Não sabia nada sobre O Fabuloso Teatro do Gigante. O autor também me era desconhecido. No entanto, a sinopse aguçava-me a vontade para o ler e a capa era bastante inspiradora. Por isso foi assim que, em boa hora, arrisquei descobrir esta história com sabor a sonhos.
David Machado é um jovem autor com uma capacidade de efabulação impressionante. O Fabuloso Teatro do Gigante é uma autêntica viagem ao mundo da imaginação, que me relembrou, por várias vezes, um filme maravilhoso e apaixonante de que tanto gosto, O Grande Peixe (Big Fish de Tim Burton).
Neste seu primeiro romance, o autor conta-nos a história de uma povoação do norte de Portugal, a aldeia de Lagares. Isolada no meio das serras, esta aldeola do Minho seguia a sua rotina diária sem incidentes de maior até ao dia em que chegam a este lugarejo Thomas e Eunice. Ele um antilhano colossal de olhar profundo, cujo os habitantes apelidam de imediato de Gigante. Ela uma mulher pequena e franzina, com rosto de menina e de cabelos cor de fogo, que estava para dar à luz os gémeos Afonso e Leonor.
Com a chegada do gigante e da professora primária, a vida em Lagares não mais voltou a ser a mesma… «A princípio a superstição do povo fez nascer uma certa suspeita em torno do gigante, porque havia quem afirmasse que ele não era real, que era um fantasma que tinha atravessado o oceano para vir penar na tristeza infinita das serras.
Na verdade, a única coisa que parecia ligá-lo a este mundo era a mulher, cuja presença física se revelava tão intensa que ninguém duvidou que existia em carne e osso.»
Vejo O Fabuloso Teatro do Gigante como uma história bonita, que nos vai permitindo entrar no inesgotável poço de sonhos de Thomas. E não quero adiantar muito mais, até porque a sinopse já revela o bastante. É um livro que fala do poder da imaginação e o efeito que ela causa na vida de qualquer um de nós. Basta que nos deixemos contagiar.




