quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Palavras para ti, Pai

 

Um mês sem ti, pai. 

Todos os dias conto mais um dia sem ti. Dizem que o tempo ajuda a atenuar a dor, o aperto no coração e que a saudade fica mais suave. Talvez seja assim, mas por agora choro-te pai. No silêncio, sozinha choro-te. Choro-te por já não estares connosco. 

Por ter-te visto ir todos os dias mais um bocadinho. Por ter sentido a vulnerabilidade da vida através de ti e saber que não podia fazer nada mais do que estar contigo. E essa sensação de impotência foi dilacerante. Não te consegui valer, meu pai. 

Porque a vida é assim mesmo, dizem-nos. Por isso, tive de aprender a gerir as emoções (quando ainda estavas connosco) e deixar-te partir.

Recordo estas últimas fotos que tirei-te com o teu neto e são o momento mais especial em que vos apanhei juntos. Ele a seguir as tuas pedaladas de ciclista e tu todo orgulhoso.

Por vezes, ele apanha-me num dia mais triste e pergunta-me se é por causa de ti que choro. Nesta última vez, ao dizer-lhe que sim respondeu-me: "- Sabes menina mãe quando eu fico triste, logo a seguir penso em uma coisa que me faz feliz."

E sabes o que me respondeu quando lhe perguntei no que pensa para ficar feliz? 

"- Penso muito em batatas fritas, na praia e no cinco que dava ao avô".

E são estas pequenas conversas com o teu neto que me fazem sorrir no luto da tua perda. Choro-te de saudade, meu pai. 

Seremos sempre cinco.

#sobreaperda #luto #vidaemorte

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

#saramago100

 


"Depois de muito caminhar, ainda o amanhecer vinha longe, achei-me no meio do campo com uma barraca feita de ramos e palha, e lá dentro um pedaço de pão de milho bolorento com que pude enganar a fome. Ali dormi. Quando despertei, na primeira claridade da manhã, e saí, esfregando os olhos, para a neblina luminosa que mal deixava ver os campos ao redor, senti dentro de mim, se bem recordo, se não o estou a inventar agora, que tinha, finalmente, acabado de nascer. Já era hora."
As pequenas memórias, José Saramago

Para celebrar o centenário de Saramago, estou a ler os Cadernos de Lanzarote. Pretendo ler todos até ao final do ano, sendo que iniciei o volume IV este mês.

Também comecei a ler As Pequenas Memórias. Para quem nunca leu o autor, este é um excelente livro para descobrir o Nobel.

Ler Saramago, sempre.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Adeus, meu pai


 «com a morte, também o amor devia acabar. acto contínuo, o nosso coração devia esvaziar-se de qualquer sentimento que até ali nutrira pela pessoa que deixou de existir. pensamos, existe ainda, está dentro de nós, ilusão que criamos para que se torne todavia mais humilhante a perda e para que nos abata de uma vez por todas com piedade. e não é compreensível que assim aconteça. com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano. esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder. foi como se me dissessem [...] vamos levar-lhe os braços e as pernas, vamos levar-lhe os olhos e perderá a voz, talvez lhe deixemos os pulmões, mas teremos de levar o coração, e lamentamos muito, mas não lhe será permitida qualquer felicidade de agora em diante.»
a máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

"serei eu quem me lembro de ser?"


Hoje trago-vos a banda desenhada  "O Pescador de Memórias" de Miguel Peres, com ilustração de Majory Yokomizo e prefácio do também autor e ilustrador, Edmond Baudoin.

A força desta capa, ilustrada por Lucas Pereira,  conseguiu transmitir tanto numa só imagem que rendi-me de imediato.

Depois foi a doença de Alzheimer que é um tema que mexe muito comigo. É bastante perturbador imaginar o perder da memória, a nossa identidade, tudo aquilo que somos e vivemos. Daí que adianto já que esta BD é tão bonita que dói.

O argumento de Miguel Peres prende e maravilha. Gostei especialmente de toda a simbologia que envolve de imediato o leitor. Digo ainda que, nem sempre todas as histórias têm inícios ou finais bonitos, mas Peres soube fazê-lo isso de forma sentida e inigualável.  

Em relação às ilustrações de Marjory Yokomizo, nem sempre as achei bonitas, mas a escolha em aguarela funciona maravilhosamente bem. Dá a harmonia perfeita à história.

Termino referindo o cuidado com os detalhes, destaque para a bonita lombada. Podem achar que não, mas os leitores gostam destas coisas.

domingo, 11 de setembro de 2022

A Feira do Livro de Lisboa veio aos algarves


Rescaldo da Feira do Livro de Lisboa. Tinha feito uma lista para 5, terminei com 13 livros. 

As voltas da vida não permitiram-me subir até à feira, mas ter marido e irmão a trabalhar em Lisboa e arredores fizeram com que os livros chegassem até mim. 

Este ano a hora H foi a culpada de ter-me esticado no orçamento. 

📚 Assim estendi a lista para autores/ilustradores: 

- de sempre: José Saramago, Afonso Cruz e David Machado, Paulo Galindro e João Fazenda

- recentes, mas que quero ler muito mais: João Reis, Eduardo Galeano, Carlos Drummond de Andrade

- novos: Itamar Vieira Junior, Pilar del Río, Marco Polo, Miguel Peres, Majory Yokomizo e Paco Roca

terça-feira, 30 de agosto de 2022

segunda-feira, 11 de abril de 2022

20| livrarias e bibliotecas no mundo

 Universidade do Algarve, Faro

As bibliotecas são os bancos do Saber e através delas podemos usufruir gratuitamente de autênticos tesouros.

Esta que partilho hoje convosco é especial para mim. É das mais bonitas da região do Algarve e localiza-se na Universidade, no campus de Gambelas.

Para além de um acervo de mais de 200 mil volumes impressos, a variedade atual dos recursos eletrónicos adquiridos pela UAlg possibilita, à comunidade académica, novas estratégias de pesquisa e acesso a documentos das diversas áreas do conhecimento. Destaco a Biblioteca do Conhecimento Online (b-on), as bases de dados bibliográficos e os livros eletrónicos.

Acrescento ainda que em seu redor, nasceu recentemente um jardim botânico.

Pinturas populares (últimos 30 dias)