros que a Diana gentilmente publicou no seu blogue Papéis e Letras. Se quiserem conhecer mais alguns podem sempre dar um pulinho até lá. 
Ou então, também podem participar enviando fotografias das colecções de marcadores que tenham aí por casa para o endereço electrónico papeiseletras@gmail.com. Participem! *
  

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

"eu sou aquele que te procura"

O Manuel Cardoso disse que era “lindo, lindo, lindo”. A Paula disse que era “uma história linda”. E pronto, foi assim que pedi emprestado A Terceira Rosa, de Manuel Alegre para descobrir se era mesmo assim como eles diziam. Sim, posso já adiantar que eles tinham razão!

A Terceira Rosa é um romance de 125 páginas, que se lêem num ápice. Este é composto por 56 fragmentos, que por sua vez são vividos na primeira pessoa, na pessoa de Xavier. Xavier que é apaixonado por Cláudia. E a história desenvolve-se, toda ela, em volta desta paixão, num Portugal dos anos 50. Numa época em que havia famílias, como a de Xavier que eram contra o regime político e outras, como a de Cláudia que viviam do lado do regime.

Mas Xavier só queria viver esta paixão. Uma paixão em que «Olá, disseste. E a terra começou a tremer.» Uma paixão que «[a]o certo, ao certo, ninguém sabe quando» começou. Talvez fosse «desde sempre», como afirma a mãe de Xavier. «Ou até antes, antes de serem, antes do tempo, antes de tudo. Talvez por uma qualquer fatídica conjunção astral. Era assim: ela e só ela, como a outra metade de si mesmo. E dentro dele o sangue do avesso.» Uma paixão que se revelou em frente do portão principal da casa da tia Filipa, em Alba. No momento em que Xavier regressou de Coimbra de camioneta e ela olhou para ele. Foi aí que ela, a paixão se revelou.

Só que esta paixão «[e]ntrou em todas as batalhas, partiu em todas as cruzadas». É vivida de encontros e desencontros, de alegrias e tristezas, de certezas e ansiedades, de promessas e cumplicidades, de ciúme e desespero, de mudança, solidão, dor e eterna espera. Ela morreu. Ele procura-a «no vento, nas dunas, no mar, na espuma, nas noites de neblina», onde pode «apertar o [seu] corpo já sem corpo.»

Um belíssimo romance com cheiro a poesia, «que se afirma quase como um ensaio literário sobre a paixão», que marca a vida de Xavier e Cláudia e que nos revela as contradições dos sentimentos e os confrontos da vida. Este ano quero voltar a ler mais deste autor!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"os homens nunca se contentam"

Ando sempre à procura de descobrir novos autores. Não novos autores de serem novos na arte de escrever, mas sim novos para mim, que nunca lhes desvendei as suas formas de contar estórias! E este ano então a maioria das minhas leituras têm sido uma descoberta!

As Aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira foi a última descoberta lida. Esta obra é uma aventura pegada e como a Isabel Maia bem referiu faz lembrar, sem dúvida, as aventuras mirabolantes de Alice no País das Maravilhas, de Carroll, As Viagens de Gulliver, de Swift e eu ainda acrescento que também me fez viajar até à trilogia Os Nossos Antepassados, de Calvino.

Pois como não poderia deixar de ser, João Sem Medo é o personagem principal destas aventuras. Tudo começa quando João Sem Medo cansado de viver em Chora-Que-Logo-Bebes, que era uma aldeia onde os infelizes choraquelogobebenses não faziam mais nada do que choramingar de manhã à noite, decide saltar o Muro. Este tinha sido «construído em redor da Floresta Branca onde os homens, perdidos dos enigmas da infância, haviam estalado uma espécie de Parque de Reserva de Entes Fantásticos.» Nunca nenhum choraquelogobebense ousou saltá-lo e João Sem Medo estava a querer quebrar todas as regras, levando a sua mãe ao desespero, que berrava histericamente por não mais voltar a ver o seu rico filhinho.

E assim que João Sem Medo salta o Muro entra num mundo mágico e dá início a hilariantes e inacreditáveis aventuras, que acabam por desmistificar as histórias de Príncipes e Princesas, Dragões e Gigantes, Fadas e Bruxas Más. Sim as histórias das Fadas e das Princesas são aqui achincalhadas por João Sem Medo. Este não se deixa facilmente intimidar pelas forças enigmáticas e malévolas da Floresta Branca e com o seu ar trocista brinca ironicamente, com o “nosso” imaginário infantil. Acredito que o autor pretendia espicaçar-nos, para que não deixemos morrer a criança que existe em nós.

Para iniciar esta caminhada, João Sem Medo teve de escolher entre dois caminhos: o asfaltado ou o de pedregulhos. O bom caminho conduzia à felicidade, mas para isso João Sem Medo tinha que deixar de pensar:
«-Ninguém pode seguir o caminho asfaltado que leva à Felicidade Completa sem se sujeitar a este programa bem óbvio. Primeiro: consentir que lhe cortem a cabeça para não pensar, não ter opinião nem criar piolhos ou ideias perigosas.»
Ora claro está que João Sem Medo optou pelo caminho árduo! Ou não se chamaria João Sem Medo! E é nesta irreverência de ousar saltar o muro e de querer pensar por si próprio, bem como em outras partes da história que encontramos subtilmente a outra mensagem que este livro também pretendia passar. O que à primeira vista não deixa de ser um livro para crianças, é também ele uma mensagem irónica ao Portugal fascista, que vivia alienado e fechado sobre si mesmo e atrasado em relação ao Mundo.

Tudo é tão absurdo e tão bem conseguido fantasticamente por José Gomes Ferreira, que fiquei maravilhada com a sua capacidade efabulatória. Somos completamente transportados para estas aventuras onde habitam gramofones com asas, homens pássaros, meninas de pés ocos, que são feitas de fruta, pedras que têm bocas e tantas outras personagens. E somos também levados a viajar para terras onde todos diziam o mesmo, para outras onde tudo era às avessas, percorremos o deserto onde vimos o nosso herói a sacrificar-se todo para se alimentar, fomos parar à terra do príncipe de orelhas de burro, que se achava o homem mais bonito e a tantos outros lugares inimagináveis.

E assim, com este romance mágico, José Gomes Ferreira faz crescer em nós o João Sem Medo, aquele que salta o Muro e não tem medo de nada, porque carrega em si todos os sonhos do mundo, como o Poeta.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

"dois nomes e duas identidades"

As Fogueiras da Inquisição, de Ana Cristina Silva deixaram-me com a curiosidade de ler algo mais sobre a personagem histórica Grácia Nasi ou Beatriz de Luna, seu nome cristão.
O blogue Destante e a editora a esfera dos livros proporcionaram-me esta oportunidade, uma vez que fui a feliz contemplada do concurso que oferecia um exemplar do livro Grácia Nasi, de Esther Mucznik.

Nesta obra, Esther Mucznik fala-nos da vida de Grácia Nasi, a judia portuguesa que nasceu e viveu no século XVI; uma época trágica para os sefarditas e cristãos-novos. Estes viviam num clima de medo e insegurança, que os obrigava a fugir de um país para o outro, de modo a evitar a fogueira. Como eram constantemente perseguidos pela Inquisição ficavam impedidos de praticar livremente a sua fé, tendo que a esconder no seio das suas famílias e das suas casas.

Grácia Nasi nasceu em Lisboa no ano de 1510. Como a sua família foi obrigada a converter-se, Grácia Nasi foi baptizada de Beatriz de Luna. «Cristã por fora, judia de alma», Grácia Nasi «aprende a ser fiel à religião antiga» e mantém o desejo de encontrar a tranquilidade para assim poder professar a sua fé às claras. Em 1528 casa-se com Francisco Mendes, mas vê cedo o seu marido partir. Viúva aos vinte e seis anos, Beatriz de Luna é obrigada «a assumir a gestão da imensa fortuna familiar, tendo à partida uma dupla dificuldade: era mulher e cristã-nova.» Contudo, é esta fortuna que lhe salva e lhe permite ultrapassar diversas situações adversas.

«Não sabemos como era Grácia Nasi. Mas podemos imaginá-la de cabelo escuro, elegante, um pouco austera, de porte altivo e ricamente vestida, como convinha a uma mulher poderosa e afortunada. Uma mulher de olhar firme e decidido, um pouco místico também, como o rosto marcado pelo peso da responsabilidade de administrar um império e de chefiar uma família, numa das épocas mais conturbadas da história judaica.»

Com a morte de Francisco Mendes, Grácia Nasi tem de fugir de Portugal devido às constantes pressões, tanto da Igreja, como do Rei, que lhe cobiçavam a fortuna. Desta forma, empreende uma viagem pela Europa até alcançar o Império Otomano. Pelo caminho, estabelece-se em Antuérpia, Veneza, Ferrara e entre outros lugares onde continua a desenvolver «os negócios familiares baseados no comércio da pimenta e especiarias, mas também do açúcar, vinhos […], pérolas, gemas e pedras preciosas.» e a ajudar principalmente os judeus sujeitos às perseguições. Foi essa compaixão e solidariedade para com «os seus irmãos de infortúnio» que «teceram o outro fio condutor da sua vida.»

Nesta biografia, Esther Mucznik presta homenagem a uma «mulher que ousou desafiar o destino a que a sua condição de mulher e cristã-nova a condenava.»

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sonho 1 | "Amo-te"

Amo-te
ainda que o não saiba
para além do fulgor dos beijos
no roçar das palavras
pelos lábios sedentos

Amo-te
em cada curva
em cada traço
atravessando o espaço

Amo-te
na desproporção
dos corpos
deitados na tela

Amo-te
na tinta dos sonhos
que ainda não ousamos pintar
___________________
Autora: Cartas a Si

Nota: Parece que já ninguém sonha... Que andam todos de cara em baixo e deixaram de olhar para o Céu. Sendo assim, agradeço à única participante que me enviou este lindíssimo poema. Aguardo na minha caixa do correio a tua morada para fazer seguir o prémio azulado!
Parabéns e continua a sonhar, sempre! ^.^

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Final da contagem

Os doze mais de 2009
O tonsdeazul festeja hoje quatro anos e nada melhor do que aproveitar o dia para fechar a contagem dos livros lidos em 2009.
Nunca me deu para contar os livros que leio, mas no início deste ano decidi aceitar o desafio da Canochinha e hoje dou por terminada a contagem.
E se não me enganei a contar... Foram 93 os livros lidos este ano!
Como não vou enumerar todos, deixo apenas registado os doze livros que extravasaram e surpreenderam-me de maneiras bem diferentes:
- 1984, de George Orwell
- A Arte de Amar, de Ovídio
- Anna Karénina, de Lev Tolstoi
- A Queda, de Albert Camus
- As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino
- D. Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes
- História do Rei Transparente, de Rosa Montero
- Húmus, de Raul Brandão
- O Arquipélago da Insónia, de António Lobo Antunes
- O Evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago
- Os Passos em Volta, de Herberto Helder
- Rebecca, de Daphne du Maurier

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

"Receita para fazer o azul"

Fuzeta, Olhão. Fotografia de phermad.

"Se quiseres fazer azul,
pega num pedaço de céu e mete-o numa panela grande,
que possas levar ao lume do horizonte;
depois mexe o azul com um resto de vermelho
da madrugada, até que ele se desfaça;
despeja tudo num bacio bem limpo,
para que nada reste das impurezas da tarde.
Por fim, peneira um resto de ouro da areia
do meio-dia, até que a cor pegue ao fundo de metal.
Se quiseres, para que as cores se não desprendam
com o tempo, deita no líquido um caroço de pêssego queimado.
Vê-lo-ás desfazer-se, sem deixar sinais de que alguma vez
ali o puseste; e nem o negro da cinza deixará um resto de ocre
na superfície dourada. Podes, então, levantar a cor
até à altura dos olhos, e compará-la com o azul autêntico.
Ambas a s cores te parecerão semelhantes, sem que
possas distinguir entre uma e outra.
Assim o fiz – eu, Abraão ben Judá Ibn Haim,
iluminador de Loulé – e deixei a receita a quem quiser,
algum dia, imitar o céu."

Nuno Júdice
__________________________
Obrigada Oautor por estas palavras tão azuis.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

As minhas verdades e mentiras

Não tenho jeito para inventar mentiras, mas a Fabulosa e a Teté lançaram-me um desafio e vou ter mesmo que mentir três vezes.

As regras:

"Dizer 9 coisas aleatórias a nosso respeito, sendo que 6 são verdades e 3 são mentiras. Quem o prosseguir deverá referir as 3 mentiras que supõe ter detectado no blogue pelo qual foi desafiado."

Como a Fabulosa já revelou as suas mentiras, vou apenas tentar adivinhar as mentiras da Teté antes que ela as desvende:
1ª - Adoro favas guisadas com chouriço, bacon e ovos escalfados;
5ª - Concorri a um concurso televisivo, mas fui eliminada nas provas preliminares;
8ª - Li os dois volumes de "O Capital", de Karl Marx.
(Todas eram possíveis de ser mentira... Estas foram escolhidas assim como que... Um tiro no escuro).

As verdades e mentiras:
1.ª – Tenho uma cicatriz no pé esquerdo de 15 cm;
2.ª – Uso aparelho nos dentes;
3.ª – Toco violino desde os 13 anos;
4.ª – Adoro acordar cedo aos fins-de-semana;
5.ª – Toquei num jacaré;
6.ª – Cortei-me numa máquina de cortar fiambre;
7.ª – Gosto de usar anéis;
8.ª – Entrei em duas peças de teatro;
9.ª – Participei num concurso de prosa.

Os sortudos:

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O desafio em falta!

O Miguel há uns tempos atrás lançou-me o desafio abaixo, que eu acabei por esquecer, mas sem intenção. Entretanto, a Su não quis que o desafio ficasse em branco e (re)lembrou-me a minha falta.

As Regras:
1 - Colocar uma foto individual (tirada por outra pessoa, e não por vós).
2 - Escolher um artista ou banda preferido.
3 - Responder às questões com os títulos das canções do artista escolhido.
4 - Escolher 4 pessoas a quem passar o desafio.

Jardins de Versalhes

Jardins do Palácio de Versalhes. Fotografia de Ana B.

As perguntas do desafio e as respostas com os temas dos Xutos & Pontapés.
a) És homem ou mulher? "Hás-de ver";
b) Descreve-te. "A busca";
c) O que é que as pessoas pensam de ti? "Poço da salvação";
d) Como descreves o teu último relacionamento? "Faca no coração";
e) Descreve o estado actual da tua relação. "Longa se torna a espera";
f) Onde querias estar agora? "Remar, remar";
g) O que pensas a respeito do AMOR? "Pêndulo";
h) Como é a tua vida? "Dá um mergulho";
i) O que pedirias se pudesses ter um só desejo? "Barcos Gregos";
j) Escreve uma frase sábia. "O que foi não volta a ser".

As sortudas:
Dalaila: http://farolnoventodonorte.blogspot.com/
Fabulosa: http://vozemfuga.blogspot.com/
Humming: http://omeusussurro.blogspot.com/
Nuvem: http://a-minha-nuvem.blogspot.com/

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Era uma vez | Resultados

“É uma tarefa cansativa, esta de contar histórias. […]”
Robert Walser in Histórias de Amor. (extracto do conto «Simão»)


Entretanto... A votação chegou ao fim e assim encontramos o vencedor!
Foi muito bom contar com a vossa participação. Obrigada.
Revelo agora o nome dos dois participantes:

1º lugar - 8 votos
Título: Era uma vez 1 - "o homem azul"
Autor: S. G. ex - Fernando Pessoa
Blogue: O Blog dos 5 Pês http://oblogdos5pes.blogspot.com/

2º lugar - 5 votos
Título: Era uma vez 2 - "A VELHA BRUXA"
Autora: Teté
Blogue: Quiproquó
http://pequenoquiproquo.blogspot.com/
________________
Nota: Contactarei o vencedor para a entrega do prémio.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Era uma vez 2 | "A VELHA BRUXA"

Era uma vez... uma velha bruxa, enrugada e disforme, que assustava toda a população da zona onde habitava.

Em jovem tinha sido bela e vaidosa, dedicara-se inteiramente à sua própria aparência, única característica que a distinguia dos restantes mortais. Por infelicidade do destino, um dia fora atropelada por um carro, enquanto se distraía mirando o seu reflexo num vidro espelhado...

Sobrevivera! Mas as múltiplas cicatrizes que sulcavam o seu corpo outrora perfeito, fizeram com que abandonasse a cidade e partisse para aquela aldeola perdida na encosta da serra.

Afadigava-se com as plantas que cresciam no seu jardim e dava longos passeios pela floresta, recolhendo sementes, raizes, bagas e frutos, o que contribuira para a sua fama na região. Ambicionava alcançar o segredo da beleza e da juventude perdida...

A lua cheia já brilhava no céu, na hora que julgou obter o resultado pretendido - um líquido verde e cristalino, que deixou a esfriar no gelo. Acendeu velas em seu redor, impacientando-se a observar os relógios que tiquetaqueavam inexoravelmente. Quando provou o elixir, gostou do seu aroma e paladar. Bebeu-o até à última gota!

Nessa noite a serra pegou fogo e ela desapareceu misteriosamente. Algum tempo depois, um médico aposentado descobriu o osso do dedo mindinho de uma criança nos escombros, mas a sua participação às autoridades não suscitou mais do que sorrisos descrentes...

O caso foi arquivado!

________________________
Autora: Teté
Blogue: Quiproquó http://pequenoquiproquo.blogspot.com/

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Era uma vez 1 | "o homem azul"

era uma vez um estranho homem azul. queria viver no mar, mas não era peixe, e por isso vivia numa caverna, encoberto pela parede de palhota. decidiu-se a memorizar todas as ondas, a viver do som da maresia, a iludir nos seus sonhos o intenso fracasso da sua vida.

já mal se levantava de manhã. cismava em reter os pensamentos mais belos, em que se enraizava nas algas, vencia os tubarões e namorava anémonas. até os golfinhos o haviam visitado em tempos, tentando convencê-lo ao sonho do suicídio. puro engano. o homem não esperava coragem, mas antes uma dádiva divina, guelras. corava de vergonha pela falta de vontade, e ficava a ver-se ao espelho vestido de azul-rosado.

a noite era fria e fazia retinir nos seus ouvidos o som de uma sereia longínqua. escreveu versos de amor. enlaçou milhares de flores em ramos para o dia da comemoração. mas a manhã regressava cruel e real. ele era um homem azul e nunca poderia viver no mar.

suspirava por um sorriso, enquanto as velas ondulavam ao longe na bruma. e a espuma dos dias era a areia cravejada de búzios. corria dias inteiros pela praia, acenando ao farol, como se a providência celeste habitasse na luz do destino. os homens da faina do mar riam do louco homem azul. um dia desapareceu.

dizem os pescadores que foi uma onda que o levou.
________________________
Autor: S. G. ex - Fernando Pessoa
Blogue: O Blog dos 5 Pês http://oblogdos5pes.blogspot.com/

terça-feira, 22 de julho de 2008

"Um azul"

O teu azul acordou diferente
Sem a leveza da água
Sem o som da manhã

O teu azul está mais escuro
Mais perto de uma dor contida
De olhar inquieto e trémulas mãos

Azul de luz sombria
De lágrima redonda e carnuda
Sulcando as faces da vida

Deixa-me tocar
As fundações desse teu azul
Deixa-me abraçar
A noite que te corrói

Deixa este meu sol
Penetrar-te a melancolia
Reverter em lençóis de ouro
O mar gelado que te aprisiona

Esta manhã
O teu azul acordou diferente
Adormecido pelo silêncio
Seco pelo deserto...

__________________
Autor: Ruinzolas
Blogue: http://palavraformacirculo.blogspot.com/

sábado, 19 de julho de 2008

"ANJO AZUL"

Eu não sei quem ele é.Porém,todos os dias nos encontramos.
E ele me chega sorrateiro,sempre com um sorriso leve nos lábios.
Traz um olhar enigmático e firme que transmite ao meu a segurança de poucos.
Andamos lado a lado por uma esplanada.Ora em silêncio,ora sorrindo um para o outro,ora apenas desfrutando o momento.Para quê palavras?Se estamos juntos?

Quebrando então o vácuo fonético,ele convida-me para sentar e faz-me ouvir encantada as suas viagens,conta-me suas histórias que fornecem ao meu coração,a imunidade necessária para que eu possa avançar pelo mundo,sem pensar em suas mazelas.

Ah! e aqueles olhos negros?sempre fixos em mim,cheios de uma ternura incomum,observa cada expressão do meu rosto,como que querendo ler algo que talvez eu não estivesse claramente a expressar.

Espalmamos nossas mãos,num convite silencioso para continuarmos a andança com elas unidas.E partilhamos neste caminhar,um olhar específico para a lua,que hoje brilha cheia e intensa como nós.
Depois de bons momentos juntos,desfrutando desses pequenos grandes prazeres,ele se vai...da mesma forma que chegou.Ainda não sei quem ele é realmente e talvez nunca vá saber.

A única coisa que sei, é que ele é o mesmo que me veio,com suas asas quebradas.Molhado em pingos de uma chuva azul com pétalas de rosas vermelhas e envolto numa nuvem branca como algodão.

E eu sei que ainda o amo muito ou bastante em mim.

Mas,não sei quem é,pois eu nunca o vi concretamente,apenas imagino e... sinto.
Sinto todos os dias,sinto sempre.E ele é... o meu...anjo.
_______________________
Autora: Kátia (a ouvir "Anjo Azul" de Pedro Abrunhosa)

Blogue: http://www.prateteraqui.blogspot.com/

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Azul 5 | "Esferas e Camadas"

Pouco me falta para adormecer e gosto de pensar nos sonhos como esferas e nas cores como camadas.
Todo o corpo parece entorpecido à excepção dos olhos, que tentam mover-se no contorno dos objectos por aqui espalhados. Mesmo este gesto é lânguido e tão rápido enfraquece quanto é mais certa a ignorância, à medida que foco o meu pensamento na mais pequena forma.
É aqui que tudo se vai arredondando, como gotas que caem e permanecem na suspensão do tempo. E, sem saber como, estas começam a juntar-se e a formar uma espécie de globo.
O horizonte solta-se, alongando-se, na mais primária de todas as formas: um campo aberto ao infinito relativo de uma camada só. Das cores primitivas, só o azul me passa diante dos olhos, já fechados. Neste meu campo não se formam nuvens ou ondas. Não passa por ele qualquer corpo para além da tal esfera, de gotas, de uma chuva remota.
Não sei que esfera é esta. Tratá-la como um sonho é subtrair realidade à teimosia dos que nela pensam. Ignorá-la é não aceitar o prato que nos pesa a leveza do coração. Não, não conheço a minha própria esfera…
…e não a conhecendo e sendo minha, aqui termino, no contentamento que se funde com o disfarce do dia seguinte.
____________________
Autor: Carteiro
Blogue:
http://selosdifusos.blogspot.com/

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Azul 4 | "UMA TARDE NO JARDIM"

O bebé estava deitado no berço, observando atentamente como os seus minúsculos dedos conseguiam movimentar aquela pequena bola azul. Apertava-a, abocanhava-a, rodopiava-a, fascinado com aquela recente descoberta.
Uma pequena sombra acercou-se do berço, e empoleirando-se num banco, espreitou lá para dentro. O rapazito via com curiosidade a brincadeira do bebé, que sorria, encantado. Que mistério teria aquela pequena esfera, para o irmão estar tanto tempo entretido com ela? Retirou-lhe o brinquedo!
Os primeiros protestos, em forma de vagidos, depressa foram abafados pela milagrosa chucha, que lhe foi colocada nos lábios rosados, em jeito de sucedâneo. Adormeceu.
O catraio agora virava a bola e remirava-a tentando perceber a sua serventia. Atirara-a ao chão, não saltara. Atirara-a ao ar, não a agarrara. A solução da incógnita da bola azul parecia cada vez mais longe de alcançar...
Surgiu então perto de si um rapaz mais crescido, que lhe arrancou a esfera das mãos e a pontapeou inúmeras vezes, até ele supôr que era capaz de ser divertido. Se o deixasse jogar, está claro, o que não foi o caso! Estendeu-se na relva macia e, sem bola ou companhia para brincar, as pálpebras venceram a batalha contra o sono e dormiu.
Algum tempo depois, quando preparavam o regresso a casa, a bola foi encontrada num canteiro: suja, molhada, disforme, multicolorida.
Quiseram pô-la no lixo!
Mas um rapazito de 3 anos insistiu que ninguém podia deitar fora a bola do mano...
__________________
Autora: Teté
Blogue:
http://pequenoquiproquo.blogspot.com/

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Azul 3 | "Tu não me perdeste"

Nunca te disse que foi a rosa dos ventos,
Ainda eu era um doente das palavras,
Que me disse onde estavas tu.

E eu fui atrás de ti,
Pelo sul,
Pelo norte,
Pelo nascente e poente,
Sempre de rosa na mão.

Quando te encontrei,
Já a rosa era azul. E como vento nem vê-lo,
Mandaste-me embora.

Só me posso ter perdido algures no noroeste.
______________________
Autor: Fernando Pessoa
Blogue:
http://oblogdos5pes.blogspot.com/

terça-feira, 8 de julho de 2008

Azul 2 | "Deitado num muro"

Não penso muito, deixei-me disso.

Passo despercebido no desconforto de admitirem que existo.
Sou interpretado por quem ainda repara em mim, talvez pela inconveniência do meu cheiro, ou pelo espanto de tal existência. A minha.
Vou existindo no meu mundo, onde os conceitos têm muitas vezes o significado oposto do daquele onde deposito o meu peso. Lixo é bom. É onde como, me visto e me abrigo. E isto é só um exemplo.
Durmo num qualquer banco de jardim; um ritual imposto pela ordem dos dias, do tempo. Acordo com os jactos de água dos lavadores de rua. Vivo (vivo?) em estagnado sobressalto, lânguido e despojado. Afinal o que sinto? Não me lembro. Poucos são os momentos em que me martirizo com a lucidez. Habituei-me, simplesmente. Penso que nem mereço mais. Há mais?

Este sou eu na mente de quem escreve sobre mim e me vê.

Habituei-me ao silêncio das minhas ideias. As palavras pouco significado têm... Um sibilo lembra-me que tenho fome. É o silêncio do costume...

Mas há um silêncio diferente... Agora. Sim, é nesta altura. Um silêncio que eu sinto, um que vem de fora. Que não peço, mas que me é dado. É nesta época... Agora.

Este silêncio que faz sentido, que me faz pertencer a algum lado. Afinal o Sol também se põe para mim. O céu azul despede-se em rosa e lilás ao som dos pássaros e da brisa que me afaga. (Há quanto tempo não me tocam?) Isto é para mim também. É um abraço. É morno e suave. Como o colo da minha Mãe.
___________________
Autora: Humming
Blogue:
http://omeusussurro.blogspot.com/

Pinturas populares (últimos 30 dias)