quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

"à conquista do Chile"

«Assumi com porfia e obstinação o trabalho de fundar, que no Novo Mundo é responsabilidade das mulheres. Os homens só constroem povoações temporárias para nos deixarem lá com os filhos, enquanto continuam a sua incessante guerra contra os indígenas.»

Uma conversa de circunstância com uma amiga levou-me até um livro que tinha algures nas minhas prateleiras de livros não lidos. Tinha a certeza que o tinha, por isso, assim que cheguei a casa procurei-o e nessa mesma noite iniciei a leitura de Inés da Minha Alma de Isabel Allende. Trata-se de um romance histórico, um género bem diferente dos outros dois que tinha lido da autora, Paula e A Cidade dos Deus Selvagens

Isabel Allende dedica quatro anos a “ávidas leituras” para debruçar-se sobre a história do Chile e, principalmente, sobre os seus protagonistas, Inés Suárez e Pedro de Valdivia. Inés tem um papel determinante na fundação de Santiago e na conquista do Chile. No entanto, o seu protagonismo “foi quase esquecido pelos historiadores durante mais de 400 anos”. Por isso, a autora dá voz a esta mulher de armas que não se deixa intimidar ao primeiro sinal de perigo. É Inés Suárez quem nos conta a história; enquanto a escreve para a sua filha de criação, Isabel. 

Inés Suárez nascida em Plasencia (Espanha), parte para o Novo Mundo em 1537 para encontrar o seu marido, Juan de Málaga. No Peru descobre que o marido morreu numa batalha e meses depois, apaixona-se por Pedro Valdivia, um militar espanhol de Villanueva de la Serena, que é casado com Marina Ortiz de Gaete. Este tinha embarcado sozinho para a América para colocar-se ao serviço do rei de Espanha, Carlos V, combatendo ao lado de Francisco Pizarro. Só que o Peru era um “país dilacerado pela insídia e corrupção”, onde todos apenas procuravam o El Dourado, daí que Pedro Valdivia estava determinado a partir à conquista do território do Chile. Assim, juntamente com Inés empreende uma expedição que os leva a fundar a cidade de Santiago em fevereiro de 1541. Mais tarde, situações adversas obrigam Inés Suaréz a separar-se do amante Pedro Valdivia e a escolher Rodrigo de Quiroga como seu marido, pai de Isabel e o homem que ama até ao fim dos seus dias. Por sua vez, Pedro Valdivia consegue estender as suas conquistas, fundando novas cidades como La Serena, Concepción, La Imperial e Valdivia, morrendo em dezembro de 1553. 

Neste romance heróico, Isabel Allende apenas interliga os factos reais para dar vida a uma narrativa apaixonante. Inés Suárez é sem dúvida a personagem mais marcante da obra, sendo que neste relato temos uma autêntica aula de História sobre a conquista do Chile. Uma obra viciante!

14 comentários:

N. Martins disse...

Comprei esse na última Feira do Livro de Lisboa. Ainda não o li mas conto fazê-lo brevemente. Gosto muito de Isabel Allende. :)

Teté disse...

Este se calhar vou ler, porque tenho uma amiga que leu quase todos os livros dela e os tem. Dela só li "Paula" e "A Soma dos Dias" que é uma espécie de continuação do primeiro... E gostei, evidentemente, embora haja quem diga que ela tem livros muito bons e apaixonantes e outro que não são grande coisa! Opiniões, está claro! :)

Beijocas!

tonsdeazul disse...

Pois eu sei que sim, N. Martins! ;) Tanto sei, que antes de começar a ler ainda fui ver se já o tinhas lido para ter uma outra opinião... Como não tinhas nada nas opiniões supus que não o tivesses lido.
Agora quero ler ainda este ano "A Casa dos Espíritos" que também tenho cá por casa.


Lê sim, Teté! Tenho a certeza que vais gostar bastante desta narrativa bem diferente dos que referes.
Beijinhos

Landa disse...

Gosto muito de Isabel Allende. Este ainda não li, apesar de o ter cá em casa. Dos que li dela, a "Casa dos Espíritos" foi o que mais gostei, sendo um dos meus livros favoritos.

Boas Leituras!

tonsdeazul disse...

Então parece que enquanto eu vou ter que colmatar a minha falha com "A Casa dos Espíritos", tu terás que ler este, Landa! ;)
Boas leituras debaixo das mantas!

Paula disse...

Tenho de ler a autora :P
Abraço!
Estou a terminar "Orlando" e é a tua "cara" :)
Tenho a certeza que vais gostar muitooooo!
Abraço!

tonsdeazul disse...

Sim tens de ler, Paula! E também considero que vais gostar da escrita de Isabel Allende.
Opá! Agora ainda me deixaste pior... :( É que andei, andei para o comprar, como te tinha dito, naquela coleção do Público e acabei por não comprar. E agora vens tu dizer-me que é a "minha cara"!! Vou ter de lê-lo, está claro! :)
Beijinhos

André Nuno disse...

Tons de Azul,
decidi começar a ler a autora pelo através do seu livro mais recente, que me pareceu bastante interessante. Se gostar, como espero, irei avançando nas suas obras.
;)

Mária Santos Neves disse...

Deu vontade de ler o livo, Isabel Allende é maravilhosa...Parabéns pelo blog!!Agradeço a sua visita no meu (http://todolivro.blogspot.com).
Abçs, Mari

tonsdeazul disse...

Este último parece-me ser bastante apelativo, André Nuno. Depois logo partilhas a tua opinião connosco. ;)
Boas leituras!


Gostei muito deste, Mária! É mesmo daqueles livros viciantes.
Andei à procura do livro por estes lados e apenas encontrei na versão inglesa. Tenho de o comprar, pois fiquei mesmo entusiasmada com a história. :) E numa próxima que viajar até Paris não vou deixar escapar esta maravilha de livraria. ;)
Abraços

teresa dias disse...

Espreitei o teu cantinho e gostei. Vou voltar mais vezes.
Li este livro em 2006 e também o considerei uma aula de história, como tu dizes.
Sabias que Isabel Allende começa a escrever os seus romances sempre a 8 de Janeiro? Diz que lhe dá sorte.
Sorte temos nós em poder lê-los.
É uma escritora fabulosa!

tonsdeazul disse...

Sim realmente está tão bem contado que assim vale a pena aprender História, Teresa! Digo isto, porque nunca foi a minha disciplina favorita no secundário. Tenho vindo a apreciá-la nestes romances. ;)
Não tinha conhecimento desse pormenor. Sempre a aprender curiosidades e manias dos escritores. E sim ainda bem que temos escritores como ela! :)

Jojo disse...

Nunca li Isabel Alende. Estive tentada a ler A Casa dos Espíritos ou o Zorro, mas agora para encontrar livros dela só no alfarrabista.

tonsdeazul disse...

Então tens de ler algo da autora, Jojo. Tenho a certeza que vais gostar! Costumo encontrar os livros dela nas livrarias. Não todos, mas os mais conhecidos encontras de certeza em qualquer livraria. Isto se estiveres pelo continente... ;)

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