terça-feira, 4 de maio de 2010

um lugar sinistro e aterrador

Depois de ter lido o ano passado Rebecca, de Daphne du Maurier e ter gostado imenso de toda a envolvência da história e dos próprios personagens, senti uma certa curiosidade em ler o novo romance da autora, A Pousada da Jamaica. Este tem uma história simples, que basicamente gira em volta de Mary Yellan e das actividades sombrias que acontecem na pousada.
Mary é uma jovem de 23 anos que após a morte da mãe se vê obrigada a partir para a Cornualha para ir viver com os seus tios Patience e Joss Merlyn, que são os proprietários da Pousada da Jamaica.
No decorrer da viagem apercebe-se que a pousada não é vista pelos vizinhos como um lugar de boa fama e quando se encontra com a sua tia descobre que esta é maltratada pelo seu tio e por isso vive atormentada e em constante histeria. Determinada a mudar o rumo à situação e ajudar a sua tia, Mary decide permanecer na pousada.
Assim, nos primeiros dias, Mary começa a desconfiar que Joss está envolvido em negócios obscuros e que a pousada serve para esconder mercadoria e não para hospedar viajantes. O bar da pousada serve então como ponto de encontro entre o seu tio e os compinchas.
Uns dia depois Mary fica a conhecer também Jess, o irmão mais novo de Joss Merlyn, que é um ladrão de cavalos, mas o seu mau carácter não é impedimento para lhe arrebatar o coração!
Numa das suas investidas para descobrir a verdade, Mary fica a conhecer Francis Davey, um vigário albino, com quem acaba por desabafar todos os acontecimentos sinistros que se desenrolam na Pousada da Jamaica. Mas é num ataque de bebedeira, que Joss Marlyn desabafa todos os seus crimes a Mary, ficando esta a saber que o seu tio está envolvido em negócios de naufrágios.
Mary passa então por momentos complicados e após situações não esperadas, Joss faz-lhe prisioneira, juntamente com a sua tia. Contudo, Mary arranja forma de sair da pousada em busca de ajuda.

«Voltou-se para olhar a Pousada da Jamaica, sinistra e cinzenta, à medida que a noite se aproximava, com as janelas trancadas, e pensou nos horrores a que a casa assistira, nos segredos embutidos nas paredes, juntamente com as outras velhas recordações de festins, luzes e risos antes de Joss Merlyn ter projectado nela a sua sombra. Por último, virou-lhe costas, com a mesma determinação e repulsa com que uma pessoa se afasta instintivamente de uma residência de mortos, e encaminhou-se para a estrada.»

A partir daqui todos os acontecimentos encaminham-se para o desfecho final e quase sem surpresas, pois o leitor apenas aguarda pela confirmação das suas suspeitas iniciais.
Um romance sem personagens marcantes e que não chega a preencher com o mesmo arrebatamento de Rebecca, mas muito bem escrito e com romance, suspense e aventura q.b. que prendem o leitor nos lugares sinistros e perturbadores onde se desenvolve a acção.

7 comentários:

Manuel Cardoso disse...

Lembro-me de ter ficado encantado com Rebecca, há muitos anos... é uma autora que tenho de revisitar (como tantas outras :)

ematejoca disse...

Desta autora só li Rebeca, há já muitos anos, na língua inglesa, e nunca mais esqueci o princípio deste belo romance.

Grande parte da sua obra foi adaptada para o cinema, principalmente pelo mestre do suspense Alfred Hitchcock, que filmou Rebecca, pelo qual ganhou um Oscar de melhor argumento adaptado, The Birds e Jamaica Inn (um dos filmes de Hitchcock, que menos gostei).
O filme Don’t Look Now do realizador Nicolas Roeg, baseado num conto de Daphne du Maurier, e que se passa em Veneza, é um dos meus filmes preferidos.
O filme My cousin Rachel do realizador Henry Koster com Richard Burton e Olivia de Havilland também baseado numa novela dela, gostei imenso.

Teté disse...

Eu vi Rebecca em filme há muitos anos e lembro-me muitíssimo bem da história, daí não ter grande curiosidade em ler o livro. Mas tenho de ler alguma coisa desta autora, de que toda a gente diz maravilhas... :)

Beijinhos!

Paula disse...

Tenho Rebecca para ler :P
Beijinhos

su disse...

A Pousada da Jamaica foi um livro que me marcou muito...não só por ser um dos eleitos da minha mãe, como pelos ambientes descritos...li-o ainda era uma miúda. Depois veio a série com a Jane Seymour que seguia atentamente...são daqueles clássicos que valem muito a pena conhecer!

tonsdeazul disse...

Eu gostei muito mais de "Rebecca". Este soube-me a pouco, talvez por o fim não ter sido tão surpreendente. Caminhou para aquilo que eu já adivinhava. No entanto, não deixa de ser uma história muito bem escrita e com os ingredientes certo para que o leitor não desanime!
Não conheço essa série que referes, pelo menos que me lembre!

Livros e Outras Coisas disse...

Gosto bastante desta autora e dos cenários que recria. Aqui temos os piratas que também vi numa série, quando era pequena, chamada Poldark. O mar e os segredos que se tentam esconder...

Pinturas populares (últimos 30 dias)