ilustração: phermadAinda não sei bem o que vos vou contar… Caminho sozinho no infinito azul há milhares de anos. Sinto-me como um prisioneiro dos sonhos. Talvez por isso me chamem o guardador de sonhos! Dizem por aí que guardo os sonhos do mundo! Sonhos que chegam até mim de todos os tamanhos e feitios. Sonhos que carregam a fé dos Homens. Sonhos que não estão em mim, porque não me pertencem. Sim, talvez seja um guardador de sonhos! No entanto, entristece-me saber que guardo os sonhos do mundo, mas não me posso permitir sonhar.
Dizem que existo, porque eles lá em baixo não se cansam de sonhar. Sonham, sonham e sonham! Sonham despertos e enquanto dormem. São uns sonhadores famintos!
Os meus dias são uma correria desenfreada, pois os sonhos não me dão o divino descanso! Estão sempre a chegar. Talvez não saibam, mas os sonhos são pedaços de Céu. Pedaços de Céu que eu cuidadosamente coloco neste infinito azul incompleto. E digo incompleto, porque por vezes chega o dia em que os sonhos deixam de ser sonhos. Nesse dia, pedaços de Céu soltam-se, entram em negras nuvens e descem à Terra sob a forma de pingos de chuva.
Nesse dia, enquanto os pingos de chuva se deixam cair, observo os sonhadores a escapar aos seus sonhos. Tapam-se da cabeça aos pés. Abrem objectos estranhos para se protegerem. Correm. Tssss… São uns cegos! Apenas os chamados tolos se deixam alimentar por eles.
Ah! Lamento, mas por agora não vos posso contar mais, pois a mim, apenas me chamam o guardador de sonhos.



