quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

"Cemitério dos Livros Esquecidos"

Library Head, Paul Rumsey, Reino Unido

«Seguimos o guardião através daquele corredor palaciano e chegámos a uma grande sala circular onde uma autêntica basílica de trevas jazia sob uma cúpula retalhada por feixes de luz que pendiam lá do alto. Um labirinto de corredores e estantes repletas de livros subia da base até à cúspide, desenhando uma colmeia tecida de túneis, escadarias, plataformas e pontes que deixavam adivinhar uma gigantesca biblioteca de geometria impossível. [...]

- Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. [...] Dir-te-ei o que o meu pai me disse a mim. Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as suas portas, quando um livro se perde no esquecimento, os que conhecemos este lugar, os guardiães, asseguramo-nos de que chegue aqui. Neste lugar, os livros de que já ninguém se lembra, os livros que se perderam no temo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mãos de um novo leitor, de um novo espírito.»
A sombra do vento, Carlos Ruiz Zafón

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"Os livros, esses animais opacos"

寄り道 (desvio), Jun Kumaori, Japão

«OS LIVROS, ESSES ANIMAIS SEM PERNAS, mas com olhar, observam-nos mansos desde as prateleiras. Nós esquecemo-nos deles, habituamo-nos ao seu silêncio, mas eles não se esquecem de nós, não fazem uma pausa mínima na sua vigia, sentinelas até daquilo que não se vê. Desde as estantes ou pousados sem ordem sobre a mesa, os livros conseguem distinguir o que somos sem qualquer expressão porque eles sabem, eles existem sobretudo nesse nível transparente, nessa dimensão sussurrada. Os livros sabem mais do que nós mas, sem defesa, estão à nossa mercê. Podemos atirá-los à parede, podemos atirá-los ao ar, folhas a restolhar, ar, ar, e vê-los cair, duros e sérios, no chão.»
«Uma casa cheia de livros» in Abraço, José Luís Peixoto

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

«Uma casa cheia de livros»

L'archiviste, François Schuiten, Bélgica

«Eu já vi muitos livros e não contava surpreender-me mas, depois, prestei mais atenção. Enquanto ouvia a descrição do cenário em que encontraram os livros - uma casa cheia de livros, todas as paredes cheias, do chão ao tecto, prateleiras com duas fileiras de livros, pilhas de livros - foquei o meu olhar nas lombadas, nos títulos. [...] Tratava-se de uma organização que previa a dimensão estética - o tamanho das edições, as colecções, as cores das capas - mas, também, uma vertente literária - géneros, história da literatura - e alfabética - B depois do A. Por vincos ínfimos, dava para perceber que eram livros lidos. Mas tão bem tratados, tão minuciosamente acarinhados. Ao mesmo tempo, entre prateleiras, entre salas, fui percebendo quais eram os autores que, criteriosamente, não estavam representados e quais os que tinham toda a sua obra naquelas estantes; fui percebendo quais os períodos e os temas que interessavam à pessoa que juntou todos aqueles milhares de livros.»
in Abraço, José Luís Peixoto

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Trilho de Castelo Rodrigo

Percurso: Pedestre 
Localização: Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda 
Distância aproximada: 1,5 km 
Duração aproximada: 30 minutos 
Grau de dificuldade: Baixo 

Castelo Rodrigo estava assinalado no mapa como sendo o nosso terceiro destino. Esta freguesia que se avista ao longe é mais uma que prima por um bonito cenário pedonal. O percurso tem início na porta nascente, sendo que ao entrarmos nas muralhas é só subir pela Rua do Relógio em direcção à Torre do Relógio, que se vislumbra ao fundo da rua. Daqui podemos contemplar a planície e toda a vila. 

Seguindo o nosso percurso, vamos dar ao Palácio Cristóvão de Moura e mais à frente encontramos a Igreja Matriz. Já no lado esquerdo da igreja, podemos encontrar o Pelourinho, de estilo manuelino.  

No final do passeio podemos relaxar com um chá/café e levar para casa uns doces regionais deliciosos.

Próxima paragem: Marialva





sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

1| Problema de expressão


Os seis anos, a pintar em tons de azul, chegaram. 
O tempo é incrivelmente fugaz... Ainda me lembro do dia em que decidi criar-te a ti, tonsdeazul! Ainda não ultrapassamos a crise dos sete anos, por isso vamos lá ver até onde conseguimos caminhar juntos. 

Este ano não vou fazer nenhuma retrospectiva, nem balanço de coisa alguma. Até porque foi um ano completamente inesperado. E ainda bem que assim foi! 

Para assinalar estes maravilhosos seis anos, que marcam a entrada na escola primária (quem não se lembra do seu primeiro dia de aulas?), o tonsdeazul terá a partir de hoje uma nova tinta, Problema de expressão. Basicamente, serão frases criadas (ou não) a partir de uma fotografia minha, tirada algures por aí. 

Beijinhos e abraços.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

sábado, 10 de dezembro de 2011

«Ausência»

La Gramatica del amor, Meritxell Ribas, Espanha

«Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais, um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e 
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidade aproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras 
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de 
mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.» 
in Pedro, Lembrando Inês, Nuno Júdice

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

«parto»

Io sono albero foglia vento, Laura Medei, Itália

«há pessoas que têm medo de dizer o que pensam
há pessoas que têm medo de dizer o que sentem
há pessoas que têm medo de pensar o que dizem
há pessoas que têm medo de sentir e não dizem
há pessoas que têm medo de não dizer o que não sentem
há pessoas que têm medo de falar como quem não diz
beijar como quem não ama
sorrir como quem sofre
nascer como quem chora
fugir como quem regressa
caminhar como quem dorme
chorar como quem sonha
há pessoas que têm medo
tanto medo que não conseguem caminhar
e cada passo que dão só os leva para o mesmo sítio
para o útero da mãe que é quente e confortável e tem um sofá 
[com naperons nas costas que os faz sentir quentinhos seguros
e aí todos somos o mesmo
aí todos somos um
aí todos somos aquele que ainda não chorou mas que está quase
e quando começar já não se pode voltar para trás
e passamos toda a vida com olhos na nuca a querer voltar 
[para casa
a querer voltar para dentro porque neva lá fora
e lá dentro é tão quentinho
deixem-me entrar
agora
depois é tarde demais
deixem-me ser o antes
quero ser o antes que seja tarde»
in a verdade dói e pode estar errada, João Negreiros

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

"agora diz o que nós somos"

«- Os homens como nós, que trabalham nas herdades, são os camaradas mais solitários do Mundo. Não têm família. Não pertencem a nenhum lugar. Chegam a uma herdade e trabalham até juntarem algum dinheiro e depois vão à cidade e deitam fora o dinheiro, e então não têm outro remédio senão entrar a sacudir o rabo noutra herdade. Não podem esperar nada do futuro.
[...]
- Connosco não acontece o mesmo. Temos um futuro. Temos alguém com quem falar, alguém que pensa em nós. Não somos obrigados a ficar sentados num café, deitando dinheiro fora, só porque não há outro lugar aonde ir. Se esses outros vão para a cadeia, ficam lá a apodrecer e ninguém se importa. Mas connosco é diferente.
- Mas connosco é diferente! - interrompeu Lennie. - E porquê? Porque... porque eu tenho a ti para cuidar de mim, e tu tens a mim para cuidar de ti, por isso. - Soltou uma gargalhada de prazer. - Continua, George!»

John Steinbeck tem uma particularidade muito especial de contar histórias sobre as gentes que trabalham a terra. Em Ratos e Homens voltamos à ruralidade da Califórnia.
George e Lennie, os protagonistas, caminham juntos numa constante procura de trabalho. Devido à deficiência mental de Lennie, George vê-se obrigado a não deixar falar o amigo, quando este é questionado pelos patrões. Lennie é um gigante bastante capacitado para o trabalho duro do campo, mas quando fala antes de ser contratado, acabam por já não ficar. Para além disso tem uma obsessão em fazer festas a tudo o que seja macio como a seda. O que por vezes acarreta chatices.
Ambos desejam conseguir juntar dinheiro suficiente para comprarem um pedaço de terra e nela poderem cultivar a terra e criar animais. Sonham acordados com essa vida calma e só deles.
Depois de terem fugido de Weed, chegam a Gabilan, perto de Soledad, para trabalhar num rancho. Advertido por George, Lennie fica calado e ambos conseguem o emprego. Só que Lennie parece que está sempre a meter-se em apuros, mesmo não tendo intenção de magoar seja quem for. Sempre com o sentimento de culpa e consciente do constante fardo que é para George, Lennie tenta esconder os seus erros para evitar que George se zangue ou o impeça de criar os coelhos que irão ter no seu pedaço de terra.
Quando ambos conhecem a mulher de Curley, o filho do patrão, George prevê grandes confusões…
Estas cem páginas, que retratam a amizade e os sonhos de quem nada tem, embelezam em palavras a rudeza e frieza visual da história, aqui tão bem contada pelo o autor. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

a longa espera


Há anúncios que valem bem a pena ver repetidas vezes! Foi também uma excelente escolha esta de pegar no original dos The Smiths, Please, please, please, let me get what I want.

sábado, 26 de novembro de 2011

Pego do Inferno

Pego do Inferno em Santo Estêvão, Tavira

O Pego do Inferno, apesar de muito procurado por turistas na época balnear e não só, ainda continua a ser um doce recanto de sossego, que dá para desfrutar no Barrocal Algarvio. 
Nos meus tempos de cachopa (ou como dizem as gentes dos algarves, de moça pequena) esta zona era bem mais inacessível, mas agora com as obras de requalificação, que ficaram enquadradas na paisagem, todos os caminhos ficaram bem mais fáceis para até ao Pego chegar. 
O Pego do Inferno situa-se na freguesia de Santo Estêvão, a 7 km de Tavira, e é uma das quedas de água da ribeira da Asseca. 
E desta queda de água, a formar uma lagoa, de uma cor límpida esverdeada, mas com um fundo a não se deixar ver na zona da queda, só poderia sair uma lenda, ora pois!

Eu ouvir dizer não ouvi, mas o meu pai conta que as gentes lá da terra (que sempre têm coisa para contar) ouviram dizer que há uns bons anos esta queda de água não era coisa divina, não. E nem vinham cá turistas em busca desta maravilha que agora lhe chamam da natureza... Pois esta queda era mesmo um Pego do Inferno, é o que era! 
As gentes contaram-lhe que, num dia de calor andava uma junta de bois a lavrar a terra, como sempre lavrava de sol a sol, e por isso nada previa que nesse dia a lavoura iria ser diferente... 
Mas o certo é que as moscas incomodam os animais (e não só) e como o dia estava de muito calor, as moscas não pararam de rodear e incomodar os bois. Os bichos que estavam no sossego do seu trabalho começaram a ficar com a mosca e já não suportando mais deu-lhes para fugir pelas hortas a fora com o arado de arrasto. A junta de bois inquieta foi por ali abaixo numa correria despegada e só parou quando caiu lá em baixo. E nunca mais se viram os bois chegar à superfície. 
Não havia nada que caísse, que tivesse a sorte de vir ao de cima. A queda de água puxava para baixo e desaparecia com tudo o que ali caísse! Assim, ficou o Pego do Inferno. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

o nascer da Terra

Un Sembrado de Estrellas, Patricia López Latour, Argentina

«Não é da luz do sol que carecemos. Milenarmente a grande estrela iluminou a terra e, afinal, nós pouco aprendemos a ver. O mundo necessita ser visto sob outra luz: a luz do luar, essa claridade que cai com respeito e delicadeza. Só o luar revela o lado feminino dos seres. Só a lua revela intimidade da nossa morada terrestre.
Necessitamos não do nascer do Sol. Carecemos do nascer da Terra.»
Contos do Nascer da Terra, Mia Couto

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Trilho de Almeida

Percurso: Pedestre 
Localização: Almeida, Guarda 
Distância aproximada: 2 km 
Duração aproximada: 1 hora 
Grau de dificuldade: Baixo 

Aqui estamos no nosso segundo destino. Almeida é uma vila muito característica, pois as muralhas que a protegem são em forma de estrela. Pena que esta imagem deslumbrante da fortaleza de Almeida só seja possível vista de cima ou em formato postal. 

Começámos o nosso percurso pedestre na entrada da fortaleza, mas como o dia estava bonito, paramos de imediato para tirar umas fotografias à entrada da porta de São Francisco. Afinal esta é considerada uma das mais bonitas do país! 
Ao passarmos o túnel, temos o Quartel das Esquadras e um pouco mais à frente a Igreja da Misericórdia e seguindo o percurso vamos dar às Casamatas. Estas salas e corredores subterrâneos tinham como função acolher a população em caso de ataque, mas mais tarde também serviram de prisão. Mas continuemos a nossa caminhada até às ruínas do Castelo e ao Palácio da Vedoria. Depois passámos pela Igreja Matriz e subimos às muralhas da fortaleza para vislumbrar a vila e a paisagem em redor.

Próxima paragem: Castelo Rodrigo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

"ele, era outra coisa"

unbroken heartValery Milovic, EUA

«Jorge parou em frente dela e ficaram ambos, alguns instantes, de olhos nos olhos, esforçando-se por devassar o segredo impenetrável dos seus corações, de sondar o seu pensamento a fundo. Procuravam ver a nu as suas consciências, numa interrogação ardente e muda. Luta íntima de dois seres que, embora vivessem lado a lado, sempre se ignoravam, suspeitavam um do outro, se farejavam, se espreitavam, sem nunca se conhecerem até ao fundo lodoso da alma.» 
Bel-Ami, Guy de Maupassant

sábado, 12 de novembro de 2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

preso à solidão dos livros

Tomasz Pietrzyk, Polónia 

«Você tem George. Sabe que ele voltará. Mas imagine se não tivesse ninguém. [...] Imagine que tinha de ficar aqui sentado, a ler, a ler. Os livros não servem. Um homem precisa de alguém, alguém que esteja perto. Uma pessoa fica louca quando não tem ninguém. Não importa quem seja o outro, desde que esteja acompanhada. Eu lhe digo - gritou-lhe - eu lhe digo que uma pessoa sente-se tão só que até fica doente.»
Ratos e Homens, John Steinbeck

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

marca páginas


Estes são alguns dos meus marcadores de livros que a Diana gentilmente publicou no seu blogue Papéis e Letras. Se quiserem conhecer mais alguns podem sempre dar um pulinho até lá. 
Ou então, também podem participar enviando fotografias das colecções de marcadores que tenham aí por casa para o endereço electrónico papeiseletras@gmail.com. Participem! *
  

sábado, 5 de novembro de 2011

"este aborto a que chamávamos amizade"

Já devo ter escrito algures aqui de que gosto e tenho sempre curiosidade em ler os escritores laureados com o prémio Nobel. Nem sei bem o porquê. Talvez seja a ânsia de descobrir algo de extraordinário que ainda não tenha lido num outro escritor.  Nesta busca constante li Rudyard Kipling, William Yeats, Luigi Pirandello, Pearl S. Buck, Hermann Hesse, Ernest Hemingway, Albert Camus, John Steinbeck, Pablo Neruda, Saul Bellow, Gabriel García Márquez, Nadine Gordimer, José Saramago, Günter Grass, Imre Kertész, Orhan Pamuk e Doris Lessing. No vasto leque de autores, encontrei estilos bem distintos e marcantes, outros nem tanto. Todos eles sempre me permitiram desfrutar de histórias únicas, que no final deixavam-me a vontade de voltar num futuro próximo. Sendo que a todos eles voltei, ficando até viciada em Hemingway, Camus, Steinbeck, García Márquez e Saramago (o único que descobri a obra antes do prémio).
Isto tudo para dizer, que no mês passado terminei mais um Nobel, Os Anões de Harold Pinter, e tive a minha primeira desilusão “nobelesca”.  As únicas expectativas que tinha eram: se é Nobel então será com toda a certeza uma boa leitura! Pois, grande erro. Ao 18.º Nobel descobri a excepção.

«O que eu quero que tu entendas, acima de tudo, é que devemos ter uma oportunidade de deixar um olho negro um ao outro, se decidirmos que é preciso. E também que, pessoas como tu e eu, que não são propriamente uma bênção pura, deviam sobreviver a uma história de amor sem se tornarem ressentidos, estúpidos ou cegos.»

Os Anões centra-se na vida de quatro personagens, Len, Mark, Pete e Virginia, que tem uma relação com este último.
Nos primeiros capítulos apercebi-me de imediato que o livro é  quase todo ele com diálogos e assim senti-me como que reconduzida para uma peça de teatro. Claro que não era este o motivo para colocar o livro de lado, pois experiências anteriores tinham-me surpreendido bastante. Só que os primeiros capítulos não entusiasmavam a continuar. Como romance este livro não estava a desempenhar bem o seu papel e como peça de teatro escrita também não me estava a convencer. Se estivesse a presenciá-la em palco seria uma outra questão e até quase que arrisco a dizer que iria adorar a peça! Mas assim surgiu a dualidade: ler ou largar? 254 páginas foram o pretexto para continuar.

A história está dividida em três partes e começa com Len e Pete a esperar por Mark na casa deste. Enquanto esperam pela chegada de Mark vão espreitando os recantos da casa e conversando sobre trivialidades. Os diálogos soam a absurdo e sem sentido, apesar de nem sempre o serem. E por vezes até parece que estão a ter uma conversa de surdos.
Ao longo dos capítulos vamos conhecendo um pouco de todos eles. Len trabalha numa estação de comboios, mas dedica-se também à música. Pete trabalha num escritório e passa os dias a desmiolar a cabeça da sua namorada Virginia com as suas argumentações de pseudo-intelectual. E Mark é um actor ao que parece falhado, que adora andar encaixado em mulheres, não colocando de lado a sua possível tentativa com Virginia. 
Os três amigos aparentemente têm uma amizade forte, sendo Virginia a figura extrínseca que poderá mexer nas arestas desta amizade, uma vez que a relação entre os três também tem as suas limitações: está restrita à intimidade de cada um, é frágil, impetuosa, perturbante e destrutiva.
Todo o ambiente em que se movimentam parece vazio e inseguro. Os personagens vão deambulando umas vezes pela casa de Mark, outras pela casa de Virginia, outras ainda por um parque ou por um pub qualquer da cidade londrina. Entre os diálogos e monólogos vão-se revelando as fragilidades e frustrações que, de capítulo em capítulo, encaminham-se para a nudez da verdade. Nestas controversas interlocuções, os nossos amigos ora argumentam sobre Shakespeare e Bach, ora discutem sobre os autocarros que fazem o percurso de Notting Hill, ora falam sobre o absurdo. E como já o disse, parece que não há um sentido. Os personagens andam perdidos entre si e os seus diálogos também. Existe um certo caos e uma certa vertigem em toda a história. O fim encontra a degradação destrutiva da amizade.

Todo este niilismo podia entusiasmar, mas sinceramente não me cativou. Talvez não fosse a altura ideal para o ler... O certo é que se o autor tivesse mais algum romance, eu não voltaria a lê-lo.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Trilho de Castelo Mendo

«-Vieram visitar a aldeia? Hum... E são de muito longe? Passem ali na minha casa que tenho uns bolinhos muito bons. Não querem um santinho? É para ajudar a fazer a procissão de domingo... É que somos tão poucos aqui na aldeia. 27 apenas...»

Percurso: Pedestre
Localização: Almeida, Guarda
Distância aproximada: 1,5 km
Duração aproximada: 30 minutos
Grau de dificuldade: Baixo

Castelo Mendo é uma freguesia do concelho de Almeida que integra a rede de Aldeias Históricas de Portugal. Já fazia algum tempo que queríamos visitar as aldeias deste projecto que se localizam nos distritos da Guarda e Castelo Branco e por isso, foi por esta que decidimos iniciar o nosso primeiro trilho em busca destas doze aldeias.

O percurso pedestre começa e termina na porta da aldeia. O tempo bastante ameno permitiu que esta descoberta de uma hora começasse da melhor maneira. Embora o percurso se faça em 30 minutos, há que dar tempo para apreciar a paisagem!
O Chafariz Novo, o Alpendre da Feira, o Pelourinho, o Castelo e a Igreja de Santa Maria do Castelo são alguns dos locais obrigatórios de passagem.

Próxima paragem: Almeida.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

escapando a tentações

Alfarrabista em Doolin, Irlanda

«Foi logo na montra da livraria que descobriste a capa com o título que procuravas. Atrás desta pista visual, lá foste abrindo caminho pela loja dentro através da barreira cerrada dos Livros Que Não Leste, que de cenho franzido te olhavam das mesas e das estantes procurando intimidar-te. Mas tu sabes que não te deves deixar assustar, que no meio deles se estendem por hectares e hectares os Livros Que Podes Passar Sem Ler. […] Com um movimento rápido passas por cima deles e vais parar ao meio das falanges dos Livros Que Tens Intenção De Ler Mas Antes Deverias Ler Outros, dos Livros Demasiado Caros Que Podes Esperar Comprar Quando Forem Vendidos Em Saldo, dos Livros Idem Idem, Aspas Aspas Quando Forem Reeditados Em Formato De Bolso, dos Livros Que Podes Pedir A Alguém Que Te Empreste e dos Livros Que Todos Leram E Portanto É Quase Como Se Também Os Tivesses Lido. Escapando a estes assaltos, avanças para diante das torres do reduto, onde te opõem resistência 
os Livros Que Há Muito Tempo Programaste Ler, 
os Livros Que Há Anos Procuravas Sem Os Encontrares, 
os Livros Que Tratam de Alguma Coisa De Que Te Ocupas Neste Momento, 
os Livros Que Queres Ter Para Estarem À Mão Em Qualquer Circunstância, 
os Livros Que Poderias Pôr De Lado Para Leres Se Calhar Este Verão, 
os Livros Que Te Falam Para Pores Ao Lado de Outros Livros Na Tua Estante, 
os Livros Que Te Inspiram Uma Curiosidade Repentina, Frenética E Não Claramente Justificada. 
E lá conseguiste reduzir o número ilimitado das forças em campo a um conjunto sem dúvida ainda muito grande mais já calculável num número finito, mesmo que este relativo alívio seja atacado pelas emboscadas dos Livros Lidos Há Tanto Tempo Que Já Seria Altura de Voltar A Lê-los e dos Livros Que Dizes Sempre Que Leste E Seria Altura De Te Decidires a Lê-los Mesmo. 
Libertas-te com uns ziguezagues rápidos e penetras de um salto na cidadela das Novidades Cujo Autor ou Assunto Te Atrai. 
[…] percorridos rapidamente com o olhar os títulos dos volumes expostos na livraria, dirigiste os teus passos para uma pilha [do livro que tanto procuravas], pegaste num exemplar e levaste-o à caixa para se regularizar o teu direito de propriedade sobre ele. 
Deste ainda uma espreitadela desnorteada aos livros em redor (ou melhor: foram os livros que te olharam com o ar desnorteado dos cães que das grades do canil municipal vêem um ex-companheiro afastar-se pela trela do dono que veio recuperá-lo), e saíste.» 
Se Numa Noite de Inverno Um Viajante, Italo Calvino

domingo, 23 de outubro de 2011

"Peña de los Enamorados"

Antequera, Espanha

Numa das minhas visitas à vizinha Espanha, andei por terras andaluzas e nessas andanças, descobri Antequera. Uma cidade pacata, que me atraiu especialmente pela reserva natural El Torcal. Um mar deslumbrante de pedras a perder de vista! Só que nessa descoberta, também me saltou à vista um monumento natural, que aparenta um rosto. Este é designado como Peña de los Enamorados. A rocha aparece em todos os postais turísticos e é mesmo a identidade da cidade. E é sobre esta pedra rochosa que irei falar, porque com um nome assim só poderia haver lenda por trás! 

A Peña de los Enamorados separa a cidade de Antequera de Archidona e este rosto que dorme sob as entranhas da terra remete-nos para a lenda dos amantes de Antequera, Tazgona e Hamet. Ela rica, filha de um alcaide mouro de Archidona. Ele um escravo cristão de Antequera. Ora pois já sabemos que quando a religião entra em histórias de amor acaba sempre em tragédia! O que é certo é que apesar das diferenças sociais e religiosas, Tazgona salvou o jovem Hamet do calabouço e os dois jovens apaixonaram-se. 
Claro que os pais de Tagzona não estavam de acordo com essa paixão, pois como é que poderiam aceitar que a sua adorada filha se enamorasse por um escravo e ainda por cima cristão! 

Prisioneiros a um amor impossível, os jovens apaixonados decidiram fugir da tirania da família de Tagzona. O pai ao descobrir, não aceitou a fuga da filha e, juntamente com outros familiares, foi no seu encalço. Os dois jovens fugiram até ao cimo da rocha e por lá se abrigaram nas suas encostas. Só que dali não podiam escapar. Então o jovem Hamet sentindo-se perseguido decidiu atirar-se para o abismo mas, no momento em que se atirou a jovem enamorada agarrou a mão do seu apaixonado e os dois voaram para o vazio, unindo-se na eternidade. 
Desde aí que podemos ver o rosto adormecido do jovem Hamet, que é sussurrado pelo vento, a sua sempre apaixonada Tagzona.
___________________
Nota: Esta é apenas uma das diferentes versões que existem. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

"O drama de passar a ser outro"

«De facto, o processo mais difícil para mim foi o de me converter noutra pessoa. A mudança de personalidade é uma luta quotidiana na qual o indivíduo frequentemente se revolta contra a sua própria determinação em mudar e quer continuar a ser quem é. Assim a maior dificuldade não foi a aprendizagem, como se poderia pensar, mas sim a minha resistência inconsciente, tanto às mudanças físicas como às mudanças de comportamento. Tinha de resignar-me a deixar de ser o homem que sempre fora e tornar-me noutro muito diferente, insuspeito, para a mesma polícia repressiva que me obrigara a deixar o meu país e irreconhecível até para os meus próprios amigos.» 
A aventura de Miguel Littín clandestino no Chile, Gabriel García Márquez

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Faro | 12ª Festa do Cinema Francês

Está quase a chegar aos algarves a 12ª Festa do Cinema Francês. Após ter passado pelas cidades de Lisboa e Almada, encontra-se a partir de hoje no Porto e Guimarães até dia 23, chegando a Faro no dia 22 e aqui permanecerá até ao dia 30 de Outubro. A festa despede-se em Coimbra, entre os dias 2 e 8 de Novembro.
O Teatro das Figuras será mais uma vez o anfitrião e abrirá as suas portas para receber sessões diárias às 19h30 e 22h00. O custo normal de cada bilhete é de 3€. 
O programa completo pode ser consultado em http://www.festadocinemafrances.com/.

Gosto de festivais de cinema, confesso. E este francês já começa a ser uma tradição a não perder, principalmente por estar tão perto de casa. Mesmo assim como não poderei ir todos os dias, tive de fazer a minha selecção antecipada. São eles: 
Le Soupirant de Pierre Étaix  
«Um abastado casal parisiense começa a preocupar-se quando o seu único filho, um rapaz bem-parecido e inteligente, se dedica devotamente ao estudo da astronomia. Eles que o queriam ver casado, e até têm uma estudante sueca em casa que toca tão bem piano…» 

De Vrais Mensonges de Pierre Salvadori 
«Emilie (Audrey Tautou) recebe uma bonita, inspirada e anónima carta de amor. Deita-a fora mas de repente percebe que a carta poderia ser uma forma de ajudar a mãe (Nathalie Baye), deprimida desde que o marido a abandonou. Acaba por reenviá-la também anonimamente à mãe, envolvendo-as, assim como ao secreto remetente, o seu empregado Jean (Sami Bouajila), numa série de equívocos e de mal-entendidos.»  

Le Dernier Vol de Karim Dridi 
«Em 1933, um aviador que tentava bater um record na ligação de Londres à Cidade do Cabo perde-se no deserto do Sahara. A sua intrépida companheira Marie (Marion Cotillard), também aviadora e aventureira, obstina-se a procurá-lo deserto adentro. Quando aterra junto de uma companhia militar francesa, a braços com uma rebelião tuaregue, desencadeia um conflito de hierarquia entre o capitão Vincent (Guillaume Marquet), que se recusa a ajudá-la, e o tenente Antoine (Guillaume Canet), que decide partir com ela.»

La Source Des Femmes de Radu Mihaileanu 
«As mulheres desta aldeia perdida entre o Norte de África e o Médio Oriente têm, desde sempre, que ir buscar água à fonte. Mas a fonte fica longe, a caminhada montanha acima é difícil e o sol queima… Até que Leila (Leïla Bekhti), uma rapariga recém-casada, decide que já é tempo de mudar as coisas. E propõe às outras mulheres uma estratégia para conseguirem que os homens façam tudo para levar a água canalizada até à aldeia onde já há telemóveis.»

sábado, 15 de outubro de 2011

"afinal de contas ele não passa de um negro"

«- O único sítio onde um homem deve ser tratado de forma justa é dentro de um tribunal, seja ele de que cor for, mas os homens acabam sempre por levar os seus ressentimentos para as cadeiras do júri. À medida que fores crescendo, e durante todos os dias da tua vida, vais ver sempre homens brancos a enganar homens negros, mas deixa que te diga uma coisa que nunca mais vais esquecer... sempre que um homem branco fizer algo a um homem negro, independentemente da sua natureza, posição, riqueza ou linhagem familiar, esse homem branco nada mais é senão lixo.»

Já tinha lido muitas opiniões acerca desta obra e todas bastante positivas. E mesmo assim a autora conseguiu surpreender-me com a sua narrativa de tom suave e inocente. 
Como se aborda o preconceito e o racismo sem repetir o que já foi escrito, falado e debatido? Harper Lee soube-o muito bem. 

Por favor não matem a cotovia passa-se em plena época da Depressão dos Estados Unidos, na pequena cidade sulista Maycomb. 
Jem e a sua irmã Scout são quem nos contam a história. É nas suas vivências diárias que vamos tomando conta de quem vive naquela cidade e como os vizinhos se conhecem uns aos outros. Ao longo dos seus dias de escola e aventuras com rebeldia, traquinices e peripécias de miúdos, os dois irmãos são confrontados com as más línguas dos colegas de escola e dos próprios vizinhos. Ao questionarem o seu pai, Atticus Finch, ficam a saber que este encontra-se encarregue de defender Tom Robinson, um homem negro, que tinha sido acusado de ter violado, Mayella Ewell, uma jovem branca de dezanove anos. 

A argumentação de Atticus era clara, Bob Ewell era o único culpado pelas nódoas negras que marcavam a filha, mas a cor de pele de Tom ditou a sentença ao júri e ao Juiz. Jem chora. «Lágrimas de raiva corriam-lhe em sulcos pelo rosto enquanto [tentava passar] pela multidão exultante.» Não era justo, sabia-o Scout. Mas parecia que eles eram os únicos naquela sala de tribunal que sentiram a injustiça da sentença. Só que Jem e Scout eram apenas crianças e logo logo iriam crescer e entender que os Homens não nascem todos iguais na sua liberdade. 
Miss Maudie, uma simpática vizinha, sabia que Atticus não ganharia a causa, mas também sabia que ele era o «único homem das redondezas que [podia] fazer o júri demorar a tomar uma decisão». Atticus Finch tinha sido o escolhido para fazer aquilo que as pessoas como ela não achavam certo, mas não tinham coragem de o dizer ou mostrar. 
As mentalidades estavam a mudar nesta comunidade conservadora. Jem e Scout eram os fios condutores para essa diferença. 

Harper Lee não complica. Se tudo é tão simples aos olhos das crianças, por que não ver e entender as coisas como elas? «Eu penso que só existe um tipo de pessoas. Pessoas.»  

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

gosto de pa-la-vras

Baleal, Peniche

«Gosto das palavras que sabem a terra, a água, aos frutos de fogo do verão, aos barcos no vento; gosto das palavras lisas como seixos, rugosas como pão de centeio. Palavras que cheiram a feno e a poeira, a barro e a limão, a resina e a sol.»
Poesia e Prosa, Eugénio de Andrade

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

"A viagem não acaba nunca"

Praia de Monte Clérigo, Aljezur

«Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: «Não há mais que ver», sabia que não era assim. O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, som sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para o repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.»
Viagem a Portugal, José Saramago

domingo, 2 de outubro de 2011

tarde de cinema



Convido-vos para uma pequena matiné de 20 minutos. 
O Circo Borboleta é uma curta-metragem para sonhar e nunca deixar de acreditar que  tudo é possível. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

"os felizes"


Era uma vez um pescador que não tinha filhos. Tinha 40 anos de idade e era só uma metade de homem. Comprou um grande boneco de pano e falava-lhe como se de filho se tratasse. Esse pescador chamava-se Crisóstomo.
Era uma vez um rapaz que era filho de quinze homens, mas não tinha pai, tinha um avô, que lhe morreu. Era bom a matemática, era um génio, ensinava cães e queria namorar com a Teresa. Esse rapaz chamava-se Camilo.
Era uma vez uma anã que media uns oitenta centímetros, que deu à luz um filho, que seria um homem todo inteiro. Morreu ao dar à luz e não soube qual dos quinze pais seria o pai do seu filho. Essa anã não tinha nome.
Era uma vez um velho, que quis cuidar da criança, que iria ser um homem por inteiro. Iria ser o seu avô e falar-lhe-ia da avó Carminda e de livros, que lhe protegeriam o corpo do colesterol. Esse velho chamava-se Alfredo.
Era uma vez a mãe de uma mulher enjeitada, que preparava a sua filha para o filho de um vizinho. Cheirava a filha quando esta chegava a casa, para lhe sentir o cheiro de rapazes. Essa mãe chamava-se Maria.
Era uma vez uma filha enjeitada, que tinha uma ferida que tinha de permanecer intacta, pois esta depois de aberta nunca mais a curaria. Num fim de tarde de verão abriu a ferida. Tinha um nome bonito. Essa filha enjeitada chamava-se Isaura.
Era uma vez um homem maricas, que para calar os vizinhos e alegrar a sua mãe, se casou. Mas um homem maricas não podia deixar de o ser. Esse homem chamava-se Antonino.
Era uma vez a mãe de um homem maricas, que não teve coragem de desfazer, de rachar, nem matar o seu filho. Sentia culpa duas vezes, por o seu filho lhe dar desgostos, mas amava o seu filho. Essa mãe chamava-se Matilde.
Era uma vez um velho viúvo, que procurava mulher para casar, por não querer morrer sozinho. Tinha uma casa, terrenos a perder de vista e uma galinha gigante como dote. Esse velho chamava-se Gemúndio.
Era uma vez uma mulher que no dia em que casou também morreu, em cima da galinha gigante, que iria ser o banquete da boda. A sua cria nesse dia ficou órfã. Essa mulher chamava-se Rosinha.
Era uma vez uma cria que se chamava Mininha, que era o nome pequeno de Emília.

Esta é história de um pescador chamado Crisóstomo, que adopta um filho chamado Camilo, que teve um avô chamado Alfredo, gostava da Teresa e que empurra o seu pai para uma mulher enjeitada chamada Isaura, que teve uma mãe chamada Maria e era casada com um maricas chamado Antonino, que tinha uma mãe chamada Matilde, que era a patroa de uma mulher chamada Rosinha, que morreu no dia em que se casou com um velho viúvo chamado Gemúndio, que  na sua morte não foi beijado pela cria chamada Mininha, que ganhou um grande boneco de pano, que lhe chamou de irmão.

«Ser o que se pode é a felicidade.
[...] Não adianta sonhar com o que é feito apenas de fantasia e querer aspirar ao impossível. A felicidade é a aceitação do que se é e se pode ser.»

Valter Hugo Mãe regressa às maiúsculas com O filho de mil homens e na imperfeição dos seus personagens, inventa uma família e encontra a perfeição na história de cada um destes felizes.

Pinturas populares (últimos 30 dias)