sábado, 15 de outubro de 2011

"afinal de contas ele não passa de um negro"

«- O único sítio onde um homem deve ser tratado de forma justa é dentro de um tribunal, seja ele de que cor for, mas os homens acabam sempre por levar os seus ressentimentos para as cadeiras do júri. À medida que fores crescendo, e durante todos os dias da tua vida, vais ver sempre homens brancos a enganar homens negros, mas deixa que te diga uma coisa que nunca mais vais esquecer... sempre que um homem branco fizer algo a um homem negro, independentemente da sua natureza, posição, riqueza ou linhagem familiar, esse homem branco nada mais é senão lixo.»

Já tinha lido muitas opiniões acerca desta obra e todas bastante positivas. E mesmo assim a autora conseguiu surpreender-me com a sua narrativa de tom suave e inocente. 
Como se aborda o preconceito e o racismo sem repetir o que já foi escrito, falado e debatido? Harper Lee soube-o muito bem. 

Por favor não matem a cotovia passa-se em plena época da Depressão dos Estados Unidos, na pequena cidade sulista Maycomb. 
Jem e a sua irmã Scout são quem nos contam a história. É nas suas vivências diárias que vamos tomando conta de quem vive naquela cidade e como os vizinhos se conhecem uns aos outros. Ao longo dos seus dias de escola e aventuras com rebeldia, traquinices e peripécias de miúdos, os dois irmãos são confrontados com as más línguas dos colegas de escola e dos próprios vizinhos. Ao questionarem o seu pai, Atticus Finch, ficam a saber que este encontra-se encarregue de defender Tom Robinson, um homem negro, que tinha sido acusado de ter violado, Mayella Ewell, uma jovem branca de dezanove anos. 

A argumentação de Atticus era clara, Bob Ewell era o único culpado pelas nódoas negras que marcavam a filha, mas a cor de pele de Tom ditou a sentença ao júri e ao Juiz. Jem chora. «Lágrimas de raiva corriam-lhe em sulcos pelo rosto enquanto [tentava passar] pela multidão exultante.» Não era justo, sabia-o Scout. Mas parecia que eles eram os únicos naquela sala de tribunal que sentiram a injustiça da sentença. Só que Jem e Scout eram apenas crianças e logo logo iriam crescer e entender que os Homens não nascem todos iguais na sua liberdade. 
Miss Maudie, uma simpática vizinha, sabia que Atticus não ganharia a causa, mas também sabia que ele era o «único homem das redondezas que [podia] fazer o júri demorar a tomar uma decisão». Atticus Finch tinha sido o escolhido para fazer aquilo que as pessoas como ela não achavam certo, mas não tinham coragem de o dizer ou mostrar. 
As mentalidades estavam a mudar nesta comunidade conservadora. Jem e Scout eram os fios condutores para essa diferença. 

Harper Lee não complica. Se tudo é tão simples aos olhos das crianças, por que não ver e entender as coisas como elas? «Eu penso que só existe um tipo de pessoas. Pessoas.»  

6 comentários:

Paula disse...

Fantástico este livro!!
Adorei!

t i a g o disse...

Este é mesmo daqueles livros que só oiço falar tão bem, que a curiosidade dispara. Ainda não surgiu oportunidade de o adquirir. Num futuro próximo. :)

Manuel Cardoso disse...

Eu sabia que ias gostar!
Este é já um dos livros da minha vida.
Atticus é um personagem fabuloso! Magnífico!

Teté disse...

Este já está à espera de vez na prateleira! Pela tua crítica tenho quase a certeza que vou gostar muito... :)))

Beijocas!

N. Martins disse...

Tenho muita vontade de ler este livro. Só leio boas críticas acerca dele. :)

tonsdeazul disse...

Pois é meninos e meninas... Quem leu adorou e quem ainda não leu está em pulgas para o ler! :)
Beijinhos e abraços

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