quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"Dia da Ira"

Hope, autor desconhecido

«Apetece cantar, mas ninguém canta. 
Apetece chorar, mas ninguém chora. 
Um fantasma levanta 
A mão do medo sobre a nossa hora. 

Apetece gritar, mas ninguém grita. 
Apetece fugir, mas ninguém foge. 
Um fantasma limita 
Todo o futuro a este dia de hoje 

Apetece morrer, mas ninguém morre. 
Apetece matar, mas ninguém mata. 
Um fantasma percorre 
Os motins onde a alma se arrebata. 

Oh! Maldição do tempo em que vivemos, 
Sepultura de grades cinzeladas 
Que deixam ver a vida que não temos 
E as angústias paradas.» 
«Dies Irae», in "Cântico do Homem", Poesia Completa, Miguel Torga

2 comentários:

Manuel Cardoso disse...

Apetece tanta coisa... e de repente apetece apenas ficar parado, à espera, como se nada valesse a pena.
Caramba, a gente até sabe que é preciso correr; é preciso gritar, rir,gargalhar, talvez até fugir...
mas a força de nada fazer é tão grande...

Teté disse...

Não conhecia, mas Torga é sempre genial... :)

Beijocas

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