quarta-feira, 23 de maio de 2012

“Conte-me a verdade”

«- Todos temos uma história. É como as famílias. Podemos não saber quem ela é, podemos tê-la perdido, mas ela existe na mesma. Podemos distanciar-nos ou virar-lhe as costas, mas não podemos dizer que a não temos. Acontece o mesmo com as histórias. Portanto - concluiu ela -, todos temos uma história. Quando é que me vai contar a sua?» 

Não sei o que poderei escrever sobre O Décimo Terceiro Conto de Diane Stterfield. Já tinha lido imensas opiniões positivas sobre o livro, mas o certo é que nunca o cheguei a comprar. Com a nova edição da editora Marcador acabei por o trazer para casa e devo dizer que a capa teve quase toda a culpa. Gosto muito mais desta do que da anterior, confesso. No entanto, lamento que esta reedição não tivesse merecido uma atenção na parte de revisão. A obra tem gralhas em demasia e era escusado para um romance feito à medida dos «verdadeiros amantes dos livros».

A história de O Décimo Terceiro Conto é deveras uma história que nos envolve e absorve desde as primeiras até às últimas páginas. A jovem alfarrabista e biógrafa, Margaret Lea e a escritora famosa, Vida Winter, são as personagens centrais desta história. Só que «todos temos uma história», por isso todos os outros personagens merecem também uma atenção e, quem fica a ganhar é o leitor, pois no final não fica a magicar, nem a questionar - “mas então e a história daquele como é que terminou?” 

A narrativa começa com Margaret a receber uma carta de Vida Winter, convidando-a para escrever a sua biografia. A famosa escritora encontra-se na fase final da sua vida e não quer partir sem contar a verdade sobre a sua história, que sempre fez questão de esconder. Apesar de reticente, Margaret acaba por viajar até ao condado de Yorkshire para se encontrar com Vida. Já instalada na casa de campo da escritora, Margaret decide aceitar a proposta. E para que a história faça sentido, há que ter um princípio, meio e fim. Assim, começamos a desvendar os mistérios que envolvem a família Angelfield pelo princípio e sem hipótese de fazermos batota. A cada página que esfolhamos, é-nos dado a conhecer outros personagens, como o George e a Mathilde, a Isabelle e o Charlie, as gémeas Adeline e Emmeline, a Missus, o John-da-enxada, a Hester e o Ambrose, o Aurelius e a Mrs. Love, a Karen, o Tom e a Emma. E quanto mais sabemos, mais intrigados ficamos e mais queremos saber e, menos queremos deixar para descobrir no dia seguinte. 

Para além do mistério sobre o passado de Vida Winter, existe também uma outra curiosidade que todos os fãs dos seus livros querem descobrir. Treze Contos é a primeira obra da escritora, mas na realidade o livro só tem doze contos. Por isso, nas edições seguintes a obra é editada com o título Contos de Mudança e Desespero. O que aconteceu ao décimo terceiro conto?  

Quando disse que não sabia o que poderia escrever sobre O Décimo Terceiro Conto, queria simplesmente dizer que não queria revelar-vos demasiado desta história cheia de histórias, porque este é um livro que merece ser despido, página a página, pelo leitor.

6 comentários:

Jojo disse...

É um livro que quero há muito tempo ler!:) Tal como tu tenho lido muitas críticas excelentes!

Teté disse...

Pelo que descreves, fiquei com a curiosidade aguçada... Mas essa das gralhas em demasia, pois, não me agrada por aí além! Vamos ver se, até às férias, leio alguns dos que comprei na Feira do Livro deste ano. Depois, em Portimão, logo vejo se é de comprar mais algum... :)

Mas obrigada pela sugestão! :D

Beijocas!

tonsdeazul disse...

Vais gostar, Jojo! ;)


Também acredito que faz o teu género, Teté! As gralhas realmente aparecem com alguma frequência e tive de as referir aqui, porque é coisa que me irrita encontrar. Neste caso mais, porque considero que deveria ter havido um trabalho de revisão, uma vez que é uma nova edição pela Marcador. Mas a narrativa não deixa de merecer toda a nossa dedicação. ;) É uma história fascinante!

Paula disse...

Ai que tenho este livrinho em casa há tanto tempo :P a edição é da Editorial Presença.
Deixaste-me deveras curiosa!!!!!

Paula disse...

ah e gosto mais da capa da Presença :P

tonsdeazul disse...

Acredito que vás gostar da história, Paula.
Quanto à capa... apesar da outra ser muito inspiradora, esta é que me cativou. :p
Uma boa semana, com muitas leituras à mistura!

Pinturas populares (últimos 30 dias)