F. Scott Fitzgerald ficou na minha lista de autores a ler mais, depois de o ter descoberto em O Grande Gatsby. Assim, li emprestado O Estranho Caso de Benjamin Button, que não gostei tanto como do filme. Comprei na coleção do Público, Terna é a Noite, que ainda aguarda uma oportunidade para ser lido. E recebi de presente Belos e Malditos, cuja sinopse suscitava uma leitura promissora. Posso já dizer que não desiludiu! Belos e Malditos está muito perto da genialidade de O Grande Gatsby.
Em Belos e Malditos entramos na vida de Anthony Patch e Gloria Gilbert. Ambos têm personalidades bem vincadas. Anthony é um jovem despreocupado e boémio, que não trabalha, nem pretende trabalhar algum dia, mesmo quando se assume como um promissor escritor. Considera o seu modo de vida justo, por isso aguarda pela morte do seu avô doente (um conservador e moralista, que luta contra os vícios, principalmente da bebida) para herdar toda a fortuna. Gloria é uma mulher vibrante, extravagante e principalmente bela. Consciente desta beleza, é extremamente sincera na sua forma de estar na vida: «Quero ser preguiçosa e quero ter pessoas à minha volta a fazer coisas, porque me fazem sentir confortável e segura… e quero ter pessoas por perto que não façam nada, porque são graciosas e boa companhia.»
O destino acaba por os juntar e o jovem casal, apesar das magras rendas dos seus investimentos, não prescinde de levar uma vida sofisticada. Alugam apartamentos que mal podem pagar, comem em hotéis e restaurantes de luxo, viajam nos melhores carros da época, dançam ao som do fox-trott e do jazz e bebem em festas até cair para o lado. Só que os dias felizes dos primeiros tempos não duram sempre, assim como o dinheiro. A vida louca e superficial dá lugar a discussões e a fragilidades que conduzem à ruína e à decadência.
«Depois do reflorescer da ternura e da paixão, tinham ambos voltado para um sonho solitário que o outro não partilhava, e as expressões de ternura que trocavam pareciam passar de um coração vazio para outro igual, ecoando em som cavo a partida daquilo que, por fim, compreendiam ter desaparecido.»
O fulgor da juventude é efémero, a fortuna não há meio de vir parar aos seus bolsos e os amigos deixam de aparecer. Fitzgerald retrata com mestria, os loucos anos 20; tendo como cenário a cidade de Nova Iorque no antes, no durante e no pós I Grande Guerra e o surgimento das restrições da Lei Seca, que são claramente desrespeitadas pelo jovem Patch.









