terça-feira, 6 de dezembro de 2011

"agora diz o que nós somos"

«- Os homens como nós, que trabalham nas herdades, são os camaradas mais solitários do Mundo. Não têm família. Não pertencem a nenhum lugar. Chegam a uma herdade e trabalham até juntarem algum dinheiro e depois vão à cidade e deitam fora o dinheiro, e então não têm outro remédio senão entrar a sacudir o rabo noutra herdade. Não podem esperar nada do futuro.
[...]
- Connosco não acontece o mesmo. Temos um futuro. Temos alguém com quem falar, alguém que pensa em nós. Não somos obrigados a ficar sentados num café, deitando dinheiro fora, só porque não há outro lugar aonde ir. Se esses outros vão para a cadeia, ficam lá a apodrecer e ninguém se importa. Mas connosco é diferente.
- Mas connosco é diferente! - interrompeu Lennie. - E porquê? Porque... porque eu tenho a ti para cuidar de mim, e tu tens a mim para cuidar de ti, por isso. - Soltou uma gargalhada de prazer. - Continua, George!»

John Steinbeck tem uma particularidade muito especial de contar histórias sobre as gentes que trabalham a terra. Em Ratos e Homens voltamos à ruralidade da Califórnia.
George e Lennie, os protagonistas, caminham juntos numa constante procura de trabalho. Devido à deficiência mental de Lennie, George vê-se obrigado a não deixar falar o amigo, quando este é questionado pelos patrões. Lennie é um gigante bastante capacitado para o trabalho duro do campo, mas quando fala antes de ser contratado, acabam por já não ficar. Para além disso tem uma obsessão em fazer festas a tudo o que seja macio como a seda. O que por vezes acarreta chatices.
Ambos desejam conseguir juntar dinheiro suficiente para comprarem um pedaço de terra e nela poderem cultivar a terra e criar animais. Sonham acordados com essa vida calma e só deles.
Depois de terem fugido de Weed, chegam a Gabilan, perto de Soledad, para trabalhar num rancho. Advertido por George, Lennie fica calado e ambos conseguem o emprego. Só que Lennie parece que está sempre a meter-se em apuros, mesmo não tendo intenção de magoar seja quem for. Sempre com o sentimento de culpa e consciente do constante fardo que é para George, Lennie tenta esconder os seus erros para evitar que George se zangue ou o impeça de criar os coelhos que irão ter no seu pedaço de terra.
Quando ambos conhecem a mulher de Curley, o filho do patrão, George prevê grandes confusões…
Estas cem páginas, que retratam a amizade e os sonhos de quem nada tem, embelezam em palavras a rudeza e frieza visual da história, aqui tão bem contada pelo o autor. 

4 comentários:

Manuel Cardoso disse...

eu sabia que ias gostar!
Eu ADOREI ADOREI ADOREI este livrinho. Que sensibilidade! Que humanismo! Que beleza!

N. Martins disse...

Fiquei cheia de vontade de o voltar a ler. Estou há demasiado tempo sem ler Steinbeck... :)

Teté disse...

Está visto que tenho de ler este de Steinbeck! Obrigada pela dica! :)

Beijocas!

tonsdeazul disse...

Pois é, Steinbeck tem esta particularidade de maravilhar com estas histórias de gentes rurais, Manuel. Do autor ainda quero ler A Leste do Paraíso e O Inverno do Nosso Descontentamento. Já os leste? Qual o teu preferido? Eu gostei de dois em especial A Pérola e o tão famoso As Vinhas da Ira.


N. Martins e porque não?! É tão pequeno que lês num ápice! :)


Depois contas-me a tua opinião, Teté! ;) Beijinhos

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