terça-feira, 14 de abril de 2015

História de Anasztázia Varga e outras estórias

Pode parecer mentira, mas ontem terminei de ler o primeiro livro deste ano, que já estava parado na mesa de cabeceira desde o ano passado. A falta de tempo e motivação para leituras foram os principais motivos, mas A Boneca de Kokoschka, de Afonso Cruz também não correspondeu totalmente às minhas expetativas iniciais e daí ter arrastado a leitura. 

Afonso Cruz é um autor genial e a sua subtileza com as palavras é contagiante, daí esperar sempre algo extraordinário nos seus livros! Como já namorava esta obra fazia algum tempo e a sinopse inspirava à leitura, não resisti e comprei-o. Não desgostei da história. Longe disso! Só que lá está, esperava algo diferente. Talvez a sinopse tenha-me induzido em erro, e também por isso, acabei por perder o entusiasmo na leitura a meio da terceira parte do livro. Que até é já bem no fim. 

A primeira parte lê-se num ápice. As vidas de Bonifaz Vogel, um homem que tem uma loja de pássaros, de Isaac Dresner, um rapaz judeu que se esconde na cave do comerciante, e de Tsilia Kacev, uma judia com chagas que se junta àquela família improvisada, viciam-nos. Afonso Cruz agarra-nos e puxa-nos para dentro desta história alucinante e poética. 

«- A porta do paraíso é a boca de um frasco - disse Isaac. - Era o que o meu pai me dizia: a boca de um frasco. Sabe porquê, Sr. Vogel? Por causa do macaco. Imagine um frasco de nozes. O macaco não tem dificuldade em meter lá a mão, mas quando pega nas nozes não consegue tirá-la. Terá de largar as nozes para ser livre. E o paraíso é assim, temos de deitar fora as nozes e mostrar as nossas mãos vazias.»

Já na segunda parte, ficamos a conhecer Mathias Popa, um escritor sem sucesso que um dia decidiu roubar um manuscrito a Thomas Mann e publicá-lo como se fosse seu. É nesta parte que surge-nos o livro "A Boneca de Kokoschka" de Mathias Popa, dentro do livro de Afonso Cruz, que conta-nos a história de Anasztázia Varga e da sua família. 

As personagens tentam procurar-se, mas andam em constantes desencontros, como se andassem num labirinto que não tem fim. A história parece um jogo e o leitor perde-se entre o real e o fictício. A Boneca de Kokoschka não é de todo uma leitura perdida. Nesta história complexa, o poder imaginativo de Afonso Cruz continua a surpreender.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

«O Gato e o Rato», de Günter Grass

Black Cat and Mouse, Linda Apple, E.U.A.

«Logo na primeira visita reparei no bufo-branco empalhado. Eu não morava muito longe dali, na Westerzeile; porém, não é de mim que é para falar, mas sim de Mahlke ou de Mahlke e de mim, mas sempre com a ênfase em Mahlke, pois era ele que tinha o risco ao meio, era ele que usava botas, era ele que ora tinha isto ora tinha aquilo pendurado ao pescoço, para distrair o eterno gato daquele eterno rato, era ele que se ajoelhava diante do altar de Maria, era ele o mergulhador com a queimadura solar recente, estava em relação a nós, ainda que desajeitadamente e sem graça, sempre um pouco mais adiante e , ainda mal tendo acabado de aprender a nadar, pretendia mais tarde, depois da escola e por aí em diante, ser palhaço num circo e fazer as pessoas rir.»
O Gato e o Rato, Günter Grass (1927-2015)

«Grass é um dos escritores mais inteligentes, mais contundentes que me foi dado a ler na escrita contemporânea.Um homem rigoroso, preciso e polémico, que nunca se esquece que escrever é liberdade.»
Maria Teresa Horta 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Brígida Brito Fotografia



Hoje partilho com vocês o trabalho maravilhoso de uma amiga querida, que dedica todo o seu amor e paixão no registo de momentos de ternura para a vida.

Apaixonem-se!

quinta-feira, 26 de março de 2015

«O Menino de sua Avó»


Amanhã, dia 27 de março, assinala-se o Dia Mundial do Teatro. 

Para comemorar este dia decidi não faltar à chamada e ir assistir à peça O Menino de sua Avó, pelo Grupo de Teatro "A Barraca", no Cine-Teatro Louletano.

Como estou expectante, deixo-vos aqui um cheirinho de como será a minha soirée, para o caso de também quererem aparecer.
  
«"Somos sonhos distantes, deste mundo em que nós brincamos" Um dueto cénico entre Fernando Pessoa e a sua avó Louca. Sete encontros onde o fantástico ganha a cena, numa divertida fantasia onde material e imaterial se confundem, à maneira pessoana, entre personagens que se cruzam do lado de cá e de lá da vida. A peça inédita de Armando Nascimento Rosa, Menino de sua avó, escrita para Maria do Céu Guerra e Adérito Lopes, acompanha ambas as personagens na vida e na morte, numa sucessão de momentos que atravessam o século XX português.»

Vais ao Teatro? Partilha comigo a peça que vais ver. :)

terça-feira, 24 de março de 2015

"No sorriso louco das mães"


Herberto Helder (1930-2015)

 "Quando morre um poeta com a dimensão de Herberto Helder o que sentimos é que não apenas morreu um poeta mas a poesia".
José Tolentino Mendonça

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