
Tem os dedos entorpecidos. De mãos esticadas para si, questiona os seus dedos que lhe parecem estranhos.
Não sabe por onde andou. Não sabe há quanto tempo esteve ausente. Nem tão pouco sabe aonde se esqueceu de si.
No cimo da sua mesa, por entre papeis e livros, jaz há muito uma caneta esquecida. Vislumbra-a. Suavemente pega nela, e a medo ensina-a a caminhar por entre os seus desajeitados dedos.
A tinta custa a marcar a folha pautada. Por momentos pára e vagueia nos seus pensamentos. Lentamente retoma a escrita. Apanha as letras soltas que lhe tinham fugido e forma palavras. Forma muitas e muitas palavras. Palavras que já não são escritas para um vazio, nem para um silêncio, mas para um despertar.








