terça-feira, 17 de dezembro de 2013

É complicado.

Glencoe, Escócia

«Como é que é a pergunta?
Numa escala de 0 a 10, quão satisfeito se sente com a vida no seu todo? Depois acrescentou: Não sejas precipitado a responder, Daniel.
[...]
A minha resposta. 8,0.
Eu disse para não te precipitares.
Não me precipitei.
Estiveste calado três minutos e depois disparaste um número que, supostamente, representa o teu grau de satisfação com a vida.
É o meu número.
E, em três minutos, passaste em revista toda a tua existência, contabilizaste tudo, ponderaste todas as variáveis?
Sim. Acho que sim. Quanto tempo é que tu demoraste?
Foda-se, Daniel, eu estou nisto há duas semanas e mesmo assim ainda sinto que não estou a pensar em tudo.
Duas semanas, Xavier? Isto não é um problema de matemática.
Na verdade, até é. Mas, antes disso, é a tua vida. Não podes resolvê-la em três minutos. Repito: a maior parte das pessoas não percebe nada de felicidade.
A tua resposta é 4,4 e eu não percebo nada de felicidade.
Estás a interpretar-me mal. Eu não disse que não sentias felicidade. Sentes. Apenas não a percebes.
E tu percebes?
Eu percebo da minha felicidade. É uma equação como outra qualquer que tive de preencher com variáveis e constantes e ponderadores e depois ligar tudo com os sinais certos.
Variáveis? Quais variáveis?
Amigos. Amor. Tempo Sonhos. Sede. Dores de barriga. Esperança. Inveja. O sabor da comida. Esse género de merdas.
Eu ri-me.»
Índice Médio de Felicidade, David Machado

3 comentários:

Mar Arável disse...

Vagarosos instantes

Abraço

Teté disse...

Devem ser putos novos, para tentarem medir a felicidade... :)

Beijocas!

susemad disse...

Vagarosos e fugases, Mar Arável!
Abraço e Feliz Natal!


Olá Teté,
Por acaso os personagens da história até são adultos, mas na sociedade atual são vistos mais como jovens, afinal só têm pouco mais que 30 anos...
Está a ser uma leitura bastante motivadora. ;)
Beijinhos e Feliz Natal

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