sábado, 14 de fevereiro de 2009

“Eu pensava que conhecia o significado do amor”

Milão, Itália
“O amor é o sangue do sol dentro do sol. A inocência repetida mil vezes na vontade sincera de desejar que o céu compreenda. Levantam-se tempestades frágeis e delicadas na respiração vegetal do amor. Como uma planta a crescer da terra. O amor é a luz do sol a beber a voz doce dessa planta. Algo dentro de qualquer coisa profunda. O amor é o sentido de todas as palavras impossíveis. Atravessar o interior de uma montanha. Correr pelas horas originais do mundo. O amor é a paz fresca e a combustão de um incêndio dentro, dentro, dentro, dentro, dentro dos dias. Em cada instante de manhã, o céu a deslizar como um rio. À tarde, o sol como uma certeza. O amor é feito de claridade e da seiva das rochas. O amor é feito de mar, de ondas na distância do oceano e de areia eterna. O amor é feito de tantas coisas opostas e verdadeiras. Nascem lugares para o amor e, nesses jardins etéreos, a salvação é uma brisa que cai sobre o rosto suavemente.
Eu acreditava mesmo que o amor é o sangue do sol dentro do sol. […]”
Uma Casa na Escuridão, de José Luís Peixoto

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

E o óscar vai para...

... Quem quer ser Bilionário?, do realizador Danny Boyle.
A história é simples. Um rapaz orfão chamado Jamal Malik, que cresceu com o seu irmão Salim nos bairros de lata de Mumbai, decide concorrer ao concurso "Quem quer ser Bilionário", com intuito de ser visto na televisão por Latika, a rapariga por quem é apaixonado e que entretanto perdeu o rasto.
Jamal está prestes a ganhar o grande prémio. Falta-lhe apenas uma pergunta. Como é que é possível?
São-nos dadas quatro hipóteses:
a) ou ele fez batota;
b) ou tem muita sorte;
c) ou é um génio;
d) ou é o destino.
E assim começa o filme. Jamal está preso e através do interrogatório viajamos até ao seu passado e vamos conhecendo o porquê de ele ter acertado em todas as perguntas.
Será que ele volta no dia seguinte para responder à última questão? Será que ele ganha? Será que ele encontra Latika? Pois... terão de ver o filme.
Uma história simples, com muita energia e cor, que revela o dia-a-dia de miséria na Índia.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

"Foi então que vi o Pêndulo."

"Foi então que vi o Pêndulo.
A esfera, móvel na extremidade de um longo fio fixado na abóbada do coro, descrevia as suas amplas oscilações com isócrona majestade."

O Pêndulo de Foucault, de Umberto EcoO Pêndulo de Foucault, de Umberto Eco, fala-nos de três colegas: Casaubon, Belbo e Diotallevi que trabalham numa editora na cidade de Milão, em Itália. Os três recebem todos os dias, na editora, diversos manuscritos para ler, sobre temas do oculto, essencialmente sobre os Templários e os Rosas-Cruzes.

Extenuados das leituras fracas a que estão “obrigados” a ler, os três colegas decidem eles próprios pegar em tudo o que encontram sobre os grandes enigmas da história ocidental e inventar uma trama. Assim, através de uma mensagem que chega até eles vinda de mais um manuscrito, têm o primeiro contacto com o Plano e dão início à grande invenção.
Mas o que fazer quando uma “brincadeira acaba por coincidir com ideias que algumas pessoas levam muito a sério? Como desmentir a história àqueles que querem acreditar nela?”

O livro está dividido em dez capítulos e cada capítulo tem pequenos sub-capítulos que ajudam à leitura pausada. No geral tem um enredo que leva o leitor a não desistir e os personagens movem-se bem na história, mas lê-lo foi, por vezes, uma maratona entediante. Tem imensas passagens complexas, para além da história em si, sobre os Templários e tudo o que gira à volta deles, que para um não entendido acaba por passar ao lado, pois não as consegue reter, nem apreender.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Era uma vez | Resultados

“É uma tarefa cansativa, esta de contar histórias. […]”
Robert Walser in Histórias de Amor. (extracto do conto «Simão»)


Entretanto... A votação chegou ao fim e assim encontramos o vencedor!
Foi muito bom contar com a vossa participação. Obrigada.
Revelo agora o nome dos dois participantes:

1º lugar - 8 votos
Título: Era uma vez 1 - "o homem azul"
Autor: S. G. ex - Fernando Pessoa
Blogue: O Blog dos 5 Pês http://oblogdos5pes.blogspot.com/

2º lugar - 5 votos
Título: Era uma vez 2 - "A VELHA BRUXA"
Autora: Teté
Blogue: Quiproquó
http://pequenoquiproquo.blogspot.com/
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Nota: Contactarei o vencedor para a entrega do prémio.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

“Sob a cúpula do Panteão”

Panteão, Paris

«Despertou-se um diálogo, preciso e apático, entre um rapaz de óculos e uma rapariga que infelizmente não os tinha.
“É o pêndulo de Foucault”, disse ele. “A primeira experiência na oficina em 1851, depois no Observatoire, e a seguir sob a cúpula do Panthéon, com um fio de sessenta e sete metros e uma esfera de vinte e oito quilos. Por fim, desde 1855 está aqui, em formato reduzido, pendendo daquele buraco, no meio do cruzeiro.”
“E para que serve, está suspenso e mais nada?”
“Demonstra a rotação da Terra. Como o ponto de suspensão permanece imóvel…”
“Permanece imóvel porquê?”
“Porque um ponto… como hei-de dizer?… no seu ponto central, repara bem, todo o ponto que estiver precisamente no meio dos pontos que tu vês, bem, esse ponto – o ponto geométrico – tu não o vês, não tem dimensões, e o que não tiver dimensões não pode ir nem para a direita nem para a esquerda, nem para cima nem para baixo. Portanto não gira. Percebes? Se o ponto não tiver dimensões, nem sequer pode girar à volta de si mesmo. Nem sequer se tem a si próprio…”
“Nem mesmo se a Terra gira?”
“A Terra gira mas o ponto não gira. Se te basta é assim, se não, vai-te lixar, está bem?”»

O Pêndulo de Foucault, de Umberto Eco

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Era uma vez | Início da votação

Olá a todos!

Ontem publiquei a última história. Desta vez, parece-me a mim, que o frio tolheu mesmo a imaginação! :) Sendo assim, estão a concurso apenas dois excelentes participantes, à qual reforço o meu muito obrigada.

Conto agora com a participação de todos que por aqui passam para a escolha da melhor história. Dediquem um pouco do vosso tempo à leitura destas duas maravilhosas histórias e votem, uma única vez, na vossa preferida, pois eu estarei isenta.
As votações estarão abertas até dia 6 de Fevereiro, às 17h00.

Boa sorte aos dois inspirados! E em caso de empate decido eu.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Era uma vez 2 | "A VELHA BRUXA"

Era uma vez... uma velha bruxa, enrugada e disforme, que assustava toda a população da zona onde habitava.

Em jovem tinha sido bela e vaidosa, dedicara-se inteiramente à sua própria aparência, única característica que a distinguia dos restantes mortais. Por infelicidade do destino, um dia fora atropelada por um carro, enquanto se distraía mirando o seu reflexo num vidro espelhado...

Sobrevivera! Mas as múltiplas cicatrizes que sulcavam o seu corpo outrora perfeito, fizeram com que abandonasse a cidade e partisse para aquela aldeola perdida na encosta da serra.

Afadigava-se com as plantas que cresciam no seu jardim e dava longos passeios pela floresta, recolhendo sementes, raizes, bagas e frutos, o que contribuira para a sua fama na região. Ambicionava alcançar o segredo da beleza e da juventude perdida...

A lua cheia já brilhava no céu, na hora que julgou obter o resultado pretendido - um líquido verde e cristalino, que deixou a esfriar no gelo. Acendeu velas em seu redor, impacientando-se a observar os relógios que tiquetaqueavam inexoravelmente. Quando provou o elixir, gostou do seu aroma e paladar. Bebeu-o até à última gota!

Nessa noite a serra pegou fogo e ela desapareceu misteriosamente. Algum tempo depois, um médico aposentado descobriu o osso do dedo mindinho de uma criança nos escombros, mas a sua participação às autoridades não suscitou mais do que sorrisos descrentes...

O caso foi arquivado!

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Autora: Teté
Blogue: Quiproquó http://pequenoquiproquo.blogspot.com/

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