terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"Metade"



«Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.»
Metade, Oswaldo Montenegro

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Joaninha voa, voa...


Fonte Santa, Quarteira

Gosto de joaninhas. Acho-lhes imensa piada!
Quem de nós não teve já uma joaninha na mão e não cantou aquela canção "joaninha voa, voa que o teu pai está em Lisboa..."?

Nesta minha constante busca de lendas e mitos, descobri que as joaninhas também não escaparam incólumes às ditas! A verdade é que este bichinho da família dos escaravelhos é associado a factor de sorte e boas-novas. Por isso, quando encontramos uma joaninha temos o hábito de a segurar nos dedos e dizer a tal lengalenga que sempre nos vem à cabeça. E daí que algumas culturas acreditam, que matar uma joaninha pode trazer azar e tristeza.

Por exemplo, na França dizem que se uma joaninha pousar em nós e depois voar, que esta levará com ela a nossa infelicidade. Nos Estados Unidos, acreditam que muitas joaninhas a voar na Primavera é prenúncio de boas colheitas. Já os belgas preferem acreditar que uma joaninha pousada na mão de uma jovem, é sinal que ela se casará nesse ano. Mas os da capital ainda acrescentam que as pintas pretas indicam o número de filhos destinados à pessoa, cuja mão a joaninha for pousar. Ainda no campo do amor, temos os noruegueses que dizem que se um homem e uma mulher virem uma joaninha ao mesmo tempo, então haverá romance no ar. Os asiáticos vão mais longe e afirmam que as joaninhas percebem a fala humana, pois estas foram abençoadas por Deus. E por aí fora...

Verdade ou não, o certo é que estes insectos dão imenso jeito no meu jardim, pois, para além de serem lindos, devoram os milhares de pulgões que por ali se passeiam.
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

"Moonlight Quill"

La marelle en papier, Marie Desbons, França

«Merlin Grainger era um empregado da livraria Moonlight Quill, que talvez alguma vez tenham visitado, e que fica mesmo ao dobrar da esquina do Ritz-Carlton, na 47th Street. A Moonlight Quill é, ou melhor era, uma lojinha muito romântica, considerada radical e admitidamente escura. O seu interior estava salpicado de cartazes vermelhos e alaranjados de intenção afogueadamente exótica, e iluminado com semelhante intensidade pelas brilhantes e reflectoras encadernações das edições especiais e pelo grande candeeiro achatado de cetim purpúreo que, aceso todo o dia, se encontrava pendurado do tecto. Era, realmente, uma livraria amena.»
«Ó bruxa do cabelo avermelhado!», in Fantasias, de F. S. Fitzgerald

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

escolhas

Cádiz, Espanha

«Tenho que escolher o que detesto - ou o sonho, que a minha inteligência odeia, ou a acção, que a minha sensibilidade repugna; ou a acção, para que não nasci, ou o sonho, para que ninguém nasceu.
Resulta que, como detesto ambos, não escolho nenhum; mas, como hei-de, em certa ocasião, ou sonhar ou agir, misturo uma coisa com outra.»
Livro do Dessassossego, de Fernando Pessoa (Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

"eu sou aquele que te procura"

O Manuel Cardoso disse que era “lindo, lindo, lindo”. A Paula disse que era “uma história linda”. E pronto, foi assim que pedi emprestado A Terceira Rosa, de Manuel Alegre para descobrir se era mesmo assim como eles diziam. Sim, posso já adiantar que eles tinham razão!

A Terceira Rosa é um romance de 125 páginas, que se lêem num ápice. Este é composto por 56 fragmentos, que por sua vez são vividos na primeira pessoa, na pessoa de Xavier. Xavier que é apaixonado por Cláudia. E a história desenvolve-se, toda ela, em volta desta paixão, num Portugal dos anos 50. Numa época em que havia famílias, como a de Xavier que eram contra o regime político e outras, como a de Cláudia que viviam do lado do regime.

Mas Xavier só queria viver esta paixão. Uma paixão em que «Olá, disseste. E a terra começou a tremer.» Uma paixão que «[a]o certo, ao certo, ninguém sabe quando» começou. Talvez fosse «desde sempre», como afirma a mãe de Xavier. «Ou até antes, antes de serem, antes do tempo, antes de tudo. Talvez por uma qualquer fatídica conjunção astral. Era assim: ela e só ela, como a outra metade de si mesmo. E dentro dele o sangue do avesso.» Uma paixão que se revelou em frente do portão principal da casa da tia Filipa, em Alba. No momento em que Xavier regressou de Coimbra de camioneta e ela olhou para ele. Foi aí que ela, a paixão se revelou.

Só que esta paixão «[e]ntrou em todas as batalhas, partiu em todas as cruzadas». É vivida de encontros e desencontros, de alegrias e tristezas, de certezas e ansiedades, de promessas e cumplicidades, de ciúme e desespero, de mudança, solidão, dor e eterna espera. Ela morreu. Ele procura-a «no vento, nas dunas, no mar, na espuma, nas noites de neblina», onde pode «apertar o [seu] corpo já sem corpo.»

Um belíssimo romance com cheiro a poesia, «que se afirma quase como um ensaio literário sobre a paixão», que marca a vida de Xavier e Cláudia e que nos revela as contradições dos sentimentos e os confrontos da vida. Este ano quero voltar a ler mais deste autor!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Terminal Studios | Orquestra do Algarve




Quando a ilustração e a música se juntam...
Tenho vindo a partilhar nas Pinceladas do sentir ilustrações musicais. Hoje aproveito para pincelar sobre o projecto e sobre os artistas.

A Orquestra do Algarve, na temporada 2010/2011, apostou numa parceria com o TERMINAL STUDIOS - Núcleo de Banda Desenhada e Animação do Algarve. Assim, de Outubro de 2010 a Agosto de 2011, «designers e ilustradores da região do Algarve vão contribuir para consolidar a imagem dos meios de divulgação da OA, divulgando não apenas as suas actividades, mas também promovendo talentos na área da ilustração da região algarvia».

Outubro - Violino
Filipe Coelho é formado em Design de Comunicação. A sua área de interesse foca-se no design gráfico e, em particular, na ilustração. Participa em projectos e fanzines, destaca-se as edições Zona e as várias iniciativas do Terminal Studios.

Novembro, 2010 - Flauta

Catarina Guerreiro
é licenciada em Artes Visuais. Para além de já ter colaborado com alguns trabalhos nas iniciativas do Terminal Studios, também já participou nos fanzines Kzine e Zona. Realizou ilustrações para o livro infantil Histórias da Ajudaris 1 e 2, sem esquecer os seus projectos pessoais, entre eles Luminus Fantasia, fanzine que desenvolve em conjunto com mais duas colegas do Grupo Luminus Box.

Dezembro, 2010 - Violoncelo

Tiago da Silva
é ilustrador freelancer. Produz ilustrações para diversas áreas, tais como editorial, publicidade, videojogos, storybords, banda desenhada e entre outras. Foi vencedor do prémio Cartoon no Concurso Internacional da Amadora 2005 e o seu trabalho já foi reconhecido em diversas publicações.

Janeiro, 2011 - Oboé
Phermad é designer e ilustrador. Coordena e participa em exposições e festivais; é orientador em diversos cursos e workshops; participa na dinamização de espaços públicos, colaborando com vários projectos editoriais. Foi vencedor de alguns concursos nacionais e internacionais em BD, cartoon, ilustração, animação e design.

Pinturas populares (últimos 30 dias)