segunda-feira, 9 de março de 2009

“Há momentos em que me sinto tão só”

De Lobo Antunes apenas tinha lido algumas crónicas, até ao momento que chegou até mim O Arquipélago da Insónia. Obrigada, a ti.
Devo dizer que este livro não foi de fácil leitura. Houve até certas partes da história em que me senti mesmo perdida. E o facto de não conhecer a escrita do autor pode ter ajudado ou não na leitura!

“- Daqui a nada é manhã
e não será manhã nunca.”


O Arquipélago da Insónia, de António Lobo AntunesO Arquipélago da Insónia é um livro que parece estar cheio de nada e no entanto conta-nos uma história. A história de três gerações de uma família que vive algures no Ribatejo, onde o rio desagua na Trafaria.
Temos o avô, que trata o filho por “Idiota”; a avó, que mata os coelhos com uma paulada no cachaço e logo a seguir afaga-lhes o pêlo; o filho, que provavelmente é mesmo um “Idiota”, pois é casado com uma ex-empregada da casa e deixa que o pai a possua e por fim temos os dois netos, sendo um deles autista e filho do ajudante de feitor. O Jaime, que diz não chamar-se Jaime.
Na história, encontramos ainda, o feitor; a prima Hortelinda, que já está morta e a Maria Adelaide, que é casada com o irmão do autista. Este por sua vez, nutre uma paixão por ela.

Nas duas primeiras partes da história, quem nos dá a conhecer a família é o autista. E talvez por isso a sensação de nos sentirmos perdidos na leitura.
Encontramos uma sucessão de histórias e acontecimentos em frases e palavras soltas e não encontramos um sentido. Tudo vai passando pela mente do personagem a grande velocidade e o leitor perde o norte.
Na terceira parte, a história da família é contada pelos outros personagens e o leitor dá por si a encontrar o sentido das coisas. Talvez até seja o encontrar da lucidez.

É "o arquipélago da insónia", onde cada um dos personagens são ilhas e que, apesar do seu elo de pertença, deambulam sozinhas. Caminham solitariamente, despertas pela noite e pela morte que estão sempre presentes.

terça-feira, 3 de março de 2009

Firmin, o rato literato

Firmin, Sam SavageFirmin, de Sam Savage é um livro brilhante!
O autor, na sua extraordinária fábula, fala-nos sobre Firmin, um rato que nasceu numa cave da Pembroke Books, uma livraria de Boston, e que aprendeu a ler devorando as páginas de livros.

Os meus repastos começaram por ser primitivos, orgíacos, desinformados – uma dose de Faulkner era para mim o mesmo que uma dose de Flaubert -, mas depressa detectei diferenças subtis. Primeiro reparei que cada livro tem o seu sabor – doce, amargo, agridoce, rançoso, salgado, picante.

Ao ler estas palavras, um leitor apaixonado até sente um murro no estômago, mas é impossível não continuar a ler as palavras seguintes:

De início eu limitava-me a comer, roendo e mastigando alegremente, guiado pelos ditames do paladar. Mas depressa comecei a ler aqui e ali os contornos das minhas refeições. E com o tempo passei a ler mais e a comer menos até dar por mim a gastar todas as minhas horas de vigília a ler, mastigando apenas as margens brancas.

E não se apaixonar por Firmin. O último dos treze filhos de Mama: Sweeny, Chucky, Luweena, Feenie, Mutt, Peewee (por quem Firmin quase cometeu incesto), Shunt, Pudding, Elvis, Elvina, Humphrey, Honeychild e Firmin, o último dos últimos, que tinha de disputar a última das doze tetas de Mama.

Mais tarde, Firmin acaba por ficar sozinho na livraria e muda-se da cave para “um cantinho no tecto por cima da loja, a meio caminho entre o Balão e a Varanda, que [lhe] permitia ir observando o que se passava, mas não descur[ando] a [sua] educação na cave, onde devorava livro atrás de livro, embora já não literalmente.” Ufa, ainda bem!

Ao longo das páginas, Firmin dá a conhecer ao leitor, os livros por onde viaja e brinca com ele, causando-lhe uma certa inveja. É também através de Firmin que conhecemos Norman, o dono da livraria e “O PRIMEIRO SER HUMANO QUE F. AMOU”, até ao dia em que Norman o vê e deixa-lhe um presente. Firmin quando lê o pacote do que tinha ingerido quase morreu, mas de desgosto! “Veneno para Ratos” ou “Um Amor Traído”… Era o desmoronar e era altura de virar a página…

Ainda arriscou comunicar com Norman, tentando aprender a escrever à máquina e até com mímica, mas foi tudo em vão. É salvo pelo escritor Jerry Magoon, «o homem mais inteligente do mundo», que o leva para casa. Com Magoon, Firmin tem uma relação de compreensão e afecto. Aproveita para ler todos os livros das prateleiras do escritor e quando cansado, sai pelos canos e percorre as ruas da cidade. Um dia… Tudo desaparece.

São 154 páginas recheadas de humor, tristeza, genialidade, sonhos e muito mais. Em algumas páginas ainda somos presenteados com ilustrações tão bonitas como a da capa.

domingo, 1 de março de 2009

a fronteira

Roma: jardins do Foro Romano
"Existimos por nós mesmos, talvez, e por vezes até conseguimos ter um vislumbre de quem somos, mas no fim nunca podemos ter a certeza, e conforme as nossas vidas continuam, tornamo-nos cada vez mais opacos para nós próprios, cada vez mais conscientes da nossa própria incoerência. Ninguém consegue atravessar a fronteira para entrar dentro de outra pessoa – pela simples razão que ninguém tem acesso a si mesmo."
«O Quarto Fechado», in A Trilogia de Nova Iorque, de Paul Asuter

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

ler e esquecer!?

Leituras para esquecer!?
“- Lestes então os Prolegómenos?
- Mal, e ainda por cima há três anos.
- Três anos! Exclamou o doente. – Gasta uma pessoa o seu tempo e as suas forças como se se tratasse de conquistar a eternidade, e vem um fulano, que por acaso nos leu, dizer-nos que ao fim de três anos tudo olvidou! Malograda glória.”

Como a Água que Corre, de Marguerite Yourcenar

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Máscaras

Máscaras de Veneza
"[...] a diferença entre assumir uma máscara, que é sempre uma oportunidade de liberdade, e ser obrigado a usar uma é a diferença entre refúgio e prisão."

Firmin, de Sam Savage

sábado, 21 de fevereiro de 2009

As minhas verdades e mentiras

Não tenho jeito para inventar mentiras, mas a Fabulosa e a Teté lançaram-me um desafio e vou ter mesmo que mentir três vezes.

As regras:

"Dizer 9 coisas aleatórias a nosso respeito, sendo que 6 são verdades e 3 são mentiras. Quem o prosseguir deverá referir as 3 mentiras que supõe ter detectado no blogue pelo qual foi desafiado."

Como a Fabulosa já revelou as suas mentiras, vou apenas tentar adivinhar as mentiras da Teté antes que ela as desvende:
1ª - Adoro favas guisadas com chouriço, bacon e ovos escalfados;
5ª - Concorri a um concurso televisivo, mas fui eliminada nas provas preliminares;
8ª - Li os dois volumes de "O Capital", de Karl Marx.
(Todas eram possíveis de ser mentira... Estas foram escolhidas assim como que... Um tiro no escuro).

As verdades e mentiras:
1.ª – Tenho uma cicatriz no pé esquerdo de 15 cm;
2.ª – Uso aparelho nos dentes;
3.ª – Toco violino desde os 13 anos;
4.ª – Adoro acordar cedo aos fins-de-semana;
5.ª – Toquei num jacaré;
6.ª – Cortei-me numa máquina de cortar fiambre;
7.ª – Gosto de usar anéis;
8.ª – Entrei em duas peças de teatro;
9.ª – Participei num concurso de prosa.

Os sortudos:

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O desafio em falta!

O Miguel há uns tempos atrás lançou-me o desafio abaixo, que eu acabei por esquecer, mas sem intenção. Entretanto, a Su não quis que o desafio ficasse em branco e (re)lembrou-me a minha falta.

As Regras:
1 - Colocar uma foto individual (tirada por outra pessoa, e não por vós).
2 - Escolher um artista ou banda preferido.
3 - Responder às questões com os títulos das canções do artista escolhido.
4 - Escolher 4 pessoas a quem passar o desafio.

Jardins de Versalhes

Jardins do Palácio de Versalhes. Fotografia de Ana B.

As perguntas do desafio e as respostas com os temas dos Xutos & Pontapés.
a) És homem ou mulher? "Hás-de ver";
b) Descreve-te. "A busca";
c) O que é que as pessoas pensam de ti? "Poço da salvação";
d) Como descreves o teu último relacionamento? "Faca no coração";
e) Descreve o estado actual da tua relação. "Longa se torna a espera";
f) Onde querias estar agora? "Remar, remar";
g) O que pensas a respeito do AMOR? "Pêndulo";
h) Como é a tua vida? "Dá um mergulho";
i) O que pedirias se pudesses ter um só desejo? "Barcos Gregos";
j) Escreve uma frase sábia. "O que foi não volta a ser".

As sortudas:
Dalaila: http://farolnoventodonorte.blogspot.com/
Fabulosa: http://vozemfuga.blogspot.com/
Humming: http://omeusussurro.blogspot.com/
Nuvem: http://a-minha-nuvem.blogspot.com/

Pinturas populares (últimos 30 dias)