terça-feira, 7 de julho de 2009

"Ele foi Mattia Pascal"

«Uma das poucas coisas, aliás, talvez a única que eu tinha a certeza de saber, era esta: chamava-me Mattia Pascal. E aproveitava-me disso. De todas as vezes que algum dos meus amigos ou conhecidos demonstrava ter perdido o juízo até ao ponto vir visitar-me para obter algum conselho ou sugestão, eu encolhia os ombros, semicerrava os olhos e respondia-lhe:
- Eu chamo-me Mattia Pascal.»


Ele foi Mattia Pascal, de Luigi PirandelloAssim começa a história Ele foi Mattia Pascal, de Luigi Pirandello.
Nada sabia sobre a história. Nem nada sabia sobre o autor. E foi assim sem expectativas que iniciei a leitura deste extraordinário romance de Pirandello.

Mattia Pascal era um bibliotecário que levava uma vida igual à de todos os dias. Era casado, mas o seu casamento já não fazia sentido algum. Tinha de partilhar a casa com a sua sogra que lhe infernizava todo o santo dia. E como se isso não fosse já mais do que suficiente ainda era perseguido pelos credores.
Um dia cansado de tudo e de todos, decide viajar até Monte Carlo. Com ele leva apenas alguns trocos no bolso, que aproveita para jogar na roleta do casino. Nada lhe dizia que iria sair de lá rico, mas saiu.
Alguns dias depois apanha o comboio de regresso a casa, mas algo insólito acontece. Mattia Pascal lê num jornal a notícia da sua morte. E em questão de segundos, ele imagina-se livre e ainda por cima rico. O corpo erradamente identificado que continuasse a ser Mattia Pascal, porque ele agora teria uma nova vida e uma nova identidade. Seria Adriano Meis. Um homem pronto para viver finalmente a sua vida de sonho.

Mas estaria o homem que foi Mattia Pascal pronto para deixar de o ser?
Surgem então os problemas de Adriano Meis. Este não consegue ser Adriano Meis, porque, nos seus pensamentos, vive em conflito com o Mattia Pascal que foi. A liberdade que supunha que iria ter afinal prende-o e sufoca-o. Não é livre, nem tem identidade. É apenas uma sombra daquilo que foi e um dia a questão da morte assombra-lhe o pensamento. Pois se Mattia Pascal não morreu verdadeiramente, então ainda lhe faltava morrer! Como pôde Mattia Pascal acreditar que Adriano Meis teria a eternidade toda pela frente? Ah pois é! Seria altura de voltar a ser Mattia Pascal? De regressar à sua cidade natal e voltar para a sua vida monótona?

Leiam e desfrutem deste estonteante romance escrito em 1904, porque nada mais vos conto. Fiquei fascinada com a escrita de Pirandello. Simples, com humor e irónica. No final desta leitura, é impossível não ficarmos com os pensamentos aos saltos.

5 comentários:

Teté disse...

Hummm... parece-me deveras interessante! Não será para já, mas quem sabe um dia destes?

E tu sabes que costumo seguir as tuas dicas no que se refere a livros, não é? Não há tempo é para ler mais... (quer dizer, havia, mas não me apetece deixar de blogar, e de ver televisão já desisti...)

Beijocas!

tonsdeazul disse...

Olá Teté,
Tenho a certeza que vais gostar desta história. :)
Sim, bem sei que segues as minhas dicas literárias. O que me faz ter uma responsabilidade acrescida! :)
Beijinhos e aproveita bem o fim-de-semana, que o meu vai ser praticamente passado a trabalhar!

Teté disse...

PARABÉNS!!!

Apesar desse trabalho de fim de semana espero que tenhas um bom dia de aniversário e alguns momentos para o poderes comemorar, junto com os teus familiares e amigos!

Grande beijoca para ti, desejando-te muitas felicidades, hoje e sempre! :D

mixtu disse...

os pensamentos aos saltos
algo já presente na escrita... o morto vivo, o vivo morto mas como relataste... deu vontade de ler pelo humor e ironia de que falas...

abrazo serrano e boas leituras

Paula disse...

Parece-me muito bom. Gostei do teu comentário. Um livro que acaba por nos fazer reflectir. Será?
Abraços

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