quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O que é isto da felicidade?

Os dias andam cinzentos, as pessoas andam esmorecidas e David Machado decidiu falar do Índice Médio de Felicidade. Segundo a tabela, Portugal tem um Índice Médio de Felicidade de 5,7, numa escala de 0 a 10. Este valor é suficiente para questionar toda uma vida!

David Machado criou deveras um personagem otimista. Penso que nunca conheci uma pessoa assim. Será que é porque Daniel tinha um plano de futuro de vida? Talvez... Mas o plano teve de ser riscado várias e várias vezes. Nada parecia seguir de acordo com o plano há muito idealizado e escrito. 

«Passei várias noites debruçado sobre aquele caderno. O que é que falhou? Onde é que as costuras não ficaram bem apertadas? Não encontrei nada errado. Era um bom Plano. Justo. Era uma vida possível. Mas tentei reescrever tudo, adequar a minha ideia de futuro aos novos limites da realidade.»

A vida dele de um dia para outro levou um enorme abalo. Perdeu o emprego e por conseguinte deixou de poder pagar a prestação da casa. Marta, a mulher dele, também desempregada viu-se obrigada a migrar para casa dos pais em Viana do Castelo e levar os dois filhos, Flor e Mateus. Os seus dois melhores amigos já não o podem ajudar. Almodôvar cometeu uma loucura e foi preso e Xavier vive enclausurado em casa há mais de doze anos, em permanente ameaça de suicídio. O site de solidariedade criado pelos três amigos, com o intuito de as pessoas ajudarem-se entre si, é um insucesso e está condenado ao esquecimento. Vasco, o filho de Almodôvar, tornou-se um delinquente, consequência da ausência dos pais. E é neste cenário moribundo, decadente e sem esperança aparente, que Daniel tenta refazer o seu futuro. Será isto possível?

É bem verdade que somos feitos de fibra e de aço, mas até que ponto um homem consegue resistir a tantas adversidades, num curto espaço de tempo? Será que dá para continuar a acreditar num futuro quando tudo no presente está a ruir à sua volta? Será possível medir a felicidade numa equação matemática? Será que precisamos de tanto? Não teremos demasiadas distrações? Será que a vida e a felicidade são bem mais simples do que aquilo que desejamos e queremos? 

«Numa escala de 0 a 10, quão satisfeito se sente com a vida no seu todo?» 
É complicado.

As expectativas não são as mais favoráveis, mas Daniel é um resistente, que insiste em não querer baixar os braços. Amanhã há de ser melhor. Daniel é o homem que é obrigado a refazer o seu plano de futuro diariamente. Onde a sua noção de felicidade está em constante revisão. E mesmo assim continua sempre a acreditar. Parece que nada o abala, porque não quer desistir. Talvez Daniel seja o herói que nos dias de hoje já escasseiam em Portugal.  

David Machado já tinha surpreendido com O Fabuloso Teatro do Gigante, por isso este Índice Médio de Felicidade já augurava grandes expectativas. Esta é uma história audaciosa, que pode bem ser a realidade de alguns de nós e que conta até com uma viagem um tanto ao quanto irreal, mas mirabolante. E ainda assim, consegue transmitir esperança e futuro num cenário de constante queda, desespero e desistência.

E assim começo o ano. A escrever sobre a minha última leitura de 2013. Um ano que foi bastante fraco em leituras. 7 foram os livros lidos. Foram tão poucos que até posso enumerá-los, sem cansar: Bom Inverno de João Tordo; Portugal Hoje - O Medo de Existir de José Gil; O Doutor Jivago de Boris Pasternak; A Luz de Stephen King; Vinte e seis e mais uma… de Máximo Gorki; A Desumanização de Valter Hugo Mãe e este que hoje vos falei.

Boas leituras para 2014!

8 comentários:

Marcador disse...

Olá!
O livro convida à leitura.

Paula disse...

Ainda bem que voltaste aos teus comentários :)
Já tenho este livrinho :) daqui a uns tempos vou ler.
Abraço

Mar Arável disse...

Tudo pelo melhor

a despertar relâmpagos

Teté disse...

Olha, fiquei com vontade de ler o livro... :)

Quanto às leituras serem poucas, ora, antes poucas mas boas e que a pessoa não viva apenas enfurnada com o nariz enfiado num livro. Há vida fora das páginas... por muito boas que estas sejam! :)

Um FELIZ 2014 para ti e uma grande beijoca!

Manuel Cardoso disse...

Esse livro do José Gil devia ser de leitura obrigatória. Continuamos a ser os tristes herdeiros de Salazar.
Leste pouco mas leste bem :)

Joao disse...

http://www.olx.pt/userlistings/10700309 quem quiser bons livros basta seguir este link (peço desculpa pela intromissão)

MJ FALCÃO disse...

Boa noite! Só para dizer como gosto do Doutor Jivago, de Pasternak! Foi com certeza um momento maravilhoso!
Bom Ano!

drm disse...

mas que interessantes questões! uma leitura a descobrir :)

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