segunda-feira, 4 de junho de 2007

MaRvãO sublime


Certa manhã ao acordar, sentiu-se vazia.
Olhou o azul céu e nada viu.
Nada sentiu, nada encontrou.
Imagens desfocadas por ela passaram,
E seu melancólico corpo não reagiu.
Eram apenas retratos.
Retratos de um ontem que já não existia.
Partiu.
Partiu em busca de algo que desconhecia.
Numa ânsia desenfreada de ao limite chegar.
Por momentos inspirou.
Inspirou a leve brisa que até ela chegava.
Escalou montes e desbravou montanhas,
E no cimo, tocou no instante da magnitude.
Na imponência do belo e infinitamente mágico.
O vento gelado daquele Inverno,
Fustigava-lhe a eloquência.
E o fugaz silêncio derrotava-lhe as abismadas palavras.
Mas os seus olhos encontraram a perfeição da conquista,

O deslumbre do encantamento.
Os seus dedos cravaram as pedras do real.
Os seus pés pisaram o pulsar de uma vila.
Uma vila abscôndita por muralhas avassaladoras.
E no limiar do infinito,
Entre o tímido céu e a longínqua terra do nunca,
Os seus batimentos apressados revelaram-lhe o Não Sonho.

sábado, 26 de maio de 2007

Recantos coloridos

Está a decorrer na vila de Ponte de Lima, o 3.º Festival Internacional de Jardins.
Este acontecimento anual procura seguir o modelo do Festival de Chaumont, em França, e tem como intuito restabelecer o equilíbrio paisagístico, de forma a combater a imagem de betão construído sem planeamento nas nossas cidades. Assim, dá também um contributo pedagógico à população visitante.
Os temas deste ano são diversos (12). Podemos passear por um Jardim de (Con)trastes ou por um Jardim Reciclado ou até mesmo por um Jardim de Cartão, pelo O Homem que Plantava Árvores ou dar um saltinho e iniciar uma Metamorfose.
Os participantes do festival têm oportunidade de inventar e marcar a diferença. Os materiais reutilizáveis, a criação e a inovação são parte integrante destes jardins originais em formas, cheiros e cores.


A máquina não registou fotografias do festival. As fotos que vos deixo hoje aqui são dos jardins e dos espaços que envolvem a vila. Podem sempre deleitar-se com o Jardim Romano e o Jardim Barroco.



Os espaços verdes estão entranhados em Ponte de Lima. É impossível entrarmos na vila e não nos depararmos com os infindáveis canteiros de flores todos trabalhados e arranjados ou com pequenos jardins onde nos cruzamos com apaixonados a partilhar juras de amor.



"Devagar no jardim a noite poisa
E o bailado dos seus passos
Liberta a minha alma dos seus laços,
Como se de novo fosse criada cada coisa."

Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética
_________________
Nota: Tema para 2008 - Energias no Jardim. Entrega das candidaturas até 30 de Outubro de 2007.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

As vozes de Macbeth

Dias de teatro são sempre dias especiais.
1.ª Plateia. Lugar D7.

Macbeth.
O guerreiro. O lutador de vozes.
Vozes que habitam nele. Vozes que habitam nos outros. Vozes que habitam por todo o lado. Vozes do passado. Vozes do presente. Vozes que não se calam. Vozes que surgem inesperadamente. Vozes que abrem buracos.
Macbeth.
O inquieto. O receoso de vozes.
Vozes que o extasiam. Vozes que o conduzem. Vozes que o travam. Vozes que o colocam do avesso. Vozes que o deixam “sedento de cumprir o seu oráculo”.
Texto adaptado do original de Bruno Bravo, Encenador.
______________________
Nota: Peça em cena no Teatro das Figuras em Faro, dia 23 de Maio (hoje), às 21h30.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Bicampeões!!

É que nem esperava outra coisa!
Cam-pe-ões, cam-pe-ões, nós somos cam-pe-ões!
Cam-pe-ões, cam-pe-ões, nós somos cam-pe-ões!
Cam-pe-ões, cam-pe-ões, nós somos cam-pe-ões!
... ...

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Quotidiano atribulado

Maio já vai avançado e para além dos acidentes de percurso, ando sem Tempo para aqui escrever… Após ler Miguelanxo Prado não resisti em dedicar-lhe o mês. Um autor extraordinário, com um humor arrojado que toca nos calos da sociedade. O livro de BD Crónicas Incongruentes retrata seis histórias hilariantes, onde “o resultado é uma lúcida e acutilante reflexão sobre a violência quotidiana” a que estamos submetidos e até resignados. É impossível lê-las e não nos revermos nessas mesmas histórias. Acaba por ser irónico! As histórias são tão caricatas, mas tão reais e actuais, que rimos às gargalhadas com as situações expostas. Como se até fosse normal!!
Das seis histórias a n.º 5 é sem dúvida a mais delirante. Miguelanxo Prado retrata as forças policiais. Ao longo das vinhetas vão sendo descritas diversas situações, tais como: assaltos, agressões, condução perigosa, etc. Em todas elas a polícia assiste passivamente. No final, encontramos o caricato, ou seja uma senhora a ir presa por ter estacionado em segunda fila na via pública para poder prestar auxílio a um acidentado.
Prado apaixona. E desta feita, não consegui ler apenas um!!
O livro do mês no Georden também é de Miguelanxo Prado, porque não ir até aqui dar uma espreitadela!?
Boas aventuras no vosso dia-a-dia!! Ehehe

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Tipografia

________________
Fonte: Heitlinger, Paulo, Tipografia: Origens, formas e uso das letras, Lisboa: Dinalivro, 2006.

Pinturas populares (últimos 30 dias)