domingo, 7 de julho de 2013

a espera

Jardins do Palácio da Pena em Sintra, Portugal

Ele chamava-lhe “minha princesa”, sempre que se encontravam nos jardins do Palácio. Ela sorria e sentia-se realmente como uma verdadeira princesa! 
Naquele dia de neblina, ela chegou cedo. Sentou-se e esperou por ele no mesmo lugar de todos os dias, mas ele não apareceu. 
Nos dias seguintes, o banco de pedra voltou a esfriar. 
Os dias foram dando lugar a meses e a anos... Ele nunca mais lhe chamou de “minha princesa”. 
Na verdade, aquele lugar recôndito deixou de espreitar os dois amantes.

sábado, 29 de junho de 2013

"Esse Olhar Que Era Só Teu"

Faro, Portugal

- Miúdo... Tocas uma música para mim?
- Oh! Eu não sei tocar...
- Podias tocar aquela música linda de bonita!
- Hum... Ah! Essa eu sei tocar.
- Então toca que eu gosto de a ouvir.

terça-feira, 18 de junho de 2013

«Passado, Presente, Futuro»

Lisboa, Portugal

Eu fui. Mas o que fui já me não lembra: 
Mil camadas de pó disfarçam, véus, 
Estes quarenta rostos desiguais. 
Tão marcados de tempo e macaréus. 

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é: 
Rã fugida do charco, que saltou, 
E no salto que deu, quanto podia, 
O ar dum outro mundo a rebentou. 

Falta ver, se é que falta, o que serei: 
Um rosto recomposto antes do fim, 
Um canto de batráquio, mesmo rouco, 
Uma vida que corra assim-assim. 
in Os Poemas Possíveis, José Saramago

quarta-feira, 5 de junho de 2013

"viagens e outras Viagens"

Estação Central de Ljubljana, Eslovénia. Fotografia de Liefde

«Visitei e vivi em muitos lugares. E sinto-o como um enorme privilégio, porque pousar os pés no mesmo chão durante toda a vida pode originar um perigoso equívoco, o de fazer-nos crer que essa terra nos pertence, como se não a tivéssemos por empréstimo, como temos tudo na vida.» 
Viagens e outras viagens, Antonio Tabucchi

terça-feira, 28 de maio de 2013

magriço

Vila Nova de Cacela, Portugal

Escapuliu-se assim que a viu. 
Talvez fosse um assustadiço. Ou talvez, quem sabe, um desconfiado com os estranhos. Na verdade não devia gostar cá de aproximações! 
O certo é que ela também não chegou perto. Tinha pavor de gatos. Chamou-lhe Magriço e virou-lhe costas. Já tarde, foi encontrar-lhe de olhos fixos a observar os seus passos. Não resistiu. A medo, disparou.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

"O Campeão do Mundo Ocidental"


A próxima peça de teatro que não quero perder é O Campeão do Mundo Ocidental, que está em cena até 9 de junho, na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. 

Com encenação de Jorge Silva Melo, esta é uma peça do dramaturgo irlandês J. M. Synge, que conta com as interpretações de Elmano Sancho, Maria João Pinho, Américo Silva, Maria João Falcão, Rúben Gomes, João Vaz, António Simão, Nuno Pardal, João Delgado e estudantes da ESTC - Escola Superior de Teatro e Cinema (Rita Cabaço, Isac Graça, Catarina Campos Costa, Nídia Roque, Daniela Silva, João Reixa, Bernardo Souto, Nuno Geraldo).

A ação é passada na costa ocidental da Irlanda no início de 1900 e conta a história de Christy Mahon, um jovem fugitivo que afirma ter morto o pai. Só que o que podia ser condenável, acaba por ser uma história interessante para as habitantes locais!

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