quarta-feira, 5 de maio de 2021

Esta é a minha língua

Ria Formosa, Faro

Tenho que dizer

Amo a língua portuguesa!

Esta língua que sorri,

Que ampara,

Abraça,

E beija-me.

Esta língua que brota riqueza,

Que é mutável,

E cheia de musicalidade.

Esta língua de pertença,

Que é o meu ADN,

O meu chão,

E a minha saudade.

Dia Mundial da Língua Portuguesa

domingo, 11 de abril de 2021

Trilho das Brandas do Sistelo

Percurso: Pedestre 
Localização: Sistelo, Arcos de Valdevez
Distância aproximada: 8,55 km 
Duração aproximada: 6 horas
Grau de dificuldade: Moderado 

O percurso pedestre de pequena rota das Brandas do Sistelo localiza-se na Serra da Peneda, na aldeia de montanha de Sistelo. A caminhada circular tem início junto ao Castelo de Sistelo e daí segue-se por entre o casario e espigueiros. Depois de uma descida por umas escadas pronunciadas, segue-se caminho por um carreiro que nos conduz ao início da subida. Daqui para a frente o grau de dificuldade exige mais pausa e descanso, principalmente se o trilho for feito em agosto, como foi o nosso caso. Contudo, as belas paisagens dos socalcos de Sistelo e a paisagem infinita sobre a Serra compensam todo o esforço.

Por causa de obras na estrada, tivemos de fazer um desvio para chegar ao Sistelo. Contudo, o GPS baralhou-se e acabámos por nos perder. Sorte que encontrámos um senhor que nos ajudou e seguindo na sua mota levou-nos até a um ponto que poderíamos seguir caminho sem perder a rota. Este imprevisto fez-nos iniciar o percurso pedestre bem mais tarde do que o previsto. 

Assim, fizemo-nos ao caminho de passada lenta e sem pressas, pois não existiam horários, nem metas para cortar. Apenas um prazer por explorar o caminho, por descobrir mais além, por dar mais um passo até ao destino. Por vezes, o fim parecia tão longe que derrubou-nos, mas só por breves instantes. O cansaço e o calor de agosto marcaram o compasso ou a pausa da caminhada. E nesta nossa vagareza, conseguimos chegar ao Bosque Encantado mesmo a horas de fazer a nossa pausa para o almoço.

Após o almoço e o merecido descanso, seguimos caminho para iniciar a descida para a aldeia de Sistelo. Não sei se foi de já ter as forças recuperadas, mas daqui para a frente os meus olhos ficaram completamente maravilhados com toda a beleza envolvente. Todas as desculpas foram válidas para mais uma pausa.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Histórias para crianças

Desde bebé que os livros fazem parte dos dias do meu pequerrucho. Adora que lhe contem histórias antes de adormecer e quando é o pai até tem que lhe contar a história pelos menos umas três vezes. Também não se cansa de repetir a mesma história várias noites seguidas.

Depois há dias em que gosta de ser ele a contar-nos as suas histórias, mas antes temos de montar todo um cenário. 

No Dia Internacional do Livro Infantil conta-me qual o teu livro infantil preferido. 

segunda-feira, 29 de março de 2021

"Todas as pessoas são alguém"


Almoço de Domingo, de José Luís Peixoto, narra um acontecimento futuro, vivido no presente e que agora é passado. A vida de Rui Nabeiro é contada em três dias, de sexta a domingo, nos dias 26, 27 e 28 de março de 2021. Começa dois dias antes do almoço de domingo, antes do grande dia em que o senhor Rui fará (fez) 90 anos. 

José Luís Peixoto conseguiu neste romance autobiográfico fazer algo magistral. Romancear uma vida de 90 anos em três dias. Em três dias Futuros, que foram sentidos no Presente e que agora são o Passado do senhor Rui, mas também o meu Passado.

Nestes três dias decorre o passado de um homem marcante, que marcou e continua a marcar uma cidade, uma região, um país. Um homem simples que tem mundo dentro, mas os seus, as suas gentes e as suas raízes são o seu Alentejo, o seu Campo Maior.

90 anos contados em 3 dias. 90 anos anos percorridos através das memórias de um homem. De um menino que cedo cresceu homem. De um homem que guarda as mortes dos seus, ainda muito jovem, mas também muitas vidas e um "amor profundo e ancestral de uma família reunida no seu almoço de domingo." De um homem que tem dentro de si as várias gerações, os pais, os irmãos, o tio, os filhos, os netos, os bisnetos e a sua Alice. De um homem que não gosta de café com leite, mas sim de café. De um homem que trabalhou até nos dias em que os seus dois filhos nasceram. De um homem que consegue que a sua marca marque muitas famílias. De um homem que nasceu em 1931 e por isso as suas memórias são também as memórias de um país. A ditadura, o tempo em que "o contrabando é resistência perante a pobreza", a inauguração de uma ponte, o 25 de abril, a descolonização, a guerra civil no país vizinho e tantas outras memórias. Pois afinal são 90 anos e não 3 dias.

28 de março de 2021. O dia em que o senhor Rui fez 90 anos e agradeceu em direto, a quem esteve a ouvir falar sobre "o trabalho de um homem que fez muito, mas porque os outros fizeram bastante".

Obrigada senhor Rui por uma vida tão inspiradora. Obrigada José Luís Peixoto por esta obra tão genuína. Obrigada por esta vida tão cheia, agora também ela fazer parte das minhas memórias. 

sábado, 12 de janeiro de 2019

18| livrarias e bibliotecas no mundo

 
El Ateneo, Buenos Aires, Argentina

El Ateneo Grand Splendid, em Buenos Aires, é uma das livrarias mais bonitas que já tive a oportunidade de visitar. O jornal The Guardian elegeu-a, em 2008, como sendo a segunda livraria mais linda do mundo! E a Unesco considerou Buenos Aires a capital do livro. Por isso não poderia estar mais inspirada quando aqui entrei em 2016 para me perder por entre as suas infinitas estantes. Já foi um teatro, uma rádio e um cinema. Agora este templo maravilhoso alberga mais de 200 mil livros e muito tem contribuído para a cultura da cidade. 

segunda-feira, 14 de maio de 2018

5| Lugares que inspiram a leitura

El Chaltén, Argentina

«El Chaltén é uma pequena aldeia a pouco mais de cem quilómetros de El Calafate, a mais pequena que conheci na Argentina  e mais uma plataforma de lançamento para um voo sem data marcada de aterragem. Queria acreditar que as condições atmosféricas se tinham alterado naqueles sete dias, mas facilmente se percebia que a localização geográfica ajudava em muito àquela diferença de ambientes.
[...]
A aldeia situa-se num planalto, um terreno direito rodeado pelo rio de Las Vueltas e por grandes cumes aguçados, nomeadamente o cerro Fitz Roy, de 3405 metros, ou o cerro Torre, de 3102, que em mais de 80 por cento dos dias do ano se esfumam entre as nuvens.»
O vento dos outros, Raquel Ochoa

quarta-feira, 21 de março de 2018

«Lua adversa»

Parque Nacional da Peneda-Gerês, Portugal

"Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…"
in Vaga Música, Cecília Meireles

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