segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

22| livrarias e bibliotecas no mundo

 


O Palácio dos Condes de Sástago, localizado na rua do Coso, é um dos locais em Saragoça que merece uma visita e se tiverem oportunidade, optem por uma visita guiada. A entrada é gratuita.


De estilo renascentista, este palácio já foi residência de reis e sede do Conselho de Guerra.

Ao entrar no Palácio, os olhos tendem a direcionar de imediato para o amplo pátio interior que é lindo. Já nas salas do piso inferior podem usufruir de diversas exposições.

Agora a parte melhor é que se optarem por uma visita guiada, para além de ficarem a saber mais sobre a história do Palácio, irão ter acesso ao piso superior onde estão as salas e salões nobres, como a Sala do Trono e esta biblioteca maravilhosa que é a jóia do Palácio.

No dia em que visitámos o Palácio éramos só nós os três e por isso tivemos o guia em exclusivo, que foi uma simpatia e super disponível para esclarecer todas as nossas curiosidades. Ainda por cima era um apaixonado por Portugal e pela nossa História.

Segundo o guia, esta biblioteca recebe visitas noturnas de fantasmas. 👻 Hum... Acreditarias?

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

"Alá sabe melhor"

 

Há anos que queria ler "Para onde vão os guarda-chuvas" de Afonso Cruz e há anos que adiava pegar nele. Agora que finalmente o li, aceito que foi lido no tal chamamento certo.

Este é daqueles livros que nos inquietam e sei que os personagens ficarão comigo por muitos anos. O que tem de belo, também tem de doloroso em igual dose.

O que fica de nós depois da perda? Como se cura um coração de pai? Como se pode quebrar a corrente do ódio? Será a fé o remédio para a salvação? Para onde vai o que perdemos? Existe o Bem na mesma proporção do Mal? Haverá um "equilíbrio absurdamente/moralmente/esteticamente desequilibrado” compreensível no mundo?

Esta é uma história passada num Oriente efabulado, com muitas histórias dentro. E estas têm tanto de desumanas e cruéis, como de sofridas e mutilantes.

Fazal Elahi é a peça crucial neste tabuleiro de xadrez que é a vida. E todos os outros personagens, tão complexos, vão movimentando-se entre espaços brancos e negros, entrelaçando-se nas vidas uns dos outros.

Só que Elahi é especial, porque teve a audácia de não ser somente um peão. Quebrou o que está escrito, porque acreditou que tinha o poder da decisão. A sua fé muçulmana levou-o a adotar Isa, uma criança americana e cristã. Daí que tece-nos uma tapeçaria multicolor da sua vida, que transborda tanto de poesia, como de chagas.

No final, não queria fechar o livro, por não querer terminar com uma dor profunda no peito, enquanto ouvia ecoar "escarlatina, escarlatina, escarlatina."

As palavras de Afonso Cruz são poesia filosófica, tanto que as 567 páginas voaram-me pelos dedos. Desde então que ando há dias a tentar assimilar a finitude da vida e a infinitude da morte. Do quanto somos infinitamente pequenos e a diferença que fazia se calçassemos os sapatos uns dos outros.

"Alá sabe melhor." ☂️

sábado, 27 de janeiro de 2024

"Anatomia de uma tragédia em Jerusalém"


"Todos sabiam da rapidez com que as autoridades israelitas se lançavam sobre uma estrada da Cisjordânia assim que um miúdo atirava pedras. No entanto, os soldados no posto de controlo, as tropas na base de Rama, os camiões de bombeiros nos colonatos vizinhos nada tinham feito, deixando o autocarro arder durante mais de meia hora."

"Arik queria explorar a razão pela qual os jovens israelitas podiam sentir mais ódio do que os mais velhos. Acreditava que aquela história seria útil para que a sociedade israelita se olhasse ao espelho. [...] 

<<Estes pequenos palestinianos podem ser os terroristas do futuro. Não me venham com essa treta de que toda a gente é um ser humano. São cães, não pessoas, e merecem morrer.>> [...]

- Estamos a falar de crianças de 4 a 5 anos, sabes?

- Miúdos pequenos, sim. E depois?"

Um dia na vida de Abed Salama de Nathan Thrall é um livro não ficcional e bastante emotivo. A história de Abed Salama tem pairado nos meus pensamentos diários.

O jornalista norte-americano Nathan Thrall, a viver em Jerusalém, não nos relata somente o dia fatídico em que o palestiniano Abed Salama perdeu o filho de 5 anos num acidente rodoviário. Ao reconstituir a tragédia passada em 2012, o autor conta-nos também os últimos 50 anos de História do conflito israelo-palestiniano.

É um relato muito duro e perturbador sobre um quotidiano marcado por tensão e conflitos diários, marcado pelo domínio e ocupação dos colunatos, mas tão essencial para perceber o quanto há de crueldade na Humanidade. 

São as feridas de ambos os lados que não cicatrizam e onde tudo se tornou banal. É o silêncio ensurdecedor do Ocidente.

"- Não importa se é de esquerda ou de direita. O facto de haver quem celebre a morte de pessoas obriga a que paremos, por um momento, e nos perguntemos como é que chegámos a este ponto."

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

21| livrarias e bibliotecas no mundo

A Juristische Bibliothek de Munique é irresistível para os apaixonados por livros e não só.

Fundada em 1843, esta biblioteca foi posteriormente mobilizada para uma das salas da Câmara Municipal, que está localizada na Marienplatz.

Durante o período de funcionamento não é possível visitá-la. A reserva para uma visita guiada de 30 minutos pode ser efetuada, de sexta-feira a domingo, no site do turismo "Simply Munich".

Quando pensei em Munique como destino já não havia disponibilidade para reservar nos dias em que estaria pela cidade.

Mesmo assim, no dia em que fomos à praça central, dirigimo-nos à receção da biblioteca e encontrámos uma informação na porta. Naquele dia, era possível visitar a biblioteca depois do expediente, entre as 16h30 e as 16h40.

Não queria acreditar! Uns minutos antes lá estávamos nós à espera para entrar e nos maravilharmos.

Foram 10 minutos certos de puro deleite!

Refiro ainda que os corredores da Câmara Municipal, até chegar à sala 367, também são lindos e merecem uma visita pausada.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Zugspitze (2962 m)

Subimos ao ponto mais alto da Alemanha. Ficámos com a carteira vazia, mas valeu toda a alegria do pequerrucho e a nossa também.

A montanha Zugspitze, com 2962 metros de altitude, fica nos alpes bávaros, na zona de Garmisch-Partenkirchen e situa-se na fronteira com a Áustria, mas o seu cume pertence à Alemanha.

A subida é feita apanhando um comboio com mais de 80 anos de história a partir de Garmisch-Partenkirchen, Grainau. Em Eibsee podemos seguir viagem noutro comboio ou apanhar o teleférico para ir mais rápido.

Nós optamos por subir de comboio e depois ir ao topo de teleférico e descer do topo num outro teleférico que nos levou até ao lago Eibsee e daí apanhamos novamente o comboio até Garmisch-Partenkirchen.

O bilhete família combinado ficou em 55€ por adulto e 27,50€ criança.

Como fizemos a viagem de comboio regional (ida-volta), a partir de Munique, acresceu também o valor de 38€ (preço família).

domingo, 17 de dezembro de 2023

"diário da Ucrânia"



"A Rússia invadiu a Ucrânia."
23 de fevereiro de 2022

"Isto não é um exercício - e também não é uma reconstituição histórica para mostrar aos miúdos o que foi a guerra. É a guerra."

"O que vai ser desta terra, se vamos conseguir defendê-la, se vamos ter de morrer para proteger a nossa família, não sabemos."

"- Quando um povo é forçado a esquecer a língua dos seus poetas, o coração desse povo torna-se pedra - diz Romana, enquanto se levanta para ir buscar um livro de Taras Shevchenko."

"- Durante três séculos fomos escravizados, destruíram as nossas casas, as nossas igrejas, queimaram os nossos livros, há um ódio que nos construiu. É a nossa primeira guerra, a primeira em que não lutamos por outra bandeira, somos independentes. É uma benção e temos de estar preparados para dar a vida por ela."

"Durante muito tempo, a Ucrânia lutou em muitas guerras, mas para Natália, que só tem 30 anos, nada disso faz já sentido."

"É uma ideia muito repetida entre os habitantes destes 535 quilómetros de fronteira: a de que, mais do que tudo, Putin teme as democracias à sua volta, como se, à medida que criam raízes, elas fossem, como copas das árvores, absorvendo e neutralizando as partículas que sustentam o seu regime opressor."

"Para Oleg, a Ucrânia com noção do seu poder, do seu papel no mundo, da sua independência em relação à Rússia começou nesta praça."
Kyiv, 4 377 662 refugiados, 7 de abril

Não sei o que é a guerra. Felizmente, vivo num país de paz. No entanto, graças ao trabalho no terreno dos jornalistas, as guerras no mundo entram diariamente cá em casa.

Com "ali está o taras shevchenko com um tiro na cabeça - diário da Ucrânia", a jornalista Ana França descreve-nos a guerra a quente, através da partilha de vários testemunhos e relatos dos ucranianos que expõem o sofrimento das suas vidas viradas do avesso.

Há certas realidades que não são fáceis de gerir e lê-las também não as torna mais suportáveis.

Mergulhar no sofrimento alheio não é calçar os seus sapatos, mas há que olhar de frente para compreender o que não é aceitável. É necessário construir memória.

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

A essência dos Cadernos de Lanzarote


Em abril do ano passado visitei A Casa, em Lanzarote. Na altura, partilhei que o momento tinha sido vivido com todas as emoções à flor da pele. Mas a paisagem vulcânica daquela ilha também não dá para esquecer. Ainda hoje sinto aquele vento em mim.

Foi após essa visita tão única, que fez-me todo o sentido iniciar os seis Cadernos de Lanzarote, escritos entre os anos de 1993 e 1998.

"Gente maliciosa vê-lo-á como um exercício de narcisismo a frio, e não serei eu quem vá negar a parte de verdade que haja no sumário juízo, [...].", assim refere o autor no seu primeiro caderno. No entanto, termina esta mesma nota introdutória tranquilizando os leitores "este Narciso que hoje se contempla na água desfará amanhã com a sua própria mão a imagem que o contempla."

Fui lendo-os bem devagar e conforme a vontade. Pois os diários não pedem pressa. Um ano depois termino o Último caderno de Lanzarote já com saudade no peito.

Nos cadernos há encontros, seminários e colóquios. Há viagens, apresentações, sessões de autógrafos e inaugurações. Há entrevistas. Há troca de correspondência entre os leitores e o autor. Há abraços, conversas de corredor e admiradores que o interpelam emocionados. Há dissabores. Há pensamentos e confidências. Há dias felizes e emotivos. Há dias tristes e lágrimas. Há homenagens. Há dias vazios. Há uma preocupação e um olhar sempre atento e crítico. Há questionamento e inquietação.

E toda a essência dos cadernos está nessas entrelinhas do homem e na humanidade desse homem: Saramago.

Aí reside toda a beleza destas memórias que culminam com o último diário do ano do Nobel, que tinha ficado perdido num disco rígido de um dos seus computadores.

"Este Sexto Caderno aparecerá em breve", deixou dito José Saramago (palavras de Pilar). Que feliz dia. 20 anos depois, este último caderno chegou aos seus leitores!

"Bem vistas as coisas, sou só a memória que tenho, e essa é a única história que quero contar."

Pinturas populares (últimos 30 dias)