segunda-feira, 11 de abril de 2022

20| livrarias e bibliotecas no mundo


 Universidade do Algarve, Faro

As bibliotecas são os bancos do Saber e através delas podemos usufruir gratuitamente de autênticos tesouros.

Esta que partilho hoje convosco é especial para mim. É das mais bonitas da região do Algarve e localiza-se na Universidade, no campus de Gambelas.

Para além de um acervo de mais de 200 mil volumes impressos, a variedade atual dos recursos eletrónicos adquiridos pela UAlg possibilita, à comunidade académica, novas estratégias de pesquisa e acesso a documentos das diversas áreas do conhecimento. Destaco a Biblioteca do Conhecimento Online (b-on), as bases de dados bibliográficos e os livros eletrónicos.

Acrescento ainda que em seu redor, nasceu recentemente um jardim botânico.

segunda-feira, 21 de março de 2022

Primavera poética

Monchique, Portugal

"Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."
Poemas escolhidos, Alberto Caeiro
(Dia Mundial da Poesia e da Árvore)

sexta-feira, 18 de março de 2022

"A menina com os olhos ocupados"


A Menina Com os Olhos Ocupados de André Carrilho podia ser um livro do meu filho, mas não. Foi-me oferecido pelo meu irmão mais novo em 2020, que já me conhece bem e sabia que só um livro conseguiria acordar-me para o que ele andava a dizer-me e eu nem lhe ligava. 

Com ilustrações fabulosas e uma história de alerta, André Carrilho conta-nos os dias desta menina que estava sempre com os olhos colados a um ecrã.

Estavam tão ocupados que não via a magia da vida a passar por ela. E os dias e as noites sucediam-se uns atrás dos outros e a menina "nem vê os cometas, estrelas ou planetas que passam depressa pela janela."

Até ao dia em que sentada na montanha-russa, de olhos ocupados, "uma curva mais apertada ATIRA o telefone para a calçada!"

A menina fica triste, desconsolada e sem nada na mão. Mas será que está só?

Ao olhar à volta, de "olhos libertos", a menina encontrou amigos para conhecer. Pois "É bom ter os olhos desocupados!
É bom ver mais longe, pra todos os lados!"

Um livro com uma excelente lição, que reli para a iniciativa #marçoilustrado de @na.cama.com.os.livros e da @silveria.miranda

André Carrilho ganhou o ano passado o Prémio Nacional de Ilustração com este livro.

segunda-feira, 7 de março de 2022

Livros da minha biblioteca para a Semana da Leitura


Até 11 de março celebra-se a Semana da Leitura e a convite do Plano Nacional de Leitura gostaria de vos falar de alguns livros da minha biblioteca.

Optei por vos falar de livros que li entre a minha adolescência e juventude, porque foi a época mais voraz e saciante. 

Os livros fazem parte de mim. É neles que encontro as respostas às minhas inquietações e o meu escape para a sanidade.

Um livro que marcou a minha adolescência foi A Lua de Joana de Maria Teresa Maia Gonzalez. Esta foi uma história forte para a altura e a sua personagem acompanhou os meus pensamentos por muitos anos.

Outros dois livros que também recordo constantemente são O Mundo de Sofia de Jostein Gaarder e o Memorial do Convento de José Saramago. O primeiro por toda a questão filosófica que nos faz pensar e a colocar muitos porquês. Foi sem dúvida dos livros mais fascinantes que li aos 13 anos. Já o universo mágico e místico dos personagens do Memorial fizeram com que até aos dias de hoje eu jamais esquecesse a história de Baltasar e Blimunda, a passarola, os frascos das vontades. 

Depois na ânsia de tentar perceber o porquê do Holocausto, lia tudo o que encontrava. Foi assim que descobri Sem Destino de Imre Kertész, um livro que podia ser igual a tantos outros, mas não. O autor quis mostrar o lado bonito dos Campos, mas nas suas palavras suaves está toda a dor. 

Destaco ainda Cisnes Selvagens de Jung Chang. Uma história poderosa passada na China e que relata a vida de três mulheres: avó, mãe e filha. Este romance fascinante revelou-se para mim um importante documento histórico. E porque não lê-lo para celebrar a efeméride do Dia da Mulher?  

Termino com O Principezinho de Saint-Exupéry, que li em adulta e que considero que devia ser lido em várias fases da nossa vida, para recordarmos sempre o quanto "o essencial é invisível aos nossos olhos".

Ah! E Espreita a Geografia de Portugal foi o livro que o pequerrucho cá de casa quis partilhar para juntar ao seu preferido: Espreita o Atlas. Já não fazemos viagem alguma sem ele espreitar primeiro o destino a ir.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Assim é o amor

El Chaltén, Argentina

Quando ao fazer o trekking de Cerro Torre, em El Chaltén, ficas presa a uma paisagem, isso pode significar que no dia seguinte calças novamente as botas e sem pensar partes para o trilho da Loma del Pliegue Tumbado só para poderes ver aquela mesma paisagem vista de cima.

E de tanto subir já não sentes as pernas, mas mesmo assim continuas porque aquela paisagem persegue-te e queres vê-la de uma outra perspetiva. Queres apontar o dedo lá para baixo e dizer: "- Estás a ver aquela lagoa, ontem foi ali que estive. Exatamente ali."

Nos entretantos... Pode-se chamar a isso de amor?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Livros que falam de livros


Comecei a ler O Infinito Num Junco de Irene Vallejo. Só li apenas as primeiras 100 páginas, mas sendo este um livro que fala sobre livros, quis partilhar com vocês um leque de outros livros que falam sobre este amor aos livros:

  • A Biblioteca, Zoran Živković
  • Firmin, Sam Savage
  • O Vício dos Livros, Afonso Cruz
  • A Rapariga que roubava livros, Markus Zusak
  • A Oficina dos Livros Proibidos, Eduardo Roca
  • O Décimo Terceiro Conto, Diane Setterfield

E agora enquanto escrevo estas palavras lembrei-me de mais quatro livros, talvez até tenham sido os primeiros que li, e que já não foram a tempo de constar nesta fotografia:

  • Os livros que devoraram o meu pai, Afonso Cruz
  • A sombra do ventoCarlos Ruiz Zafón
  • Fahrenheit 451, Ray Bradbury
  • Se numa noite de inverno um viajante, Ítalo Calvino
Que outros livros conheces que queiras partilhar?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

"Então a metrópole afinal é isto"


Em boa hora decidi juntar-me a um grupo de leitura conjunta de O Retorno de Dulce Maria Cardoso. Assim, iniciei o novo ano com um livro magistral que me levou a uma leitura voraz.

A Tinta da China lançou uma nova edição em capa dura para comemorar os 10 anos do livro e foi esta que adquiri. E que bela surpresa foi ao deparar-me com o texto manuscrito pela autora, no início de cada capítulo!

Já tinha ouvido falar maravilhas deste livro desde o seu lançamento, mas fui sempre adiando a sua leitura, apesar do tema ser um atrativo: pós 25 de abril, descolonização, regresso dos portugueses à Metrópole.

A autora relata-nos esse nosso passado através da voz do filho mais velho de uma família de retornados. O Rui. E neste relato cru de um adolescente, vemos o quão duro foi esta perda, não apenas desta família, mas de tantas outras que tiveram de voltar. Famílias estas que eram vistas como "os restos do Império", "os exploradores", que retornavam a uma terra que já não era a sua terra, que tiveram de encontrar o seu lugar na Metrópole, mesmo quando não eram bem vistas. E que na verdade, também já não eram bem-vindas na terra que deixaram para trás. Havia que deixar para trás o passado e olhar para o futuro. Recomeçar. 

Dulce Maria Cardoso é uma contadora de histórias poderosa. O Retorno é um relato honesto sobre a Perda, mas também sobre a Memória e o que era o Mundo Português. Não há julgamentos, mas sim um convite à reflexão. Daí esta escolha sublime da autora colocar como narrador um adolescente de 15 anos. Um rapaz que observa, absorve e depois diz as coisas com a ousadia própria de um adolescente. 

Este livro trouxe-me também à memória uma excelente série que passou em tempos na RTP: "Depois do Adeus", deixo aqui a referência que vale muito a pena para quem não viu.

Pinturas populares (últimos 30 dias)