Terça-feira, 6 de Março de 2012

2| livrarias no mundo

Ler Devagar em Lisboa, Portugal

Ler Devagar. Assim nos diz o nome desta belíssima livraria. Situada na Lx. Factory, a Ler Devagar é um espaço, onde o sonho é realmente real. Lá no cimo, a Bicicleta Voadora transporta-nos para o mundo imaginário, quem sabe de tantas histórias já lidas e de outras ainda por descobrir. A beleza daquela imagem faz-nos rodopiar a cabeça sempre que nos deslocamos na livraria. É o querer deslumbrarmo-nos sempre em todos os ângulos. Seja em que ponto estivermos, a Bicicleta Voadora não nos larga o olhar. E é tão bonita! 

As prateleiras intermináveis e apinhadas de livros quase até ao teto, convidam-nos a mirar as lombadas com tantos títulos apaixonantes e a chamarem a nossa atenção para serem levados para casa. Os dedos vão saltando entre um título e outro e selecionando os lidos, os não lidos e os que podem ir, desta vez, na sua companhia. Um cepo largo de madeira, pintado na lombada de amarelo, separa os livros pelas diversas áreas: literatura lusófona, literatura inglesa, literatura francesa, história, sociologia, design, fotografia, entre tantas outras. 


Passo a passo, vamos subindo para o piso de cima onde já nos espera o Sonhador, que sentado no seu monociclo deseja alcançar a Lua. Quem nos conta a estória do Sonhador é o Sr. Pietro, o inventor. Com a sua doce simpatia, o Sr. Pietro encaminha-nos para outras maravilhosas invenções que estão em exposição permanente. Mostra-nos, com um brilho de orgulho estampado no olhar, o funcionamento e a história de cada uma delas. Aqui a imaginação vai até onde os sonhos permitem chegar!

Sábado, 3 de Março de 2012

Trilho de Piódão

Percurso: Pedestre 
Localização: Piódão, Arganil
Distância aproximada: 1 km 
Duração aproximada: 30 minutos 
Grau de dificuldade: Médio 

Piódão era o destino. Uma coisa que não mais esquecerei é a viagem até a esta aldeia! Foram  curvas e contracurvas intermináveis! A hora de almoço a passar e a fome apertar, com uma extensão de asfalto a não querer chegar ao fim! Até que contornamos mais uma montanha e no meio do vale nos apareceu, finalmente, Piódão. Surgiu assim, um largo sorriso no rosto, misturado com uma enorme sensação de alívio. Tinha valido a pena viajar só para contemplar aquela paisagem. Antes de descermos à aldeia paramos ainda no cimo da montanha para apreciar o cenário idílico e tirarmos umas fotografias panorâmicas. 

O percurso inicia-se no Largo Cónego Manuel Nogueira, onde se encontra a igreja da aldeia, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Esta estava em obras de remodelação e faz contraste com as casas de xisto em volta.  Como a fome era mais que muita, fomos primeiro encher a barriga e só depois iniciamos a nossa caminhada pelas ruas, também elas, feitas de xisto. 

O passeio pela aldeia faz-se num instante, mas como o lugar é lindíssimo merece passadas mais vagarosas. Assim, ao voltarmos ao largo, começamos o nosso percurso pelo lado esquerdo, como indicava  a placa dos percursos pedestres. As ruas são estreitas, irregulares e sinuosas, pois ainda mantêm o traçado medieval. Fomos em direção à Fonte dos Algares e depois fomos sempre a subir até à Capela de São Pedro. Sobe-se depois pelas Escadas da Eira e ao chegar aqui, inicia-se o processo de descida. É sempre a descer até avistar-se a Torre Sineira da Igreja Matriz e continuar a descida nessa direção até chegar novamente ao largo do ponto inicial.  

No final do passeio, foi ganhar coragem para voltar a fazer a viagem de regresso, tendo como companhia a Serra.

Próxima paragem: Idanha-a-Velha





Quinta-feira, 1 de Março de 2012

"Beloved, ela é minha filha"

«... qualquer branco nos podia levar por completo e por qualquer motivo que lhe passasse pela cabeça. Não apenas para nos pôr a trabalhar, matar, ou mutilar, mas também conspurcar. Conspurcar tanto que já não nos podemos amar. Conspurcar de tal modo que nos esquecíamos quem éramos e já não nos conseguíamos encontrar. E embora […] outros o tivessem vivido e ultrapassado, ela nunca poderia deixar que isso acontecesse aos seus filhos. O melhor de si eram os filhos. Os brancos podiam sujá-la, mas não ao que tinha de melhor, a melhor coisa bela e mágica - a parte dela que estava limpa.» 

Depois de A Dádiva - um livro com sabor a delicada poesia e comovente em cada palavra - Beloved foi o livro escolhido para voltar a Toni Morrison. E poderia utilizar as mesmas palavras para descrever este Beloved, que nos confronta com uma dualidade de sentimentos. Vencedor do Prémio Pulitzer em 1988, a obra decorre no Ohio, no pós-Guerra da Secessão. Sethe é uma mulher que tem uma árvore nas costas e que vive atormentada pelo fantasma da primeira filha, Beloved. Denver é a filha mais nova e não tem medo da aparição. Ambas são as únicas residentes do 124; uma vez que Howard e Buglar decidiram fugir para a guerra aos treze anos, após a morte trágica da irmã e da morte da avó Baby Suggs, a única que tinha conhecido a liberdade. Uma liberdade comprada pelo seu filho Halle, marido de Sethe. Só que o 124 recebe uma visita e com a chegada de Paul D, os cenários assumem outros contornos. Este carrega consigo memórias dolorosas, que por sua vez acordam outras memórias cruéis em Sethe. Memórias que conduzem o leitor para o passado comum e para o passado de cada um deles. 

Sethe e Paul D viveram em Sweet Home e nunca sentiram necessidade de fugir até ao dia em que Sweet Home começa a ser administrada por um mestre-escola. No dia da fuga, os seus caminhos tomam destinos diferentes e no dia da chegada de Paul D ao 124 da Bluestone Road, o legado da escravatura de ambos é revelado. As cicatrizes abrem-se. O fantasma de Beloved, que até aqui apenas deambulava pela casa, é expulso por Paul D. Dias mais tarde, o corpo desperta e espera à porta, pelos residentes do 124. A história começa assumir descrições dolorosas e tortuosas e a duplicidade de sentimentos surge. Como é que a monstruosidade dos acontecimentos e dos consequentes atos consegue redimir uma mãe? E quando tudo parece caminhar para a degradação, eis que a esperança renasce no 124! 

Toni Morrison envolve o leitor nesta história cruelmente sofrida, criando “vida a partir da morte”. Não dá para parar de ler!

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

«Ilustrarte'12»

«Se eu fosse um livro, seria um imenso poema que oferecesse às palavras sentidos inesperados.» 
Se eu fosse um livro, José Jorge Letria e ilustração de André Letria

O
Museu da Electricidade, em Lisboa, recebe mais uma vez a exposição bienal Ilustrarte. Esta já vai na sua 5.ª edição e afirma-se como «um espaço de encontro e discussão da melhor ilustração para a infância internacional».

Concorreram à Ilustrarte, 1585 ilustradores de 69 países. O júri atribuiu o prémio ao ilustrador italiano Valerio Vidali. As imagens vencedoras ilustram o conto Um dia, um guarda-chuva de Davide Cali (editado em 2011 pela editora Planeta Tangerina). Simone Rea de Itália e Nina Wehrle & Evelyne Laube da Suiça receberam menções honrosas pelos seus trabalhos. 

A mostra conta com uma retrospetiva à obra de Martin Jarrie e com 50 trabalhos expostos, incluindo os três ilustradores acima mencionados. Itália, França, Espanha e Bélgica contam com uma forte presença na exposição. Sendo que, Portugal faz-se representar com a participação de André Letria, Bernardo Carvalho, André da Loba e Daniel Lima & Cátia Serrão.

Refiro ainda que, esta exposição prima pela originalidade. Gigantes mesas de cabeceira são o cenário para receber as maravilhosas ilustrações. Estas encontram-se em três gavetas, tendo um candeeiro a iluminá-las. 
Os visitantes são ainda convidados a desfrutar da leitura de inúmeros livros infantis que por lá se encontram ou a deixar as suas ilustrações no mural. Esta última iniciativa é dirigida para os mais novos.

De entrada livre, a exposição está a decorrer até ao dia 8 de abril, de terça a domingo, das 10h00 às 18h00. 




Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

Já sabiam...

... que a próxima revista Volta ao Mundo terá o José Luís Peixoto na capa? 

(Ora grande coisa!) 

Não, não é só isso! Não irá ter apenas um artigo ou reportagem do autor. A revista do mês de março foi toda ela escrita por José Luís Peixoto. O autor andou pelo mundo para escrever esta revista que é também um livro. 
Miami, Pequim e Moscovo foram os destinos. Deste projeto resultaram quase 100 mil caracteres de texto, onde há lugar para 9 poemas inéditos. Será viajar ao sabor das palavras do autor. 
Hum... Algo me diz que vou adorar esta edição.


Quarta-feira, dia 1 de março de 2012

Aqui está a verdadeira capa! Ficou bonita, não ficou?
Sem José Luís Peixoto, mas com a sua essência: as palavras poéticas.

Pinturas populares (últimos 30 dias)