Não consigo precisar a data exata em que comecei a acompanhar a viagem do Luís Simões, mas foi praticamente muito próximo de quando iniciou a sua aventura pela Europa em 2012.
segunda-feira, 29 de novembro de 2021
Viajar pela Europa em sketches
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
O desafio dos 50
A lista que se segue não tem qualquer ordem de preferência e não é bem a lista referida. Não é uma lista de livros obrigatórios, nem sequer dos melhores de sempre. É sim, uma lista de livros que foram marcantes, únicos, extraordinários, apaixonantes, viciantes, singelos, perturbadores, cómicos e entre outras coisas que nos tocam cá dentro, enquanto leitores que somos, e que de alguma forma também definem aquilo que sou.
34| O Dia dos Prodígios, Lídia Jorge
segunda-feira, 4 de junho de 2012
“Nunca um monarca amou mais o seu povo”
A voz tremia-lhe:
- Este reino pode já ter sido servido por um monarca melhor. Mas nunca, jamais houve nem haverá em Inglaterra um monarca que mais ame o seu povo. A câmara levantou-se em peso a aplaudir. Os deputados comentavam que fora o seu melhor discurso de sempre. O discurso áureo de Isabel I, ouvia-se entre as bancadas. Comovida, a rainha olhava-os, sem o saber, pela última vez.»
Gostei da forma como a autora caracteriza Isabel I. Revelando o seu lado de monarca, mas não esquecendo o seu lado enquanto mulher. Isabel foi uma mulher de fibra, que deu tudo pelo seu povo, em prol da sua vida privada. Era uma mulher brilhante, culta, dominadora, manipuladora, exímia e imprevisível, que soube conduzir sempre o seu reinado com firmeza e mestria. Não é por acaso que o seu reinado é considerado a época áurea da história de Inglaterra. Contudo, também foi uma mulher vaidosa, apaixonada, ciumenta, sensível, vulnerável, leal e humana, daí as suas incertezas e indecisões face às suas sentenças que ditavam o destino de vidas humanas.
Considero ainda que foi bastante interessante cruzar o destino de Isabel I com o de Rodrigo Lopes. Penso que o romance ganhou outro fulgor, até porque é um facto não muito conhecido. Eu desconhecia e por isso achei deveras curiosa esta ligação de confiança e confidências. Depois toda a intriga palaciana, a que aquelas épocas eram tão suscetíveis, está também muito bem conseguida neste romance. Pode-se dizer que o desespero de Rodrigo Lopes tão bem retratado pela autora, representa de alguma forma os inocentes que tantas e tantas vezes são apanhados nas teias da conspiração e da traição e já não conseguem fugir à tortura e ao cadafalso.
Isabel Machado é brilhante no seu livro de estreia, pois consegue agarrar o leitor logo no início do romance e este, já não se desprende mais até chegar ao fim. Gosto de romances históricos, mas escritos por autores portugueses não tenho lido muitos e por isso este surpreendeu-me pela narrativa despretensiosa e pela qualidade e cuidado na interligação entre os factos reais e os fictícios. Nota-se que houve um trabalho de pesquisa e de investigação, pois a sua capacidade em arrumar os acontecimentos no tempo e no espaço histórico é notável. Foi realmente um prazer ler esta obra!
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
marca páginas
Ou então, também podem participar enviando fotografias das colecções de marcadores que tenham aí por casa para o endereço electrónico papeiseletras@gmail.com. Participem! *
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
"eu sou aquele que te procura"
A Terceira Rosa é um romance de 125 páginas, que se lêem num ápice. Este é composto por 56 fragmentos, que por sua vez são vividos na primeira pessoa, na pessoa de Xavier. Xavier que é apaixonado por Cláudia. E a história desenvolve-se, toda ela, em volta desta paixão, num Portugal dos anos 50. Numa época em que havia famílias, como a de Xavier que eram contra o regime político e outras, como a de Cláudia que viviam do lado do regime.
Um belíssimo romance com cheiro a poesia, «que se afirma quase como um ensaio literário sobre a paixão», que marca a vida de Xavier e Cláudia e que nos revela as contradições dos sentimentos e os confrontos da vida. Este ano quero voltar a ler mais deste autor!
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
"os homens nunca se contentam"
As Aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira foi a última descoberta lida. Esta obra é uma aventura pegada e como a Isabel Maia bem referiu faz lembrar, sem dúvida, as aventuras mirabolantes de Alice no País das Maravilhas, de Carroll, As Viagens de Gulliver, de Swift e eu ainda acrescento que também me fez viajar até à trilogia Os Nossos Antepassados, de Calvino.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
"dois nomes e duas identidades"
O blogue Destante e a editora a esfera dos livros proporcionaram-me esta oportunidade, uma vez que fui a feliz contemplada do concurso que oferecia um exemplar do livro Grácia Nasi, de Esther Mucznik.Nesta obra, Esther Mucznik fala-nos da vida de Grácia Nasi, a judia portuguesa que nasceu e viveu no século XVI; uma época trágica para os sefarditas e cristãos-novos. Estes viviam num clima de medo e insegurança, que os obrigava a fugir de um país para o outro, de modo a evitar a fogueira. Como eram constantemente perseguidos pela Inquisição ficavam impedidos de praticar livremente a sua fé, tendo que a esconder no seio das suas famílias e das suas casas.
Grácia Nasi nasceu em Lisboa no ano de 1510. Como a sua família foi obrigada a converter-se, Grácia Nasi foi baptizada de Beatriz de Luna. «Cristã por fora, judia de alma», Grácia Nasi «aprende a ser fiel à religião antiga» e mantém o desejo de encontrar a tranquilidade para assim poder professar a sua fé às claras. Em 1528 casa-se com Francisco Mendes, mas vê cedo o seu marido partir. Viúva aos vinte e seis anos, Beatriz de Luna é obrigada «a assumir a gestão da imensa fortuna familiar, tendo à partida uma dupla dificuldade: era mulher e cristã-nova.» Contudo, é esta fortuna que lhe salva e lhe permite ultrapassar diversas situações adversas.
«Não sabemos como era Grácia Nasi. Mas podemos imaginá-la de cabelo escuro, elegante, um pouco austera, de porte altivo e ricamente vestida, como convinha a uma mulher poderosa e afortunada. Uma mulher de olhar firme e decidido, um pouco místico também, como o rosto marcado pelo peso da responsabilidade de administrar um império e de chefiar uma família, numa das épocas mais conturbadas da história judaica.»
Com a morte de Francisco Mendes, Grácia Nasi tem de fugir de Portugal devido às constantes pressões, tanto da Igreja, como do Rei, que lhe cobiçavam a fortuna. Desta forma, empreende uma viagem pela Europa até alcançar o Império Otomano. Pelo caminho, estabelece-se em Antuérpia, Veneza, Ferrara e entre outros lugares onde continua a desenvolver «os negócios familiares baseados no comércio da pimenta e especiarias, mas também do açúcar, vinhos […], pérolas, gemas e pedras preciosas.» e a ajudar principalmente os judeus sujeitos às perseguições. Foi essa compaixão e solidariedade para com «os seus irmãos de infortúnio» que «teceram o outro fio condutor da sua vida.»
Nesta biografia, Esther Mucznik presta homenagem a uma «mulher que ousou desafiar o destino a que a sua condição de mulher e cristã-nova a condenava.»
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Sonho 1 | "Amo-te"
ainda que o não saiba
para além do fulgor dos beijos
no roçar das palavras
pelos lábios sedentos
Amo-te
em cada curva
em cada traço
atravessando o espaço
Amo-te
na desproporção
dos corpos
deitados na tela
Amo-te
na tinta dos sonhos
que ainda não ousamos pintar
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Final da contagem

quarta-feira, 23 de setembro de 2009
"Receita para fazer o azul"
pega num pedaço de céu e mete-o numa panela grande,
que possas levar ao lume do horizonte;
depois mexe o azul com um resto de vermelho
da madrugada, até que ele se desfaça;
despeja tudo num bacio bem limpo,
para que nada reste das impurezas da tarde.
Por fim, peneira um resto de ouro da areia
do meio-dia, até que a cor pegue ao fundo de metal.
Se quiseres, para que as cores se não desprendam
com o tempo, deita no líquido um caroço de pêssego queimado.
Vê-lo-ás desfazer-se, sem deixar sinais de que alguma vez
ali o puseste; e nem o negro da cinza deixará um resto de ocre
na superfície dourada. Podes, então, levantar a cor
até à altura dos olhos, e compará-la com o azul autêntico.
Ambas a s cores te parecerão semelhantes, sem que
possas distinguir entre uma e outra.
Assim o fiz – eu, Abraão ben Judá Ibn Haim,
iluminador de Loulé – e deixei a receita a quem quiser,
algum dia, imitar o céu."
sábado, 21 de fevereiro de 2009
As minhas verdades e mentiras
As regras:
"Dizer 9 coisas aleatórias a nosso respeito, sendo que 6 são verdades e 3 são mentiras. Quem o prosseguir deverá referir as 3 mentiras que supõe ter detectado no blogue pelo qual foi desafiado."
Como a Fabulosa já revelou as suas mentiras, vou apenas tentar adivinhar as mentiras da Teté antes que ela as desvende:
As verdades e mentiras:
2.ª – Uso aparelho nos dentes;
3.ª – Toco violino desde os 13 anos;
4.ª – Adoro acordar cedo aos fins-de-semana;
5.ª – Toquei num jacaré;
6.ª – Cortei-me numa máquina de cortar fiambre;
7.ª – Gosto de usar anéis;
8.ª – Entrei em duas peças de teatro;
9.ª – Participei num concurso de prosa.
Os sortudos:
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
O desafio em falta!
1 - Colocar uma foto individual (tirada por outra pessoa, e não por vós).
2 - Escolher um artista ou banda preferido.
3 - Responder às questões com os títulos das canções do artista escolhido.
4 - Escolher 4 pessoas a quem passar o desafio.
Jardins do Palácio de Versalhes. Fotografia de Ana B.
As perguntas do desafio e as respostas com os temas dos Xutos & Pontapés.
a) És homem ou mulher? "Hás-de ver";
b) Descreve-te. "A busca";
c) O que é que as pessoas pensam de ti? "Poço da salvação";
d) Como descreves o teu último relacionamento? "Faca no coração";
e) Descreve o estado actual da tua relação. "Longa se torna a espera";
f) Onde querias estar agora? "Remar, remar";
g) O que pensas a respeito do AMOR? "Pêndulo";
h) Como é a tua vida? "Dá um mergulho";
i) O que pedirias se pudesses ter um só desejo? "Barcos Gregos";
j) Escreve uma frase sábia. "O que foi não volta a ser".
As sortudas:
Dalaila: http://farolnoventodonorte.blogspot.com/
Fabulosa: http://vozemfuga.blogspot.com/
Humming: http://omeusussurro.blogspot.com/
Nuvem: http://a-minha-nuvem.blogspot.com/
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Era uma vez | Resultados
Entretanto... A votação chegou ao fim e assim encontramos o vencedor!
Foi muito bom contar com a vossa participação. Obrigada.
Revelo agora o nome dos dois participantes:
1º lugar - 8 votos
Título: Era uma vez 1 - "o homem azul"
Autor: S. G. ex - Fernando Pessoa
Blogue: O Blog dos 5 Pês http://oblogdos5pes.blogspot.com/
2º lugar - 5 votos
Título: Era uma vez 2 - "A VELHA BRUXA"
Autora: Teté
Blogue: Quiproquó http://pequenoquiproquo.blogspot.com/
________________
Nota: Contactarei o vencedor para a entrega do prémio.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Era uma vez 2 | "A VELHA BRUXA"
Em jovem tinha sido bela e vaidosa, dedicara-se inteiramente à sua própria aparência, única característica que a distinguia dos restantes mortais. Por infelicidade do destino, um dia fora atropelada por um carro, enquanto se distraía mirando o seu reflexo num vidro espelhado...
Sobrevivera! Mas as múltiplas cicatrizes que sulcavam o seu corpo outrora perfeito, fizeram com que abandonasse a cidade e partisse para aquela aldeola perdida na encosta da serra.
Afadigava-se com as plantas que cresciam no seu jardim e dava longos passeios pela floresta, recolhendo sementes, raizes, bagas e frutos, o que contribuira para a sua fama na região. Ambicionava alcançar o segredo da beleza e da juventude perdida...
A lua cheia já brilhava no céu, na hora que julgou obter o resultado pretendido - um líquido verde e cristalino, que deixou a esfriar no gelo. Acendeu velas em seu redor, impacientando-se a observar os relógios que tiquetaqueavam inexoravelmente. Quando provou o elixir, gostou do seu aroma e paladar. Bebeu-o até à última gota!
Nessa noite a serra pegou fogo e ela desapareceu misteriosamente. Algum tempo depois, um médico aposentado descobriu o osso do dedo mindinho de uma criança nos escombros, mas a sua participação às autoridades não suscitou mais do que sorrisos descrentes...
O caso foi arquivado!
Autora: Teté
Blogue: Quiproquó http://pequenoquiproquo.blogspot.com/
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Era uma vez 1 | "o homem azul"
já mal se levantava de manhã. cismava em reter os pensamentos mais belos, em que se enraizava nas algas, vencia os tubarões e namorava anémonas. até os golfinhos o haviam visitado em tempos, tentando convencê-lo ao sonho do suicídio. puro engano. o homem não esperava coragem, mas antes uma dádiva divina, guelras. corava de vergonha pela falta de vontade, e ficava a ver-se ao espelho vestido de azul-rosado.
suspirava por um sorriso, enquanto as velas ondulavam ao longe na bruma. e a espuma dos dias era a areia cravejada de búzios. corria dias inteiros pela praia, acenando ao farol, como se a providência celeste habitasse na luz do destino. os homens da faina do mar riam do louco homem azul. um dia desapareceu.
dizem os pescadores que foi uma onda que o levou.
terça-feira, 22 de julho de 2008
"Um azul"
Sem a leveza da água
Sem o som da manhã
O teu azul está mais escuro
Mais perto de uma dor contida
De olhar inquieto e trémulas mãos
Azul de luz sombria
De lágrima redonda e carnuda
Sulcando as faces da vida
Deixa-me tocar
As fundações desse teu azul
Deixa-me abraçar
A noite que te corrói
Deixa este meu sol
Penetrar-te a melancolia
Reverter em lençóis de ouro
O mar gelado que te aprisiona
Esta manhã
O teu azul acordou diferente
Adormecido pelo silêncio
Seco pelo deserto...
__________________
Autor: Ruinzolas
Blogue: http://palavraformacirculo.blogspot.com/
sábado, 19 de julho de 2008
"ANJO AZUL"
E ele me chega sorrateiro,sempre com um sorriso leve nos lábios.
Traz um olhar enigmático e firme que transmite ao meu a segurança de poucos.
Andamos lado a lado por uma esplanada.Ora em silêncio,ora sorrindo um para o outro,ora apenas desfrutando o momento.Para quê palavras?Se estamos juntos?
Quebrando então o vácuo fonético,ele convida-me para sentar e faz-me ouvir encantada as suas viagens,conta-me suas histórias que fornecem ao meu coração,a imunidade necessária para que eu possa avançar pelo mundo,sem pensar em suas mazelas.
Ah! e aqueles olhos negros?sempre fixos em mim,cheios de uma ternura incomum,observa cada expressão do meu rosto,como que querendo ler algo que talvez eu não estivesse claramente a expressar.
Espalmamos nossas mãos,num convite silencioso para continuarmos a andança com elas unidas.E partilhamos neste caminhar,um olhar específico para a lua,que hoje brilha cheia e intensa como nós.
Depois de bons momentos juntos,desfrutando desses pequenos grandes prazeres,ele se vai...da mesma forma que chegou.Ainda não sei quem ele é realmente e talvez nunca vá saber.
A única coisa que sei, é que ele é o mesmo que me veio,com suas asas quebradas.Molhado em pingos de uma chuva azul com pétalas de rosas vermelhas e envolto numa nuvem branca como algodão.
E eu sei que ainda o amo muito ou bastante em mim.
Mas,não sei quem é,pois eu nunca o vi concretamente,apenas imagino e... sinto.
Sinto todos os dias,sinto sempre.E ele é... o meu...anjo.
_______________________
Autora: Kátia (a ouvir "Anjo Azul" de Pedro Abrunhosa)
Blogue: http://www.prateteraqui.blogspot.com/
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Azul 5 | "Esferas e Camadas"
Todo o corpo parece entorpecido à excepção dos olhos, que tentam mover-se no contorno dos objectos por aqui espalhados. Mesmo este gesto é lânguido e tão rápido enfraquece quanto é mais certa a ignorância, à medida que foco o meu pensamento na mais pequena forma.
É aqui que tudo se vai arredondando, como gotas que caem e permanecem na suspensão do tempo. E, sem saber como, estas começam a juntar-se e a formar uma espécie de globo.
O horizonte solta-se, alongando-se, na mais primária de todas as formas: um campo aberto ao infinito relativo de uma camada só. Das cores primitivas, só o azul me passa diante dos olhos, já fechados. Neste meu campo não se formam nuvens ou ondas. Não passa por ele qualquer corpo para além da tal esfera, de gotas, de uma chuva remota.
Não sei que esfera é esta. Tratá-la como um sonho é subtrair realidade à teimosia dos que nela pensam. Ignorá-la é não aceitar o prato que nos pesa a leveza do coração. Não, não conheço a minha própria esfera…
…e não a conhecendo e sendo minha, aqui termino, no contentamento que se funde com o disfarce do dia seguinte.
____________________
Autor: Carteiro
Blogue: http://selosdifusos.blogspot.com/
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Azul 4 | "UMA TARDE NO JARDIM"
Uma pequena sombra acercou-se do berço, e empoleirando-se num banco, espreitou lá para dentro. O rapazito via com curiosidade a brincadeira do bebé, que sorria, encantado. Que mistério teria aquela pequena esfera, para o irmão estar tanto tempo entretido com ela? Retirou-lhe o brinquedo!
Os primeiros protestos, em forma de vagidos, depressa foram abafados pela milagrosa chucha, que lhe foi colocada nos lábios rosados, em jeito de sucedâneo. Adormeceu.
O catraio agora virava a bola e remirava-a tentando perceber a sua serventia. Atirara-a ao chão, não saltara. Atirara-a ao ar, não a agarrara. A solução da incógnita da bola azul parecia cada vez mais longe de alcançar...
Surgiu então perto de si um rapaz mais crescido, que lhe arrancou a esfera das mãos e a pontapeou inúmeras vezes, até ele supôr que era capaz de ser divertido. Se o deixasse jogar, está claro, o que não foi o caso! Estendeu-se na relva macia e, sem bola ou companhia para brincar, as pálpebras venceram a batalha contra o sono e dormiu.
Algum tempo depois, quando preparavam o regresso a casa, a bola foi encontrada num canteiro: suja, molhada, disforme, multicolorida.
Quiseram pô-la no lixo!
Mas um rapazito de 3 anos insistiu que ninguém podia deitar fora a bola do mano...
__________________
Autora: Teté
Blogue: http://pequenoquiproquo.blogspot.com/
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Azul 3 | "Tu não me perdeste"
Ainda eu era um doente das palavras,
Que me disse onde estavas tu.
E eu fui atrás de ti,
Pelo sul,
Pelo norte,
Pelo nascente e poente,
Sempre de rosa na mão.
Quando te encontrei,
Já a rosa era azul. E como vento nem vê-lo,
Mandaste-me embora.
Só me posso ter perdido algures no noroeste.
______________________
Autor: Fernando Pessoa
Blogue: http://oblogdos5pes.blogspot.com/
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