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sexta-feira, 10 de junho de 2016

Trilho Lago Argentino


Percurso: Pedestre 
Localização: El Calafate, Santa Cruz, Argentina
Distância aproximada: 2-3 km 
Duração aproximada: 1 hora 
Grau de dificuldade: Baixo 

A cidade de El Calafate localiza-se na província de Santa Cruz, no sul da Argentina. Fica 3h20 de avião de Buenos Aires e é uma das portas de entrada para os amantes de trekking. Daqui parte-se para o Parque Nacional Los Glaciares.

Esta pequena cidade permite desfrutar de passeios relaxantes antes de se iniciar os longos percursos pelos trilhos da Patagónia. E como na Patagónia nunca se sabe como será o tempo, o melhor mesmo é nunca sair sem se estar prevenido para tudo.

Ora, no dia da nossa caminhada o vento era tão forte, mas tão forte, que parecia que finalmente iríamos experimentar a sensação de voar a sério. Aliás, este foi o maior grau de dificuldade do percurso, pois conseguir caminhar nestas condições ventosas é algo quase impossível. De resto, é um percurso num passadiço plano e tranquilo, onde por vezes podemos ver o dia a dia dos gaúchos com os seus cavalos e onde podemos escapar dos turistas, pois estes preferem a movimentada avenida principal.

Junto ao lago Argentino, é possível avistar flamingos, teros e bandurrias. A vegetação é quase toda ela rasteira e compreende-se bem o porquê! No percurso não encontrei o Calafate, um arbusto típico da região, que deu o nome à cidade. Este dá um fruto que nos deixa a língua toda roxa e conta a lenda que quem o provar volta numa outra vida. Encontrei-o dias depois em El Chaltén e claro que provei o fruto.

Já no final, há que voltar para o centro da cidade e deliciarmo-nos com os maravilhosos chocolates artesanais. Não dá para resistir, garanto-vos!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

«A grande loucura» de Selarón



Escadaria do Convento de Santa Teresa no Rio de Janeiro, Brasil

«A grande loucura» de Selarón, pintor e ceramista autodidata chileno, pode ser vista e apreciada à medida que subimos os 215 degraus da escadaria do Convento de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. 

Esta obra de arte teve o seu início em 1990 e é uma grande homenagem do pintor ao povo brasileiro. Em 1998, quando a obra estava quase pronta, Selarón teve conhecimento de um lugar que vendia azulejos europeus para colecionadores, então teve a ideia de trocar os azulejos já postos, por outros que ia comprando, transformando a obra "mutante, uma obra de arte viva". E assim, pouco a pouco, a escadaria tornou-se numa verdadeira coleção de azulejos de todo o mundo, com mais de dois mil azulejos diferentes.

Para além do Brasil, a escadaria de Selarón tem azulejos de mais 47 países tais como: Portugal, Espanha, Inglaterra, Escócia, Irlanda, Alemanha, França, Marrocos, Holanda, Grécia, Itália, Iraque, Síria, Paquistão, Índia, China, Japão, África do Sul, Nigéria, Argentina, Chile, Perú, Bolívia, E.U.A., entre muitos outros países. 

Selarón teve ainda a oportunidade de pintar alguns azulejos, que também estão expostos nesta enorme montra de arte e refere num deles, logo à entrada da escadaria, que só "acabarei este sonho louco e inédito no último dia da minha vida..."

Foi encontrado morto na escadaria na manhã do dia 10 de janeiro de 2013.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Lenda da Nossa Senhora da Oliveira

Praça da Oliveira, Guimarães

Com tantas lendas que andam por aí e eu ainda não tinha escrito uma sobre Guimarães! Ora claro está que a cidade onde nasceu Portugal também haveria de ter algumas estórias para partilhar e nada melhor do que escrever sobre a lenda da Nossa Senhora da Oliveira. 

A lenda conta-nos que Wamba, o rei godo, trouxe do Jardim das Oliveiras de Jerusalém uma Oliveira que plantou em S. Torcato, para que com o seu azeite pudesse depois alumiar o corpo do santo bispo. Muitos séculos depois, a Oliveira foi plantada na Praça Maior da Vila, mas não resistiu e acabou por secar. E assim continuou seca até ao dia em que ergueram ao pé da Oliveira um cruzeiro do Padrão. A notícia de que a Oliveira tinha dado rebentos novos passou de boca em boca, de tal forma, que o povo começou a ir em romaria para ver e admirar com os seus próprios olhos o tamanho milagre que se tinha dado em honra da Santa Maria de Guimarães. Que entretanto na voz do povo já tinha passado a ser chamada de Santa Maria da Oliveira. 

As suas azeitonas e folhas passaram a ser remédio e proteção e em tempos de guerra, não havia soldado que não levasse consigo uma folha como garantia de regresso a casa. Só que os tempos aí eram outros. E com esses tempos outros vieram, que esmoreceram e levaram a fé de muita boa gente. Assim chegou o tempo em que o lugar da Oliveira começou a ser um estorvo, por dificultar o caminho das cavalgaduras. Muitos foram os que pensaram em decepá-la... 

Claro está que a Oliveira do milagre já não existe. Mas como para grandes males há sempre grandes remédios, a Oliveira da praça acabou por ressuscitar e ir parar ao seu devido lugar, dentro do polígono de pedra, de modo a lembrar os tempos imemoriais.
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Fonte: Município de Guimarães

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Lenda de Almorolon

Castelo de Almourol, Vila Nova da Barquinha

Ao que parece o castelo de Almourol tinha como senhor, no século XII, um emir árabe que se chamava Almorolon e dizem que foi assim que o castelo ficou-lhe com o nome. 


Ora o mouro Almorolon tinha uma filha formosa, que um dia ao passear pelas redondezas se apaixonou por um galante cavaleiro cristão. A partir desse dia, o coração da bela donzela ficou fechado para tudo, pois já só tinha lugar para o seu amor. Como a vontade de estar perto do seu amado era maior, do que o medo de ser descoberta, a jovem formosa não achou mal revelar-lhe como poderia entrar no castelo durante a noite. 

Só que o jovem cavaleiro não sofria do mesmo mal de amor e por isso aproveitou a confidência da jovem para engendrar uma emboscada. Assim, numa noite introduziu-se no castelo e abriu as portas aos seus companheiros, que já estavam prontos para a guerra. Claro que apanhado de surpresa, o inimigo não teve salvação e o castelo foi conquistado. 

A jovem ao aperceber-se da sua ingenuidade acorreu para o pai e contou-lhe toda a sua culpa. Como Almorolon tinha um amor enorme pela filha, acabou por perdoar-lhe. E sabendo que não poderia escapar, o árabe abraçou a sua filha adorada e juntos lançaram-se das altas muralhas. Ele porque preferia a morte ao cativeiro. Ela porque tinha sido cruelmente atraiçoada pelo seu amado.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A lenda de Melides

Castelo dos Mouros, Sintra

Nesta lenda de Melides tudo começa durante o cerco montado à cidade de Lisboa, no tempo em que reinava o nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques. Ao que parece, O Conquistador com receio de ser atacado de surpresa, terá enviado uns vinte cavaleiros até Sintra com a intenção de espiar os seus inimigos. Os mouros, ora claro está!

Os vinte cavaleiros, comandados por D. Gil, puseram-se a caminho, dando cumprimento à sua missão. Só que, como até iam um tanto ao quanto amedrontados, decidiram subir a serra pela costa até Colares. Chegados aí, tinham de conseguir passar despercebidos para não serem chacinados por um temível chefe mouro de Colares. Este ao que parece tinha uma certa fama de matador de cristãos! Albernoz, assim se chamava.

No caminho entre Colares e o Penedo, os vinte cavaleiros foram então surpreendidos não por Albernoz, mas por Nossa Senhora, que lhes terá dito: «Ide, que mil ides». Os vinte cavaleiros ao ouvirem estas confiantes palavras encheram o peito de coragem e ao fim de cindo dias de viagem atacaram o inimigo sem dó, nem piedade. Nesta batalha cruel, os sarracenos foram derrotados e os nossos bravos cavaleiros conquistaram o Castelo dos Mouros. E em lembrança à Nossa Senhora, que tanto lhes ajudou na campanha, foi erguida a Capela de Nossa Senhora de Melides.

sábado, 26 de novembro de 2011

Pego do Inferno

Pego do Inferno em Santo Estêvão, Tavira

O Pego do Inferno, apesar de muito procurado por turistas na época balnear e não só, ainda continua a ser um doce recanto de sossego, que dá para desfrutar no Barrocal Algarvio. 
Nos meus tempos de cachopa (ou como dizem as gentes dos algarves, de moça pequena) esta zona era bem mais inacessível, mas agora com as obras de requalificação, que ficaram enquadradas na paisagem, todos os caminhos ficaram bem mais fáceis para até ao Pego chegar. 
O Pego do Inferno situa-se na freguesia de Santo Estêvão, a 7 km de Tavira, e é uma das quedas de água da ribeira da Asseca. 
E desta queda de água, a formar uma lagoa, de uma cor límpida esverdeada, mas com um fundo a não se deixar ver na zona da queda, só poderia sair uma lenda, ora pois!

Eu ouvir dizer não ouvi, mas o meu pai conta que as gentes lá da terra (que sempre têm coisa para contar) ouviram dizer que há uns bons anos esta queda de água não era coisa divina, não. E nem vinham cá turistas em busca desta maravilha que agora lhe chamam da natureza... Pois esta queda era mesmo um Pego do Inferno, é o que era! 
As gentes contaram-lhe que, num dia de calor andava uma junta de bois a lavrar a terra, como sempre lavrava de sol a sol, e por isso nada previa que nesse dia a lavoura iria ser diferente... 
Mas o certo é que as moscas incomodam os animais (e não só) e como o dia estava de muito calor, as moscas não pararam de rodear e incomodar os bois. Os bichos que estavam no sossego do seu trabalho começaram a ficar com a mosca e já não suportando mais deu-lhes para fugir pelas hortas a fora com o arado de arrasto. A junta de bois inquieta foi por ali abaixo numa correria despegada e só parou quando caiu lá em baixo. E nunca mais se viram os bois chegar à superfície. 
Não havia nada que caísse, que tivesse a sorte de vir ao de cima. A queda de água puxava para baixo e desaparecia com tudo o que ali caísse! Assim, ficou o Pego do Inferno. 

domingo, 23 de outubro de 2011

"Peña de los Enamorados"

Antequera, Espanha

Numa das minhas visitas à vizinha Espanha, andei por terras andaluzas e nessas andanças, descobri Antequera. Uma cidade pacata, que me atraiu especialmente pela reserva natural El Torcal. Um mar deslumbrante de pedras a perder de vista! Só que nessa descoberta, também me saltou à vista um monumento natural, que aparenta um rosto. Este é designado como Peña de los Enamorados. A rocha aparece em todos os postais turísticos e é mesmo a identidade da cidade. E é sobre esta pedra rochosa que irei falar, porque com um nome assim só poderia haver lenda por trás! 

A Peña de los Enamorados separa a cidade de Antequera de Archidona e este rosto que dorme sob as entranhas da terra remete-nos para a lenda dos amantes de Antequera, Tazgona e Hamet. Ela rica, filha de um alcaide mouro de Archidona. Ele um escravo cristão de Antequera. Ora pois já sabemos que quando a religião entra em histórias de amor acaba sempre em tragédia! O que é certo é que apesar das diferenças sociais e religiosas, Tazgona salvou o jovem Hamet do calabouço e os dois jovens apaixonaram-se. 
Claro que os pais de Tagzona não estavam de acordo com essa paixão, pois como é que poderiam aceitar que a sua adorada filha se enamorasse por um escravo e ainda por cima cristão! 

Prisioneiros a um amor impossível, os jovens apaixonados decidiram fugir da tirania da família de Tagzona. O pai ao descobrir, não aceitou a fuga da filha e, juntamente com outros familiares, foi no seu encalço. Os dois jovens fugiram até ao cimo da rocha e por lá se abrigaram nas suas encostas. Só que dali não podiam escapar. Então o jovem Hamet sentindo-se perseguido decidiu atirar-se para o abismo mas, no momento em que se atirou a jovem enamorada agarrou a mão do seu apaixonado e os dois voaram para o vazio, unindo-se na eternidade. 
Desde aí que podemos ver o rosto adormecido do jovem Hamet, que é sussurrado pelo vento, a sua sempre apaixonada Tagzona.
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Nota: Esta é apenas uma das diferentes versões que existem. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"o galo que salvou as gentes dos remorsos"



«Esta é a terra do galo milagroso que depois de assado cantou e veio a ter descendência, tanta que, se ainda não chegou ao milhão, pouco lhe há-de faltar. A história conta-se em palavras breves e não é mais maravilhosa que falar Santo António aos peixes e eles ouvirem-no. Foi o caso que em Barcelos houve, em imemoriais tempos, um crime, e não se apurava quem fosse o criminoso. Deu em caírem as suspeitas num galego [...]. Foi o homem preso e condenado à forca, e antes de ao patíbulo o levarem pediu para ir à presença do juiz que dera a sentença. O tal juiz, se calhar por se sentir muito contente consigo próprio e com a justiça feita, estava comendo do seu bom e do seu melhor, enquanto numa travessa um galo assado esperava o trinchante. Tornou o galego a afirmar-se inocente, com risco de estragar a digestão do juiz e seus amigos, e, em desespero de causa, desafiou todas as leis do mundo e do céu, e garantiu: «Tão certo é estar eu inocente, como esse galo cantar quando me enforcarem.» O juiz, que julgava saber muito bem o que é um galo morto e assado, e não adivinhava de que primores é capaz um galo honrado, largou a rir. Foi uma surriada. Levaram o condenado, continuou o almoço, e, às tantas, quando enfim avançava o trinchante para o assado, levanta-se o galo da travessa, pingando molho e desarrumado as batatas, e lança pela janela fora o mais vivo e repenicado canto de galo que na história de Barcelos se ouvira. Para o juiz foi como se tivessem soado as trombetas do Juízo Final. Levanta-se da mesa, corre ao lugar da forca ainda de guardanapo atado ao pescoço, e vê que também ali haviam funcionado os poderes do milagre, pois o nó se deslaçava, facto que muito espantava os assistentes, vista e provada a competência do carrasco.
O resto já se sabe. Foi solto o galego, mandado em paz, e o juiz voltou ao almoço que arrefecia. Não conta a história qual teria sido o destino do milagroso galo, se foi comido em acção de graças, ou venerado em capela enquanto o tempo lhe não desmanchou a armação dos ossos. O que se sabe, por evidentes provas materiais, é que [...] na figura dos seus descendentes de barro, voltou ao forno para ser mostrado vivo em todas as feiras do Minho, com todas as cores que um galo tem ou podia ter.»
Viagem a Portugal, José Saramago

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Veneza e as suas relíquias

Praça de São Marcos em Veneza, Itália

«Cerca da altura da fundação da cidade de Veneza [...] um padre sonhou que um anjo lhe contava que a cidade jamais poderia ser especialmente notável entre as nações enquanto os ossos de São Marcos não fossem transladados para Veneza; era preciso resgatar o corpo, trazê-lo para a cidade e mandar construir uma igreja magnífica para o albergar; e que se os venezianos alguma vez autorizassem que o Santo fosse deslocado do seu novo local de repouso, Veneza desapareceria da face da terra nesse mesmo dia. O padre anunciou o seu sonho, e a partir daí Veneza partiu à procura do cadáver de São Marcos. Uma expedição após outra tentou e falhou, mas durante quatrocentos anos nunca o projecto ficou abandonado. Por fim, no ano de oitocentos e qualquer coisa, chegou a bom termo através de um estratagema. O comandante de uma expedição veneziana mascarou-se, roubou os ossos, separou-os e empacotou-os em cestas cheias de toucinho. A religião de Maomé faz com que os seus devotos repudiem tudo o que tem a natureza do porco, pelo que, quando os oficiais das portas da cidade detiveram o cristão, limitaram-se a olhar uma vez para as cestas preciosas e logo desviaram os narizes da gordura profana para o deixar partir. Os ossos foram enterrados na cripta da grande catedral, que estava há muitos anos à espera de o receber. E até hoje há quem acredite em Veneza que se alguém roubar aquelas santas cinzas, a cidade antiga há-de desaparecer como num sonho, e as suas fundações supultar-se-ão para sempre no mar sem memória.»
A Viagem dos Inocentes, Mark Twain

segunda-feira, 2 de maio de 2011

o magpie e o folclore irlandês

St. Stephen's Green em Dublin, Irlanda

A Irlanda é povoada por corvos, mas um dos pássaros mais bonitos que avistei quando aqui cheguei foi o Magpie. Este é da família dos corvos. Também é preto, mas tem o peito branco e a cauda azul. É lindíssimo e muito inteligente.

Em conversa com alguns locais, fiquei a saber que os primeiros Magpies que migraram para a Irlanda foram para Wexford, mas agora podemos avistá-los por toda a Irlanda, tal como aos corvos. Disseram-me ainda que os Magpies gostam de coleccionar objectos brilhantes. São uns autênticos ladrões! Sempre que têm oportunidade guardam no seu ninho, anéis, pulseiras, brincos e outras peças reluzentes que encontram perdidas ou não. São uns apaixonados por objectos cintilantes!

Existe ainda um velho ditado irlandês que partilho na versão original: "Ireland will never be rid of the English while the Magpie remains".
Outra coisa que fiquei a saber, desta vez num dos meus passeios até Dingle, é que o Magpie também tem uma lenda associada a ele, que é um género de lenga-lenga que também transcrevo na versão original:
"One for sorrow,
Two for joy,
Three for a girl,
Four for a boy,
Five for silver,
Six for gold,
Seven for a secret never to be told,
Eight a kiss,
Nine a wish,
Ten a bird you should never miss."

Assim, sempre que se vê o primeiro Magpie é usual dizer-se "Good morning Mr. Magpie",uma vez que avistar apenas um é sinal de mau presságio.
Já noutros tempos a versão popular era outra:
"One is sorrow, two is grief,
Three is a wedding, four is death,
Five heaven, six hell,
Seven the devil is ain sell."

quinta-feira, 17 de março de 2011

St. Patrick's Day

Cork, Irlanda

A Irlanda celebra hoje a festa do seu padroeiro.
São Patrício foi um missionário cristão, que fundou a igreja católica na Irlanda e faleceu a 17 de Março de 493. Assim, nas principais cidades irlandesas há desfiles nas ruas, em que as pessoas vestem-se e pintam-se de verde para festejar a renovação espiritual e oferecer orações aos missionários de todo o mundo.

O verde é associado ao evento, porque é a cor do país e do trevo. Este é muito importante na cultura irlandesa e está presente nos rostos de quem comemora este dia, porque segundo a lenda São Patrício usou-o para simbolizar e explicar a Santíssima Trindade.

Só que como os tempos agora são outros, as conotações religiosas já não são as mesmas e por isso a data é vista como algo que faz parte da cultura dos verdinhos para celebrar a amizade intercultural.
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Fonte:
wikipedia

quarta-feira, 2 de março de 2011

Irish Coffee

Midleton, Irlanda

Uma junção de café quente, com whiskey irlandês e açucar amarelo. No topo é coberto com um creme espesso ou chantilly.

O Irish Coffee teve a sua origem na década de 40 no Porto de Foynes, em Limerick. Esta bebida ao que parece foi inventada pelo chef Joseph Sheridan, no dia em que uns passageiros foram obrigados a voltar ao porto devido às péssimas condições climatéricas.
Como o tempo estava miserável, Sheridan considerou que os passageiros chegariam enregelados e iriam aprecisar algo quente e forte. Assim, adicionou um pouco de whiskey ao café.
Segundo a história, um dos passageiros perguntou se aquilo era café brasileiro, ao que Sheridan respondeu que não, era café irlandês.
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Fonte: The Jameson Experience, Midleton, Irlanda

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Joaninha voa, voa...


Fonte Santa, Quarteira

Gosto de joaninhas. Acho-lhes imensa piada!
Quem de nós não teve já uma joaninha na mão e não cantou aquela canção "joaninha voa, voa que o teu pai está em Lisboa..."?

Nesta minha constante busca de lendas e mitos, descobri que as joaninhas também não escaparam incólumes às ditas! A verdade é que este bichinho da família dos escaravelhos é associado a factor de sorte e boas-novas. Por isso, quando encontramos uma joaninha temos o hábito de a segurar nos dedos e dizer a tal lengalenga que sempre nos vem à cabeça. E daí que algumas culturas acreditam, que matar uma joaninha pode trazer azar e tristeza.

Por exemplo, na França dizem que se uma joaninha pousar em nós e depois voar, que esta levará com ela a nossa infelicidade. Nos Estados Unidos, acreditam que muitas joaninhas a voar na Primavera é prenúncio de boas colheitas. Já os belgas preferem acreditar que uma joaninha pousada na mão de uma jovem, é sinal que ela se casará nesse ano. Mas os da capital ainda acrescentam que as pintas pretas indicam o número de filhos destinados à pessoa, cuja mão a joaninha for pousar. Ainda no campo do amor, temos os noruegueses que dizem que se um homem e uma mulher virem uma joaninha ao mesmo tempo, então haverá romance no ar. Os asiáticos vão mais longe e afirmam que as joaninhas percebem a fala humana, pois estas foram abençoadas por Deus. E por aí fora...

Verdade ou não, o certo é que estes insectos dão imenso jeito no meu jardim, pois, para além de serem lindos, devoram os milhares de pulgões que por ali se passeiam.
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terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Mesquita Azul

Mesquita Azul e Mesquita Sofia, Istambul

A Praça de Sultan Ahmet é o coração da parte antiga de Istambul. É no bairro de Sultanahmet que nos deparamos com os lugares de maior interesse e entre eles encontra-se a Mesquita Azul (Sultanahmet Camii). Esta é das mesquitas mais bonitas que visitei ou não fosse ela azul! E é conhecida por Mesquita Azul basicamente devido à sua cor azul e verde, que predomina nas paredes e cúpulas.

A Mesquita de Sultan Ahmet é a única mesquita com seis minaretes em toda a cidade e na Turquia. Daí ter surgido uma lenda em volta dos minaretes.
Conta-se que o Sultão Ahmet I pediu ao arquitecto, Mehmet Aga, um minarete de ouro. Só que a forma de pronunciar "ouro" é muito idêntica à de "seis". Assim, dizem que o arquitecto fingiu não perceber e construiu seis minaretes em vez de um em ouro, pois este era bem mais caro.
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Fonte: Istambul - Berço de Civilizações, MERT Basim Yayincilik Dağitim ve Reklamcilik Tic. Ltd Şti.

sábado, 28 de agosto de 2010

Rio Séqua / Gilão

Rio Gilão, Tavira

Existem lugares nos algarves que me encantam e um deles é a cidade de Tavira. Provavelmente alguns de vocês desconhecerão que esta cidade tem um rio que tem dois nomes. Sim de um lado da ponte Romana chama-se rio Séqua e do outro lado chama-se rio Gilão. Este último mais familiar aos transeuntes que por ali passam. E para este facto tinha de existir uma lenda ou não fosse o povo tão dado a estas estórias!

Tudo começou na época da ocupação muçulmana. Nesses tempos vivia um rei mouro em Tavira, que tinha uma filha chamada Séqua. Mas a conquista cristã ao reino do Algarve aconteceu num desses dias do século XIII e entre os cavaleiros estava o nobre cristão Gilão. Claro que quando os olhos de Gilão se cruzaram com os de Séqua o enamoramento foi coisa inevitável! Só que este "perdidamente apaixonados" era coisa proibida, pois eles pertenciam a culturas diferentes e também a facções militares opostas. Como nestas coisas o coração fala sempre mais alto, o cavaleiro Gilão e a princesa Séqua não quiseram cá saber de histórias e começaram a encontrar-se todas as madrugadas em cima da ponte.

Lamentavelmente estas lendas de amores caminham sempre para a tragédia, por isso certo dia um coscuvilheiro de uma das facções, que não tinha nada que andar por ali, acabou por ver os dois apaixonados e avisou a outra facção. O amor secreto dos dois deixou de o ser, mas como ambos o desconheciam, sim porque nestas coisas os lesados são sempre os últimos a saber, marcaram novo encontro para a madrugada seguinte. E nessa madrugada, pensando eles que continuavam encobertos pela aurora, foram surpreendidos por ambas as facções. Numa das margens do rio estava a facção cristã e na outra encontrava-se a facção moura. Ao serem assim apanhados, os dois enamorados ficaram apavorados, pois a realidade de que iriam ser acusados de traição e provavelmente levados à morte passou-lhes pelos pensamentos atemorizados.

E não ouviram já dizer que «quando o mal é de morte, o remédio é morrer»? Pois foi isso mesmo que aconteceu! Num fugaz olhar entre os dois tudo se decidiu. A princesa Séqua atirou-se para um dos lados da ponte e o cavaleiro Gilão atirou-se para o outro lado, caindo os dois ao rio, mas em lados opostos. E assim se explica o porquê dos dois nomes. Agora não se acanhem e digam-me qual o nome do rio que revela a fotografia. Foi a princesa Séqua ou o cavaleiro Gilão que ficou deste lado da cidade?
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Fonte: Arquivo do CEAO - Centro de Estudos Ataíde Oliveira (Recolhas Inéditas), de AA. VV..

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Levada das 25 Fontes

Percurso: Pedestre (PR 6 Levada das 25 Fontes)
Localização: Rabaçal, Porto Moniz, Madeira
Distância aproximada: 9,2 km
Duração aproximada: 3h
Grau de dificuldade: Médio

A Levada das 25 Fontes tem início e término na Estrada Regional 110, a 1290 m de altitude. Daqui desce-se até à Casa do Rabaçal, para seguir em direcção à lagoa das 25 fontes ou à Levada do Risco (desta falaremos muito em breve).
A título de curiosidade, refiro que a Levada das 25 Fontes começou a ser construída em 1835 e só em Setembro de 1885 é que começou a correr água pela primeira vez.

Ao optar pelo percurso da Levada das 25 Fontes deparámo-nos com trilhos por vezes estreitos, sinuosos, com escadas que parecem não ter fim (e a descer todos os santos ajudam, agora imaginem como foi no regresso), mas tendo sempre como pano de fundo uma paisagem deslumbrante e a companhia da água fresca a seguir o seu curso.

Nesta mancha de floresta laurissilva da Madeira predomina a Urze molar (Erica Platycodon subsp. maderincola), a Uveira da serra (Vaccinium Padifolium), o Mocano da Serra (Pittosporum cariaceum) e também o lindo Gerânio-da-Madeira (Geranium maderense).
Ao longo deste percurso voltámos a cruzar com os lindos Bisbis (Regulus ignicapillus madeirensis) e Tentilhões (Fringila coelebs). Nesta zona também habita e nidifica o Pombo Trocaz (Columba trocaz trocaz), mas não avistámos nenhum.

O trilho termina na lagoa das 25 Fontes, que é formada pelas águas que descem do Paul da Serra e que aparecem «misteriosamente por detrás da parede que a forma, onde poderá contar mais de 25 fontes. Reza a lenda que quem aqui mergulhasse não mais apareceria à superfície, tendo tal acontecido a um inglês que quis quebrar a superstição e jamais foi encontrado.»
Quanto a mim, a fotografia não consegue captar a magia do lugar e da lagoa, que deixa qualquer turista deslumbrado, quando ao virar da esquina se depara com tamanha beleza!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Fonte Mouro

Perto da cidade de Beja existe uma horta chamada Fonte Mouro. Conta a lenda, que esta horta pertencia a um abastado mouro, Albutassém, que tinha uma formosa filha chamada Aldonça.
Albutassém era rico e avarento e a sua filha era bondosa e crente em Alá. Um dia Aldonça apaixonou-se por um jovem cristão, Atanásio.
O pai de Aldonça ficou contra este amor e por isso Atanásio, certo dia, montou o seu cavalo e fugiu com a sua amada. Mas Alá que sabe dos desígnios dos homens não podia permitir a fusão das duas crenças. Assim, com o seu poder divino não permitiu que o amor dos jovens amantes se consumasse e transformou Atanásio em serpente e Aldonça numa fonte de água cristalina, que dizem que ainda hoje corre.
Diz a lenda, que em noites de luar a serpente vai beber à fonte para assim matar saudades da sua bela amada.
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Fonte: A Etnografia e o Folclore no Baixo Alentejo, de Manuel Joaquim Delgado

domingo, 14 de março de 2010

A Torre da Rapariga

Istambul é este ano Capital Europeia da Cultura, por isso nada melhor que partilhar uma pequena lenda desta bela cidade.

Em Istambul encontramos duas torres. A Galata Kulesi ou Torre de Gálata (local de onde tirei esta fotografia) e a Kiz Kulesi ou a chamada Torre da Rapariga. Esta última, com uma altura de 30 metros, foi edificado em 1763 e encontra-se situada numa pequena ilha junto à margem asiática do Bósforo. É um dos símbolos da cidade.

A lenda conta que no interior da Kiz Kulesi foi fechada uma rapariga. Esta era filha de um sultão, que a mandou fechar na torre para que a sua filha pudesse fugir a uma terrível profecia. Rezava a profecia que ela seria morta por uma serpente. Como as profecias têm de ser cumpridas, a reclusão não chegou para lhe salvar a vida, pois uma víbora foi até ela, escondida dentro de um cesto de fruta. A rapariga não tendo por onde escapar acabou por ser mordida pela víbora e morreu.
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Fonte: Geografia Universal, Grande Atlas do Século XXI, volume 17

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Amendoeiras em flor


No tempo em que Al-Gharb era terra de mouros, Silves desconhecia o dito Silves de tempos vindouros. Silves fazia-se conhecer por Chelb. E em terra de mouros reinava rei mouro! Rei com nome de rei! Ibn-Almundim.
Os dias eram feitos de batalhas e mais batalhas, mas o rei de tez cobreada, bravo e audaz, na guerra não conhecia o sabor da derrota. Certo dia, enquanto caminhava por entre os prisioneiros de uma batalha, os seus olhos encontraram uma bonita princesa de olhos azuis e porte altivo. Gilda era seu nome. Maravilhado com tamanha beleza, Ibn-Almundim não hesitou em dar-lhe a liberdade e confessar-lhe o seu enorme amor.
Não se fazendo esperar, Ibn-Almundim desposa a sua rainha e tal amor lhe tinha, que os anos felizes foram muitos.

Só que a felicidade cansada de ver tanta alegria no jovem casal, leva a doença até à “Bela do Norte”. (Assim lhe conhecia o povo). Rouba o sorriso à jovem rainha, que adoece, deixando o rei que tinha nome de rei com lágrimas de desconsolo. Tudo o rei tentou, mas nada tirava a rainha da sua maleita. Ibn-Almundim desesperava de tanto a ver sofrer. Mas os dias também não são sempre iguais e um certo dia, um velho cativo nas catacumbas do reino, cansado de saber da tristeza da sua rainha pede para ser recebido pelo rei.
- Ibn-Almundim, disse o velho. – A “Bela do Norte” sofre de nostalgia do seu país distante. Falta-lhe os campos pintados de branco e os flocos gélidos do norte.
Descoberta a sua malfadada desgraça, o rei com nome de rei não parou até conseguir deslumbrar os olhos da “Bela do Norte”, com a brancura do seu país gélido. E foi com ordens de rei, que Ibn-Almundim mandou plantar por todo o seu reino as lindas amendoeiras.

Na Primavera seguinte, Ib-Almundim conduz a sua “Bela do Norte” à janela do castelo e deixa-a contemplar o maravilhoso espectáculo das amendoeiras em flor. Ao ver as brancas flores das amendoeiras, a jovem Gilda dá mostras de alegria e todo o seu corpo dá mostras de recuperação, pois ao ver as terras cobertas por um manto branco, a jovem rainha julgou ver a neve ainda não esquecida da sua gélida terra.
- Vede minha adorada e doce rainha - disse-lhe Ib-Almundim de sorriso no rosto - Alá quer ver-vos de novo, de olhos brilhantes e felizes.
Ficou assim Gilda curada da saudade que sentia. E, todos os anos, no início de cada Primavera, a "Bela do Norte" via do alto da torre, as amendoeiras cobertas de lindas flores brancas, que lhe faziam lembrar os campos cobertos de branca neve da sua gélida terra.
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Fonte: Infopédia

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