quarta-feira, 12 de julho de 2006

Janela aberta




Da varanda da sua janela,
Acorda com o vazio da sua ilha,
Mas hoje não pensa na sua solidão.
A sua não ausência não está lá.
Serena, de sorriso nos lábios, sai.
Deixa a janela aberta.
Ao fim do dia sabe que encontrará
Cada espaço, da sua vazia ilha,
Simplesmente… diferente.



quarta-feira, 5 de julho de 2006

poesia ao vento

“na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, [os meus irmãos]
e eu. depois, [o meu irmão] mais velh[o]
casou-se. depois, [o meu irmão] mais nov[o
foi para longe]. depois o meu pai [calou-se]. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos [o meu irmão] mais velh[o] que está
na casa del[e], menos o meu irmã[o] mais
nov[o] que está [lá longe], menos o meu
pai [calado], menos a minha mãe [também calada]. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinh[a]. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.”
Adaptação do original
José Luís Peixoto, a criança em ruínas

terça-feira, 27 de junho de 2006

Contemplação

Não deixou de pensar,
de falar, não sei...
Não deixou de chorar,
de questionar, não sei...
Não deixou de acreditar,
de lutar, não sei...
Não deixou de amar,
de procurar, não sei...
Perdeu!? Não sei...

terça-feira, 13 de junho de 2006

A partida

Pronto acabou-se! O tempo por aqui, nos algarves, não tem jeito! É sempre a mesma coisa! Quando resolvo aproveitar uns fins de tarde para usufruir da minha maravilhosa praia, logo vem o Sr. Vento e a Sr.ª Chuva com o seu ar todo magestoso e a dizer que não será bem assim!! Assim não dá!! Como pode uma pessoa sair deste estado sem cor!? Solarium? Auto-bronzeador? Hum... Não me parece!! Vou mas é partir para outras paragens, vou em busca do sol quente, da praia com sabor a mar salgado e da areia escaldante com recheio de búzios, conchas e pedrinhas... Sonhar ainda não custa, pois não!? :)

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Trilho da Amoreira

Percurso: Pedestre
Localização: Praia da Amoreira, Concelho de Aljezur
Distância aproximada: 6 km
Duração: 3h (aprox.)
Grau de dificuldade: Baixo
Cotas mínima e máxima do percurso: 5-68

Um percurso para conhecer o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. De âmbito maioritariamente ambiental, ao longo deste percurso tem-se a oportunidade de apreciar as extraordinárias paisagens desta costa assim como alguns dos pontos de maior interesse deste itinerário: a praia da Amoreira, a ribeira de Aljezur, lagoas temporárias e as características das arribas da Costa Vicentina.


quinta-feira, 1 de junho de 2006

sombra e vento

Duas palavras. Som…bra… Ven…to… Hum… Tanto que se poderia dizer sobre elas…
Um outro olhar, agradou-me em especial a tua pincelada: “não vejo nada! será o vazio a sombra? Ou terá sido o vento que a levou? Fica a dúvida…”

E porque não desfazer a dúvida? Com a sombra... sempre tento imaginar e brincar, inventar e criar, fugir e perseguir, procurar-me e esconder-me. Com o vento... com o vento arrepio-me, imagino-me a voar e a cair, a correr, a sentir e a gritar. Sombra e vento..., com elas o autor Carlos Ruiz Zafón escreveu "uma história inesquecível sobre os segredos do coração e o feitiço dos livros": A Sombra do Vento. Um livro que fala de outro livro, uma história que fala de outras histórias... o livro que me acompanha de momento, ao qual desconheço o seu fim, mas que deixo-vos com o sabor do princípio:
“Ainda me lembro daquele amanhecer em que o meu pai me levou pela primeira vez a visitar o Cemitério dos Livros Esquecidos. Desfiavam-se os primeiros dias do Verão de 1945 e caminhávamos pelas ruas de uma Barcelona apanhada sob céus de cinza e um sol de vapor que se derramava sobre a Rambla de Santa Mónica numa grinalda de cobre líquido.”

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P.S. Hoje e amanhã estarei ausente, eu sei e tu sabes, mas hoje não me esqueci de ti, alegna. Um beijinho grande da cor do mar.

Pinturas populares (últimos 30 dias)