quarta-feira, 15 de agosto de 2007

As horas do tempo

Mértola
"O tempo que passa não passa depressa.
O que passa depressa é o tempo que passou."
Vergílio Ferreira

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Navega com Mayra Andrade

Navega de Mayra AndradeAmanhã é dia de música no Teatro das Figuras em Faro. Mayra Andrade, a "boa esperança de Cabo Verde" actuará às 22h00 e com a sua voz promete uma noite de ritmos quentes.
A cantora nasceu em Cuba há 21 anos e cresceu entre Cabo Verde, Senegal, Angola e Alemanha. Vive em Paris desde 2003 e prefere a "liberdade dos palcos à clausura dos estúdios". Não gosta que a rotulem de “a próxima Cesária Évora” e muito menos que a música cabo-verdiana seja sempre associada à diva dos pés descalços.
Navega é o seu primeiro disco, resultado de seis anos de trabalho, onde Mayra integra três canções de sua autoria.

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quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Meio-dia: XLIV

Cem Sonetos de AmorCem Sonetos de Amor. Assim se chama o livro de Pablo Neruda (Prémio Nobel da Literatura, 1971) publicado em 1959.
Os cem sonetos estão divididos em quatro partes: Manhã, Meio-dia, Tarde e Noite. Neles, Neruda expressa todo o seu amor.
O escritor confessa à sua amada "Matilde" (e a nós leitores), que grande foi o seu sofrimento ao escrevê-los, mas que a sua alegria em oferecê-los a ela era ainda maior.
Palavras apaixonantes para este quente mês de Agosto e dos cem sonetos, este que transcrevo foi o que mais gostei.




Saberás que não te amo e que te amo
pois que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem sua metade de frio.

Amo-te para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Amo-te e não te amo como se tivesse
nas minhas mãos a chave da felicidade
e um incerto destino infeliz.

O meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Nuvens para sonhar

Nuvens para sonhar
"De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer,
e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos
em que estamos despertos."

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"Di sognare nessuno si stanca, perché sognare é dimenticare,
e dimenticare non pesa ed é un sonno senza sogni
in cui siamo svegli."

Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego

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Tradução: Giulio.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Papel de carta


Ao receber este abraço lembrei-me do meu amigo carteiro e das suas palavras escritas no passado mês de Junho: "escrevam cartas!".
É bem verdade que cada vez menos se escreve para alguém em papel de carta. Os marcos de correio nas calçadas começaram a ser mais um adereço, do que uma necessidade. O ter tudo à mão de um simples clique alterou os hábitos. As palavras praticamente deixaram de sair de uma Bic Cristal. O som das teclas anuncia no pequeno ecrã as palavras, que a nossa caixa electrónica encarregar-se-á de enviar para a caixa electrónica do nosso destinatário.
Por estas razões, a Austrália Post apostou nesta campanha publicitária que está surpreendente e deveras tocante.
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Nota: Obrigada lindinha pelo o envio deste mimo.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

"Partituras sob os [m]eus olhos"

Cemitério de Pianos
"A luz da manhã não sente os vidros limpos da janela no momento em que os atravessa, pousando depois nas notas de piano que saem da telefonia e flutuam por todo o ar da cozinha."

José Luís Peixoto é um dos meus escritores portugueses de eleição. Não só pela sua escrita, mas também pela pesssoa simples e simpática que demonstra ser em presença com o seu público.
Cemitério de Pianos é a sua mais recente obra e narra a história de uma família. Os avós, os pais, os filhos, os irmãos, os netos, os tios, os sobrinhos e os primos todos eles são talvez teclas de piano suspensas na vida.
Os dois personagens, pai morto e filho vivo, contam-nos, em tempos diferentes e ao longo das 314 páginas, a vida e a morte, as paixões e as traições, as frustrações e a violência doméstica, as alegrias e as tristezas da família.
O cemitério de pianos reside numa carpintaria e é o palco central. Nele há lugar para os amores e traições, para as leituras escondidas, para as brincadeiras e conversas com o narrador pai.
É uma história doce, preenchida de afectos e tristezas, que li em três actos. No primeiro devorei 100 páginas e deparei-me com um pai morto e os seus sentimentos de culpa.
No segundo, encontrei 162 páginas de maratona. Um filho vivo, que deposita as suas esperanças e os seus pensamentos inacabados em 30 quilómetros de maratona e que vai ter com um pai morto.
E no terceiro, entra novamente o pai para confirmar a morte do seu filho.
Um livro recheado de páginas ternurentas, que foram "como partituras sob os [m]eus olhos".

Pinturas populares (últimos 30 dias)