Devo dizer que este livro não foi de fácil leitura. Houve até certas partes da história em que me senti mesmo perdida. E o facto de não conhecer a escrita do autor pode ter ajudado ou não na leitura!
“- Daqui a nada é manhã
e não será manhã nunca.”
O Arquipélago da Insónia é um livro que parece estar cheio de nada e no entanto conta-nos uma história. A história de três gerações de uma família que vive algures no Ribatejo, onde o rio desagua na Trafaria.Temos o avô, que trata o filho por “Idiota”; a avó, que mata os coelhos com uma paulada no cachaço e logo a seguir afaga-lhes o pêlo; o filho, que provavelmente é mesmo um “Idiota”, pois é casado com uma ex-empregada da casa e deixa que o pai a possua e por fim temos os dois netos, sendo um deles autista e filho do ajudante de feitor. O Jaime, que diz não chamar-se Jaime.
Na história, encontramos ainda, o feitor; a prima Hortelinda, que já está morta e a Maria Adelaide, que é casada com o irmão do autista. Este por sua vez, nutre uma paixão por ela.
Nas duas primeiras partes da história, quem nos dá a conhecer a família é o autista. E talvez por isso a sensação de nos sentirmos perdidos na leitura.
Encontramos uma sucessão de histórias e acontecimentos em frases e palavras soltas e não encontramos um sentido. Tudo vai passando pela mente do personagem a grande velocidade e o leitor perde o norte.
Na terceira parte, a história da família é contada pelos outros personagens e o leitor dá por si a encontrar o sentido das coisas. Talvez até seja o encontrar da lucidez.
É "o arquipélago da insónia", onde cada um dos personagens são ilhas e que, apesar do seu elo de pertença, deambulam sozinhas. Caminham solitariamente, despertas pela noite e pela morte que estão sempre presentes.



