sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

"eu sou aquele que te procura"

O Manuel Cardoso disse que era “lindo, lindo, lindo”. A Paula disse que era “uma história linda”. E pronto, foi assim que pedi emprestado A Terceira Rosa, de Manuel Alegre para descobrir se era mesmo assim como eles diziam. Sim, posso já adiantar que eles tinham razão!

A Terceira Rosa é um romance de 125 páginas, que se lêem num ápice. Este é composto por 56 fragmentos, que por sua vez são vividos na primeira pessoa, na pessoa de Xavier. Xavier que é apaixonado por Cláudia. E a história desenvolve-se, toda ela, em volta desta paixão, num Portugal dos anos 50. Numa época em que havia famílias, como a de Xavier que eram contra o regime político e outras, como a de Cláudia que viviam do lado do regime.

Mas Xavier só queria viver esta paixão. Uma paixão em que «Olá, disseste. E a terra começou a tremer.» Uma paixão que «[a]o certo, ao certo, ninguém sabe quando» começou. Talvez fosse «desde sempre», como afirma a mãe de Xavier. «Ou até antes, antes de serem, antes do tempo, antes de tudo. Talvez por uma qualquer fatídica conjunção astral. Era assim: ela e só ela, como a outra metade de si mesmo. E dentro dele o sangue do avesso.» Uma paixão que se revelou em frente do portão principal da casa da tia Filipa, em Alba. No momento em que Xavier regressou de Coimbra de camioneta e ela olhou para ele. Foi aí que ela, a paixão se revelou.

Só que esta paixão «[e]ntrou em todas as batalhas, partiu em todas as cruzadas». É vivida de encontros e desencontros, de alegrias e tristezas, de certezas e ansiedades, de promessas e cumplicidades, de ciúme e desespero, de mudança, solidão, dor e eterna espera. Ela morreu. Ele procura-a «no vento, nas dunas, no mar, na espuma, nas noites de neblina», onde pode «apertar o [seu] corpo já sem corpo.»

Um belíssimo romance com cheiro a poesia, «que se afirma quase como um ensaio literário sobre a paixão», que marca a vida de Xavier e Cláudia e que nos revela as contradições dos sentimentos e os confrontos da vida. Este ano quero voltar a ler mais deste autor!

6 comentários:

Teté disse...

Também nunca li nada dele, conheço apenas um ou outro poema! E desde que não seja matéria de campanha eleitoral (nem dele, nem de nenhum dos outros, note-se!), vou tentar ler também este livro ou outros do autor... :)

Obrigada pela dica e beijinhos!

N. Martins disse...

Li dois livros do Manuel Alegre, "Alma" e "Cão Como Nós". São ambos mais ou menos autobiográficos. O "Cão Como Nós" é, para quem gosta de animais, mas não só, um livro a não perder. Gosto muito da escrita dele, escreve muitíssimo bem, ou não fosse ele um poeta. :)

Cartas a Si disse...

Deste autor só tenho lido poesia, mas depois de ler o que escreveste fiquei com muita vontade de ler esta obra.

Manuel Cardoso disse...

Que bom que gostaste, tons de azul! É um livrinho maravilhoso. Uma história encantadora num estilo poético lindissimo.
Na minha opinião é o melhor livro dele e um dos melhores livros que li até hoje.

Guerreiro disse...

Depois de ler a tua magnifica opiñião, a juntar-se à da Paula e à do Manuel Cardoso, resolvi pedir este livro no WinkingBook que, por acaso, havia 3 disponiveis!!! :D
Beijinhos

Paula disse...

Olá Tons de Azul, que bom que gostaste :)
É magnífica a história e a escrita :)
Beijinhos

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