domingo, 25 de março de 2012

«É de Noite que Faço as Perguntas»

Rerum Novarum, Daniel Silvestre da Silva, Portugal
(aumentar a imagem para ler o texto)

David Soares é o autor das histórias de 
É de Noite que Faço as Perguntas. Já as ilustrações deste livro de BD ficaram a cargo de Jorge Coelho, João Maio Pinto, André Coelho, Daniel da Silva (ilustrador do primeiro livro infantil de José Luís Peixoto, A mãe que chovia, que estará nas livrarias no dia 13 de abril) e Richard Câmara.

Fiquei impressionada e rendida ao estilo narrativo do autor ao ler Os Ossos do Arco-Íris e mais tarde O Evangelho do Enforcado. Foi no XXI Amadora BD 2010 - Festival Internacional de Banda Desenhada, em que uma parte era dedicado ao Centenário da República Portuguesa, que tive conhecimento deste livro, que só seria editado em 2011. E por muito que o tivesse procurado, não o vi exposto em nenhuma livraria ou feira. Vim a encontrá-lo, este ano, naquela feira do livro que está sempre à entrada do centro comercial Vasco da Gama, em Lisboa. Um precioso achado que veio de imediato comigo para casa. 

David Soares foi convidado pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (CNCCR) e pelo Amadora BD, a escrever um álbum de banda desenhada sobre a Primeira República Portuguesa. Depois o autor só teve de escolher os cinco ilustradores para as suas cinco histórias: Richard Câmara, Prólogo e Epílogo de É de Noite que Faço as Perguntas, Jorge Coelho em É só alguém que foi à caça, João Maio Pinto com Oh! A República!, André Coelho na Via polémica e Daniel da Silva com Rerum Novarum. Estas para além de muito bem contadas, estão sem dúvida alguma maravilhosamente bem ilustradas. 

«Tal como na vida real, a primeira república portuguesa existiu e é ela que serve de farol ao narrador, imerso num indefinido regime totalitário que serve de coagulante ao pensamento.» Assim, quem nos narra os acontecimentos é um pai. Um pai, que decide escrever uma carta (que nunca será entregue) para contar e partilhar as suas memórias ao seu filho, que tenta recuperar, pois este caiu no seio do partido. Através das suas palavras vamos percorrendo diferentes factos históricos, de «um tempo em que se acreditava no valor da participação do indivíduo na construção da sociedade.» O período antecedente à República, desde o ultimato britânico de 1890 até ao assassinato do rei D. Carlos, a implementação da Primeira República Portuguesa, a Primeira Guerra Mundial e o golpe de estado de 1926 que pôs termo à República são aqui narrados inteligentemente e ilustrados em estilos criativos muito próprios. Rerum Novarum, aquele de que gostei mais, denota bem a realidade nebulosa do Estado Novo. 

É de Noite que Faço as Perguntas é um álbum revolucionário, segundo palavras do autor, que refere ainda que «escrever e desenhar sob convite institucional não tem de ser um obstáculo para o valor artístico de um projeto». Acrescento ainda, que é um álbum de leitura obrigatória!

2 comentários:

Teté disse...

É uma álbum de leitura obrigatória? Então deixa ver se o apanho por aí (a feira do livro começa já no mês que vem), que é limpinho! :)

Beijocas!

tonsdeazul disse...

Para os apaixonados de BD, principalmente, Teté! :)
Este ano quero ir novamente à feira. Vamos lá ver...
Beijocas para ti também!

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