domingo, 10 de agosto de 2014

«a difusão do saber é um risco»

«Se me oferecessem a sabedoria com a condição de a guardar para mim sem a comunicar a ninguém, não a quereria.» 
Lúcio Aneu Séneca

O catalão Eduardo Roca foi o autor escolhido para a leitura de praia deste ano. Apesar de A Oficina dos Livros Proibidos não ser propriamente um livro de fácil transporte, pois tem 559 páginas, estava curiosa por o ler o quanto antes.

Os primeiros capítulos do romance não foram fáceis de captar-me a atenção. Tive até alguma dificuldade em ficar presa à história. Contudo, fui sempre insistindo e aos poucos e poucos o autor conseguiu que me embrenha-se na leitura até ao ponto de já não ser tão fácil de largar.

Com A Oficina dos Livros Proibidos viajamos até ao século XV. Entre capítulos alternados, o autor dá-nos a conhecer os diferentes personagens de Colónia, a cidade mais antiga do Império. Lorenz Block, o ourives, e a sua filha Erika, Nikolas Fischer, o copista, e o seu filho Alonso, Ilse ou Olga, a criada de Nikolas e apaixonada de Lorenz, Heller Overstolz, o burgomestre, Dieter von Morse, o arcebispo, são alguns dos personagens que vão mudar o rumo da História. 

A Europa continua empestada de superstições e velhas crenças e o saber ainda está ao alcance de alguns, mas um grupo de eruditos pretende mudar a forma como o povo tem acesso ao conhecimento. O círculo é bastante restrito e reúne-se na clandestinidade para não levantar suspeitas. São eles, o padre Martin Wahrheit, o livreiro  Johann Buchmann, o comerciante Yago e os professores Stan Weigand (especialista na ciência da vida), Leopold Trimm (especialista na anatomia do homem), Merrill Severin (mestre em ética), Ritter Griep (artista do pincel) e Ulbrecht Harde (um estudioso e apaixonado dos textos greco-latinos). 

Cedo Lorenz Block passa a fazer também ele parte deste grupo clandestino, pois terá um papel importante na difusão do saber ao criar uma prensa. Com esta invenção, Lorenz consegue imprimir vários exemplares em menor tempo que um copista. O ourives tem consciência que o perigo está à espreita, mas já não consegue parar o inevitável. Há um desejo maior. Um compromisso. O de difundir, através dos livros, o conhecimento. Não podia deixar de lutar, em memória dos seus amigos que perderam a vida em defesa deste bem comum.

Mais tarde esta aventura leva-lhe até Estrasburgo, onde conhece Johannes Gutenberg. Este personagem histórico confessa-lhe que pretende voltar à sua terra natal, Mogúncia, e assim fabricar a sua própria imprensa, pois «Ninguém pode deter o progresso. E menos ainda o cabeçudo Johannes Gutenberg!»

Como A Oficina dos Livros Proibidos tem um ambiente de época envolvente e o tema histórico é bastante atrativo, o leitor não desiste. Mesmo assim, Eduardo Roca peca por desenvolver devagar. No meu entender, são capítulos a mais para pouca ação.

2 comentários:

Teté disse...

Pois é, minha amiga, quando o autor peca por pouco ritmo inicial, chamemos-lhe assim, na maior parte das vezes ponho de lado e já não volto a ler...

De resto, e apesar desse "defeito", o enredo parece-me interessante. :)

Beijocas e continuação de boas leituras!

tonsdeazul disse...

Olá Teté,
A verdade é que é mesmo essa, porque na verdade há muitos livros para ler. ;) Só que desta vez, apesar de ser lento, a história valia por si.
Beijinhos

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