segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Viajar pela Europa em sketches

Não consigo precisar a data exata em que comecei a acompanhar a viagem do Luís Simões, mas foi praticamente muito próximo de quando iniciou a sua aventura pela Europa em 2012. 

Na altura, seguia-o no Facebook e lia muitas das suas histórias através do seu site. Gostava da sua forma entusiasta de desenhar o que o seu olhar captava. Tanto podia ser uma praça, um prato delicioso ou um pequeno detalhe. De país em país, lá seguia com os seus cadernos e pincéis para pintar o mundo em sketches. Ele ia partilhando os seus sketches e nós que o seguiamos íamos sonhando com esses destinos. Nessa época, sentia que o Luís, apesar de todos os receios e de alguma inocência até, tinha um sonho maior que ele e isso era o seu combustível para continuar a seguir caminho. 

Agora, nove anos depois, o Luís materializa os seus skeches num livro. E isto só podia dar algo de muito fantástico! Por isso, é que foi com entusiasmo que apoiei este projeto. Ler o World Sketching Tour - Europa foi relembrar uma viagem, como se também eu a tivesse feito. Mesmo que numa visão completamente diferente, esta leitura trouxe-me algumas dessas memórias passadas.

A forma como o Luís enquadrou os seus sketches dessa altura, introduzindo outras ilustrações para contar a história das suas aventuras de caravana pela Europa com os pais e de mochila sozinho, está muito boa. Tanto que o livro lê-se num bom par de horas e no fim deixa saudades. 

Esta história ilustrada emociona, porque ao lê-la sei que foi real. Aconteceu. Claro que o Luís que iniciou  viagem em 2012 já não é o mesmo. Para além da Europa, percorreu ainda a Ásia, Oceânia, África e América Latina. Mais recentemente fez a volta a Portugal de bicicleta e sempre a desenhar. E quem o acompanha, nota bem a  evolução da sua técnica ao longo dos anos, sendo que a essência e o entusiasmo inicial permanecem.

Nota: Na foto, as oito ilustrações à volta do livro são cópias feitas por outros sketcheres, que o Luís foi conhecendo ao longo da viagem. 

terça-feira, 20 de julho de 2021

"Cabeça no Ar, Pés na Terra."


"Pés na Terra" de Raquel Ochoa é uma viagem intensa de sensações por alguns países do Mundo. Começamos pela Ásia, damos um salto à Oceania e logo a seguir viajamos até África para terminarmos com os pés na terra novamente na Ásia.

Raquel Ochoa descreve-nos as suas viagens com uma real transparência que, para além de visualizarmos os diferentes contrastes da paisagem, quase conseguimos sentir os cheiros envolventes. Nas suas aventuras e desventuras, vamos caminhando ao sabor da poeira dos seus passos, do cansaço ou da adrenalina, da curiosidade em interagir ou de ser apenas observadora. Nesta sua forma honesta em sentir os lugares, vamos desmistificando ou construindo a nossa perceção sobre os lugares. 

Assim, a sua experiência confronta-nos, desafia-nos e leva-nos a sair da zona de conforto. A ir além do evidente e a ter fome de mundo.

Por isso, continuo a querer fazer trekking no Nepal. Tenho vontade de descobrir o carrossel de emoções e cores da Índia e do Sri Lanka. Quero concretizar o quanto antes a viagem de sonho à Nova Zelândia, mas acho que vou evitar viajar pelo país de autocarro. Ao sabor da morna, já juntei à minha lista de viagens alguns trilhos pelas ilhas de Cabo Verde. Já o Senegal, confesso que deixou-me algo apreensiva e não sei se gostaria de conhecer. Das Filipinas nasceu alguma curiosidade, mas viajar até ao Japão e Hong Kong é cada vez mais um desejo.

Ao longo dos capítulos, a autora intercala a narrativa com momentos da História do país ou até algumas curiosidades, que enriquecem a nossa viagem por estes países longínquos, que em nós vão ficando cada vez mais próximos.

Para ler ao sabor da vontade em viajar com a "Cabeça no Ar, Pés na Terra." 👣

sexta-feira, 18 de junho de 2021

19| livrarias e bibliotecas no mundo

Azinhaga, Portugal

"Nós somos muito mais da terra onde nascemos, e onde fomos criados, do que imaginamos."

No dia em que se assinalam 11 anos da morte de José Saramago, partilho o dia em que visitei a delegação da Fundação José Saramago, em Azinhaga.

Foi no início deste mês que finalmente consegui visitar este espaço e a emoção foi grande. As lágrimas correram-me pela face e eu deixei que elas caíssem. Afinal estava na terra do mestre e este meu amor pelo autor teve necessidade de transbordar ali. 

Depois aproveitei para trocar dois dedos de conversa sobre o autor com a senhora que nos recebeu. Com muita pena não perguntei o nome, mas refiro que foi de uma enorme simpatia. Deixou-nos à vontade para explorar o espaço dizendo: "Fiquem o tempo que quiserem. Não precisam de ter pressa. Podem abrir as janelas para entrar mais luz, tirar fotografias ou até ver um filme sobre Saramago." 

Disse-nos que foram as gentes da aldeia que ajudaram a compor os espaços da cozinha e do quarto, com alguns utensílios da época. Explicou-nos o porquê da delegação ter saído das anteriores instalações para esta antiga Escola Primária, pois aqui havia mais espaço para ter uma sala/auditório. Avisou-nos que tínhamos de ir até ao antigo espaço para ver a estátua de Saramago e que também havia um pequeno passadiço junto ao rio, com citações do autor ao longo do percurso.

No final ofereceu-se para me tirar uma fotografia junto à fotografia do autor que está logo na entrada e disse: "Divulguem. Falem da Fundação em Azinhaga. Visitem-nos. Estamos abertos."

Foi uma manhã memorável. Fiquei de coração cheio. 

A melhor honra que podemos fazer em sua memória é ler a sua obra.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

"Árvores Inteligentes"

 

Sistelo, Portugal

"Somos uma sociedade interligada. Estamos ligados à família e aos amigos, mas também aos nossos deveres e funções. Estamos ligados por redes informáticas, linhas telefónicas e cruzamentos rodoviários. O mundo que nos rodeia está em constante movimento e crescimento.

Deixamos as nossas casas de madeira para plantar uma floresta artificial de betão, vidro e metal. Não é fácil escapar a um mundo onde tudo está ligado, para passar algum tempo na floresta, onde procuramos sossego e descanso das nossas vidas agitadas. Esperamos encontrar uma espécie de sabedoria na floresta, mas não entendemos a voz da natureza. Se estas árvores pudessem falar... 

Mal sabemos nós que no meio deste mundo de silêncio as palavras correm de um lado para o outro. Basta-nos olhar para baixo e escutar, as nossas raízes." 

▶️ Documentário Árvores Inteligentes, disponível na RTP Play

terça-feira, 11 de maio de 2021

O nascer do dia

Ria Formosa, Faro

"Parece que existe no cérebro uma zona específica, que poderíamos chamar memória poética e que regista o que nos encantou, o que nos comoveu, o que dá beleza à nossa vida."
A insustentável leveza do ser, Milan Kundera

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Esta é a minha língua

Ria Formosa, Faro

Tenho que dizer

Amo a língua portuguesa!

Esta língua que sorri,

Que ampara,

Abraça,

E beija-me.

Esta língua que brota riqueza,

Que é mutável,

E cheia de musicalidade.

Esta língua de pertença,

Que é o meu ADN,

O meu chão,

E a minha saudade.

Dia Mundial da Língua Portuguesa

domingo, 11 de abril de 2021

Trilho das Brandas do Sistelo

Percurso: Pedestre 
Localização: Sistelo, Arcos de Valdevez
Distância aproximada: 8,55 km 
Duração aproximada: 6 horas
Grau de dificuldade: Moderado 

O percurso pedestre de pequena rota das Brandas do Sistelo localiza-se na Serra da Peneda, na aldeia de montanha de Sistelo. A caminhada circular tem início junto ao Castelo de Sistelo e daí segue-se por entre o casario e espigueiros. Depois de uma descida por umas escadas pronunciadas, segue-se caminho por um carreiro que nos conduz ao início da subida. Daqui para a frente o grau de dificuldade exige mais pausa e descanso, principalmente se o trilho for feito em agosto, como foi o nosso caso. Contudo, as belas paisagens dos socalcos de Sistelo e a paisagem infinita sobre a Serra compensam todo o esforço.

Por causa de obras na estrada, tivemos de fazer um desvio para chegar ao Sistelo. Contudo, o GPS baralhou-se e acabámos por nos perder. Sorte que encontrámos um senhor que nos ajudou e seguindo na sua mota levou-nos até a um ponto que poderíamos seguir caminho sem perder a rota. Este imprevisto fez-nos iniciar o percurso pedestre bem mais tarde do que o previsto. 

Assim, fizemo-nos ao caminho de passada lenta e sem pressas, pois não existiam horários, nem metas para cortar. Apenas um prazer por explorar o caminho, por descobrir mais além, por dar mais um passo até ao destino. Por vezes, o fim parecia tão longe que derrubou-nos, mas só por breves instantes. O cansaço e o calor de agosto marcaram o compasso ou a pausa da caminhada. E nesta nossa vagareza, conseguimos chegar ao Bosque Encantado mesmo a horas de fazer a nossa pausa para o almoço.

Após o almoço e o merecido descanso, seguimos caminho para iniciar a descida para a aldeia de Sistelo. Não sei se foi de já ter as forças recuperadas, mas daqui para a frente os meus olhos ficaram completamente maravilhados com toda a beleza envolvente. Todas as desculpas foram válidas para mais uma pausa.

Pinturas populares (últimos 30 dias)