Balloon, Erix Xu, 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
"Linhas Cruzadas"
«Este é um capítulo curto porque o verão passou muito depressa com o seu sol ardente e suas noites plenas de estrelas. É sempre rápido o tempo da felicidade. O Tempo é um ser difícil. Quando queremos que ele se prolongue, seja demorado e lento, ele foge às pressas, nem se sente o correr das horas. Quando queremos que ele voe mais depressa que o pensamento, porque sofremos, porque vivemos um tempo mau, ele escoa moroso, longo é o desfilar das horas.»
O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado
sábado, 9 de outubro de 2010
O guardador de sonhos
ilustração: phermadAinda não sei bem o que vos vou contar… Caminho sozinho no infinito azul há milhares de anos. Sinto-me como um prisioneiro dos sonhos. Talvez por isso me chamem o guardador de sonhos! Dizem por aí que guardo os sonhos do mundo! Sonhos que chegam até mim de todos os tamanhos e feitios. Sonhos que carregam a fé dos Homens. Sonhos que não estão em mim, porque não me pertencem. Sim, talvez seja um guardador de sonhos! No entanto, entristece-me saber que guardo os sonhos do mundo, mas não me posso permitir sonhar.
Dizem que existo, porque eles lá em baixo não se cansam de sonhar. Sonham, sonham e sonham! Sonham despertos e enquanto dormem. São uns sonhadores famintos!
Os meus dias são uma correria desenfreada, pois os sonhos não me dão o divino descanso! Estão sempre a chegar. Talvez não saibam, mas os sonhos são pedaços de Céu. Pedaços de Céu que eu cuidadosamente coloco neste infinito azul incompleto. E digo incompleto, porque por vezes chega o dia em que os sonhos deixam de ser sonhos. Nesse dia, pedaços de Céu soltam-se, entram em negras nuvens e descem à Terra sob a forma de pingos de chuva.
Nesse dia, enquanto os pingos de chuva se deixam cair, observo os sonhadores a escapar aos seus sonhos. Tapam-se da cabeça aos pés. Abrem objectos estranhos para se protegerem. Correm. Tssss… São uns cegos! Apenas os chamados tolos se deixam alimentar por eles.
Ah! Lamento, mas por agora não vos posso contar mais, pois a mim, apenas me chamam o guardador de sonhos.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Sonho 1 | "Amo-te"
Amo-te
ainda que o não saiba
para além do fulgor dos beijos
no roçar das palavras
pelos lábios sedentos
Amo-te
em cada curva
em cada traço
atravessando o espaço
Amo-te
na desproporção
dos corpos
deitados na tela
Amo-te
na tinta dos sonhos
que ainda não ousamos pintar
ainda que o não saiba
para além do fulgor dos beijos
no roçar das palavras
pelos lábios sedentos
Amo-te
em cada curva
em cada traço
atravessando o espaço
Amo-te
na desproporção
dos corpos
deitados na tela
Amo-te
na tinta dos sonhos
que ainda não ousamos pintar
___________________
Autora: Cartas a Si
Blogue: http://cartasasi.blogspot.com
Nota: Parece que já ninguém sonha... Que andam todos de cara em baixo e deixaram de olhar para o Céu. Sendo assim, agradeço à única participante que me enviou este lindíssimo poema. Aguardo na minha caixa do correio a tua morada para fazer seguir o prémio azulado!
Parabéns e continua a sonhar, sempre! ^.^
sábado, 2 de outubro de 2010
"estou acima do comum dos mortais"
Fiódor Dostoievski é daqueles autores que sempre tem algo mais para contar nos seus livros do que uma simples história. Crime e Castigo, que tem traços autobiográficos, é sem dúvida um desses livros, que nos revela não somente um crime cometido por um jovem, mas também tudo o que está para além desse acto, ou seja, tudo o que se esconde nas profundezas do espírito humano.
Raskólnikov é um ex-estudante pobre que vive sozinho num pequeno quarto em São Petersburgo, pois a magra ajuda que a mãe lhe envia não lhe permite continuar os estudos. Contudo, a sua irmã Dúnia está disposta a casar com um certo Lújin, de modo a melhorar a condição de vida dos três. Mas os seus pensamentos têm vindo a vaguear para algo grande. Algo que está para além das convenções e da moralidade. Algo que o colocará acima do comum dos mortais. Algo que fará dele um Napoleão! Não pode mais adiar o que há muito tinha planeado fazer. Matar e roubar. Assassinar «um piolho abjecto e nocivo, uma velha agiota, uma inútil […], que sugava o sangue dos pobres». E poderá isso ser considerado um crime?
É com esses pensamentos que Raskólnikov sai de casa. Está decidido a praticar um assassínio que o fará um grande homem, pois age por uma causa. Irá matar a velha e roubar-lhe todas as jóias. E não é a pobreza ou a necessidade que o movem, mas sim uma certeza, talvez até uma fé, que o acto em si lhe colocará numa sociedade superior. Assim, já na casa de Aliona Ivanovna com as suas «mãos horrivelmente fracas», «quase sem consciência de si, e quase sem esforço, quase maquinalmente», ergue o machado com as duas mãos e mata a velha agiota. Atrapalhadamente apressa-se a roubar o que tem para roubar, mas após alguns minutos é surpreendido pela irmã dela, Lizaveta. Não hesita e empunha o machado. Lizaveta Ivanovna tomba. Após este segundo assassínio, absolutamente inesperado, o medo começa a dominá-lo. Tinha de sair dali o mais depressa possível.
«As pessoas como que se dividem em «vulgares» e «invulgares». As pessoas vulgares devem obediência e não têm direito de transgredir a lei porque, está a ver?, são vulgares. Mas as invulgares têm direito a cometer todos os crimes e transgredir a lei, precisamente porque são invulgares.»
A partir deste episódio tudo muda na vida de Raskólnikov, mas não como ele imaginava. Ele considerava-se uma pessoa invulgar, mas após ter cometido os dois assassínios não mais a consciência da culpa e os delírios o deixaram. Afinal será que não passava de uma pessoa vulgar?
Ao longo de toda a história vamos descobrindo a fragilidade da consciência e da sanidade. O quanto um acontecimento pode desencadear uma série de reacções contraditórias na razão e na loucura de Raskólnikov. Mas outras histórias vão-se desenvolvendo paralelamente à história central. E é nessas outras histórias paralelas que também presenciamos a frágil fronteira existente entre o discernimento e a alienação. Na mente de Raskólnikov e dos outros personagens que o rodeiam percorremos também pelas nossas comuns imperfeições. As hesitações, as reflexões, as interrogações, as desconfianças, os vícios, a premeditação, a culpa, o conflito, a degradação, a loucura, o delírio, a miséria, o sofrimento, o sacrifício, a ostentação, a bondade, a amizade, o equilíbrio, a maldade, a crueldade, a vileza, a luxúria, a perda, o medo, a mentira, o orgulho, a solidão, o abismo, o arrependimento, a esperança, a redenção, o amor, etc.
Um autêntico retrato da mente humana! Uma obra perfeita para o estudo da psicanálise!
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Conta-me o(s) teu(s) sonho(s)
Dreams, Maria Mola, EUA
Quem visita o tonsdeazul desde algum tempo com certeza deve estar lembrado dos meus desafios em jeito de escrita criativa. Para os mais desatentos podem consultá-los aqui. E todos esses que visitam este cantinho e/ou já participaram nestes desafios com certeza devem ter saudades! Vá não se acanhem e digam que sim, nem que seja para me fazer a vontade. ^.^ Afinal o último desafio foi lançado em Janeiro de 2009 e até eu já tenho fome de ler e deliciar-me com as vossas palavras! E como hoje entrou o Outono lembrei-me de colocar as vossas mãos a aquecer para os dias frios que se aproximam! Que dizem? ^.^
Sendo assim, desafio os de sempre, os que já participaram e os que irão ter a sua primeira vez, a escrever algumas linhas (não vos imponho limite de palavras para não vos cortar a inspiração, mas por favor não se entusiasmem demasiadamente!), que têm de ser inéditas, mas que podem estar em prosa ou em poesia. Contudo, a palavra Sonho(s) terá de integrar o texto.
Não se intimidem e participem, porque só a vossa participação dá sentido a tudo isto! Cá vos espero na minha caixa de correio electrónico susemad@gmail.com até dia 7 de Outubro.
Atenção não se esqueçam de enviar os seguintes dados com o texto: título do texto, nome (com o qual pretendem ser identificados) e nome do blogue (facultativo).
____________________________
Nota: Os textos a concurso não poderão ser publicados em lado nenhum e não poderão identificar-se como autores dos mesmos até ao final do desafio.
E claro que o prémio para o vencedor(a) continua a fazer parte destes meus desafios!
Nota: Os textos a concurso não poderão ser publicados em lado nenhum e não poderão identificar-se como autores dos mesmos até ao final do desafio.
E claro que o prémio para o vencedor(a) continua a fazer parte destes meus desafios!
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Pinturas populares (últimos 30 dias)
-
a pedido de muitas famílias e não querendo correr o risco de ver realizadas possíveis ameaças *, tive mesmo que actualizar o tonsdeazul e pu...
-
Neste mês de Março as pinceladas na escrita vão para o livro Nem tudo começa com um beijo de Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira. A históri...
-
O meu pai era ciclista. Nunca deixou de o ser. Mesmo nos últimos tempos, a bicicleta continuava a ser a sua alegria e o alento para os dia...
-
Está a decorrer na vila de Ponte de Lima, o 3.º Festival Internacional de Jardins . Este acontecimento anual procura seguir o modelo do Fest...
-
“na hora de pôr a mesa, éramos cinco: o meu pai, a minha mãe, [os meus irmãos] e eu. depois, [o meu irmão] mais velh[o] casou-se. depois, [o...