quarta-feira, 5 de junho de 2024

Sendero de La Hija Cambada


O Parque Rural de Anaga em Tenerife é daqueles lugares imperdíveis para os amantes de trilhos.

Contudo, se estiveres com o tempo contado e mesmo assim quiseres fazer 1 ou 2 caminhadas, aconselho-te o Sendero de los Sentidos (1,6 km) e o Sendero de La Hija Cambada.

Este último com uma distância de 5,5km já dá para sentires a magia da floresta de laurissilva. É como se estivesses mesmo dentro de uma história de fantasia.

Com um grau de dificuldade fácil/moderado, este percurso circular tem início e chegada no Centro de Visitantes Cruz del Carmen e é acessível para famílias com crianças.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

"O que estará para lá do grande muro vermelho?"


Os livros de Britta Teckentrup têm tudo o que gosto num livro infantil: ilustrações bonitas e uma história simples, que nos faz pensar/questionar. ❤️

"O que estará para lá do grande muro vermelho?"

"O Ratinho e o muro vermelho" é um livro para os audazes e destemidos que, com a sua curiosidade, ousam olhar mais além. Que não têm medo e se aventuram no desconhecido. Que vão em busca de uma liberdade para todos. Sem muros ou vedações. 

Mas também é um livro para os receosos, que vivem paralisados e escondidos na sua concha.

Pois quantas vezes é que, por receio do que não compreendemos, criamos barreiras e nos fechamos ao mundo ou ao outro? Quantas vezes é que acreditamos naquilo que nos impingem diariamente e não vamos em busca da verdade por nós mesmos? 

Por isso, todos os dias são um bom dia para lutar pela liberdade e por um mundo sem barreiras, pois "irá haver muitos muros na tua vida [...]. Alguns serão feitos pelos outros, mas a maioria será criada por ti..." 

terça-feira, 14 de maio de 2024

23| livrarias e bibliotecas no mundo


"Só depois é que fui à procura da grande biblioteca, as Galveias, que não seria tão grande assim, mas para mim era o mundo…" 
José Saramago 

Por estes dias tive a oportunidade de visitar a biblioteca municipal do Palácio Galveias e estava tão apinhada de leitores que, por opção, estes foram os únicos registos fotográficos que fiz para memória futura.

Com um acervo de 60 mil documentos, o edifício do Palácio Galveias prima também por um património arquitetónico muito bonito e que vale a pena visitar.

quarta-feira, 8 de maio de 2024

"Sendero Malpaís de Güímar"


"Sendero Malpaís de Güímar" foi um daqueles trilhos que decidimos fazer sem estar no programa de Tenerife e só posso recomendar, porque gostámos imenso.

Este é um trilho circular, com início e final no Puertito de Güímar. Tem uma extensão de 6km, um grau de dificuldade baixo e duração de 3h.

Com uma paisagem vulcânica única que se estende desde a Montaña Grande até à costa, Malpaís de Güímar é uma Reserva Natural Especial de grande importância ecológica, que foi declarada área protegida em 1987. 

Digam-me se as fotos não falam por si.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

"a beleza é o grau mais elevado da verdade"


"Lucrei porque sou um entre milhares, dez milhões e tal, que melhoraram as suas vidas passando a viver em liberdade."

Com "Os Memoráveis" regresso à oralidade e à escrita tão própria da autora de "A Costa dos Murmúrios" e "O dia dos Prodígios". Pois com "Misericórdia" tinha esquecido o quão desafiante pode ser a escrita de Lídia Jorge.

Entro em 2004. Vive-se os 30 anos da Revolução dos Cravos. Nos EUA, a repórter Ana Maria, uma filha de Abril, é convidada para fazer um documentário para a CBS sobre a Revolução de 74: "A História Acordada". Sobre a derradeira noite de 24 para 25 de abril. Aceite o desafio, Ana Maria regressa a Portugal e juntamente com dois antigos colegas passam à ação. Desenrolam-se uma série de entrevistas com os diferentes intervenientes do golpe de Estado, revisitam-se vários lugares e assim, ao longo dos capítulos a História passada vai-se construindo. 

Paralelamente, a história pessoal de Ana Maria com o pai António Machado cruza-se com a dos heróis. Ao longo dos capítulos vamos acompanhando os silêncios e as parcas conversas entre eles. 

O enredo pode parecer simples, mas a escrita de Lídia Jorge exige uma leitura mais lenta, concentração e foco. Perdi-me por vezes e também não consegui reconhecer todos os protagonistas da História. Tive de voltar atrás e recomeçar.

A autora procurou o olhar da minha geração. A que não viveu a euforia do 25 de abril, mas que graças a ele pôde viver em liberdade, com todas as suas alegrias, consequências e desilusões.

Pois há os que abdicaram da história e os heróicos que no presente foram esquecidos. 

"Que feliz mesmo seria o dia em que todos pudessem esquecer que eles foram necessários, e até que existiram. O meu marido era assim, desprendido. Um herói da retirada, o meu marido."

Mas há que não deixar esquecer. ❤️

quinta-feira, 25 de abril de 2024

#50anos25abril


"Um povo pobre, sem álgebra, sem letras, cinquenta anos de ditadura sobre as costas, o pé amarrado à terra, e de repente acontece um golpe de Estado, todos vêm para a rua gritar, cada um com a sua alucinação, seu projecto e seu interesse, uns ameaçando os outros, corpo a corpo, cara a cara, muitos têm armas na mão, e ao fim e ao cabo insultam-se, batem-se, prendem-se, e não se matam."

Os Memoráveis, Lídia Jorge 

terça-feira, 26 de março de 2024

"Refugiados na sua terra"


"Houve um momento em que parte do mundo ocidental [...] acreditou que israelitas e palestinianos iam viver em paz". Acredito que esse tempo chegará.

Oriente Próximo de Alexandra Lucas Coelho é um livro de não-ficção sobre Israel-Palestina, entre os anos 2005-2007. Esta nova edição foi revista, mas não engloba o trabalho jornalístico dos incidentes iniciados a 7 de outubro de 2023. No entanto, os relatos, as entrevistas, as reportagens e as crónicas transcritas neste volume já pronunciavam a tragédia. Os primeiros capítulos vão atrás na História e elucidam o leitor no retrato de uma terra que já foi "otomana, britânica, jordana e israelita".

O estado de Israel é um estado colonial que ocupa e expande "ilegalmente" colonatos para expropriar mais território palestiniano. Administra, constrói muros, vedações e limita a liberdade de movimentos. Segrega. Vive em regime de apartheid. Vê no palestiniano um inimigo. Um povo sem direitos. Sem existência. Humilha-os. Massacra-os. Bloqueia os meios básicos de sobrevivência. Comete atos de genocídio. Israel vive em guerra permanente, porque há que alimentar a máquina.

"Em Gaza e na Cisjordânia milhões são refugiados na sua terra". "Continuam em trânsito, acampados." "O lugar deles não tem espaço, é um momento passado, a Nakba, a Catástrofe. Todos os dias acordam e é 1948."

Sim, os ataques do Hamas também são condenáveis. Mas, a violência não é de agora! São anos de desesperança. E o Ocidente continua calado perante os atos desumanos e de trauma constante, perpetuados pelo estado de Israel, por anos e anos.

<<Os europeus têm tanto medo de que os acusem de ser anti-semitas que não dizem nada.>>

Também "O horror contínuo é a não-notícia do dia. Não tem novidade, só rotina." Desliga-se o botão. É lá longe e aqui a vida é bela!

No futuro, o meu filho questionar-se-á e indignar-se-á, tal como eu me indignei por tantas outras tragédias passadas. Porque na verdade, em todas as guerras pelo Mundo, "os grandes jogadores não estão [lá] e as vítimas são a paz, a justiça, as pessoas inocentes." 💔

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