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domingo, 14 de maio de 2017

"Amar pelos Dois"

Ilustração de João Rodrigues, Portugal

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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

«O Miguel.»

Don't lose hopeValery Milovic, EUA

«Chegáramos ao fim, eu chegara ao fim. Não conseguia suportar mais a vida, se a vida continuasse a ser um emaranhado de altercações entre nós sobre a Luciana. À minha frente, a causa dos dissabores. Uma mulher desconchavada, de óculos, com o cabelo espesso mal penteado e o queixo raquítico. Sobretudo, deficiente. Ainda mais deficiente do que o meu irmão. E apesar disso nem sequer lhe metia medo. Sim, era como se eu não existisse.» 
O Meu Irmão, Afonso Reis Cabral

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A terapia da «Floresta Encantada»

«Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre.»
O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa

No mês passado recebi como prenda de aniversário um livro, não para ler, mas para pintar. São os chamados "livros de colorir para adultos" e que têm estado no top de vendas um pouco por todo o mundo. Ainda hoje li no Observador que "em Portugal já há quem não saia de casa sem eles e quem diga que são terapêuticos".

Na mala vinda do outro lado do atlântico encontrava-se a Floresta Encantada, de Johanna Basford. Este só irá chegar a Portugal em dezembro deste ano, pois por agora está no top nacional O Jardim Secreto, que já vendeu 1 milhão de livros. Mas voltemos à Floresta Encantada...

A ilustradora Johanna Basford convida-nos a entrar e a viajar pelo coração de uma floresta encantada, enquanto pintamos os desenhos que nela se encontram, como: animais, flores, criaturas curiosas, objetos mágicos, castelos e entre outros. 

Para ilustrar este livro, a autora inspirou-se na região rural onde mora na Escócia. Este para além de um livro de colorir é também um livro de caça ao tesouro, pois temos de encontrar os nove símbolos ocultos ao longo das páginas, que irão permitir destravar a porta do castelo no final da jornada e descobrir o que se esconde lá dentro.

As ilustrações de Johanna Basford são lindíssimas e hipnóticas. Não há como resistir a esta viagem a preto e branco, que a pouco e pouco vai ganhando cor pelas nossas mãos. 

Desde que comecei na semana passada, que ainda não consegui parar com este meu novo vício, que me faz regressar aos meus dias felizes de criança. 

Entre uma cor e outra não penso em mais nada. O tempo não existe e a artista dentro de mim vai explorando a floresta encantada, com uma mão cheia de cores e um sorriso ingénuo de satisfação pelo resultado final.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Mal de ortografia

Eterna Biblioteca, Paulo Galindro, Portugal

«No entanto, o que mais me afectou da entrevista foi ter enfrentado, uma vez mais, o meu drama pessoal com a ortografia. Nunca consegui entender. […] Outros consolavam-me com o pretexto de que é um mal de muitos. Ainda hoje, com dezassete livros publicados, os revisores das minhas provas de imprensa honram-me com a galantaria de corrigir os meus horrores de ortografia como simples erratas.» 
Viver Para Contá-laGabriel García Márquez


E no Dia Mundial do Livro pergunto: Quem é o autor destas palavras? 
Foi Prémio Nobel de Literatura. E mais não digo.
(Não vale pedir a ajuda do Google)
Resposta ao desafio: Gabriel García Márquez

segunda-feira, 13 de abril de 2015

«O Gato e o Rato», de Günter Grass

Black Cat and Mouse, Linda Apple, E.U.A.

«Logo na primeira visita reparei no bufo-branco empalhado. Eu não morava muito longe dali, na Westerzeile; porém, não é de mim que é para falar, mas sim de Mahlke ou de Mahlke e de mim, mas sempre com a ênfase em Mahlke, pois era ele que tinha o risco ao meio, era ele que usava botas, era ele que ora tinha isto ora tinha aquilo pendurado ao pescoço, para distrair o eterno gato daquele eterno rato, era ele que se ajoelhava diante do altar de Maria, era ele o mergulhador com a queimadura solar recente, estava em relação a nós, ainda que desajeitadamente e sem graça, sempre um pouco mais adiante e , ainda mal tendo acabado de aprender a nadar, pretendia mais tarde, depois da escola e por aí em diante, ser palhaço num circo e fazer as pessoas rir.»
O Gato e o Rato, Günter Grass (1927-2015)

«Grass é um dos escritores mais inteligentes, mais contundentes que me foi dado a ler na escrita contemporânea.Um homem rigoroso, preciso e polémico, que nunca se esquece que escrever é liberdade.»
Maria Teresa Horta 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

"Até amanhã"

..., Raquel Díaz Reguera, Espanha

«É urgente o amor. 
É urgente um barco no mar. 

É urgente destruir certas palavras, 
ódio, solidão e crueldade, 
alguns lamentos, 
muitas espadas. 

É urgente inventar a alegria, 
multiplicar os beijos, as searas, 
é urgente descobrir rosas e rios 
e manhãs claras. 

Cai o silêncio nos ombros e a luz 
impura, até doer. 
É urgente o amor, é urgente 
permanecer.» 
«Urgentemente», in Até Amanhã, Eugénio de Andrade

sábado, 15 de novembro de 2014

"Humanidade"

A Viagem do Elefante, Miloš Jarić, Sérvia

«Têm razão os cépticos quando afirmam que a história da humanidade é uma interminável sucessão de ocasiões perdidas. Felizmente, graças à inesgotável generosidade da imaginação, cá vamos suprindo as faltas, preenchendo as lacunas o melhor que se pode, rompendo passagens em becos sem saída e que sem saída irão continuar, inventando chaves para abrir portas órfãs de fechadura ou que nunca tiveram.»
A Viagem do Elefante, José Saramago
encontros inesperados e felizes

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

«Não posso adiar o amor»

..., Zurab Martiashvili, Geórgia

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século
a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração 
in "Viagem Através de uma Nebulosa", António Ramos Rosa

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"Dia da Ira"

Hope, autor desconhecido

«Apetece cantar, mas ninguém canta. 
Apetece chorar, mas ninguém chora. 
Um fantasma levanta 
A mão do medo sobre a nossa hora. 

Apetece gritar, mas ninguém grita. 
Apetece fugir, mas ninguém foge. 
Um fantasma limita 
Todo o futuro a este dia de hoje 

Apetece morrer, mas ninguém morre. 
Apetece matar, mas ninguém mata. 
Um fantasma percorre 
Os motins onde a alma se arrebata. 

Oh! Maldição do tempo em que vivemos, 
Sepultura de grades cinzeladas 
Que deixam ver a vida que não temos 
E as angústias paradas.» 
«Dies Irae», in "Cântico do Homem", Poesia Completa, Miguel Torga

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Logofobia

Comportamento, Negreiros, Brasil

Logofobia, s. f. aversão a leituras e discursos; receio de falar, sintoma comum em gagos que sofrem de um bloqueio afetivo da palavra.   (Do grego lógos, «palavra; conversação» +phóbos, «temor» +-ia) 
in Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora

Do que me fui lembrar hoje! O dia até está demasiado quente e eu devia era estar de toalha estendida na praia a relaxar ou a dar umas braçadas no mar, que ao que parece a água pelos algarves finalmente aqueceu. Mas as férias já lá vão... E eu lembrei-me de fobias. 

Logofobia. Assim se designa o nome técnico deste temor.  

Não sou de grandes fobias, mas se há coisa que nunca gostei foi de falar em público. Não é bem gostar é mais pânico! Nos tempos de estudante, as apresentações de trabalhos eram um martírio e dias antes já andava com suores, tremuras, vómitos e noites mal dormidas. Sempre com a cabeça a martelar no dia fatídico e na tortura por que iria passar com tal experiência.

Segundo os especialistas, "o medo de falar em público pode ser definido como uma resposta desproporcionada: o sistema nervoso autónomo confunde uma preocupação com uma ameaça (como se corrêssemos o risco de ser atropelados, por exemplo) e então acelera-se o ritmo cardíaco e começamos a hiperventilar." (in Super Interessante, n.º 194, junho 2014).

Claro que há imensos truques que ajudam ao relaxamento, mas lamentavelmente nunca funcionaram comigo... 

Agora esses dias de grande ansiedade já lá vão, mas a verdade é que há coisas que não conseguimos controlar de todo. 

E as vossas fobias, quais são?
________________
Nota: O número de fobias parece não ter fim. No wikipédia podem consultar a lista de fobias, mas não se assustem. 
J

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

"a gaiola estava dentro deles"

Passarinho, Marcos Guilherme, Brasil

«Numa loja de pássaros é onde se concentram mais gaiolas. Não há lugar nenhum no mundo construído com tantas restrições como uma loja de pássaros. São gaiolas por todo o lado. E algumas estão dentro dos pássaros e não por fora como as pessoas imaginam. Porque Bonifaz Vogel, muitas vezes, abrira as portas das gaiolas sem que os canários fugissem. Os pássaros ficavam encolhidos a um canto, tentando evitar olhar para aquela porta aberta, desviavam os olhos da liberdade, que é uma das portas mais assustadoras. Só se sentiam livres dentro de uma prisão. A gaiola estava dentro deles. A outra, a de metal ou madeira, era apenas uma metáfora.» 
A Boneca de Kokoschaka, Afonso Cruz

domingo, 25 de maio de 2014

trinta mil dias

..., Fátima Afonso, Portugal

«Fiz ontem as contas e foram mais de trinta mil os dias em que adormecemos e acordámos juntos, na cama onde agora te escrevo e de onde espero sair para ir de novo até ti. Trinta mil dias a olhar-te dormir, a saber o frio ou o calor do teu corpo, a perceber o que te doía por dentro, a amar cada ruga a mais que ia aparecendo. Trinta mil dias de eu e tu, desta casa que um dia dissemos que seria a nossa (que será de uma casa que nos conhece tão bem quando já aqui não estivermos para a ocupar?), das dificuldades e dos anseios, dos nossos meninos a correr pelo corredor, da saudade de nos sabermos sempre a caminho de sermos só nós. Trinta mil dias em que tudo mudou e nada nos mudou, das tuas lágrimas tão bonitas e tão tristes, das poucas vezes em que a vida nos obrigou a separar (e bastava uma tarde longe de ti para nem a casa nem a vida continuarem iguais). Trinta mil dias, minha velha resmungona e adorável. Eu e tu e o mundo, e todos os velhos que um dia conhecemos já se foram com a velhice. Nós ainda aqui estamos, trinta mil dias depois, juntos como sempre. Juntos para sempre. Trinta mil dias em que desaprendi tanta coisa, meu amor. Menos a amar-te.» 
Prometo Falhar, Pedro Chagas Freitas

sexta-feira, 21 de março de 2014

"Chamo-Te"

Poppies, Mariana Kalacheva, Bulgária

«Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio 
E suportar é o tempo mais comprido. 

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade, 
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe. 

Há muitas coisas que não quero ver. 

Peço-Te que sejas o presente. 
Peço-Te que inundes tudo. 
E que o Teu reino antes do tempo venha 
E se derrame sobre a Terra 
Em Primavera feroz precipitado.»
Chamo-te, Sophia de Mello Breyner Andresen
(Dia Mundial da Poesia) 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

poesia...

Soñando Cuentos, Raquel Díaz Reguera, Espanha


«Poesia é quando uma emoção encontra seu pensamento e o pensamento encontra palavras» 
Robert Frost

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Dia de Memória

Maus, Art Spiegelman, Suécia

«Pois também lá, entre chaminés, nos intervalos do sofrimento, algo se assemelhava à felicidade. Toda a gente me pergunta só pelas vicissitudes, pelos «horrores»: todavia, no que me diz respeito, é talvez essa a experiência mais memorável. Sim, é disso, da felicidade dos campos de concentração, que eu lhes falarei na próxima vez, quando me perguntarem. Se é que vão perguntar. E se eu próprio não me tiver esquecido.» 
Sem Destino, de Imre Kertész 

"O problema de Auschwitz não é o de saber se devemos manter a sua memória ou metê-la numa gaveta da História. O verdadeiro problema de Auschwitz é a sua própria existência e, mesmo com a melhor vontade do mundo, ou com a pior, nada podemos fazer para mudar isso." 
Imre Kertész, no seu discurso de atribuição do prémio Nobel em 2002

Dia Internacional de
Memória das Vítimas do
 Holocausto

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

«Viagem»

Histórias de ida-e-volta, Paulo Galindro, Portugal

«O beijo da quilha
na boca da água
me vai trocando entre céu e mar,
o azul de outro azul,
enquanto
na funda transparência
sinto a vertigem
de minha própria origem
e nem sequer já sei
que olhos são os meus
e em que água
se naufraga minha alma

Se chorasse, agora,
o mar inteiro
me entraria pelos olhos»
in Raiz de Orvalho e Outros Poemas, de Mia Couto

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Oito anos

Fishing for stars, Majali, Suécia 

Hoje é dia de festa! 

Há oito anos criei o tonsdeazul, que continuo a não querer deixar desaparecer. Muitos se foram embora e muitos foram chegando. Nestes oito anos fiz boas amizades e partilhei momentos especiais com muitos de vós. Por aqui quero continuar a registar a minha presença, mesmo não sendo tão frequente como gostaria. 

Mesmo em silêncio não deixei de vos visitar, pois vocês continuam a fazer parte dos meus dias. Por vezes o tempo estica e lá consigo deixar também a minha marca nas vossas partilhas. E assim vão passando os dias. Sempre a correr...

Despeço-me com beijinhos e abraços. :0)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

"I am the captain of my soul"




















«Out of the night that covers me, 
Black as the Pit from pole to pole, 
I thank whatever gods may be 
For my unconquerable soul. 

In the fell clutch of circumstance 
I have not winced nor cried aloud. 
Under the bludgeonings of chance 
My head is bloody, but unbowed. 

Beyond this place of wrath and tears 
Looms but the Horror of the shade, 
And yet the menace of the years 
Finds, and shall find, me unafraid. 

It matters not how strait the gate, 
How charged with punishments the scroll. 
I am the master of my fate: 
I am the captain of my soul.» 
Invictus, de William Ernest Henley (1875)
______________
Um Herói partiu. Perdemos uma inspiração.

«A minha inspiração são os homens e as mulheres que surgiram em todo o globo e escolheram o mundo como o teatro das suas operações, e que lutam contra as condições socioeconómicas que não promovem o avanço da Humanidade, onde quer que este ocorra. Homens e mulheres que lutam contra a supressão da voz humana, que combatem a doença, a iliteracia, a ignorância, a pobreza e a fome. Alguns são conhecidos, outros não. Essas são as pessoas que me inspiraram.»
Nelson Mandela (1918-2013)

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