quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Regresso aos livros

Não tenho falado de livros... A verdade é que não tenho escrito sobre nada… Nem de livros, nem de coisa nenhuma! Os dias têm estado azulados para estes lados do sul e os mergulhos no mar (confesso que gosto ficar de molho como o bacalhau) têm sido mais frequentes do que a vontade de escrever. Têm sido quase como um prolongamento das férias.
Até tenho-me dedicado imenso aos livros, mas mais na vertente da leitura. Aliás acho que nunca tinha lido tanto num curto espaço de tempo! Treze livros em três semanas. Rabisquei em quase todos eles. Sim, porque eu tenho o hábito de rabiscar nos livros. Ainda não vos tinha dito? Talvez seja tique ou apenas uma forma de deixar a minha presença neles…
Não sei se falarei de todos eles por aqui, mas sei que hoje vou escrever sobre um: Paula.

“Sou o vazio, sou tudo o que existe, estou em cada folha do bosque, em cada gota do orvalho, em cada partícula de cinza que a água arrasta, sou a Paula e também sou eu própria, sou nada e tudo o resto nesta vida e noutras vidas, imortal.”

PaulaIsabel Allende é a autora do livro. Considero-o como um diário, uma vez que a autora escreveu sobre a sua filha Paula, uma jovem de 28 anos que adoece e entra em coma. Durante o coma, Isabel Allende decide escrever à sua filha, pois acredita que ela irá acordar e como ela diz, “quando despertares não te sentirás tão perdida”. Contudo, a morte de Paula é um facto e o leitor quando parte para a leitura da história, da família Allende, já o sabe. Por isso, Paula é um livro carregado de dor, mas também de libertação. A libertação de uma mãe que encontra nas palavras que escreve uma terapia ou talvez um exorcismo salvador, que de outro modo seria insuportável.
Ao ler as suas palavras foi como se o sofrimento da família Allende estivesse a entranhar-se em todos os meus poros. Houve momentos em que tive mesmo de parar durante largas horas para recuperar forças, pois é mesmo um relato cru que envolve e comove. Boas leituras!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

"Brinquedo"

Ilustração de Chantal Muller Van der BergheIlustração de Chantal Muller Van der Berghe

Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.

O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.

Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.


Miguel Torga, Diário I, 1941

sexta-feira, 25 de julho de 2008

A Poesia está em toda a parte

Por trilhos em Cachopo
A Porta

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta.
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho.
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado.
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira.
Eu abro de sopetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa)
Que se uma pessoa é burra,
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!

Eu fecho a frente da casa,
Fecho a frente do quartel,
Fecho tudo nesse mundo,
Só vivo aberta no céu!

Vinícius de Moraes, Poemas Infantis

terça-feira, 22 de julho de 2008

"Um azul"

O teu azul acordou diferente
Sem a leveza da água
Sem o som da manhã

O teu azul está mais escuro
Mais perto de uma dor contida
De olhar inquieto e trémulas mãos

Azul de luz sombria
De lágrima redonda e carnuda
Sulcando as faces da vida

Deixa-me tocar
As fundações desse teu azul
Deixa-me abraçar
A noite que te corrói

Deixa este meu sol
Penetrar-te a melancolia
Reverter em lençóis de ouro
O mar gelado que te aprisiona

Esta manhã
O teu azul acordou diferente
Adormecido pelo silêncio
Seco pelo deserto...

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Autor: Ruinzolas
Blogue: http://palavraformacirculo.blogspot.com/

sábado, 19 de julho de 2008

"ANJO AZUL"

Eu não sei quem ele é.Porém,todos os dias nos encontramos.
E ele me chega sorrateiro,sempre com um sorriso leve nos lábios.
Traz um olhar enigmático e firme que transmite ao meu a segurança de poucos.
Andamos lado a lado por uma esplanada.Ora em silêncio,ora sorrindo um para o outro,ora apenas desfrutando o momento.Para quê palavras?Se estamos juntos?

Quebrando então o vácuo fonético,ele convida-me para sentar e faz-me ouvir encantada as suas viagens,conta-me suas histórias que fornecem ao meu coração,a imunidade necessária para que eu possa avançar pelo mundo,sem pensar em suas mazelas.

Ah! e aqueles olhos negros?sempre fixos em mim,cheios de uma ternura incomum,observa cada expressão do meu rosto,como que querendo ler algo que talvez eu não estivesse claramente a expressar.

Espalmamos nossas mãos,num convite silencioso para continuarmos a andança com elas unidas.E partilhamos neste caminhar,um olhar específico para a lua,que hoje brilha cheia e intensa como nós.
Depois de bons momentos juntos,desfrutando desses pequenos grandes prazeres,ele se vai...da mesma forma que chegou.Ainda não sei quem ele é realmente e talvez nunca vá saber.

A única coisa que sei, é que ele é o mesmo que me veio,com suas asas quebradas.Molhado em pingos de uma chuva azul com pétalas de rosas vermelhas e envolto numa nuvem branca como algodão.

E eu sei que ainda o amo muito ou bastante em mim.

Mas,não sei quem é,pois eu nunca o vi concretamente,apenas imagino e... sinto.
Sinto todos os dias,sinto sempre.E ele é... o meu...anjo.
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Autora: Kátia (a ouvir "Anjo Azul" de Pedro Abrunhosa)

Blogue: http://www.prateteraqui.blogspot.com/

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Perfil

Perfil ______________________
a 28 de Junho foi recortado o meu melhor lado em menos de três minutos à saída do Foro Romano, em Roma. Lamento não poder partilhar o nome do artista, mas com o entusiasmo da conversa esqueci-me de lhe perguntar o nome.

sábado, 12 de julho de 2008

azul cor de Céu


Naquela madrugada o dia acordou ensonado. Bocejou e deixou-se estar. Ao despontar da manhã espertou do seu sono e espreguiçou-se por breves momentos para espantar a preguiça que insistia em querer ficar. Quando finalmente terminou o seu exercício matinal já o sol raiava.
Depressa escondeu as dispersas almofadas brancas, que por ali ainda andavam perdidas e num ápice vestiu o Céu com um infinito manto azul. Era de um azul tão azul como o azul cor de Céu!
Como o Céu já estava devidamente apresentável, o dia deixou-se ficar quieto e sossegado. O tempo que continuasse a fazer o resto!
O tempo deixou a manhã passar e a tarde chegou. Contudo, a tarde não gostou do tom de azul que a manhã lhe deixara e pintou outra demão de azul no manto que a cobria. O dia não interviu e deixou que a tarde pincelasse a sua tarde com um azul cor de Verão e de mar.
Ora, era bem verdade que o mar estava longe, mas deixava-se sempre tocar pelo Céu no horizonte! E aí o dia também não se metia!
Com o passar do tempo, o tempo deixou passar a tarde e a noite chegou. Já o dia adormeceu e a noite, a noite enegreceu o manto azul.
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Nota1: Estas palavras marcam o final do desafio.
Por uma razão especial, desta vez os concorrentes não irão a votos. Como não há vencedores, nem vencidos fico aguardar a morada de todos os participantes na minha caixa de e-mail, para que eu possa enviar a prenda de cada um. Esta é a minha surpresa para os cinco que aceitaram o desafio. Obrigada a todos.

Nota2: A pedido de muitas famílias informo todos aqueles que ficaram de fora, mas com imensa vontade de participar, que podem enviar, durante a próxima semana, o texto ou poema. Será um extra-desafio, que terei muito gosto em receber na minha caixa de e-mail e publicar no tonsdeazul.
Beijos e abraços!

Pinturas populares (últimos 30 dias)