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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Tão longe, tão perto

Lagoa, Portugal

As palavras são poucas para espelhar os sentires e as emoções que todos os dias marcam a distância deste ano. 
São os momentos de ausência no despertar das manhãs e as conversas demasiadamente curtas no final das noites, que ditam o passar das semanas. 
A contagem decrescente no calendário não é sinónimo de suavização de saudade, mas atenua a dor no coração. 
Há dias cinzentos, azuis e de todas as cores. Há dias e dias. E há sempre a esperança no dia do regresso a casa. 
Até lá fica o pensamento no sabor dos dias vividos, o calor do abraço na despedida e o sorriso nas palavras que chegam.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

a Fé de Javi

Catedral de Girona, Espanha 

- ¿Abuelo qué es la fe? Perguntava Javi enquanto, esmorecido, subia as escadas da Catedral, com o seu avô Toño. 
- La fe es algo que creemos mucho. ¡Javi, no puedes rendirte ahora que todavía no han llegado a la cima! 
- ¿Abuelo... Tenemos que creer mucho para tener fe? 
- Sí, pero tenemos que creer en la fe. 
- ¡Pero entonces tenemos que parar! 
- ¿Por qué, Javi? 
- Porque hoy me desperté con una fe cansada.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

28

Lisboa, Portugal 

Sempre que saía de casa pela manhã os seus passos ligeiros encontravam-se com o 28, que em modo turístico percorria as ruas da cidade.
Havia certos dias ao fim da tarde que gostava de apanhar o 28 na Graça, para entrar num tempo passado. Debruçava-se sobre a janela e de olhar nostálgico tentava desvendar os mistérios da cidade que tanto lhe inspirava. Eram as praças, as ruelas estreitas e íngremes, as colinas e os miradouros, as casas de fado, as residências apalaçadas e as casas burguesas. Era um subir e descer. Era um sem fim de cheiros e sabores, de luz e cor... 
O 28 no seu percurso sem pressa seguia agora em direção ao Miradouro de Santa Luzia. Já o seu destino era a Praça Luís de Camões. Mas tinha tempo. Não iria apressar o fim da sua viagem.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Maria Alevanta

Porto de Pesca em Olhão, Portugal

Maria Alevanta, assim me chamam as gentes daqui e de acolá. Ora me levanto, ora me sento. Ora me sento, ora me levanto. Vagueio por estas ruas todos os dias e todos os dias ora me levanto, ora me sento. Ora me sento, ora me levanto. Já há muitos e muitos dias que mais nada sei fazer.

Uns passam e não me veem. Outros olham e riem. Não sei bem se de mim ou se deles próprios. Há quem se aproxime e até meta conversa, mas esses são poucos e partilham a rua comigo. 

Agora os dias são mais frios e cinzentos. E as noites são tão geladas que até arrepiam os ossos! Mas eu não me deixo ficar. Calcorreio esta calçada todos os dias para ver as gentes a passar. E ora me sento, ora me levanto. E ora me levanto, ora me sento.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

a EScaLADa

Buachaille Etive Mòr em Glen Etive, Escócia. Fotografia de Liefde

Tinha acabado de descer a Buachaille Etive Mòr. Sentia-se cansada. 

Não tinha sido tarefa fácil a subida e além disso não conseguiu escalar até ao topo. Porventura, uma pena. Muitos tinham sido os aventureiros que lhe ultrapassaram o passo, mas ela também não estava com pressa de chegar. Sabia que a sua preparação não era a deles. Por isso não quis arriscar chegar até ao cimo. Faltara-lhe um pedaçinho assim... Olhou um último momento para o cume já tão perto e, ainda ofegante, virou costas. Aproveitou para desfrutar da paisagem envolvente e respirar bem fundo para iniciar o caminho de regresso. 

Agora ali sentada contemplava a magnífica montanha que já tinha sido cenário de fundo de tantos e tantos filmes, incluindo o seu Braveheart de que tanto gostava. Olhando dali, Buachaille Etive Mòr já não lhe parecia enorme e traiçoeira. 

No silêncio, o banco do imenso jardim guardava a memória de três caminheiros: um pai, um filho e um amigo...

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

partilhas ao pôr-do-sol

Miradouro do Escavaldo em São Miguel, Açores, Portugal

Ela quis voltar a ver o pôr do sol. Ali, naquele lugar que sempre fora o lugar deles. Onde ele lhe contava estórias de heróis e gigantes. E onde ela em silêncio espreitava o palpitar do coração dele.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

a lagoa do fogo

Lagoa do Fogo em São Miguel, Açores, Portugal

Quando saíram naquela manhã de sol a caminho de mais uma aventura, estavam longe de imaginar que iriam perder-se de deslumbramento naquela a quem chamam a "Lagoa do Fogo".
Ali estava ela, tranquila e em silêncio, à espera que mais viajantes a descobrissem no seu quieto recanto.
Vaidosa como é, deixava-se fotografar de vários ângulos e pedia para ficarem mais um pouco. Para não lhe virarem as costas assim tão rápido, como tantos outros!
- "O melhor mesmo é contemplarem-me de mais perto. Desçam. Desçam até mim!"
assim foram eles, embalados pela quietude, descendo pela encosta, até mergulharem no intenso azul.

domingo, 7 de julho de 2013

a espera

Jardins do Palácio da Pena em Sintra, Portugal

Ele chamava-lhe “minha princesa”, sempre que se encontravam nos jardins do Palácio. Ela sorria e sentia-se realmente como uma verdadeira princesa! 
Naquele dia de neblina, ela chegou cedo. Sentou-se e esperou por ele no mesmo lugar de todos os dias, mas ele não apareceu. 
Nos dias seguintes, o banco de pedra voltou a esfriar. 
Os dias foram dando lugar a meses e a anos... Ele nunca mais lhe chamou de “minha princesa”. 
Na verdade, aquele lugar recôndito deixou de espreitar os dois amantes.

sábado, 29 de junho de 2013

"Esse Olhar Que Era Só Teu"

Faro, Portugal

- Miúdo... Tocas uma música para mim?
- Oh! Eu não sei tocar...
- Podias tocar aquela música linda de bonita!
- Hum... Ah! Essa eu sei tocar.
- Então toca que eu gosto de a ouvir.

terça-feira, 28 de maio de 2013

magriço

Vila Nova de Cacela, Portugal

Escapuliu-se assim que a viu. 
Talvez fosse um assustadiço. Ou talvez, quem sabe, um desconfiado com os estranhos. Na verdade não devia gostar cá de aproximações! 
O certo é que ela também não chegou perto. Tinha pavor de gatos. Chamou-lhe Magriço e virou-lhe costas. Já tarde, foi encontrar-lhe de olhos fixos a observar os seus passos. Não resistiu. A medo, disparou.

terça-feira, 5 de março de 2013

espelhos da vida


Andou durante largos anos à procura de si própria dentro dos espelhos da vida. Criou várias identidades e encarnou diversas personagens, mas nunca chegou a encontrar-se. Com o passar do tempo, a busca tornou-se inglória. Na verdade, não tinha vivido. Um dia, olhou para si refletida em mais um espelho e desesperou por não encontrar nada mais do que o vazio. Tinha sido sugada pelas personagens que tinha inventado.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

sábado, 8 de dezembro de 2012

à espera do Natal...

Passeig de Gràcia em Barcelona, Espanha

Hoje escrevi a minha carta ao Pai Natal. A mamã disse que eu portei-me bem ao longo do ano e que por isso o Pai Natal iria trazer-me todos os meus presentes. Mas eu não pedi muitos, só pedi um presente que eu queria mesmo, mesmo que o Pai Natal não se esquecesse. Não vos posso contar, porque quero que fique só entre mim e o Pai Natal. Espero que não levem a mal...

Queria que o Natal fosse já amanhã, porque não gosto de ficar a contar os dias no calendário de chocolate que a mamã colocou no meu quarto para me ajudar a adoçar os dias. É que as janelinhas são muitas e nunca mais acabam! O que eu queria mesmo, era acordar amanhã e que fosse Natal. 

terça-feira, 3 de julho de 2012

Destino(s) de férias

Praia de Monte Clérigo, Aljezur

Destinos existem muitos! Aqueles pelos quais sonhamos uma vida toda e a maior parte das vezes não passam disso mesmo, de um sonho. Depois há os que queremos ir e vamos. Os que se proporcionam e nem sequer estavam na lista. Os planeados até à exaustão e que depois ficam a aguardar por melhores dias... Os que se descobrem assim como que num piscar de olhos e depois quase que saímos a reclamar o nosso direito sobre tal descoberta. E tantos e tantos outros... Na verdade, o que quero mesmo dizer é que sabe sempre bem partir, seja para onde for.

Os dias quentes estão aí e a mim agora só me apetece estar numa praia, de preferência dentro de água, de molho como o bacalhau. Por essa mesma razão, estava aqui a pensar num destino que repito todos os anos: Aljezur. É bem verdade que tenho praias a dez minutos de casa e que estas são de águas bem mais quentes, mas estas aproveito-as todo o ano e em dias calmos. Já em agosto, prefiro fugir para a Costa Vicentina! E uns dias, nem que seja um fim de semana, pelas praias da Amoreira, de Monte Clérigo (a preferida), de Odeceixe, da Arrifana, de Vale dos Homens ou da Carriagem, sabem tão bem.

Agora digam-me vocês, quais são os vossos destinos de verão em terra lusitana?  

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Confidências na adolescência

Praia do Baleal, Peniche

Aos quinze anos conheci um rapaz simples. Simples nos gestos e simples nas palavras. Ficámos amigos naquele mesmo instante. Tornámo-nos confidentes de praia, pois contemplávamos o mesmo mar. Ele esperava pelas ondas todas as manhãs e todos os fins de tarde. E eu enquanto o observava a deslizar sob a brancura daquelas ondas, esquecia-me de mim. 
Um dia olhou a imensidão do mar e, quando o seu olhar alcançou a linha do horizonte que toca o Céu, disse-me no seu tom mais sério: 
- Sabes… Eu não deixarei a velhice entrar no meu corpo. As minhas mãos não chegarão a sentir as suas rugas. A Morte chegará antes até mim. 
E naquele fugaz momento o silêncio chegou e entrou em nós.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

as cores do sentir


Ela não sabia como o tinha deixado entrar. Não sabia quando tudo tinha começado a borboletear dentro dela. Nem sequer sabia se ele tinha realmente entrado! E talvez ele também não o soubesse.
Ela gostava de o ter por perto. Gostava do seu jeito sério de falar, que intercalava com sorrisos tímidos. Oh, como gostava desse seu sorriso! E não conseguia evitar a constante observação, como quem procurava entranhar-se nas minuciosidades das suas palavras. Talvez assim, conseguisse encontrar nas palavras dele o que ainda continuava a procurar nas cores do seu sentir.

sábado, 21 de maio de 2011

terça-feira, 10 de maio de 2011

a curva de um sorriso...

Gentils Petits Monstres, Karin Jeanne, França


... permite que o caminho não seja sempre a direito.
Esta minha jornada está quase, quase a chegar ao fim...

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