sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Trilho "Torc Waterfall"

Percurso: Pedestre
Localização: Parque Nacional de Killarney, Irlanda
Distância aproximada: 2-3 km
Duração aproximada: 35-40 min.
Grau de dificuldade: Médio

O percurso pedestre, de carácter circular, está integrado no Parque Nacional de Killarney e tem início e término no parque de estacionamento da EN 71, a 300m da Torc Waterfall. Em 1981, o Parque foi designado, pela UNESCO, como reserva da Biosfera.

Ao iniciarmos este trilho, somos acompanhados na subida por um curso de água límpida, que nos faz adivinhar o som de uma cascata não muito longe dos nossos passos. Esta tem aproximadamente 20 metros de altura. Uma vez chegados aqui, é de aproveitar uma pausa para descanso, contemplação e algumas fotografias, pois a próxima etapa é uma subida de escadas que se perdem no infinito (não há registo de fotos desta subida, para não desanimar o possível caminhante). Estas conduzem-nos para um outro ponto de encanto e beleza.

À medida que vamos alcançando o topo, a vista privilegiada sobre um dos lagos, o Middle Lake, é também cada vez maior. O olhar maravilha-se e os pensamentos transmitem-nos que valeu a pena a dolorosa subida.

Já no ponto mais alto do percurso, é hora de iniciar a descida. Esta encaminha-nos até uma encruzilhada, onde podemos optar por continuar o nosso percurso até onde o iniciámos ou dar uma caminhada até à Muckross House e aos seus perfeitos jardins.

Neste trilho, tirando algumas espécies de aves, como o Chapim-azul (Parus caeruleus), o Cartaxo-Comum (Saxicola rubicola) e o Corvo (Corvus corax), não tivemos qualquer contacto com outros animais. No entanto, neste parque nacional é possível estar muito próximo da vida selvagem. Na próxima caminhada saberão mais!

sábado, 20 de agosto de 2011

"era a melhor hora para os ver"

Hombre feliz en ciudad gris, Graciela Bello, Argentina

«Em algumas alturas cheguei a ser a única pessoa presente, enquanto aquele funâmbulo caminhava para trás e para a frente na corda executando passos que não estavam muito distantes de um bailado, de uma coreografia improvisada, que, a cada momento, pretendia dar ao espectador a ilusão da queda. Foi nestas observações que compreendi a verdadeira essência do funambulismo e do espectáculo: a possibilidade do fracasso era a receita para o sucesso. Quanto mais vezes o andarilho na corda bamba ameaçasse a queda, desequilibrando-se, deixando cair propositadamente um dos pés ou fingindo um abanão violento, mais empatia o espectador sentia por ele. A perfeição não era perfeita, por assim dizer; a perfeição era andar no limite do imperfeito, e essa, sim, era a autêntica arte.»
As três vidas, João Tordo

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Veneza e as suas relíquias

Praça de São Marcos em Veneza, Itália

«Cerca da altura da fundação da cidade de Veneza [...] um padre sonhou que um anjo lhe contava que a cidade jamais poderia ser especialmente notável entre as nações enquanto os ossos de São Marcos não fossem transladados para Veneza; era preciso resgatar o corpo, trazê-lo para a cidade e mandar construir uma igreja magnífica para o albergar; e que se os venezianos alguma vez autorizassem que o Santo fosse deslocado do seu novo local de repouso, Veneza desapareceria da face da terra nesse mesmo dia. O padre anunciou o seu sonho, e a partir daí Veneza partiu à procura do cadáver de São Marcos. Uma expedição após outra tentou e falhou, mas durante quatrocentos anos nunca o projecto ficou abandonado. Por fim, no ano de oitocentos e qualquer coisa, chegou a bom termo através de um estratagema. O comandante de uma expedição veneziana mascarou-se, roubou os ossos, separou-os e empacotou-os em cestas cheias de toucinho. A religião de Maomé faz com que os seus devotos repudiem tudo o que tem a natureza do porco, pelo que, quando os oficiais das portas da cidade detiveram o cristão, limitaram-se a olhar uma vez para as cestas preciosas e logo desviaram os narizes da gordura profana para o deixar partir. Os ossos foram enterrados na cripta da grande catedral, que estava há muitos anos à espera de o receber. E até hoje há quem acredite em Veneza que se alguém roubar aquelas santas cinzas, a cidade antiga há-de desaparecer como num sonho, e as suas fundações supultar-se-ão para sempre no mar sem memória.»
A Viagem dos Inocentes, Mark Twain

segunda-feira, 25 de julho de 2011

"Olha o passarinho"

Blackrock Castle Observatory em Cork, Irlanda

«Aprendeu a ler com o avô, que lhe ensinou também a arte da fotografia. Disse certa vez que aprendeu a conhecer as pessoas pela forma como reagem à câmara fotográfica: a altivez, a modéstia, a vaidade, a simplicidade, o amor, tudo isso se capta na fotografia. Quando uma pessoa sabe que a sua imagem vai ser gravada para a posteridade, toma uma determinada atitude que está conforme a sua personalidade. É a posição do corpo, o modo como olha para a câmara, a forma de ajeitar o chapéu ou retorcer o bigode, a graciosidade ou a rudeza com que segura na bengala ou na sombrinha.»
Cruz de Portugal, José Sequeira Gonçalves

segunda-feira, 11 de julho de 2011

«A biblioteca particular»

Capucina in Dreamland, Quentin Gréban, Bélgica

«Toda a gente sabe que os livros devoram espaço sem qualquer piedade. E não existe defesa possível. Qualquer que seja o espaço que se lhes dê, nunca lhes chega. Ocupam primeiro as paredes, e depois continuam a espalhar-se por onde conseguirem. Apenas o tecto fica poupado. Chegam sempre uns novos, enquanto o dono não tem coração para se livrar de nenhum dos velhos. E assim, devagar, sem dar nas vistas, volumes de livros empurram tudo à sua frente. Como glaciares.»
in A Biblioteca, Zoran Živković

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