domingo, 18 de novembro de 2007

Carta ao coronel

Portugal, 18 de Novembro de 2007

Boa noite coronel,

Enquanto que os meus dedos dedilham estas palavras, os meus pensamentos desejam encontrar-lhe a si e à sua esposa no pleno da vossa saúde física e mental.
Bem sei que estas minhas palavras não são as que esperava receber. Lamento que ao lê-las o seu rosto esmoreça com tamanha tristeza. Só que estas são as palavras que tenho e são estas palavras que vos enviarei.
Provavelmente o vosso galo até ganhou o bendito combate e provavelmente com a tamanha riqueza, que daí proveio o coronel até deixou de ir ao cais todas as sextas-feiras... O que considerando essa hipótese, as minhas palavras podem não chegar até si... Seria lamentável, pois mesmo não acrescentando nada à sua vida, gostaria de acreditar que não as escrevi em vão.
Coronel permita-me ainda dizer-lhe que admiro a sua coragem e determinação perante tanta adversidade e maleita. A desfaçatez da sua personagem ficará para sempre nos jardins da minha memória.
Um abraço sincero
tonsdeazul

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Nota: Esta carta assinala a abertura do desafio e não irá a votos.

Agradeço aos participantes e amanhã iniciarei a publicação das cartas a concurso. Até lá.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Escrevam ao Coronel

Ainda a respeito da "pintura" anterior... gostaria de lançar um novo desafio a todos os que visitam o tons de azul.
Como eu gosto de escrever e ainda mais de ler, todos os motivos são um pretexto válido para satisfazer este meu vício. Assim, desafio-vos a escrever uma carta ao coronel.
Até ao final desta semana, ou seja até domingo, aguardarei na minha caixa de correio por uma carta original (máximo de 230 palavras), que deve conter o nome do autor ou pseudónimo e nome do blogue (caso exista). Atenção as cartas devem permanecer anónimas até à divulgação do vencedor/a.
Na semana seguinte publicarei todas as cartas por ordem de entrada. A votação será feita, mais uma vez, via online e o/a vencedor/a receberá um prémio azulado.
Conto com a vossa participação! Por isso, deixem a preguiça de lado e coloquem essa massa pensante a trabalhar. Beijos, abraços e até breve!

sábado, 10 de novembro de 2007

"Ninguém Escreve ao Coronel"

Ninguém Escreve ao CoronelNo mês passado não consegui deixar aqui nenhum registo de pinceladas na escrita. Novembro entretanto já por aqui anda e sendo assim aproveito para escrever sobre o livro Ninguém escreve ao Coronel de Gabriel García Márquez.
Foi o primeiro livro que li deste autor. Um livro de poucas páginas (106 pp.) e que, de tão delicioso, se lê num ápice.

"Era Outubro. Uma manhã difícil de suportar, mesmo para um homem como ele que já sobrevivera a tantas manhãs como esta. Durante cinquenta e seis anos (...) o coronel não fizera outra coisa senão esperar. Outubro era uma das poucas coisas que chegavam."

(Outubro é mesmo um mês diferente de todos os outros. Até mesmo para um Coronel!)

O livro narra a história de um coronel e da sua mulher que perderam o seu filho. O casal recebeu como herança um galo de combate. Este dá imensa despesa, mas vendido seria uma óptima fonte de rendimento. De dia para dia, começam a viver numa situação cada vez mais miserável e são obrigados a pedir cada vez mais créditos para sobreviverem. No entanto, o coronel continua a ter a sua esperança. E é com essa esperança que sai todas as sextas-feiras em direcção ao ao cais para esperar por uma carta de um governo há muito tempo derrubado. A carta que lhe traria a prometida pensão. Só que todas as sextas-feiras o coronel chega a casa de mãos vazias. Contudo, a sua esperança não desvanece. E assim, o coronel e a sua mulher continuam a dar o pouco alimento que têm para eles... ao galo. Pois o galo, segundo o coronel, dará muito dinheiro... Se vencer no dia do combate...
E o fim não conto, é claro!
Uma história complexa, rica em emoções humanas e de personagens inesquecíveis.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

A Casa Grande

Casa Grande em Pinhel
No outro dia fiz uma escapadinha até à aldeia de Cerejo. Tive sorte e fui conhecer também a cidade de Pinhel e a aldeia de Valbom. Lugares estes pertencentes ao distrito da Guarda. Entre conversas e caminhadas, lá me foram contando algumas histórias passadas por aquelas bandas. De regresso a casa houve uma que me ficou no pensamento... A estória da Casa Grande de Pinhel... Dizem que "tem tantas portas e janelas como dias tem o ano". Não confirmo, porque não as contei. O povo conta que se trata de uma obra do Diabo, uma vez que a casa foi edificada num curto espaço de tempo. Muitos afirmam que surgiu do nada.

O certo é que a lenda existe...

"Certo dia de Verão o mestre que dirigia a obra da Casa Grande adoeceu, caindo de cama. Impossibilitado de continuar a obra, o mestre decide mandar chamar um dos seus oficiais explicando-lhe que deveria ir até aos "carrascos", nome dado à pedreira situada numa mata de vegetação a poucos quilómetros de Pinhel, buscar o granito que faltava para continuar as obras da casa. Foi então que, exigindo-lhe segredo, lhe ordenou que com ele levasse um livro e, chegado ao local da pedreira o abrisse, pois desde logo, trabalhadores saídos das páginas o iriam ajudar a levar as pedras para Pinhel e continuar assim a obra. O Homem assim o fez, seguiu viagem com o livro a tiracolo, mas quando ia já perto da Póvoa d'El Rei, a curiosidade atiçou-o e num golpe de coragem abriu o livro, enquanto isso o sol pousava no horizonte. A tentação fora mais forte do que as ordens do mestre. E logo, das páginas do alfarrábio precipitaram-se figuras demoníacas e burlescas, gritando e gesticulando de forma desordenada: "Que queres que façamos?", perguntaram-lhe. Ainda atordoado com os insólitos acontecimentos o oficial de pedreiro apenas se lembrou de mandar cortar os silvados que o rodeavam. Assim foi feito. Diz a lenda que o próprio Diabo, "em carne e osso", comandou os seus diabretes no trabalho. Assustado, o oficial de pedreiro fecha o livro e corre apressadamente para Pinhel sem mais o abrir. No dia seguinte, não houve pedra para continuar a obra. O mestre de obras, entretanto recuperado, ficou furioso com o seu oficial e acabaria ele próprio por se dirigir à pedreira com o livro. Reza a estória que foi o Diabo, em pessoa, que comandou os diabretes, transportando a pedra para obra. E foi assim que a Casa Grande surgiu, levantada pelos operários com a pedra do Diabo e dos seus diabretes."
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Fonte: Vários autores, À Descoberta de Portugal, Selecções do Reader's Digest, 2ª ed., 1989.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A não perder!

BD, Cartoon e Ilustração A Direcção Regional do Algarve do Instituto Português da Juventude junta-se uma vez mais a uma iniciativa que muito me agrada.
Convido-vos a estarem presentes amanhã, dia 8 de Novembro, pelas 21h30 na Galeria de Exposições do IPJ em Faro, para a inauguração da Exposição "banda desenhada+cartoon+ilustração". Os autores são Serafim+Rocha+Phermad+Luís Peres.
A mesma estará patente ao público até dia 10 de Dezembro. Por isso não há desculpas. Apareçam!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

despertar

despertar
Tem os dedos entorpecidos. De mãos esticadas para si, questiona os seus dedos que lhe parecem estranhos.
Não sabe por onde andou. Não sabe há quanto tempo esteve ausente. Nem tão pouco sabe aonde se esqueceu de si.
No cimo da sua mesa, por entre papeis e livros, jaz há muito uma caneta esquecida. Vislumbra-a. Suavemente pega nela, e a medo ensina-a a caminhar por entre os seus desajeitados dedos.
A tinta custa a marcar a folha pautada. Por momentos pára e vagueia nos seus pensamentos. Lentamente retoma a escrita. Apanha as letras soltas que lhe tinham fugido e forma palavras. Forma muitas e muitas palavras. Palavras que já não são escritas para um vazio, nem para um silêncio, mas para um despertar.

Pinturas populares (últimos 30 dias)