Dois
Um olhou.
Olhou.
E foi olhado.
Tanto olhou e foi olhado
Que se consumou.
Tanto se consumou,
Olhando e olhado,
Que não pestanejou.
Não pestanejou
Não fechou
Olhou mas não viu.
Consumou-se. Consumiu-se e secou.
Nunca mais olhou.
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Autora: Humming
Blogue: http://omeusussurro.blogspot.com/
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
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8 comentários:
Este é o meu poema favorito.
Uma escrita profunda e faz-nos pensar...
Podemos interpretá-lo de várias formas... é nisso que a poesia é fabulosa.
Força.
"Dois"! O encontro de "dois" olhares.
Olharam-se... E então um consumou-se... Depois secou e não mais olhou...
Porque secou?
Porque não mais olhou?
Porque partiu...
Digo eu...
Não sei se querem que explique... Posso dar uma achega. Mas não sei até que ponto será interessante. É que estão ambos muito frios. ;)
De qualquer forma:
Ninguém se consumou. O olhar levou a que algo se consumasse.
O acto de olhar sem pestanejar, sem descanso, é metafórico... O que é demais acaba por estafar. O secar tem dois lados, o secar dos olhos e do que se sentia (por ter sido imediato, ininterrupto,irreflectido - existe aquela expressão "sem pestanejar"). O que havia deixou de haver. Consumiu-se.
Nunca mais olhou, porque deixou de fazer sentido. Deixou de querer olhar. Não precisava.
Aqui fica um resumo de parte do que aquilo que escrevi significa.
Desiludidos? ;)
Humming, olá
Interessante a tua explicação!
Ao ler o teu poema não tinha levado para esse lado...
Realmente a perspectiva de quem lê é sempre diferente de pessoa para pessoa. :)
Um beijinho
Bonito.
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