quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Confidências na adolescência

Praia do Baleal, Peniche

Aos quinze anos conheci um rapaz simples. Simples nos gestos e simples nas palavras. Ficámos amigos naquele mesmo instante. Tornámo-nos confidentes de praia, pois contemplávamos o mesmo mar. Ele esperava pelas ondas todas as manhãs e todos os fins de tarde. E eu enquanto o observava a deslizar sob a brancura daquelas ondas, esquecia-me de mim. 
Um dia olhou a imensidão do mar e, quando o seu olhar alcançou a linha do horizonte que toca o Céu, disse-me no seu tom mais sério: 
- Sabes… Eu não deixarei a velhice entrar no meu corpo. As minhas mãos não chegarão a sentir as suas rugas. A Morte chegará antes até mim. 
E naquele fugaz momento o silêncio chegou e entrou em nós.

4 comentários:

Manuel Cardoso disse...

esse tom triste a lembrar uma balada de Eric Clapton...
essa beleza que vem da tristeza...

Teté disse...

Há pessoas que nos dizem tanto, nos seus silêncios...

Beijocas!

mixtu disse...

o silencio
os silencios
confidentes
a morte chega sempre antes de tudo...

abrazo serrano

humming disse...

Um beijinho*

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