quarta-feira, 26 de novembro de 2008

"O Ingénuo"

O Ingénuo, de VoltaireO primeiro livro que li de Voltaire foi Cândido e gostei imenso! Contudo, hoje falo-vos não de Cândido, mas sim d’O Ingénuo. Neste livro de 93 páginas, Voltaire, o escritor do Iluminismo, volta a surpreender com humor e ironia.
O Ingénuo conta a história de um índio hurão, de nome Hércules Ingénuo, que, ao desembarcar na Bretanha, é reconhecido pelos seus parentes que o convertem ao catolicismo e o baptizam. Só que entretanto Ingénuo apaixona-se pela sua madrinha de baptismo e vê-se confrontado com impedimentos que não entende.

“ – Irra, meu tio, estais a fazer pouco de mim! Porque há-de ser impossível casar com uma madrinha quando a madrinha é nova e bonita? Não vi no livro que me emprestastes [A Bíblia] que seja pecado casar com as raparigas que nos ajudam a baptizar. Vejo que se fazem todos os dias para aí muitas coisas que não figuram no vosso livro e que não se faz nada daquilo que o livro diz; confesso-vos que isso me surpreende e aborrece.”

Após lutar contra os ingleses, Ingénuo parte em direcção a Versalhes com o intuito de receber um prémio pelos serviços prestados e com esperança de conseguir casar com a sua madrinha, a linda Saint-Yves.
Ao chegar lá acaba por ser encarcerado na Bastilha. Como fica sem saber notícias do seu amado, Saint-Yves parte também para Versalhes. Contudo quando pede ajuda a um padre para libertar Ingénuo, depara-se com propostas delicadas. Saint-Yves vê-se então confrontada com um dilema... E mais não conto.
Esta obra é uma excelente sátira ao catolicismo e à sociedade.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Notre Dame de Paris

Notre Dame de Paris “And the cathedral was not only company for him, it was the universe; nay, more, it was Nature itself. He never dreamed that there were other hedgerows than the stained-glass windows in perpetual bloom; other shade than that of the stone foliage always budding, loaded with birds in the thickets of Saxon capitals; other mountains than the colossal towers of the church; or other oceans than Paris roaring at their feet.”
Notre Dame de Paris, de Victor Hugo, 1831

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Recital de Piano com Alena Khmelinskaia

Amanhã às 21h30 realiza-se, no Grande Auditório da Universidade do Algarve (Campus de Gambelas, Faro), um recital de Piano por Alena Khmelinskaia, aluna galardoada do Conservatório Regional do Algarve Maria Campina e vencedora, na sua categoria, do XIV Concurso Internacional de Piano Maria Campina.
Para os interessados informo que o concerto tem entrada gratuita.

Programa

I.S. Bach, Toccata BWV 913

I. Haydn, Andante com variações. Hob. XVII:16

Intervalo

A. Scriabin, Preludio e Nocturno (para mão esquerda), op.9

C. Debussy, Estudo “pour les cinq doigts”

P.I. Tchaikovsky, Romance, op.5

D. Kabalevsky, Rondo, op.59

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Sputnik = Companheiro de viagem

Sputnik, Meu Amor de Haruki Murakami"Aquela mulher amava Sumire, mas não sentia por ela desejo desejo sexual. Sumire amava aquela mulher e, mais, desejava-a. Eu amava Sumire e desejava-a. Sumire gostava de mim, mas não me amava nem tão pouco sentia desejo sexual por mim."

Sputnik, Meu Amor, de Haruki Murakami podia resumir-se às linhas acima citadas. No entanto, a sua história conta-nos muito mais que isso. Fala-nos de livros, de música clássica, de solidão, de viagens, de sonhos e de realidades.
O engraçado é que o livro que li antes deste foi O Processo, de Kafka. Quem já o leu sabe que o personagem principal chama-se K. Pois neste, também existe um K, que é o narrador da história. Não sei se já vos aconteceu depararem-se com coincidências destas, mas a mim acontece-me frequentemente.
Dividi esta história de agradável leitura em duas partes. Na primeira, K dá-nos a conhecer Sumire e o quanto ela desejava ser escritora.
Na segunda parte, Sumire parte numa viagem com Miu e desaparece. K é finalmente dado a conhecer através dos escritos de Sumire, que ele nos narra. Estes dois documentos convidam o leitor à introspecção e ao questionamento.
A escrita de Haruki Murakami surpreendeu-me, por isso espero voltar a lê-lo. "Viram alguma vez alguém levar um tiro e não deitar sangue?"

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O Poeta e o Sonho

Ponte de Lima: Jardim Romano
"Durmo. Se sonho, ao despertar não sei
Que coisas eu sonhei.
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
Melhor é nem sonhar nem não sonhar
E nunca despertar."
Fernando Pessoa, Poesias, 1933

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Roma

Fontana de Trevi
Roma. Uma cidade monumental. É assim que a defino. Tudo em Roma é colossal. As ruas revelam anos e anos de história. Caminhar por elas é caminhar de rosto esticado para cima até doer o pescoço. É surpreender-se em cada esquina e em cada praça. É carregar no botão da máquina fotográfica sem cessar para mais tarde recordar. É reconhecer quase toda a cidade, sem nunca lá ter estado antes.
Roma. Uma cidade também desmesuradamente turística e suja. Com arredores feios e ainda mais sujos. Em que se conta pelos dedos os que primam pela simpatia e pela boa disposição.

Pinturas populares (últimos 30 dias)