quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

«The Little Matchgirl»


The Little Matchgirl, Roger Allers (Disney & Pixar), 2006

Feliz Natal!
Que o o ano de 2014
seja um ano de renovação,
recheado de muitos momentos felizes!
Abraços e Beijinhos.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

É complicado.

Glencoe, Escócia

«Como é que é a pergunta?
Numa escala de 0 a 10, quão satisfeito se sente com a vida no seu todo? Depois acrescentou: Não sejas precipitado a responder, Daniel.
[...]
A minha resposta. 8,0.
Eu disse para não te precipitares.
Não me precipitei.
Estiveste calado três minutos e depois disparaste um número que, supostamente, representa o teu grau de satisfação com a vida.
É o meu número.
E, em três minutos, passaste em revista toda a tua existência, contabilizaste tudo, ponderaste todas as variáveis?
Sim. Acho que sim. Quanto tempo é que tu demoraste?
Foda-se, Daniel, eu estou nisto há duas semanas e mesmo assim ainda sinto que não estou a pensar em tudo.
Duas semanas, Xavier? Isto não é um problema de matemática.
Na verdade, até é. Mas, antes disso, é a tua vida. Não podes resolvê-la em três minutos. Repito: a maior parte das pessoas não percebe nada de felicidade.
A tua resposta é 4,4 e eu não percebo nada de felicidade.
Estás a interpretar-me mal. Eu não disse que não sentias felicidade. Sentes. Apenas não a percebes.
E tu percebes?
Eu percebo da minha felicidade. É uma equação como outra qualquer que tive de preencher com variáveis e constantes e ponderadores e depois ligar tudo com os sinais certos.
Variáveis? Quais variáveis?
Amigos. Amor. Tempo Sonhos. Sede. Dores de barriga. Esperança. Inveja. O sabor da comida. Esse género de merdas.
Eu ri-me.»
Índice Médio de Felicidade, David Machado

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Oito anos

Fishing for stars, Majali, Suécia 

Hoje é dia de festa! 

Há oito anos criei o tonsdeazul, que continuo a não querer deixar desaparecer. Muitos se foram embora e muitos foram chegando. Nestes oito anos fiz boas amizades e partilhei momentos especiais com muitos de vós. Por aqui quero continuar a registar a minha presença, mesmo não sendo tão frequente como gostaria. 

Mesmo em silêncio não deixei de vos visitar, pois vocês continuam a fazer parte dos meus dias. Por vezes o tempo estica e lá consigo deixar também a minha marca nas vossas partilhas. E assim vão passando os dias. Sempre a correr...

Despeço-me com beijinhos e abraços. :0)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Maria Alevanta

Porto de Pesca em Olhão, Portugal

Maria Alevanta, assim me chamam as gentes daqui e de acolá. Ora me levanto, ora me sento. Ora me sento, ora me levanto. Vagueio por estas ruas todos os dias e todos os dias ora me levanto, ora me sento. Ora me sento, ora me levanto. Já há muitos e muitos dias que mais nada sei fazer.

Uns passam e não me veem. Outros olham e riem. Não sei bem se de mim ou se deles próprios. Há quem se aproxime e até meta conversa, mas esses são poucos e partilham a rua comigo. 

Agora os dias são mais frios e cinzentos. E as noites são tão geladas que até arrepiam os ossos! Mas eu não me deixo ficar. Calcorreio esta calçada todos os dias para ver as gentes a passar. E ora me sento, ora me levanto. E ora me levanto, ora me sento.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

"I am the captain of my soul"




















«Out of the night that covers me, 
Black as the Pit from pole to pole, 
I thank whatever gods may be 
For my unconquerable soul. 

In the fell clutch of circumstance 
I have not winced nor cried aloud. 
Under the bludgeonings of chance 
My head is bloody, but unbowed. 

Beyond this place of wrath and tears 
Looms but the Horror of the shade, 
And yet the menace of the years 
Finds, and shall find, me unafraid. 

It matters not how strait the gate, 
How charged with punishments the scroll. 
I am the master of my fate: 
I am the captain of my soul.» 
Invictus, de William Ernest Henley (1875)
______________
Um Herói partiu. Perdemos uma inspiração.

«A minha inspiração são os homens e as mulheres que surgiram em todo o globo e escolheram o mundo como o teatro das suas operações, e que lutam contra as condições socioeconómicas que não promovem o avanço da Humanidade, onde quer que este ocorra. Homens e mulheres que lutam contra a supressão da voz humana, que combatem a doença, a iliteracia, a ignorância, a pobreza e a fome. Alguns são conhecidos, outros não. Essas são as pessoas que me inspiraram.»
Nelson Mandela (1918-2013)

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

a EScaLADa

Buachaille Etive Mòr em Glen Etive, Escócia. Fotografia de Liefde

Tinha acabado de descer a Buachaille Etive Mòr. Sentia-se cansada. 

Não tinha sido tarefa fácil a subida e além disso não conseguiu escalar até ao topo. Porventura, uma pena. Muitos tinham sido os aventureiros que lhe ultrapassaram o passo, mas ela também não estava com pressa de chegar. Sabia que a sua preparação não era a deles. Por isso não quis arriscar chegar até ao cimo. Faltara-lhe um pedaçinho assim... Olhou um último momento para o cume já tão perto e, ainda ofegante, virou costas. Aproveitou para desfrutar da paisagem envolvente e respirar bem fundo para iniciar o caminho de regresso. 

Agora ali sentada contemplava a magnífica montanha que já tinha sido cenário de fundo de tantos e tantos filmes, incluindo o seu Braveheart de que tanto gostava. Olhando dali, Buachaille Etive Mòr já não lhe parecia enorme e traiçoeira. 

No silêncio, o banco do imenso jardim guardava a memória de três caminheiros: um pai, um filho e um amigo...

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

«O Preço»


Na semana passada tive a oportunidade de ver uma peça extraordinária, O Preço de Arthur Miller. Esta está em cena na Sala Azul do Teatro Aberto (que infelizmente está na iminência de fechar as portas) de Quarta a Domingo e aviso já que é daquelas que não se podem perder!

António Fonseca, João Perry, Marco Delgado e São José Correia são os atores que integram esta peça encenada por João Lourenço. Com um texto tão atual, que levanta tantas questões sobre a essência da vida e a complexidade do ser humano é impossível não ficar-se completamente rendido à história, ao cenário e à excelente interpretação dos quatro atores, em especial João Perry, que aqui faz o papel do avaliador Salomão. 

Sinopse:
«Nova Iorque, 1968. Dois irmãos voltam a encontrar-se, dezasseis anos depois da morte do pai, para desocuparem a casa que deixaram intacta ao longo de todos aqueles anos. Um velho avaliador vem dar-lhes um preço pelos móveis e objectos de que se querem desfazer. No entanto, a transacção não é tão simples como imaginaram: todas aquelas coisas fazem parte da história da família, estão repletas de memórias e obrigam-nos a confrontarem-se com o passado e com as escolhas que fizeram na vida. Qual foi o preço dessas escolhas? Qual é o preço das contas que ficam em aberto? Entre o deve e o haver, o que se perde e o que se ganha? Neste encontro cheio de emoções, debatem-se as grandes questões da vida, com a esperança sempre acesa de uma maior compreensão do que é profundamente humano.»

terça-feira, 8 de outubro de 2013

"Halldora, a Islândia rebelde e imatura"

Hoje finalmente consegui sentar-me para poder escrever algumas palavras sobre a minha última leitura, A Desumanização de Valter Hugo Mãe. Esta é uma história de uma extrema sensibilidade poética e um tanto ao quanto delirante. Como Valter Hugo Mãe já referiu, nas muitas entrevistas que tem dado, é «uma declaração de amor esquisita, mas é a mais sincera declaração de amor aos fiordes do Oeste islandês.»

Halldora ou Halla é um menina de onze anos, que é vista pelas gentes como a irmã «menos morta». «A mais morta», «a criança plantada», morreu. Eram gémeas. «Crianças espelho.» Tudo se dividiu por metade com a morte de Sigridur. Einar, o tolo da aldeia, por quem Halla se apaixona, dizia-lhe que agora estava de «fantasma dentro». Já a sua mãe sempre enferma dizia-lhe que tinha «duas almas para salvar ao céu.» Por isso, Halla queria que o pai fizesse dela um bonsai, para que o seu corpo não fosse outra coisa «senão a imagem cristalizada da [sua] irmã.»

Nesta paisagem bela como a Islândia, mas ao mesmo tempo, um tanto ao quanto dura, desolada, aniquilante, esquisita, ou melhor: desumanizada; Halla tem conversas com Sigridur em dias de solidão e escuridão. A sua mãe refugia-se na automutilação. O seu pai definha, salvando-se apenas na poesia, que partilha com Halla. E a presença de Deus é uma constante, neste cenário onírico e de amargo sofrimento. Assim, é necessário desumanizar para crescer, para se continuar em frente e enfrentar a «experiência difícil e maravilhosa de se estar vivo.»

Mesmo num cenário extremamente belo, Valter Hugo Mãe não deixou de criar personagens tão desprotegidas e rejeitadas, como já nos habituou em outras estórias. E neste lugar diferente, numa linguagem não só poética, mas também livre e alegórica, o autor revela a sua profunda comunhão com a Islândia.

E as ilustrações de Cristina Valadas embelezam ainda mais o livro.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

14.ª Festa do Cinema Francês


Pois é... Todos os anos, por esta altura, começo a contar os dias que faltam para poder assistir a esta Festa do Cinema FrancêsBem sei que para chegar a Faro ainda falta basicamente um mês, mas entretanto vou estando a par do programa e selecionando os filmes que não quero mesmo perder. E também aproveito para (re)lembrar os mais distraídos que vivam ou estejam de passagem por Lisboa, Almada, Coimbra, Guimarães e Porto. Ah! E este ano o cinema francês também vai chegar a Beja! :) 

Como já andei a ver o programa do sul do país, deixo aqui as minhas escolhas:

L’Écume des Jours de Michel Gondry (Comédia) 
Les Amants du Pont Neuf de Leos Carax (Comédia) 
A Vierge les Coptes et Moi de Namir Abdel Messee (Doc) 
Camille Redouble de Noémie Lvovsky (Comédia) 
Kirikou et la Sorcière de Michel Ocelot (Animação) 
Quelques Heures de Printemps de Stéphane Brizé (Drama)

Quem de vocês não perde esta Festa? Já fizeram as vossas escolhas? 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

«A Leitora»

Through The Pages, Nom Kinnear King, Reino Unido

«A leitora abre o espaço num sopro subtil. 
Lê na violência e no espanto da brancura. 
Principia apaixonada, de surpresa em surpresa. 
Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco. 
Ela fala com as pedras do livro, com as sílabas da sombra. 

Ela adere à matéria porosa, à madeira do vento. 
Desce pelos bosques como uma menina descalça. 
Aproxima-se das praias onde o corpo se eleva 
em chama de água. Na imaculada superfície 
ou na espessura latejante, despe-se das formas, 

branca no ar. É um torvelinho harmonioso, 
um pássaro suspenso. A terra ergue-se inteira 
na sede obscura de palavras verticais. 
A água move-se até ao seu princípio puro. 
O poema é um arbusto que não cessa de tremer.» 
in Volante Verde, António Ramos Rosa

não sei o que é chegar, 
porque a minha vida é feita de partidas...
(1924-2013)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

partilhas ao pôr-do-sol

Miradouro do Escavaldo em São Miguel, Açores, Portugal

Ela quis voltar a ver o pôr do sol. Ali, naquele lugar que sempre fora o lugar deles. Onde ele lhe contava estórias de heróis e gigantes. E onde ela em silêncio espreitava o palpitar do coração dele.

domingo, 1 de setembro de 2013

I'm afraid to grow up...

Museum of Childhood em Edimburgo, Escócia

«Childhood is not from birth to a certain age and at a certain age 
The child is grown, and puts away childish things. 
Childhood is the kingdom where nobody dies. [...]» 
Childhood is the kingdom where nobody dies, Edna St. Vincent Millay

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

a lagoa do fogo

Lagoa do Fogo em São Miguel, Açores, Portugal

Quando saíram naquela manhã de sol a caminho de mais uma aventura, estavam longe de imaginar que iriam perder-se de deslumbramento naquela a quem chamam a "Lagoa do Fogo".
Ali estava ela, tranquila e em silêncio, à espera que mais viajantes a descobrissem no seu quieto recanto.
Vaidosa como é, deixava-se fotografar de vários ângulos e pedia para ficarem mais um pouco. Para não lhe virarem as costas assim tão rápido, como tantos outros!
- "O melhor mesmo é contemplarem-me de mais perto. Desçam. Desçam até mim!"
assim foram eles, embalados pela quietude, descendo pela encosta, até mergulharem no intenso azul.

domingo, 7 de julho de 2013

a espera

Jardins do Palácio da Pena em Sintra, Portugal

Ele chamava-lhe “minha princesa”, sempre que se encontravam nos jardins do Palácio. Ela sorria e sentia-se realmente como uma verdadeira princesa! 
Naquele dia de neblina, ela chegou cedo. Sentou-se e esperou por ele no mesmo lugar de todos os dias, mas ele não apareceu. 
Nos dias seguintes, o banco de pedra voltou a esfriar. 
Os dias foram dando lugar a meses e a anos... Ele nunca mais lhe chamou de “minha princesa”. 
Na verdade, aquele lugar recôndito deixou de espreitar os dois amantes.

sábado, 29 de junho de 2013

"Esse Olhar Que Era Só Teu"

Faro, Portugal

- Miúdo... Tocas uma música para mim?
- Oh! Eu não sei tocar...
- Podias tocar aquela música linda de bonita!
- Hum... Ah! Essa eu sei tocar.
- Então toca que eu gosto de a ouvir.

terça-feira, 18 de junho de 2013

«Passado, Presente, Futuro»

Lisboa, Portugal

Eu fui. Mas o que fui já me não lembra: 
Mil camadas de pó disfarçam, véus, 
Estes quarenta rostos desiguais. 
Tão marcados de tempo e macaréus. 

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é: 
Rã fugida do charco, que saltou, 
E no salto que deu, quanto podia, 
O ar dum outro mundo a rebentou. 

Falta ver, se é que falta, o que serei: 
Um rosto recomposto antes do fim, 
Um canto de batráquio, mesmo rouco, 
Uma vida que corra assim-assim. 
in Os Poemas PossíveisJosé Saramago

quarta-feira, 5 de junho de 2013

"viagens e outras Viagens"

Estação Central de Ljubljana, Eslovénia. Fotografia de Liefde

«Visitei e vivi em muitos lugares. E sinto-o como um enorme privilégio, porque pousar os pés no mesmo chão durante toda a vida pode originar um perigoso equívoco, o de fazer-nos crer que essa terra nos pertence, como se não a tivéssemos por empréstimo, como temos tudo na vida.» 
Viagens e outras viagens, Antonio Tabucchi

terça-feira, 28 de maio de 2013

magriço

Vila Nova de Cacela, Portugal

Escapuliu-se assim que a viu. 
Talvez fosse um assustadiço. Ou talvez, quem sabe, um desconfiado com os estranhos. Na verdade não devia gostar cá de aproximações! 
O certo é que ela também não chegou perto. Tinha pavor de gatos. Chamou-lhe Magriço e virou-lhe costas. Já tarde, foi encontrar-lhe de olhos fixos a observar os seus passos. Não resistiu. A medo, disparou.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

"O Campeão do Mundo Ocidental"


A próxima peça de teatro que não quero perder é O Campeão do Mundo Ocidental, que está em cena até 9 de junho, na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. 

Com encenação de Jorge Silva Melo, esta é uma peça do dramaturgo irlandês J. M. Synge, que conta com as interpretações de Elmano Sancho, Maria João Pinho, Américo Silva, Maria João Falcão, Rúben Gomes, João Vaz, António Simão, Nuno Pardal, João Delgado e estudantes da ESTC - Escola Superior de Teatro e Cinema (Rita Cabaço, Isac Graça, Catarina Campos Costa, Nídia Roque, Daniela Silva, João Reixa, Bernardo Souto, Nuno Geraldo).

A ação é passada na costa ocidental da Irlanda no início de 1900 e conta a história de Christy Mahon, um jovem fugitivo que afirma ter morto o pai. Só que o que podia ser condenável, acaba por ser uma história interessante para as habitantes locais!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Mulher, Tu és Bonita!


You are more beautiful than you think.

Sim tu, mulher, que estás a ver este vídeo e que tens uma ideia distorcida da tua imagem... 
Tal como estas mulheres, tal como a maioria de nós mulheres, olhas e tornas a olhar e nunca te vês bonita, maravilhosa e realmente bela!
Então sorri e acredita, porque Tu és bonita.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Festa do Cinema Italiano


Para os amantes de cinema, para os mais distraídos ou para os que ainda não têm programa para o fim de semana, divulgo aqui a 8 1/2 Festa do Cinema Italiano, que já vai na 6.ª edição e que este ano desce até aos algarves. A cidade de Loulé será a anfitriã desta festa, que irá decorrer entre os dias 19 e 21 de abril. 

E claro que já estive a ver os trailers dos filmes que irão passar pelo Cine-Teatro Louletano e agradaram-me bastante! Assim os escolhidos são:

Una Famiglia Perfetta, de Paolo Genovese 

Il Corto (Uma seleção das melhores curtas-metragens italianas)

L’Intervallo, de Leonardo Di Costanzo

Io Sono Li, de Andrea Segre

terça-feira, 26 de março de 2013

Dia do Livro Português

Carlos Rocha, Portugal

Hoje assinala-se o Dia do Livro Português. Não sei se será estigma não gostar dos nossos autores ou do que se escreve na nossa língua, mas a verdade é que muitos de nós, nem sempre temos como primeira escolha, nas nossas leituras, autores portugueses! 

Uma amiga minha diz-me constantemente, que a grande maioria dos autores portugueses cansam-lhe. O pior de tudo para ela é o processo descritivo das obras. "Não há pachorra!", diz-me ela. Já um outro amigo meu, diz que não consegue explicar bem o porquê de não ler autores portugueses. A verdade é que só se lembra de os ler na sua adolescência; nas leituras obrigatórias do secundário.

Já eu não partilho do mesmo sentimento. Gosto imenso dos nossos autores mais falados e conhecidos, e de há uns anos para cá tenho descoberto autores fabulosos que me fazem apaixonar cada vez mais pela nossa extraordinária capacidade de contar estórias.

As leituras este ano não têm sido abundantes... Daí também a minha ausência de opiniões. Mas comecei o ano à descoberta de João Tordo, com o Bom Inverno. E vocês o que têm lido em português nestes três meses? Contem-me tudo! :)

quinta-feira, 21 de março de 2013

«Imagem minha»

Lectora con lunares, Carlos C. Laínez, Espanha

«Ficas a ler comprazida diante das rosas
silhueta que vislumbrei, compus e reanimei.
Tinhas o perfil marcado cruamente pela luz,
as mãos claras no colo, os cabelos despojados
do brilho das cabeleiras soltas, mas juvenis
e sacudidos no início da tarde com alegria.
As páginas balouçavam do mesmo modo que as rosas
porque ao começar a tarde nos dias de Verão
brisas e vapores estendem-se desde o mar
até às margens floridas. No teu banco
adornado por festões de rosas trepadeiras
afastas os olhos do livro não absorta
mas para sempre atraída por inúmeras imagens.»
in Âmago - antologia, Fiama Hasse Pais Brandão
(Dia Mundial da Poesia)

segunda-feira, 11 de março de 2013

«Depois do Adeus»


É só para avisar que Depois do Adeus é das melhores produções de ficção, que está a passar na televisão portuguesa. 
Se nunca viram não sabem o que têm estado a perder! Mesmo assim estão com sorte, pois podem re(ver) todos os episódios no site da série. 
Esta tem sido uma companhia viciante nos meus finais de domingo. Quem de vocês também nunca perde um único episódio? :)

terça-feira, 5 de março de 2013

espelhos da vida


Andou durante largos anos à procura de si própria dentro dos espelhos da vida. Criou várias identidades e encarnou diversas personagens, mas nunca chegou a encontrar-se. Com o passar do tempo, a busca tornou-se inglória. Na verdade, não tinha vivido. Um dia, olhou para si refletida em mais um espelho e desesperou por não encontrar nada mais do que o vazio. Tinha sido sugada pelas personagens que tinha inventado.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

"tudo são expressões daquilo que sentimos"

Love Heart, Holly Clifton-Brown, Reino Unido  

«Qualquer ser humano tem pelo menos duas almas, uma que desce, outra que sobe. Do conflito entre ambas gera-se um nó, um nó cego, a que chamamos coração.»
Enciclopédia da Estória Universal, Afonso Cruz

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Trilho de Howth

Percurso: Pedestre 
Localização: Howth, Dublin, Irlanda 
Distância aproximada: 6-7 km 
Duração aproximada: 3 horas 
Grau de dificuldade: Médio 


«Howth is magic»! São estas as palavras que encontramos no mapa turístico desta Península de Dublin, que fica a 15 km da capital irlandesa. Para lá chegar, o melhor mesmo é apreciar a paisagem numa curta viagem de 30 minutos de comboio (DART) a partir de Dublin. 

Originalmente uma vila de pescadores, Howth é agora uma área residencial do Condado de Fingal. Contudo, as suas raízes piscatórias estão bem vincadas na  vila.

Num dia de sol este lugar é muito procurado, não só pelos apreciadores de trekking, mas também pelos Dubliners, que encontram neste paraíso um refúgio ao reboliço da cidade.

Iniciamos o trilho pela Marina, depois seguimos em direção ao chamado Cliff Walk, tendo a Ireland's Eye como cenário de fundo. Esta é uma reserva natural de várias espécies de aves. 

O trilho pela falésia de Howth não tem um grau de dificuldade elevado, no entanto há que ter atenção, pois um pequeno descuido pode-nos levar à morte. As ravinas acompanham-nos ao longo de todo o percurso e estão bem próximas do trilho, mas a paisagem não deixa de ser deslumbrante!

Ao avistarmos o farol Baily, é tempo de relaxar mais um pouco e contemplar demoradamente todo o cenário.

Chegados à vila, não há melhor para carregar energias que alegrar a vista numa bandeja cheia de cupcakes no mercado de Howth, que se realiza aos sábados de manhã. Ou relaxar, mais uma vez, no extenso jardim do Castelo de Howth.




quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

10| livrarias e bibliotecas no mundo

Ljubljana, Eslovénia


Ljubljana é uma capital europeia pequena, mas com imenso movimento e animação! É daquelas cidades que assim que se conhece, fica-se logo apaixonado no primeiro instante. Calcorreando pelas ruas da cidade há sempre encontros com turistas a deliciarem-se com alguma acrobacia de animadores de rua ou simplesmente a apreciar a melodia que sai de um saxofone ou de uma viola. E é de rua em rua que se chega à praça principal onde se dão todos os encontros e todas as despedidas.

E foi nesta pequena cidade que fui encontrar a maior concentração de livrarias e alfarrabistas! Em cada esquina há uma loja apinhada de livros à nossa espera. Não consegui resistir à maioria delas, é claro! Até porque as montras e a decoração de muitas das livrarias e alfarrabistas são um autêntico convite a entrar e a ficar. 

Na Beletrina encontrei simpatia e dedicação na tentativa de encontrar na base de dados os nossos autores portugueses, mas sem sucesso. Como o espaço era tão agradável, desculpei-lhes a falha. No alfarrabista Cunjak encontrei, num espaço pequeno, uma boa variedade de autores estrangeiros, mas também não vi nenhum nome em português. Só que aqui foram os objetos decorativos, que tiveram mais sucesso e me fizeram lembrar outros tempos.

Pinturas populares (últimos 30 dias)