quinta-feira, 27 de agosto de 2015

«o romance de uma vida»

«- Dizem que se quisesses poderias ser um bom escritor. 
Nunca tinha ouvido nada semelhante na família. As minhas inclinações tinham permitido supor desde criança que fosse desenhador, músico, cantor de igreja e inclusive poeta dominical. Tinha descoberto em mim uma tendência conhecida de todos para uma escrita bastante retorcida e etérea, mas a minha reacção dessa vez foi mais de surpresa. 
- Se fosse para ser escritor, teria que ser dos grandes, e esses já não se fazem – respondi à minha mãe. – Ao fim e ao cabo, para morrer de fome há outros ofícios melhores.» 

Gabriel García Márquez é um dos meus escritores queridos. As suas estórias povoadas de imensos personagens, de um realismo mágico e de uma simplicidade poética são tão intensas e apaixonantes, que nos conduzem por caminhos sempre expectantes e cheios de vida. 

Viver para contá-la não podia ser diferente. Esta obra de memórias do autor é repleta de tudo isso: de entusiasmo e paixão. E por isso deve ser lida devagar, bem devagar, para se saborear cada vivência ao pormenor. 

O autor partilha com todos nós os seus anos de infância e juventude e em como toda a sua vida, sempre envolvida e viciada também em livros, daria lugar a alguns dos contos e romances tão nossos conhecidos. Nestas suas vivências de casa cheia por uma família sem fim à vista, de descobertas, de amores e desamores, de fugas, de conflitos e guerras num país que era o seu, fui descobrir as histórias e os personagens que inspiraram as suas obras mais aclamadas como Cem Anos de Solidão ou O Amor em Tempos de Cólera, mas também outras como Ninguém Escreve ao Coronel (o primeira que li do autor e que ainda hoje guardo um carinho especial) e Crónica de uma Morte Anunciada. E muitas outras preenchem este universo tão rico do autor. 

Conhecer um pouco mais sobre um autor que tanto deu à literatura latino-americana e a nós leitores foi tão enriquecedor, como admirável. Depois da leitura destas memórias as suas estórias têm um outro sentido e uma nova identidade. Como refere Gabo no início desta obra «A vida não é a que cada um viveu, mas a que recorda e como a recorda para contá-la.» 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

«Ascension»


Ascension, Thomas Bourdis, Martin de Coudenhove, Caroline Domergue, Colin Laubry and Florian Vecchione, 2013

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

tonalidades de agosto

Fonte Santa, Quarteira

«A câmara fotográfica não faz qualquer diferença. Todas registam aquilo que conseguimos ver. Mas, temos que Ver.”
Ernst Haas
(Dia Mundial da Fotografia)

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A terapia da «Floresta Encantada»

«Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre.»
O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa

No mês passado recebi como prenda de aniversário um livro, não para ler, mas para pintar. São os chamados "livros de colorir para adultos" e que têm estado no top de vendas um pouco por todo o mundo. Ainda hoje li no Observador que "em Portugal já há quem não saia de casa sem eles e quem diga que são terapêuticos".

Na mala vinda do outro lado do atlântico encontrava-se a Floresta Encantada, de Johanna Basford. Este só irá chegar a Portugal em dezembro deste ano, pois por agora está no top nacional O Jardim Secreto, que já vendeu 1 milhão de livros. Mas voltemos à Floresta Encantada...

A ilustradora Johanna Basford convida-nos a entrar e a viajar pelo coração de uma floresta encantada, enquanto pintamos os desenhos que nela se encontram, como: animais, flores, criaturas curiosas, objetos mágicos, castelos e entre outros. 

Para ilustrar este livro, a autora inspirou-se na região rural onde mora na Escócia. Este para além de um livro de colorir é também um livro de caça ao tesouro, pois temos de encontrar os nove símbolos ocultos ao longo das páginas, que irão permitir destravar a porta do castelo no final da jornada e descobrir o que se esconde lá dentro.

As ilustrações de Johanna Basford são lindíssimas e hipnóticas. Não há como resistir a esta viagem a preto e branco, que a pouco e pouco vai ganhando cor pelas nossas mãos. 

Desde que comecei na semana passada, que ainda não consegui parar com este meu novo vício, que me faz regressar aos meus dias felizes de criança. 

Entre uma cor e outra não penso em mais nada. O tempo não existe e a artista dentro de mim vai explorando a floresta encantada, com uma mão cheia de cores e um sorriso ingénuo de satisfação pelo resultado final.

domingo, 2 de agosto de 2015

15| livrarias e bibliotecas no mundo

Praia de Melides, Grândola, Portugal

Com este calor que se tem sentido, a praia é um dos lugares onde melhor se pode estar. Para refrescar, relaxar e descontrair. Como gosto imenso de praia, no verão só me sabe estar dentro de água.

Num destes passeios pela costa alentejana, andei descobrindo algumas praias bastante convidativas. A água não é tão quente como as dos algarves, mas o areal é bem extenso, não nos permitindo sentir como sardinhas em lata.

E se há coisa que é sempre agradável de se encontrar numa praia é uma Biblioteca. Este pequeno espaço de leitura pode ser encontrado na Praia de Melides, situada no concelho de Grândola. 

Assim, naquelas horas de maior calor, nada como nos refrescarmos numa esplanada, aproveitando uma boa leitura.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

«ficou tanto por dizer»

Micro Contos, de Fernando Guerreiro é um pequeno livro que passou do virtual para o papel. Depois de cinco anos a publicar pequenas estórias numa página do facebook, Fernando Guerreiro selecionou 114 micro contos e passou-os para o papel, em uma edição de autor.

Já há algum tempo que seguia os Micro contos no facebook, mas quando soube que estes iriam passar para o papel não pude deixar de os (re)ler. Estas histórias curtas são tão deliciosas e tão bem conseguidas que são quase como uma inspiração para o dia.

Na sua página, os micro contos são sempre acompanhados de uma fotografia a preto e branco. Ambos, imagem e texto, são uma combinação perfeita! Já no livro os micro contos permitem-nos imaginar e construir as nossas próprias imagens.

«Passava noites a chorar. Era assim que expulsava toda a tristeza do corpo para, durante o dia, poder fazer rir os outros.» (Limpeza); «Vivia numa corrente de ar constante, dividido entre o que fora e o que pode vir a ser. Só quando decidiu fechar a janela do passado é que conseguiu, finalmente, abrir a porta do futuro.» (Decisão); «No dia em que o amor foi declarado ilegal, tornou-se contrabandista.» (Proibição); «Juntaram os defeitos de ambos e fizeram disso uma perfeita imperfeição.» (União); «Tanto hesitou até que a vida acabou sem nunca ter acontecido.» (Inércia) e «A Morte bateu à porta. Com todo o vagar do mundo, parou a conversa, pousou a chávena de café, levantou-se do sofá e foi abrir. Pediu desculpa, o momento não era oportuno. Agora não a podia atender, a Vida tinha chegado antes e estavam a fazer planos para o futuro.» (Marcação) são algumas das histórias que mais gostei.

O livro pode ser adquirido online em http://www.microcontos.pt/

Pinturas populares (últimos 30 dias)